Com a devida vénia ao Jaime da Gama, a quem roubei a foto, na sua página do facebook.
Não é mesmo uma beleza?!
Enxidros era a antiga designação do espaço baldio da encosta da Gardunha acima da vila de São Vicente da Beira. A viver aqui ou lá longe, todos continuamos presos a este chão pelo cordão umbilical. Dos Enxidros é um espaço de divulgação das coisas da nossa freguesia. Visitem-nos e enviem a vossa colaboração para teodoroprata@gmail.com
Com a devida vénia ao Jaime da Gama, a quem roubei a foto, na sua página do facebook.
Não é mesmo uma beleza?!
Ontem, passei a manhã a enxertar oliveiras. Sete oliveirinhas já da minha altura, mas que dão uma azeitona muito miúda e quase só caroço. Enxertei-as de galega. Umas vezes de cócoras, outras curvado, cheguei ao almoço bem maçado!
Tão dorido por um trabalho aparentemente leve, lembrei-me de uma história passada com o meu o primo Jaime Nicolau, grande agricultor de fim de semana. Durante o processo de transformar a sua propriedade do Casal da Fraga no brinquinho que está hoje, foi contratando enxertadores para as mais diversas espécies de árvores. Quando chegou às videiras bravas, não conseguiu ninguém para lhe fazer o serviço: cada enxertador era especialista na enxertia de uma dada espécie, mas nenhum de videiras. Teve de ser ele a fazer o serviço e então percebeu a coisa: é duro andar curvado e de joelhos na terra húmida!
J
de contactar consigo sobre o seu eventual apoio a uma carta à Câmara sobre a reconstrução do castelo, na sequência da devastação que ali ocorreu. Agradeço que me envie J seu endereço de e-mail, para eu lhe enviar o material. O meu e-mail: teodoroprata@gmail.com
Éramos mais de trinta, ontem agraciados com dois grupos forasteiros. Quase duas horas de conversa em torno das lendas da nossa Gardunha. Conversa e convívio, que já estávamos com saudades destes encontros.
A Libânia
contou as duas versões da lenda da Gardunha, a do Hipólito Raposo e a recolhida
pelo Albano de Matos. E deste investigador recordou o Francisco a lenda da
Senhora da Serra, que teve a sua capela na gruta da Penha.
Mas há
outras espiritualidades lá pelos altos de Castelo Novo. O Adelino falou de
naves ovais silenciosas, luzes azuis e brancas, seres com dois metros de
altura, uma entrada na gruta para uma cavidade luminosa dentro da serra, a
queda de uma nave logo abafada pela PIDE/DGS. O José Manuel viu um desses
discos a vir da serra no sentido de Castelo Branco, a Maria da Luz subia a Oles
numa noite escura e de repente tudo se iluminou, a Fátima tantas vezes viu da
Santa Bárbara luzes fortes na encosta mesmo em frente. Não, o pisca-pisca nos
Aldeões, que nos anos 60 levou o sr. Vigário e todo o povo em procissão até lá,
para benzer o lugar e rezar pela alma do defunto bispo, foi mesmo fraude,
contaram depois os brincalhões.
O Joaquim
explicou como foi construída a estrada calcetada da Senhora da Orada para a
Portela: foi o diabo, numa noite apenas, a troco da alma do homem que se tinha
comprometido a fazê-la. No último instante arrependeu-se, valendo-lhe a bondade
de Nossa Senhora, que mandou o galo anunciar a aurora e assim o diabo perdeu a
aposta (lenda recolhida no Vale D`Urso, pelo Bog do Katano, mas igualmente
conhecida em São Vicente). Na versão recolhida por Luís Antunes (http://bogasdebaixo.blogspot.pt/2009/12/encostas-da-gardunha.html) o diabo foram os romanos, que
impedidos de subir a Gardunha e passar para o outro lado, pelos hostes de
Viriato, construíram a estrada pela calada da noite, mas da Portela não
passaram. Prova disso: na vertente norte não há estradas calcetadas.
O José
Barroso relembrou-nos depois as histórias do ti Albino Moreira lhe contou
sobre o Cireneu, que assolou a serra durante anos, até ser morto pela GNR, em
1925. Um dia o Cireneu aproximou-se da Vila e encontrou no caminho uma menina
que ia levar o jantar ao pai (nesse tempo chamava-se jantar ao almoço atual). O
bandido comeu metade da merenda, mas em troca ofereceu um brinco de ouro à
menina. De outra vez, o ti António da Totina ia à serra apanhar juta para a
mulher fazer vassouras, seiras para os lagares, tapetes…. Encontrou-se com o
Cireneu, com quem partilhou o tabaco. Em paga, ele levou-o à gruta onde estava
alapado. Havia fartura de tudo o que era bom!
O José
Manuel partilhou connosco um episódio da nossa História. O Rolão Preto,
comparsa do Hipólito Raposo no Integralismo Lusitano e por isso ambos
opositores de Salazar, frequentemente tinha de fugir de Lisboa e refugiar-se no
seu solar da Soalheira. Mas não ficava à espera que o viessem prender. Vestia
roupa do pastor do seu gado e dormia debaixo de uma pedra enorme, que tinha uma
reentrância por baixo.
AS LENDAS DA GARDUNHA
Já se sabe que as cocós são chocadeiras naturais, pois dispensam eletricidade e outras mordomias. Em cada três meses, tiram uma ninhada de pintos, quatro por ano: num mês põem ovos, no outro chocam e no último tratam das crias; depois retomam o ciclo.