terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ti Miguel Jerónimo

 

A Jú Jerónimo que me perdoe, mas não resisti a esta foto que ela publicou no facebook. O janota é o pai dela, Miguel Jerónimo, parente materno do meu pai.

Ele morava lá longe, do outro lado da ribeira, mas tinha uma horta na Barroca, que delimitava por cima com o Cabeço do Pisco e é agora da neta Ana.

No tempo bom, ele e a mulher, a ti Laurentina, passavam uma ou duas vezes por semana na Tapada onde nasci e cresci. O ti Miguel mais sereno, a tia Laurentina mais conversadora. Vinham sempre com um burrito, um pequeno rebanho de cabras e um ou dois cães, desses rafeiros de porte mediano.

O ti Miguel trazia normalmente o casaco pendurado num só ombro, o que deveras me intrigava, pois não conhecia ninguém que o usasse assim.

Numa manhã, passou logo cedo para cima, perguntando-nos se tínhamos encontrado um casaco que ele perdera na véspera. Voltou pouco depois com o casaco e o cão. Contou-nos que encontrara o casaco caído no caminho já perto da Barroca e o cão deitado em cima dele. Ele não dera por deixar cair o casaco, mas o cão vira e ficou a guardá-lo até o dono voltar!

Em 2016, publiquei no livro “Dos Enxidros aos Casais” uma história sobre ir ao mato para fazer as camas dos animais. A parte que se segue é dedicada ao Ti Miguel:

«O mato mais abundante era a carqueja, mas magoava os animais, sobretudo no tempo seco, quando está mais áspera. A cama nova da furda era nova por poucos minutos. O porco fossava tudo e abria túneis, na sua função de porco e à procura de abrigo das picadelas das moscas. Saía de lá todo riscado de vermelho.
Por isso íamos à carqueja debaixo dos pinheiros, onde era mais macia e mais alta.

Os pinheiros eram os da senhora Maria José Afonsa. Sabíamos que lá não podíamos cortar, pois, uma vez por ano, em setembro, ela vinha com um carro de bois e pessoal, a buscar mato para o quintal, por detrás da sua casa no Cimo de Vila. Quem lhe guardava o mato era o ti Miguel da ti Laurentina que tinha a horta em frente, do outro lado do barroco. Mas ele morava no Casal do Baraçal e por isso bastava pormo-nos à escuta de sons de cabras ou chamamentos de gente.
Um dia, ele surpreendeu-nos, a mim e aos meus primos. Aproximou-se silencioso, podão na mão e casaco pendurado num só ombro, como o trazia sempre. Dera a volta ao barroco, por cima. Disse-nos o que já sabíamos e ofereceu-nos o seu mato, junto ao Cabeço do Pisco, sempre que precisássemos. Mas deixou-nos levar os molhos, porque era um homem bom.»

Nota: Há um ditado popular africano que diz ser preciso toda uma aldeia para educar uma criança. Este caso que aconteceu na minha infância partilha da mesma sabedoria. O ti Miguel podia ter ralhado connosco. Em vez disso, falou-nos com toda a calma, apenas nos pedindo que não cortássemos o mato ali, mas oferecendo-nos o seu. Se nos tivesse ralhado, teríamos provavelmente continuado ali a cortar mato e começado a ir ao mato dele. Assim, ficámos envergonhados e nunca mais ali voltámos, nem fomos ao dele.

Jjosé Teodoro Prata


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Zona Especial de Conservação (ZEC) da Serra da Gardunha

 

A área da ZEC está delimitada pela linha vermelha. A parte ponteada a lilás é a área protegida já existente. Concluo que todo o vale da ribeira, até à Orada, isto é, a zona agrícola, ficou fora da ZEC. Esta começa onde se inicia a floresta, nas zonas mais altas.

Há muita informação na net sobre a ZEC da Gardunha. 

Ainda não percebi, nem aceito, que a parte a oeste da Paradanta não seja considerada integrante da Gardunha, por um lado, e por outro que não tenha sido integrada na ZEC.

A este, a ZEC termina na extremidade da serra, a este de Vale de Prazeres e do Alcaide.

José Teodoro Prata

Acrescento de 08-02: 

Informa-me a net que a Gardunha tem 20 km de comprimento e, pelas povoações incluídas, termina na Portela da Paradanta. Por isso a ZEC e a anterior Paisagem Protegida Reginal da serra da Gardunha terminam na Paradanta. Penso que é mais um limite político-administrativo do que geográfico. Mas, vencido, embora não convencido, aqui deixo a retificação.

José Teodoro Prata

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

E estes?


Foto tirada da página do facebook da Nelita Rodrigues. Fotografada no Café da Tomázia, propriedade dos pais da Nelita.

Quem são eles?

Da esquerda para a direita: 

António José, Manuel Candeias, José da Silva, José Ramalho e João Afonso.

José Teodoro Prata

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O Mártir São Vicente

 

António Lopes Pires Nunes solicitou a Joaquim Batista a publicação, no Facebook, deste texto e fotos alusivas à Comemoração dos 1700 anos do Martírio de S. Vicente, ocorrida em S. Vicente da Beira (concelho de Castelo Branco)

«Em 23 de Janeiro do 2005, ocorreram em S. Vicente da Beira as Comemorações dos 1700 anos do Martírio de S. Vicente.

Da “Pequena Lisboa” chegou-me um convite para elaborar um pequeno livro evocativo, que aceitei muito honrado. Naturalmente coube-me a sua apresentação marcada para um domingo na Igreja Matriz, durante a Missa.

Não esperava uma apresentação tão solene. Chamado que fui ao púlpito pelo saudoso Revº. Padre Branco, tive que improvisar a palestra pois o local exigia mais do que eu levava preparado. Como se sabe S. Vicente foi pregado numa cruz em aspa (em forma de X), também conhecida por Cruz de S. André, onde foi atado, enquanto era raspado com uma gadanha.

Passada a surpresa e como levava escritas as palavras do carrasco “(…). Que é que dizes Vicente. Onde é que imaginavas ver o teu corpo já digno de dó (…)” e a resposta de Vicente, já movido pela força divina “… foi isto que eu sempre escolhi e desejei, acima de todas as ambições”. Eis que já me encaminho para o alto, e, superior às ambições deste mundo, desprezo os teus próprios princípios”.

Com estas palavras na mão e com o que sabia da morte de Cristo, foi-me fácil, passada a surpresa improvisar. Devo tê-lo feito bem pois o Padre Branco, paramentado, chegou-se ao microfone e disse: “ Hoje a homília está feita pelo Ten. Coronel Pires Nunes”.

Não sei se isto é canónico, se é usual e se há mais gente que já fez uma homília na Santa Missa, mas a verdade é que o facto marcou-me.

Segundo a lenda o corpo do Santo, encontrado no Cabo S. Vicente, foi levado para Lisboa numa barca com dois corvos, um na popa e outro na proa, depositado na desaparecida Igreja de Santa Justa e fez de S. Vicente o Padroeiro da cidade. De acordo com o cronista Duarte Galvão, em 25 ou 26 de Setembro de 1173, ocorreu a transladação para a Sé de Lisboa, onde se encontra.

Nesse dia estavam em Lisboa acidentalmente os habitantes de uma nascente povoação da Beira que a ofereceram ao Rei Conquistador, no âmbito da Reconquista. Este, sensibilizado deu o nome a essa povoação de S. Vicente e entregou-lhe parte do corpo do Santo.

Assim, nasce S. Vicente da Beira, com as mesmas armas de Lisboa – a barca e os corvos -, razão do vicentino Hipólito Raposo a denominar de “ Pequena Lisboa”.»

Nota: O livro foi editado pelo GEGA.
José Teodoro Prata

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Mulheres - As conquistas de Abril

Na sequência dos comentários à publicação anterior, a Libânia pediu-me a publicação deste vídeo:

 https://youtu.be/mTXRXddDuvY?si=5b8C2RIsY8Dv5A13

José Teodoro Prata

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Presidenciais, 2026 (18-01) - Resultados

 Da esquerda para a direita: todo Nacional / Concelho CB / Freguesia São Vicente. Dia 8 de fevereiro há mais.

António Seguro: 31,11 / 38,49 / 36,93

André Ventura: 23,52 / 25,18 / 26,14

Cotrim de Figueiredo: 16,00 / 12,81 / 5,49

Gouveia e Melo: 12,32 / 11,77 / 15,53

Marques Mendes: 11,30 / 7,69 / 12,50

José Teodoro Prata