quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Praça de São Vicente da Beira

Dizem-me que se projeta recolocar a fonte de São João de Brito, no canto sudeste da Praça, onde existiu entre 1956 e 1973(?). Serei um dos poucos que discordo dessa reposição e explico porquê.

Em 1973, um grupo de “sábios” (Pe. António Branco, Engenheiro Martinho, José Matias (presidente da Junta de então), etc) decidiram demolir o coreto e a fonte, por se encontrarem degradados e porque ambos, de estilo “barroco”, não combinarem com as linhas clássicas da nossa Praça.

Na primeira década deste século, nos mandatos do Joaquim Morão e do João Prata, a Praça foi restaurada e optou-se por colocar um tanque baixo e de linhas simples, que combina na perfeição com a Praça.

Agora, independentemente da opinião que se tenha sobre o assunto, podia começar-se por falar com o João Prata e com os serviços da Câmara que na altura orientaram a obra e verificar se a reposição daquela fonte é compatível com o estilo manuelino-renascentista do pelourinho, monumento nacional.

Por outro lado, repor a fonte implica destruir o tanque e fonte que existe ali ao lado e destruir a fonte em São Francisco, pois está feita com pedras da antiga fonte de São João de Brito.


José Teodoro Prata


domingo, 11 de outubro de 2026

Limpar os cursos de água

Já comecei a limpar a minha extrema com o ribeiro do Ribeiro Dom Bento. 

Vamos ver se consigo limpar mais um pedaço!


José Teodoro Prata

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

FOI BONITA A FESTA

 ... dos Sinos, no 27 de Setembro. Os toques (obrigado Pedro Inácio), a palestra (obrigado Pedro e Tom), os comes e bebes (obrigado Libânia, Celeste e Conceição e os muitos que contribuíram e/ou ajudaram), o momento musical, ao lusco fusco (obrigado Tom e companheira).

Nas paredes do acesso aos espaços dos actos, mais sinos, estes em expressão poética, nas vozes de José Lourenço, José Augusto Alves e Maria de Lourdes Hortas, poetas vicentinos, de Fernando Pessoa, António Correia de Oliveira, António Nobre e Nuno Júdice.

Para quem, dos presentes, não teve oportunidade de ler, e para quem não pôde ir, deixo a nostalgia (com sinos) de Maria de Lourdes Hortas, assim:

Para quem tiver curiosidade, deixo o endereço onde pode ler todos os poemas:

https://www.dafraga.net/post/poemas-dos-sinos

Sendo o caso, tenha bom proveito!

Sebastião Baldaque


E ainda obrigado...

Carlos Saraiva e ao Pe. Zé Manel, pelo apoio ao toque dos sinos;

Miguel Jorge, pelo cartaz (em português e inglês);

Fonte da Fraga, pela oferta de garrafas de água;

Junta de Freguesia, pela cedência das instalações, pelas fotocópias e pelo apoio monetário para o lanche;

João Paulino, pela disponibilidade em mostrares os teus minerais;

David e José Miguel, por me desinquietarem; 

aos forasteiros que se juntaram à nossa festa;

e Libânia, que coordenou quase tudo e mobilizou tanta gente.

José Teodoro Prata

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Entardecer musical

 Na tarde do próximo domingo, a festa do Toque dos Sinos prolongar-se-á após a palestra do Pedro Inácio e do Tom Hamilton, na esplanada da tasca do Ti Valério, junto à Fonte Velha. Um grupo de músicos animará o nosso entardecer até cerca das 22 horas.

José Teodoro Prata

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Perdão

A idade dos avós João e Dorotheia era avançada, já pelos noventas, o corpo estava cansado, as pernas não ajudavam e a memória estava gasta. Viviam os dois na Oriana, numa casa à beira da estrada na sua propriedade agrícola que se estendia até ao ribeiro, terra fértil na agricultura e abundantes árvores de fruto, que em tempos idos de muito trabalho davam uma boa ajuda no sustento da numerosa família.

Aos fins de semana, o ponto de encontro de toda a família era na casa dos avós, onde os primos se juntavam, brincavam e percorriam toda a propriedade subindo às arvores de fruto e surripiando uma fruta aqui outra acolá, muitas vezes com a avó no seu encalço que os tentava retrair; entretanto todos em casa, a avó subia ao forro por uma escadaria larga de madeira, onde existiam arcas enormes de madeira, em que eram guardados os cereais, o azeite e a fruta que era estendida para durar se fosse possível todo o inverno e que emanava um cheiro delicioso por toda a casa. A avó apanhava a fruta para a abada do avental e voltava para junto dos netos que se regalavam com aquele miminho. (blogue Dos Enxidros – Ao Domingo)

Com o passar dos anos, a avó já vivia no mundo do passado, esquecida do presente, mas continuava fisicamente ao lado do companheiro, este também já muito cansado no corpo, mas resistindo. Valiam-lhes as filhas e noras que os iam acompanhando diariamente como podiam, até que tiveram que os amparar também durante a noite. Uma das filhas, minha mãe - também com muitas filhas a quem delegava tarefas que pudessem realizar – andava adoentada e pediu para eu ir lá dormir com a minha irmã mais nova a seguir a mim, para fazer companhia aos avós e a chamasse caso lhes acontecesse alguma coisa. Dormíamos numa cama de ferro encostada à janela, na sala cujos quartos dos avós eram contíguos a esta. Uma noite, acordo com um barulho e luz na cozinha e sento-me em pânico, pois a porta da sala estava fechada - só podia ser alguém que tivesse entrado em casa – e então oiço um arrastar de pés a dirigirem-se para a sala e a luz a entrar pelas frestas da porta e o meu coração acelerou: a porta da sala abre-se e quem entra? O meu avô, de candeeiro na mão. Mandei vir com ele porque não me chamou, que precisou de ir à cozinha e não me quis incomodar, lá voltámos todos para a cama.

Passou um tempo e um dia vi o avô no quarto muito afogueado, virava e revirava tudo à procura de alguma coisa, perguntei o que se passava, que não encontrava a carteira, eu disse que não sabia, não a tinha visto e ele muito enervado respondeu que eu devia saber muito bem onde ela estava. Fiquei pensativa, voltei a casa e contei à mãe, que ficou muito ofendida e disse: hoje não vais lá dormir. E essa noite ficaram sozinhos, imagino a preocupação da minha mãe, mas filha é filha.

No dia seguinte, pela madrugada, mal tinha nascido o dia e eu ainda na cama, no quarto ao cimo das escadas, da cabeceira via a rua, ouço vozes e aparece à entrada da porta o meu avô que subiu as escadas com dificuldade – o caminho tinha sido longo, desde a Oriana, atravessar a vila e subir a ingreme quelha até à Tapada agarrado à bengala - em direção ao meu quarto; entrou emocionado, debruçou-se sobre mim e beijou-me no rosto, virou costas e retomou o caminho de regresso: Naquele tempo era difícil mostrar os afetos e ele era um homem duro, mas honesto.

Maria Albertina Prata Teodoro

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

quarta-feira, 16 de setembro de 2026