Na festa da Cereja deste ano, em Alcongosta, foi lançado um chocolate chamado Cireneu. O jornal do Fundão deu a notícia que abaixo se mostra, apresentando o marginal como o Robin dos Bosques da Gardunha.
Dos Enxidros
Enxidros era a antiga designação do espaço baldio da encosta da Gardunha acima da vila de São Vicente da Beira. A viver aqui ou lá longe, todos continuamos presos a este chão pelo cordão umbilical. Dos Enxidros é um espaço de divulgação das coisas da nossa freguesia. Visitem-nos e enviem a vossa colaboração para teodoroprata@gmail.com
quinta-feira, 2 de julho de 2026
Um Cireneu de chocolate
terça-feira, 30 de junho de 2026
Parque solar na Gardunha
Castelo Branco: Promotor recusa convite para ir à Assembleia Municipal explicar projeto solar
Por: Diário Digital Castelo Branco, 29 de junho
O promotor de um projeto para a instalação de um parque solar na Serra da Gardunha, ao qual a Câmara de Castelo Branco se opõe, recusou o convite para estar presente na Assembleia Municipal para explicar o projeto.
O presidente da Câmara de Castelo Branco informou hoje a Assembleia Municipal sobre um projeto para a instalação de um parque solar na Serra da Gardunha, ao qual se opôs devido à sua localização.
No início do período de antes da Ordem do Dia, o presidente da Assembleia Municipal de Castelo Branco, informou os deputados municipais que tinha recebido um pedido de audiência por parte do promotor deste projeto e pediu que fosse acrescentado um ponto ao período da Ordem do Dia para informar os deputados sobre o assunto em causa, sendo que não se tratava de qualquer ação para deliberação.
Valter Lemos explicou ainda que reuniu no dia 26 de junho, com o grupo investidor (Eurowind), com o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues e com a presidente da Junta de Freguesia de Louriçal do Campo, Gorete Serra.
“Trata-se exclusivamente de um ponto para esclarecer dúvidas e informar os deputados municipais”, vincou.
Após votação, os deputados aprovaram, por maioria (apenas houve um voto contra), que fosse acrescentado este ponto à Ordem do Dia, pelo que o presidente da Câmara de Castelo Branco informou a Assembleia Municipal sobre as intenções do promotor para este projeto.
Leopoldo Rodrigues deixou bem claro que na primeira reunião que teve com o grupo investidor foi-lhe dito, “de uma forma genérica” que pretendiam investir em Castelo Branco na instalação de um parque híbrido (solar e eólico), mas “sem falar na sua localização”.
“Na altura expliquei que me opunha à instalação deste projeto caso este ocupasse áreas protegidas, solos agrícolas ou zonas onde tivesse forte impacto na paisagem”.
Segundo o autarca, passado algum tempo foi abordado por um consultor que trabalha para o grupo investidor, no sentido de arrendar cerca de sete hectares de terreno propriedade do município, precisamente, na Serra da Gardunha.
“Foi só nessa altura que me apercebi que o projeto coincidia com a Serra da Gardunha. Comunicámos que a nossa posição se mantinha e que achávamos que a localização não era a mais adequada e propusemos que procurassem outras alternativas. Não somos contra investimento ou energias alternativas”, sublinhou.
O presidente da Câmara realçou ainda que na última reunião realizada no dia 26 de junho, o investidor manteve-se praticamente intransigente.
“Houve um convite feito à empresa para estar hoje presente na Assembleia Municipal para explicar o projeto. Ficaram de ponderar e recusaram a sua presença”, sustentou.
Vários deputados municipais abordaram o assunto, mas queixaram-se da falta de informação sobre o mesmo, considerando que se trata de um assunto bastante sério.
Leopoldo Rodrigues voltou a realçar que para o executivo “a Gardunha é um santuário que importa preservar” e perante as queixas dos deputados sobre a falta de informação sobre o projeto, disse que se trata de um processo evolutivo.
Voltou a sublinhar que por se tratar de um assunto de extrema importância decidiu informar a Assembleia Municipal e, inclusivamente, disponibilizou-se para que seja marcada uma reunião extraordinária, caso assim o entendam os deputados municipais, somente para discutir este assunto.
“Não vejo nada contra isso e se o entenderem podemos voltar a convidar a empresa a estar presente”, disse.
Este assunto já tinha sido abordado, numa sessão pública do executivo, onde Leopoldo Rodrigues informou os vereadores deste projeto para instalar um parque eólico e solar nas proximidades da Serra da Gardunha, no concelho de Castelo Branco, cujo investimento ronda os 1,2 mil milhões de euros.
O caso ficou agora à espera da reflexão dos deputados municipais para uma posterior tomada de posição sobre o assunto.
José Teodoro Prata
domingo, 28 de junho de 2026
Por favor, preocupem-se!
O MAPA NEGRO
O governo divulgou esta semana o mapa das Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER). Este documento é um passaporte para a indústria da mal designada energia verde, ocupar 7% do território nacional. Este projeto é particularmente lesivo para o distrito de Castelo Branco onde se prevê a ocupação de uma área que se aproxima dos 100 mil hectares. Três concelhos da zona do Pinhal (Sertã, Proença-a-Nova e Oleiros) são os mais afetados uma vez que o plano prevê uma ocupação do seus territórios superior a 35%. O impacto de tudo isto é aterrador, visualmente vamos ter uma paisagem pintada de negro e ambientalmente é uma catástrofe uma vez que a destruição de cerca de 100 mil hectares de vegetação (só no distrito de Castelo Branco) implica a morte de um enorme número de aves e animais selvagens contribuindo desta forma para o aceleramento das alterações climáticas. Segundo os especialistas a destruição de tamanha área natural vai provocar um aumento da temperatura, o escoamento rápido da água das chuvas provocando um aumento das cheias e não permitindo o abastecimento dos aquíferos subterrâneos, a diminuição da percentagem de oxigénio e consequentemente da qualidade do ar, a esterilização dos solos por longos anos e uma acumulação enorme de sucata provocada pelo fim de vida dos equipamentos utilizados. A concretizar-se, este é um dos planos mais negros que Portugal alguma vez teve e perante isto impõem-se as perguntas: é necessário? Portugal precisa mesmo disto? A resposta é: não. Segundo foi divulgado em setembro do ano passado pela Goldenergy citando dados do Eurostat, Portugal já produz pelo sistema renovável mais de 86% da energia que consome, no entanto, o consumo de energia em Portugal e no mundo desenvolvido está a aumentar assustadoramente por causa dos Data centers, Inteligência Artificial, etc. e o nosso país está na mira das grandes multinacionais do setor energético para ser sacrificado em prol dos chorudos lucros que esta indústria vai gerar. A “receita” é velha, consta em todos os “manuais” das “empresas abutres” só lamento que o nosso governo lhe dê cobertura pondo desta forma a cabeça do seu povo no cepo. E perante isto, que titulo atribuir a este governo e em particular à Ministra do Ambiente?
quarta-feira, 24 de junho de 2026
Clara linda linda Clara
https://youtu.be/d91X9-Mlrug?si=-ZBkGiaUL0k6Iz94
Em
1962, Fernando
Lopes Graça e Michel
Giacometti estavam a fazer recolhas de canções populares pelo
país. Foi na povoação de Alferce, na serra de Monchique, que descobriram a
balada “Ó Laurinda, Linda, Linda”, sobre uma mulher adúltera que quase era
apanhada em flagrante pelo marido quando este voltava de viagem. Registaram o
tema na voz de Mariana Vitorino.
Quase duas
décadas depois, em 1981, o cantor Vitorino gravava “Laurinda” para o seu
álbum Romances.
Tornou-se, com o passar do tempo, numa das canções mais emblemáticas do seu
repertório.
Entretanto, José Augusto Alves (poeta popular vicentino de quem publicámos, no verão passado, parte da sua poesia no livro Poesia Simples) registou por escrito a versão que ele conhecia, provavelmente desconhecendo a informação que apresentei acima. Estas histórias em verso passavam de boca em boca e quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto. Por isso cada região contará uma versão desta história.
Clara linda linda Clara
Clara linda como o Sol;
Deixa-me dormir contigo
Na ponta do teu lençol.
Na ponta do meu lençol
Hoje sim amanhã não;
Meu marido não está cá
Foi à feira d´Assunção.
Onze horas meia noite
Marido à porta bateu;
Clara linda linda Clara
Clara linda não falou.
Clara linda está doente
Ou lá tem outros amores;
Ando à procura das chaves
Para abrir os corredores.
De quem é aquele chapéu
Que além está dependurado;
É para ti meu marido
Por minhas mãos acabado.
De quem é aquele capote
Que tem barra de galão;
É para ti meu marido
Acabado por minha mão.
De quem é aquele cavalo
Na minha loja guinchou;
É para ti meu marido
Foi teu pai co cá mandou.
De quem é aquele suspiro
No meu quarto suspirou;
Clara linda linda Clara
Caiu no chão e desmaiou.
Vai chamar as tuas irmãs
Para se despedirem de ti;
Que não vão fazer aos outros
O que tu me fizeste a mim.
Sete irmãs que nós somos
Todas filhas dum doutor;
Eu por ser a mais novinha
Caí no maior terror.
José Teodoro Prata
domingo, 21 de junho de 2026
O Zé Manel emigrante
Comentário do Zé Manel ao último (anterior) texto aqui publicado e no Facebook:
«Pois é...
Não sei se o
Jorge trabalhou na estrada na Paradanta, mas eu nunca lá trabalhei
Trabalhei
sim, um verão numa estrada perto de Oleiros 'éramos uma "caterva"
deles da vila quase tudo malta nova.
Voltando à
minha ida a salto para a França "lembrei-me do Raul Solnado, a história da
sua ida à guerra"
Aproximava-se
o tempo de ir à inspeção, o tempo de ir parar a África, matar os
"terroristas" ou eles matarem-me a mim.
Nunca fui a
favor destas guerras que o Salazar nos obrigava a fazer
Diziam os
mandões
Angola é
nossa...
Eu respondia
baixinho; uma gaita, a minha parte vendo-a por uma caixa de fósforos
Certa vez
disse ao meu pai que queria ir para a França...
O passador
levava cinco contos, escrevi uma carta ao meu tio António, deu ordem à sua
sogra a senhora Maria do Carmo Marcelino para me entregar os cinco contitos
O meu pai
falou com o António Luis "bigodes da Partida" certo dia eu e o Jorge
cada um com seu cesto colocámos a mala de cartão dentro cobrimo-la com uma
manta da azeitona e ai vamos nós estrada fora a caminho da Oles
Para onde
ides!
Vamos para a
Oles do senhor Eduardo Cardoso colher azeitona
Tão bem
vestidos!...
O meu pai
andava na cruz da Oles, passado um bom bocado chega o "bigodes da
Partida"
No Fundão
meteu nos umas três ou quatro sandes na mão...
Em Vilar
Formoso saímos com o carro em andamento. Frentes de Onor era logo ali. Depois,
bem depois sozinhos tivemos que nos desenrascar...
Um ano e
meio mais-tarde resolvi regressar para fazer a tropa
O meu chefe
senhor Jean Marie
Não queiras
ir; a França é a França e teve que entregar a Argélia
Portugal não
aguenta três guerras ...
A saudade...
Vim em
Agosto, no dia 19 de Outubro meteram-me uma G3 na mão ...
E pronto.»
sábado, 20 de junho de 2026
Conta-me histórias da emigração
O Jorge foi
com o Zé Manel para a França. Ainda não tinham feito a tropa, por isso tiveram
de ir assalto. Andavam os dois a trabalhar na estrada, perto da Paradanta, e
apareceu lá um senhor com ordens dos pais para os trazer para casa. Chegaram,
já tinham as malas feitas, só tiveram de se lavar e mudar de roupa. O senhor, da Partida, que costumava passar
gente, levou-os de carro até Vilar Formoso e disse-lhes que apanhassem o
comboio em Fuentes de Onor, do outro lado da fronteira. Eles lá foram e
entraram no comboio, mas logo apareceram os carabineiros a correr, pareciam
andar à procura de alguém. Eles fizeram-se desentendidos e colocaram-se à
janela, a fingir descontração. Foram até Irun, na fronteira com a França,
saíram do comboio e seguiram aquela gente toda para um túnel. Que levantassem o
braço com o passaporte na mão, gritava alguém. O Zé Manel levada um livrito e
levantou-o. O Jorge não tinha nada para mostrar, mas deixou-se ir no meio da
multidão e lá passaram. Foram para Clermont-Ferrand e arranjaram trabalho na
fábrica da Michelin. Mas passado um ano receberam cartas dos pais pedindo-lhes
que regressassem, pois, se não viessem fazer a tropa, não poderiam vir a
Portugal ver a família, durante 45 anos. Lá vieram, fizeram a tropa, o Jorge
foi à guerra colonial e depois voltou para a França, onde ficou toda a vida
ativa.
A ida da
Isabel para a França foi uma ilusão e um erro. A família vivia bem com o
negócio da resina, mas alguém os convenceu que na França é que era. Foram,
passaram dificuldades e só não voltaram porque o bom que tinham deixado já não
estava à espera deles. Os filhos foram nascendo, o marido adaptou-se, porque
era um otimista, mas ela nunca gostou, e agora também não, já sem o Chico e
olhada como estrangeira cá e lá.
A Lurdes
emigrou para a Alemanha, com o marido. Trabalhavam na mesma fábrica, em turnos
diferentes. Ela gostava do trabalho e até era elogiada pelas suas capacidades.
Tinham uma vida boa, mas o Joaquim nunca gostou. Acabaram por regressar a
Portugal ainda com os filhos menores.
A emigração
da Fátima foi de luxo, em tempos de bidonvilles, mas nunca gostou, de tal modo
que só durou quatro meses. O marido trabalhara nas Oficinas Gerais de Material
Aeronáutico, em Alverca, mas foi para Paris aprender mais, na prática e na
teoria, pois estudava na Sorbonne. Ele ganhava muito dinheiro, por isso vivam
num hotel, mas ela não parava de rezingar. Desesperado, o Francisco levou-a a
Champigny-sur-mer, o maior bairro de lata de França, onde viviam cerca de 15
mil pessoas, 10 mil das quais emigrantes portugueses. Foi no inverno, as ruas
eram autênticos lamaçais, assim como o chão das barracas de madeira e chapas.
Um horror, mas nem assim conseguiu saborear o luxo do hotel. Certo dia, perto
da meia-noite, apanhou um comboio em sentido contrário ao seu destino. No final
da viagem, viu-se numa estação terminal, rapidamente deserta, em nenhures.
Pediu ajuda e passado muito tempo lá voltou à estação inicial, onde apanhou um
táxi. Ao chegar ao hotel, às duas da manhã, disse ao marido que no dia seguinte
a levasse ao comboio para Portugal. E assim foi. O marido ainda voltou a Paris
por um curto período de tempo, mas depois regressou definitivamente. Teve uma
vida muito mais difícil do que se tivesse ficado, mas nunca se arrependeu.




