sábado, 30 de novembro de 2013

Oliveiras milenares


As maiores oliveiras que conheço situam-se no Casal da Fraga. Esta está rente à estrada, em frente à casa que foi do ti Miguel Leitão e da ti Lurdes, pais do Pe. José Augusto. Por detrás da casa, no quintal, há uma ainda maior. O genro, o Hermínio, diz que tem na Partida "...umas oliveiras que são umas toras. Cada uma dá 4 ou 5 sacas de azeitona. Sozinhas vão ao lagar."


Esta oliveira é da propriedade do Casal do Monte do Surdo, abaixo do cruzamento para os Pereiros e Partida, atualmente do José Serra.
M. L. Ferreira

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ribeira de São Vicente

RIBEIRA
Murmúrio da água que vi e ouvi na corrente da Ribeira. 
Traz ela, a frescura da Gardunha até S. Vicente da Beira.


Luzita Candeias
05/11/2013

domingo, 24 de novembro de 2013

O nosso magusto

Houve magusto, na praça. Nem o vento, nem o frio intenso fizeram desanimar quem se juntou hoje no magusto organizado pela Junta de Freguesia, com a colaboração do Rancho Folclórico Vicentino.



Ana Jerónimo Patrício

sábado, 23 de novembro de 2013

Pôr do Sol na Praça Vicentina

O frio de Outono chegou à Vila e não deixa que os Vicentinos se sentem nos bancos da Praça em convívio e à conversa entre brincadeiras de crianças.
Só gente apressada regressa a casa, depois das compras ou da apanha da azeitona.
Vêm de faces rosadas e esfregando as frias, reclamam:
- Ai este frio da Gardunha até repassa os ossos!
Vamos já para casa acender a lareira e fazer o jantar.
Sigo a rua de paralelos calcetada.
Gostei de te ver linda Praça Vicentina!


Luzita Candeias
14/11/2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Novos investidores na Beiravicente



A água Fonte da Fraga foi notícia este fim de semana, na nossa imprensa regional. Aqui deixo um trecho da notícia no jornal Reconquista.

A empresa Beiravicente, proprietária das águas Fonte da Fraga, passou a sociedade anónima, fruto da entrada de um novo investidor no seu capital social. A empresa Thrintop SA detém agora 74% da Beiravicente SA, ficando a família Matias e as pessoas ligadas a ela, com 15%.
A laborar há cerca de 12 anos, a fabrica das águas Fonte da Fraga chegou a faturar, em 2009, cerca de 11 milhões de euros, empregando na altura 70 pessoas. Hoje a faturação é de seis milhões de euros e a Beiravicente emprega 43 funcionários diretos, já que a distribuição e o transporte são feitos por outras empresas.
Luís Matias continua a ser um dos rostos da Beiravicente, agora como membro de um Conselho de Administração presidido pelo novo investidor, Fernando Rodrigues (um empresário de Vale de Cambra) e que integra ainda o filho deste, Fernando Júlio.
A aposta passa agora por procurar novos mercados, como a China (para onde esta semana já segue um carregamento), já que a Fonte da Fraga marca presença em Macau e em Cabo Verde, para além de Portugal.

Parabéns à família Matias pelo êxito na restruturação da Beiravicente, garantindo assim numerosos postos de trabalho.
Uma referência especial ao Luís Matias, em grande forma na entrevista que deu ao jornalista.

José Teodoro Prata

domingo, 17 de novembro de 2013

A azeitona galeguinha...

 

Andava desesperado, quase há duas semanas que não ia a São Vicente! Ainda não eram oito horas quando abri a porta da rua, a caminho da azeitona. Dei um passo e parei, chocado: estava a chover. Não era muita e a previsão dava apenas chuva fraca para o Centro. Olhei os horizontes: todos abertos, só sobre Alcains é que estava o céu carregado. Pensei em desistir, mas resolvi arriscar, afinal podia não ter outra oportunidade de colher a azeitona.
À saída da cidade já se via a Gardunha: chuva só no lado este, de Alpedrinha ao cume, mas a parte oeste prometia bom tempo. Estranho, a chuva costuma vir do lado do mar e era ao contrário! Sobre São Vicente, o nevoeiro dos restos da chuva que caía sobre o cume da serra. Se estivesse a chover, era pouca.
Chão molhado só até à Póvoa, mais para diante ainda não chovera. Na zona da barragem começou a carujar. Mau, tenho o dia estragado. E a carujar continuou até chegar. Esperei no carro. Nem chovia em condições, nem parava de cair. Fui inspecionar e a rama das oliveiras ainda estava pouco molhada. Esperei mais um pouco e avancei. Uns minutos depois deixou de cair. Continuei, sempre à espera de ter de deixar o trabalho a qualquer momento. As nuvens mudaram as ameaças do Casal da Serra para o Casal da Fraga.
Depois abriu e veio o sol. A seguir limpou e a meio da manhã foi primavera durante meia hora. O vento voltou, mas fraco e aquecido pelo sol. O almoço comi-o na companhia de um pisco, sempre a piar baixinho (não tem corpo para mais) e a saltitar pelos matos.
Escurece cedo no Ribeiro de Dom Bento, sobretudo no buraco onde tenho a horta, ainda por cima tapado pelo pinhal do senhor Gomes. A partir das três horas da tarde, deixou de se ver o sol e fui colher a oliveira galega rente ao ribeiro. Azar: azeitona miudinha, engelada e agarrada! Só de lá saí perto das cinco, já quase noite. Ficou por colher a oliveira carrascanha e a cordovil. Esta fica a corar mais um pouco, para a talha, e a carrascanha talvez a deixe para os pássaros.
Quando cheguei a São Vicente, já a noite fechara o mundo na sua escuridão. Soube pela minha irmã Eulália que no Casal da Fraga esteve um barbeiro dos diabos, mas eu tive um belo dia de azeitona!
José Teodoro Prata

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Recordações

Que bom seria se todos os meninos tivessem um amigo e um brinquedo no Natal! E tantas outras coisas que nos fartamos de apregoar e, se calhar, praticamos pouco…
Mas este conto da Sophia de Mello Breyner, adaptado pelo José Teodoro, fez-me lembrar uma casinha que eu também tive em criança. Na altura os meus avós traziam à renda o Casal que agora é da família Matias. Logo à entrada, quase por detrás da capela da Santa Bárbara, havia uma cova escavada na rocha onde eu e as minhas primas montávamos a nossa casa durante as férias de verão. Tinha tudo: cozinha, sala e quarto. A mobília, eram bocados de tábuas e paus; a louça, cacos que encontrávamos, latas de sardinha, etc; a roupa, farrapos que nos davam ou roubávamos à avó ou às mães. A comida, toda a espécie de coisas que apanhávamos na horta ou os restos da cozinha. Se não houvesse nada, também serviam umas ervas apanhadas logo ali. Eram férias bem passadas! O pior era quando acabavam e ficava a tristeza da separação e um longo ano pela frente, até ao próximo verão…
Depois compraram o casal e tivemos que sair de lá. Ainda hoje, quando por ali passo, dou comigo muitas vezes a espreitar o sítio onde era a nossa casinha. A cova já lá não está há muito tempo, mas as memórias, ninguém mas tira …
A propósito de memórias e de Natal (Natal também é memórias), não resisto a partilhar um poema do José Luis Peixoto que ouvi há dias e achei muito bonito:

Na hora de pôr a mesa

na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais 
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde 
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.


M. L. Ferreira