Cada tempo tem sua história, épocas
áureas para uns e não tão boas para outros.
Os romanos eram na sua época o povo mais
poderoso da terra. Por volta do ano 218 a. C., os exércitos de Roma atravessaram
a Gália, venceram os Pirenéus e começaram a conquista da Península Ibérica.
Já em 202, na batalha de Zama, derrotaram
o general cartaginês Aníbal. Desta maneira terminava o domínio de Cartago e
começava o poderio de Roma.
Foram submetendo os povos autóctones,
mas houve uma tribo que não se deixou vergar com facilidade, eram os Lusitanos.
Os romanos dominaram a Península durante
muitos séculos. Com o tempo, as suas possessões começaram a ser invadidos por
tribos bárbaras e pouco a pouco todo o vasto império se foi retalhando.
No princípio do século IV, Vândalos,
Alanos, Suevos… foram ocupando as Espanhas. À Lusitânia chegaram os Alanos. Imaginem:
mortandades, roubos, miséria… Os Suevos andaram por cá durante muito tempo. Os Visigodos
apareceram na península, no ano 414. O poderio visigodo aumentou, por outro
lado diminuía a influência romana. Os invasores visigodos foram-se convertendo
ao cristianismo. Antes praticavam o arianismo, mas, no terceiro concílio de
Toledo, o rei Recaredo converteu-se à fé cristã. Claro, a família seguiu os
mesmos passos.
A monarquia visigótica aguentou-se
alguns séculos. A espada tinha sido posta de lado, agricultavam os solos, a
arte da guerra foi-se esquecendo, a própria fé desmoronando, até que nos finais
do século VII apareceu um homem, São Frutuoso que percorreu toda a parte
ocidental da península pregando.
Toda a monarquia era palco constante de
lutas internas. O povo vaticinava que alguma coisa estava para acontecer nos
céus cristãos das Espanhas.
Vitiza rei dos visigodos morreu, deixou
três filhos, eram todos menores quando faleceu, mas nomeou Akhila para lhe
suceder no trono. Os nobres não concordaram e aclamaram Rodrigo, estávamos no
princípio do século VIII, no ano 710. Guerras e mais guerras, quem não se
descuidou foram os califas, no ano 711, no dia 28 de Abril, Tarik-Bem-Zeyad,
com 7 000 soldados, atravessa o estreito. O rei Rodrigo não pode vir, encontrava-se
em Pamplona a combater os vasconsos. Muitos episódios depois, nas margens do
rio Guadalete, terminava a monarquia visigótica e começava o domínio árabe que
só terminaria definitivamente nos finais do século XV.
(Pesquisa
bibliográfica; História de Portugal de Fortunato de Almeida; La batalha de
Covadonga)
Locais montanhosos terão servido de
refúgio a muitos cristãos, quem sabe se não terá sido essa a função do “nosso”
Castelo Velho!
No tempo de D. Afonso Henriques, todo o
sul era ainda árabe, os campos da Oles terão sido palco de algaras, escaramuças.
Os cristãos venceram a batalha da Oles, o crescente foi derrotado, os moradores
do Castelo Velho desceram para um e outro lado da serra, onde se estabeleceram,
clima mais ameno, melhores terras…
Toda esta conversa vem a propósito de
uma coisa simples e singela:
Conheço a Oles desde criança, a
Cascalheira, a Ginjeira… “meu pai cantoneiro, meu avô Zé com suas propriedades para
aqueles lados”, aquelas pedras sempre me fascinaram, aqueles lugares contam
histórias… aos nossos pés, o campo.
No cruzamento das estradas da Oles com a
Cascalheira sempre existiu, em cima de uma “pesserra”, um fuste redondo
encimado por uma cruz. Há uns anos a esta parte, algum engraçadinho a decepou,
já não foi a primeira vez…
Quem sabe se essa cruz não estava ali
para recordar a batalha da Oles! Recordando a aflição, o tormento, as mortes
dos bravos que lutaram naquela peleja.
Senhores do mando, vá lá, mãos à obra e
voltem a colocar uma réplica.
Àquele lugar sempre se chamou a há de continuar
a chamar Cruz da Oles.
“Apesar de não chegarem aos cem anos, os
homens inventam preocupações para mil” (George
Nathan)
J.M.S
4 comentários:
Nunca conheci bem a cruz que estava no cruzamento da Oles.
Há anos, o fotógrafo Diamantino Gonçalves perguntou-me por ela, escandalizado pelo seu desaparecimento.
A ideia que tinha é que fora destruída (retirada) pelo empreiteiro que alcatroou a estrada da Oles, talvez por ter tido necessidade de remover a rocha em que estava implantada.
Ainda lá está este resto da base que a foto mostra?
Disseram-me que era trabalhada, talvez manuelina (como o cruzeiro da Senhora da Orada).
É muito possível que ali tenha sido colocada em homenagem aos que pereceram na Batalha da Oles!
Agora toda a gente anda de carro, mesmo para ir à horta, mas antigamente a realidade era bem diferente.
Os meus avós também tinham uns leirões lá para a Oles. Teria uns cinco ou seis anos, lembro-me de ir com eles muitas vezes para lá (trabalho de menino é pouco, mas quem o desperdiça é louco…). Íamos logo de madrugada e só regressávamos a casa já rente ao sol posto. No Verão, às vezes, dormíamos por lá, numa casa que agora está toda esbarrondada, escondida pelas silvas.
Às vezes tinha sorte e ia a cavalo no carro de bois, mas se havia carga, tinha que ir a pé. Era um tormento, aquele caminho que parecia não ter fim. Ainda não teríamos passado os Aldeões e já ia farta de perguntar se ainda faltava muito. Para me animar, respondiam-me:
- Já está quase, já estamos quase a chegar à Cruz.
Até me nascia uma alma nova!
Atualmente, sempre que oiço falar ou passo naquele sítio, lembro-me desses tempos. Mesmo sem a cruz, aquele lugar será sempre a Cruz da Oles, como diz o J.M.S., e terá todos os significados que lhe quisermos atribuir. Para mim será sempre o fim do tormento.
M. L. Ferreira
O fuste simples todo ele redondo teria um metro e oitenta de altura! era coroado por uma singela plataforma quadrada onde estava implantada a pequena cruz, talvez um pouco maior que a que se situa no terreiro da Senhora da Orada.Uma cruz simples nada trabalhada.O pedaço que se vê na fotografia continua lá."Esta foto tirei-a no ano passado" Era rapazote quando vandalos a destruiram, esta última já não era a original,não sei qual a entidade que a substituiu.Julgo que terá sido reposta a mando da casa conde da Borralha, "ouvia dizer ao meu pai".
A pedra continua onde sempre esteve e a estrada também, cada uma cumprindo sua missão. Lembro-me muito bem de ver o primitivo cruzeiro todo ele coberto de musgo, enegrecido pelo tempo.
À cinquenta anos atrás a Óles era um lugar cheio de vida, eu e o meu irmão João Maria nos "nossos" Aldeões viamos passar as pessoas com seus animais a caminho da Óles; na actualidade como diz a Libânia até doi o coração ver casas esbarrondadas, silvados... havia vida naquelas paragens, todas as terras eram tratadas.
A Óles que pertence à vizinha freguesia do Louriçal do Campo felizmente está bem cuidada, já é campo.
Antes da aurora acordar manhãs limpidas e agradaveis venham à Óles ver nascer o sol, é um expectáculo inolvidável.
J.M.S
Cheguei aqui ao pesquisar sítios da Beira Baixa. Felicito pelas informações que nos dá. Bem haja!
O projecto que estamos a desenvolver numa aldeia longínqua do concelho de Castelo Branco, chama-se XISTO. Pode ser vista em http://xisto-centrodearte.blogspot.pt/
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