sábado, 28 de março de 2026

O nosso falar: cambalhões

 Fiz a publicação abaixo apresentada no facebook, a qual motivou uma reflexão sobre a correção da palavra que consta do título, referida em comentário pelo nosso conterrâneo José Nicolau ("Essa cava era chamada cavar cambalhão, ainda cavei assim, deixar a terra direita é cava rasa.") 

A Berta Ramalhinho disse que era camalhões (mais tarde o Albano Mendes de Matos informou que na Região Saloia também se diz camalhões). Eu fui consultar a net e de facto é camalhões, vindo do castelhano caballón, palavra que significa cume em português. Eu penso que ao José Nicolau saiu aquilo que se diz e eu digo na nossa terra: cambalhões. De caballón e porque não de cambalhota?, movimento que damos à terra para a virar, muitas vezes até para soterrar a erva da parte superior. Tal como arresário (soalheiro), enxidros (baldios), também usamos cambalhões, de caballlón. São inúmeras as palavras de origem castelhana que nós usamos nesta região fronteiriça!

OS NOSSOS AVÓS ERAM CIENTISTAS – A OXIGENAÇÃO DA TERRA
Cresci a ver os meus pais e o meu avô Francisco a deixarem a terra em pequenos montes, durante a cava, semanas antes de se fazerem as sementeiras. Aquilo sempre me fez espécie, porque, imediatamente antes da sementeira, os montes eram desfeitos e a terra alisada. Quando comecei eu a preparar as terras, questionei a minha mãe sobre a necessidade de fazer os montes. Ela respondeu-me que era para a terra apanhar ar. Ao cavar, a terra de cima ia para baixo e a de baixo ficava ao ar. Depois, quando os montes se desfaziam, outra terra ficava a apanhar ar. E ao fazer os regos das sementeiras, nova terra ficaria a apanhar ar, ficando por baixo a terra já arejada.
Este mover de terras visa a oxigenação da terra. Ao contacto com o ar, o ferro existente na terra capta o oxigénio e depois, em contacto com as raízes, transmite-o às plantas. Sim, as plantas captam o oxigénio do ar, pelas folhas, e da terra, pelas raízes. Este saber popular chegou-nos pela prática ancestral da agricultura ou é fruto das revoluções agrícola e científica (que em Portugal ocorreram sobretudo no século XIX)? Neste caso, esse saber chegou a alguns agricultores mais esclarecidos, que por sua vez o transmitiram aos camponeses que para eles trabalhavam. Um deles, Francisco Tavares Proença (pai do fundador do Museu), grande político albicastrense do final do século XIX e inícios do século XX, o maior cacique entre a Gardunha e o Tejo (conhecido por soba da rua de São Sebastião, onde ainda existe o seu palacete), era grande produtor de batata e o seu entusiasmo por este novo cultivo terá influenciado a agricultura nesta região.

José Teodoro Prata

quinta-feira, 19 de março de 2026

Milho-Rei

Gosto de broa. Tanto que, em tempos, achava estranho o desabafo de quem, como os nossos pais e muitas gerações de avós, não teve outro pão em criança: «Quero cá agora broa! Enchi a barriga dela em novo, que era o pão que havia, broa e centeio, que trigo só nas Festas.» Achava estranho porque me lembrava dela ainda a fumegar, aberta pelas mãos da minha avó, logo à saída do forno, regada com um fio de azeite. E era um regalo, nos dias em que passava a Ti Palmira, o Maiaca ou o Pinura, uma fatia de broa com uma sardinha assada a pingar por cima, comida nas escadas da Casa do Casal, entrada de tanta gente…

Não vão longe os tempos em que, fins de abril, princípios de maio, todos os lameiros à roda da Ribeira estavam prontos para a sementeira do milho. Era trabalho para toda a família e, se fosse preciso, podia sempre contar-se com a mão de algum vizinho. Depois da semente na terra, estando a Lua a favor, passado pouco tempo era um mar de verde por esses lameiros acima.

Durante meses não havia descanso: ora a arrelentar, a sachar, a mondar ou a regar. Durante o verão a água da ribeira era dividida por quem tinha direito a ela, seguindo tradições que vinham de longe, mas respeitadas como se fossem leis escritas. Havia quem tivesse que regar pela noite dentro, à luz da Lua ou de lanterna na mão (em tempos idos, o avistamento destas luzes alimentou o imaginário popular, que acreditava tratar-se de almas penadas a vaguear pelo mundo). Lá para finais de setembro o milho estava pronto a ser colhido. Nos anos bons, cada grão deitado à terra dava umas três maçarocas. Não haveria fome à mesa nem na manjedoura.

Naquele tempo, entre o Rabaçal, o Balcaria, a Senhora da Orada, o Ribeiro Dom Bento e as Quintas viviam para cima de dez famílias, algumas com muitos filhos. Quase toda a gente tinha terras suas, e quem não tinha arrendava-as ou tratava-as ao terço, como a Ti Maria Etelvina ou o Ti Luís Teodoro, terceiros do António Neto.

Era uma vida difícil e de muito trabalho para todos, desde cedo. As crianças vinham a pé para a escola, às vezes descalças e mal agasalhadas. O Chico Insa ainda fala duma manhã de aguaceiro em que nem a saca dobrada a fazer de carapuça lhe valeu, e, já todo numa sopa, abrigou-se num palheiro à espera que estiasse; depois, por mais que corresse, não se livrou de cinco reguadas em cada mão, tantas quantas os minutos que chegou atrasado à escola. À tarde, ficavam-lhe nos olhos os colegas que se demoravam na Praça a jogar às caricas e a deitar o pião, mas ele tinha sempre pressa em voltar a casa, onde as cabras, com fome, já o chamavam há muito. Os deveres fazia-os à noite, quando o sono e a luz mortiça do candeeiro já lhe baralhavam as letras e os números dentro da cabeça, o que lhe valia mais umas reguadas e a raposa no fim do ano.  

Os mais velhos trabalhavam de sol a sol o ano inteiro. Domingos, só para a obrigação da missa; quando muito, dois dedos de conversa à roda do andamento das sementeiras ou dos rebanhos, o tempo de beber um copo com os amigos. Só se perdia algum dia para ir ao mercado ou à feira do Fundão, onde se aviava o que era preciso e vendia o que houvesse. Com tanto trabalho, não sobrava tempo para grandes folguedos, mas em qualquer oportunidade que aparecesse tirava-se a barriga de misérias. Era assim por altura das descamisas, como lembra a Carmo:

«Antigamente as pessoas eram mais dadas e ajudavam-se umas às outras naquilo que podiam. Na altura de colher o milho, era só dizer:

 - Ó Ti Matias (é só um exemplo), amanhã vamos colher o milho, apareçam para a descamisa.

Naquele tempo havia poucas ocasiões para divertimentos, e as descamisas eram oportunidades que ninguém queria perder, principalmente os rapazes e as raparigas em idade de arranjar namoro. Quando se sabia duma, passava-se logo a palavra, e vinha até gente da Vila e do Casal da Fraga. 

No fim da ceia as pessoas iam aparecendo, as que tinham sido convidadas e outras só por terem ouvido dizer. À medida que chegavam, sentavam-se numa roda à volta do monte de milho colhido durante o dia. Não havia lugares marcados, mas toda a gente fazia por se sentar ao pé de alguém por quem tinha alguma preferência, muitas vezes amores escondidos. Arranjaram-se muitos casamentos assim.

Os serões eram sempre animados: os mais pequenos entretidos nas brincadeiras do costume, só interrompidas para ouvir as histórias de bruxas e almas penadas que o Ti João Candeias contava; as piadas e anedotas dos mais atrevidos punham toda a gente à gargalhada, e quando alguém começava:


As desfolhadas da aldeia

São cheias de vida e cor,

 

toda a gente ia atrás:

 

Até à luz da candeia

Se inspiram versos de amor.

 

Ai desfolhadas, lindas desfolhadas

Onde as raparigas vão todas lavadas,

Saem de casa, preparam-se bem,

Porque os seus amores lá irão também.

 

Ou então esta:

Ó malmequer mentiroso,

Quem te ensinou a mentir?

Tu dizes que me quer bem,

Quem de mim anda a fugir.

 

Desfolhei o malmequer

Num lindo jardim de Santarém,

Malmequer, bem me quer,

Muito longe está quem me quer bem.

 

Malmequer não é constante,

Malmequer muito varia,

Vinte folhas dizem morte,

Treze dizem alegria.

 

E a seguir vinham outras: “Milho verde”, “No cimo daquela serra”, “Água leva o regadinho”… Mas as mãos não paravam, entre a pressa de acabar o trabalho para começar a festa, e a cata de uma maçaroca vermelha.

Quando se ouvia gritar: «Milho-rei! Milho-rei!» calava-se tudo a ver quem tinha sido o felizardo ou a felizarda. Quem quer que fosse, levantava-se e corria a roda a dar um abraço a toda a gente. Para os mais novos era uma libertação, que podiam abraçar-se às claras, sem a censura daqueles tempos. Desconfiava-se mesmo que alguns rapazes já levavam de casa uma maçaroca vermelha, só para poderem abraçar as raparigas.

No fim do trabalho, os donos ofereciam qualquer coisa para comer e beber, quase sempre pão com queijo, passas, maçãs, aguardente para os homens e jeropiga para as mulheres. Na descamisa do Ti António Remualdo também havia sempre esquecidos, especialidade da Ti Maria da Luz.

Acabado o trabalho fazia-se um bailarico, quase sempre ao toque do realejo. Naquele tempo havia muitos rapazes que sabiam dançar e tocar bem, mas o Joaquim Feijão, o João Borrego e o Manel Primo, que vinha do Casal da Serra, eram dos melhores e estavam lá sempre caídos.

O meu pai é que, mal começava o baile, punha-se logo: «Ó meninos, dois palmos, dois palmos!» e levantava as mãos espalmadas, unidas pelos polegares. O que vale é que havia sempre alguém a acudir por nós: «Ó Ti Jaquim, deixe lá a rapaziada divertir-se, que não se apega mal nenhum! Quando era novo não gostava também de dançar com a Ti Emília?».

Por esta altura, com a barriga cheia e vencidos pelo sono e pelo cansaço das brincadeiras, os mais pequenos deitavam-se pelo chão e dormiam como justos. Contam que um dia, no fim de uma descamisa no Rabaçal, uma filha da Bernardina Pescão Seco, por mais que a chamassem, não dava sinais de vida. Já andava toda a gente à procura, pensando o pior, que naquele tempo ainda apareciam lobos por ali. A mãe, já sem grande esperança de encontrar a filha, deitava as mãos à cabeça: «Ai, minha rica filha! E logo hoje, que lhe pus o meu lenço de merino…». Quando deram com ela, ainda estremunhada debaixo de um molho de folhelhos, foi um alívio. Ainda hoje há quem conte esta história…

Mal o bailarico acabava, já a passar da meia-noite, regressava toda a gente a casa. Os mais pequenos, a lembrarem-se das histórias, agarrados às saias das mães; os mais velhos, com o corpo a pedir cama, mas já a contar os dias para a próxima descamisa, quer fosse a do Ti Matias, a do João Serra, a do António Passaraço, ou a doutro vizinho qualquer. Naquele tempo nenhuma nos escapava.»

ML Ferreira

domingo, 15 de março de 2026

O nosso falar (e viver) – sorte, terça, terceiro

A propósito da última sessão do “Conta-me histórias”, fui rever um pouco da História mais antiga de Portugal. Sobre o reinado dos Visigodos, achei interessante este texto, que pode justificar a origem dos nomes sorte, terça e terceiro, que ainda se vão ouvindo nas conversas entre os mais velhos, referindo uma porção de terra, normalmente pequena, que, nas partilhas, cabe a cada um dos herdeiros; ou o modo de pagamento de quem cultiva terrenos alheios, recebendo como paga a terça parte da colheita: 


                                      (História de Portugal de Fortunato de Almeida)

ML Ferreira

segunda-feira, 9 de março de 2026

O miniautocarro do sr.º Manuel da Silva

Com a devida vénia ao Jaime da Gama, a quem roubei a foto, na sua página do facebook. 

Não é mesmo uma beleza?!


Três aspetos a destacar:
O Citroen;
a calçada antiga; 
o candeiro na fonte, em frente ao brasão;
a indumentária da época.
José Teodoro Prata

sexta-feira, 6 de março de 2026

Enxertias

Ontem, passei a manhã a enxertar oliveiras. Sete oliveirinhas já da minha altura, mas que dão uma azeitona muito miúda e quase só caroço. Enxertei-as de galega. Umas vezes de cócoras, outras curvado, cheguei ao almoço bem maçado!

Tão dorido por um trabalho aparentemente leve, lembrei-me de uma história passada com o meu o primo Jaime Nicolau, grande agricultor de fim de semana. Durante o processo de transformar a sua propriedade do Casal da Fraga no brinquinho que está hoje, foi contratando enxertadores para as mais diversas espécies de árvores. Quando chegou às videiras bravas, não conseguiu ninguém para lhe fazer o serviço: cada enxertador era especialista na enxertia de uma dada espécie, mas nenhum de videiras. Teve de ser ele a fazer o serviço e então percebeu a coisa: é duro andar curvado e de joelhos na terra húmida!

Na adolescência, ajudei o meu pai nas enxertias e mais tarde fui experimentando. Sim, isto aprende-se mesmo, fazendo. Umas vezes pegavam e outras não, mas esta minha agricultura é mais para ser vivida, não para viver dela.
Mas no ano passado algo de estranho aconteceu. Enxertei em tempos diferentes e as enxertias dumas alturas pegaram todas e de outras não vingou nenhuma. Pus-me então a pensar numa regra da sabedoria popular que não tenho levado a sério: a influência das fases da Lua na circulação da seiva nas plantas. Lera, entretanto, um artigo científico sobre o assunto e decidi ter juízo. Comprei o Borda D´Água e este ano fiz todas as enxertias de 24 de fevereiro para cá. Nessa data começou o quarto crescente e agora estamos na Lua Cheia. As oliveiras de ontem estavam repletas de seiva, o mesmo acontecera com uma laranjeira, dias antes. Oxalá peguem!


José Teodoro Prata

segunda-feira, 2 de março de 2026

Conta-me histórias: as lendas da Gardunha

Éramos mais de trinta, ontem agraciados com dois grupos forasteiros. Quase duas horas de conversa em torno das lendas da nossa Gardunha. Conversa e convívio, que já estávamos com saudades destes encontros.

A Libânia contou as duas versões da lenda da Gardunha, a do Hipólito Raposo e a recolhida pelo Albano de Matos. E deste investigador recordou o Francisco a lenda da Senhora da Serra, que teve a sua capela na gruta da Penha.

Mas há outras espiritualidades lá pelos altos de Castelo Novo. O Adelino falou de naves ovais silenciosas, luzes azuis e brancas, seres com dois metros de altura, uma entrada na gruta para uma cavidade luminosa dentro da serra, a queda de uma nave logo abafada pela PIDE/DGS. O José Manuel viu um desses discos a vir da serra no sentido de Castelo Branco, a Maria da Luz subia a Oles numa noite escura e de repente tudo se iluminou, a Fátima tantas vezes viu da Santa Bárbara luzes fortes na encosta mesmo em frente. Não, o pisca-pisca nos Aldeões, que nos anos 60 levou o sr. Vigário e todo o povo em procissão até lá, para benzer o lugar e rezar pela alma do defunto bispo, foi mesmo fraude, contaram depois os brincalhões.

O Joaquim explicou como foi construída a estrada calcetada da Senhora da Orada para a Portela: foi o diabo, numa noite apenas, a troco da alma do homem que se tinha comprometido a fazê-la. No último instante arrependeu-se, valendo-lhe a bondade de Nossa Senhora, que mandou o galo anunciar a aurora e assim o diabo perdeu a aposta (lenda recolhida no Vale D`Urso, pelo Bog do Katano, mas igualmente conhecida em São Vicente). Na versão recolhida por Luís Antunes (http://bogasdebaixo.blogspot.pt/2009/12/encostas-da-gardunha.html) o diabo foram os romanos, que impedidos de subir a Gardunha e passar para o outro lado, pelos hostes de Viriato, construíram a estrada pela calada da noite, mas da Portela não passaram. Prova disso: na vertente norte não há estradas calcetadas.

O José Barroso relembrou-nos depois as histórias do ti Albino Moreira lhe contou sobre o Cireneu, que assolou a serra durante anos, até ser morto pela GNR, em 1925. Um dia o Cireneu aproximou-se da Vila e encontrou no caminho uma menina que ia levar o jantar ao pai (nesse tempo chamava-se jantar ao almoço atual). O bandido comeu metade da merenda, mas em troca ofereceu um brinco de ouro à menina. De outra vez, o ti António da Totina ia à serra apanhar juta para a mulher fazer vassouras, seiras para os lagares, tapetes…. Encontrou-se com o Cireneu, com quem partilhou o tabaco. Em paga, ele levou-o à gruta onde estava alapado. Havia fartura de tudo o que era bom!

O José Manuel partilhou connosco um episódio da nossa História. O Rolão Preto, comparsa do Hipólito Raposo no Integralismo Lusitano e por isso ambos opositores de Salazar, frequentemente tinha de fugir de Lisboa e refugiar-se no seu solar da Soalheira. Mas não ficava à espera que o viessem prender. Vestia roupa do pastor do seu gado e dormia debaixo de uma pedra enorme, que tinha uma reentrância por baixo.

Maria da Luz recordou ainda a batalha da Oles, já abordada por nós noutras ocasiões, assim como a lenda da Senhora da Orada (Conta-me histórias, 5); o Francisco desafiou-nos a uma caminhada até à Penha e o José Manuel defendeu antes a ida anual ao Castelo Velho, a celebrar a vitória da Oles e a fundação de São Vicente, porque NÃO HÁ TERRA COM UMA PRAÇA TÃO LINDA COMO SÃO VICENTE!, arrematou ele.

José Teodoro Prata

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Conta-me histórias, 7

AS LENDAS DA GARDUNHA

A 7.ª sessão do Conta-me histórias é já no próximo domingo, em São Vicente da Beria, Biblioteca Hipólito Raposo.
Vamos falar das origens da nossa identidade, apoiados nas investigações de Albano Mendes de Matos, de Hipólito Raposo, do autor do Blog do Katano e na tradição oral que foi passando de boca em boca ao longo destes muitos anos.
Contamos com todos!
José Teodoro Prata

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Campainhas

 

Campainhas silvestres, Ribeiro Dom Bento, serra da Gardunha

José Teodoro Prata

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Mãezona

 

Já se sabe que as cocós são chocadeiras naturais, pois dispensam eletricidade e outras mordomias. Em cada três meses, tiram uma ninhada de pintos, quatro por ano: num mês põem ovos, no outro chocam e no último tratam das crias; depois retomam o ciclo.

A minha cocó não gosta que lhe mexam após iniciar o choco, por isso descontrolou-se na última criação, culpa minha. Desta vez não lhe mexi: deixei ficar todos os ovos que estavam no ninho e no exterior do galinheiro, onde começara o choco.
Houve noites de temperaturas negativas e a minha esperança foi morrendo. Também o facto de nunca ter visto o galo galar as fêmeas não augurava nada de bom. Os três tigres da divisão do lado desesperam por conquistar o harém!
Afinal foi uma mãezona. Ontem apresentou-me 8 lindos pintos. Safou-se o galo e ela ganhou créditos de chocadeira extraordinária: com temperaturas exteriores negativas, nas noites iniciais, conseguir manter os ovos a uma temperatura constante de 37 graus é obra!

José Teodoro Prata

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ti Miguel Jerónimo

 

A Jú Jerónimo que me perdoe, mas não resisti a esta foto que ela publicou no facebook. O janota é o pai dela, Miguel Jerónimo, parente materno do meu pai.

Ele morava lá longe, do outro lado da ribeira, mas tinha uma horta na Barroca, que delimitava por cima com o Cabeço do Pisco e é agora da neta Ana.

No tempo bom, ele e a mulher, a ti Laurentina, passavam uma ou duas vezes por semana na Tapada onde nasci e cresci. O ti Miguel mais sereno, a tia Laurentina mais conversadora. Vinham sempre com um burrito, um pequeno rebanho de cabras e um ou dois cães, desses rafeiros de porte mediano.

O ti Miguel trazia normalmente o casaco pendurado num só ombro, o que deveras me intrigava, pois não conhecia ninguém que o usasse assim.

Numa manhã, passou logo cedo para cima, perguntando-nos se tínhamos encontrado um casaco que ele perdera na véspera. Voltou pouco depois com o casaco e o cão. Contou-nos que encontrara o casaco caído no caminho já perto da Barroca e o cão deitado em cima dele. Ele não dera por deixar cair o casaco, mas o cão vira e ficou a guardá-lo até o dono voltar!

Em 2016, publiquei no livro “Dos Enxidros aos Casais” uma história sobre ir ao mato para fazer as camas dos animais. A parte que se segue é dedicada ao Ti Miguel:

«O mato mais abundante era a carqueja, mas magoava os animais, sobretudo no tempo seco, quando está mais áspera. A cama nova da furda era nova por poucos minutos. O porco fossava tudo e abria túneis, na sua função de porco e à procura de abrigo das picadelas das moscas. Saía de lá todo riscado de vermelho.
Por isso íamos à carqueja debaixo dos pinheiros, onde era mais macia e mais alta.

Os pinheiros eram os da senhora Maria José Afonsa. Sabíamos que lá não podíamos cortar, pois, uma vez por ano, em setembro, ela vinha com um carro de bois e pessoal, a buscar mato para o quintal, por detrás da sua casa no Cimo de Vila. Quem lhe guardava o mato era o ti Miguel da ti Laurentina que tinha a horta em frente, do outro lado do barroco. Mas ele morava no Casal do Baraçal e por isso bastava pormo-nos à escuta de sons de cabras ou chamamentos de gente.
Um dia, ele surpreendeu-nos, a mim e aos meus primos. Aproximou-se silencioso, podão na mão e casaco pendurado num só ombro, como o trazia sempre. Dera a volta ao barroco, por cima. Disse-nos o que já sabíamos e ofereceu-nos o seu mato, junto ao Cabeço do Pisco, sempre que precisássemos. Mas deixou-nos levar os molhos, porque era um homem bom.»

Nota: Há um ditado popular africano que diz ser preciso toda uma aldeia para educar uma criança. Este caso que aconteceu na minha infância partilha da mesma sabedoria. O ti Miguel podia ter ralhado connosco. Em vez disso, falou-nos com toda a calma, apenas nos pedindo que não cortássemos o mato ali, mas oferecendo-nos o seu. Se nos tivesse ralhado, teríamos provavelmente continuado ali a cortar mato e começado a ir ao mato dele. Assim, ficámos envergonhados e nunca mais ali voltámos, nem fomos ao dele.

Jjosé Teodoro Prata


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Zona Especial de Conservação (ZEC) da Serra da Gardunha

 

A área da ZEC está delimitada pela linha vermelha. A parte ponteada a lilás é a área protegida já existente. Concluo que todo o vale da ribeira, até à Orada, isto é, a zona agrícola, ficou fora da ZEC. Esta começa onde se inicia a floresta, nas zonas mais altas.

Há muita informação na net sobre a ZEC da Gardunha. 

Ainda não percebi, nem aceito, que a parte a oeste da Paradanta não seja considerada integrante da Gardunha, por um lado, e por outro que não tenha sido integrada na ZEC.

A este, a ZEC termina na extremidade da serra, a este de Vale de Prazeres e do Alcaide.

José Teodoro Prata

Acrescento de 08-02: 

Informa-me a net que a Gardunha tem 20 km de comprimento e, pelas povoações incluídas, termina na Portela da Paradanta. Por isso a ZEC e a anterior Paisagem Protegida Reginal da serra da Gardunha terminam na Paradanta. Penso que é mais um limite político-administrativo do que geográfico. Mas, vencido, embora não convencido, aqui deixo a retificação.

José Teodoro Prata

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

E estes?


Foto tirada da página do facebook da Nelita Rodrigues. Fotografada no Café da Tomázia, propriedade dos pais da Nelita.

Quem são eles?

Da esquerda para a direita: 

António José, Manuel Candeias, José da Silva, José Ramalho e João Afonso.

José Teodoro Prata

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O Mártir São Vicente

 

António Lopes Pires Nunes solicitou a Joaquim Batista a publicação, no Facebook, deste texto e fotos alusivas à Comemoração dos 1700 anos do Martírio de S. Vicente, ocorrida em S. Vicente da Beira (concelho de Castelo Branco)

«Em 23 de Janeiro do 2005, ocorreram em S. Vicente da Beira as Comemorações dos 1700 anos do Martírio de S. Vicente.

Da “Pequena Lisboa” chegou-me um convite para elaborar um pequeno livro evocativo, que aceitei muito honrado. Naturalmente coube-me a sua apresentação marcada para um domingo na Igreja Matriz, durante a Missa.

Não esperava uma apresentação tão solene. Chamado que fui ao púlpito pelo saudoso Revº. Padre Branco, tive que improvisar a palestra pois o local exigia mais do que eu levava preparado. Como se sabe S. Vicente foi pregado numa cruz em aspa (em forma de X), também conhecida por Cruz de S. André, onde foi atado, enquanto era raspado com uma gadanha.

Passada a surpresa e como levava escritas as palavras do carrasco “(…). Que é que dizes Vicente. Onde é que imaginavas ver o teu corpo já digno de dó (…)” e a resposta de Vicente, já movido pela força divina “… foi isto que eu sempre escolhi e desejei, acima de todas as ambições”. Eis que já me encaminho para o alto, e, superior às ambições deste mundo, desprezo os teus próprios princípios”.

Com estas palavras na mão e com o que sabia da morte de Cristo, foi-me fácil, passada a surpresa improvisar. Devo tê-lo feito bem pois o Padre Branco, paramentado, chegou-se ao microfone e disse: “ Hoje a homília está feita pelo Ten. Coronel Pires Nunes”.

Não sei se isto é canónico, se é usual e se há mais gente que já fez uma homília na Santa Missa, mas a verdade é que o facto marcou-me.

Segundo a lenda o corpo do Santo, encontrado no Cabo S. Vicente, foi levado para Lisboa numa barca com dois corvos, um na popa e outro na proa, depositado na desaparecida Igreja de Santa Justa e fez de S. Vicente o Padroeiro da cidade. De acordo com o cronista Duarte Galvão, em 25 ou 26 de Setembro de 1173, ocorreu a transladação para a Sé de Lisboa, onde se encontra.

Nesse dia estavam em Lisboa acidentalmente os habitantes de uma nascente povoação da Beira que a ofereceram ao Rei Conquistador, no âmbito da Reconquista. Este, sensibilizado deu o nome a essa povoação de S. Vicente e entregou-lhe parte do corpo do Santo.

Assim, nasce S. Vicente da Beira, com as mesmas armas de Lisboa – a barca e os corvos -, razão do vicentino Hipólito Raposo a denominar de “ Pequena Lisboa”.»

Nota: O livro foi editado pelo GEGA.
José Teodoro Prata

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Mulheres - As conquistas de Abril

Na sequência dos comentários à publicação anterior, a Libânia pediu-me a publicação deste vídeo:

 https://youtu.be/mTXRXddDuvY?si=5b8C2RIsY8Dv5A13

José Teodoro Prata

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Presidenciais, 2026 (18-01) - Resultados

 Da esquerda para a direita: todo Nacional / Concelho CB / Freguesia São Vicente. Dia 8 de fevereiro há mais.

António Seguro: 31,11 / 38,49 / 36,93

André Ventura: 23,52 / 25,18 / 26,14

Cotrim de Figueiredo: 16,00 / 12,81 / 5,49

Gouveia e Melo: 12,32 / 11,77 / 15,53

Marques Mendes: 11,30 / 7,69 / 12,50

José Teodoro Prata

sábado, 17 de janeiro de 2026

Conhecem?


Foto do casamento dos meus primos Tó e Santita, em Fátima, talvez em 1975. Oferta da Santita, a quem agradeço.
Da esquerda para a direita: João Prata Candeias, Francisco Jerónimo, António Prata Inês (o noivo), Joaquim Trindade dos Santos e José Teodoro Prata. O Quim que me desculpe, pois só o falhei a ele.

José Teodoro Prata

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Os pais de Maria de Lourdes Hortas

 

Foto tirada da página facebook de Maria de Lurdes Hortas. A foto data do ano em que a mãe completou 60 anos. O marido foi o Hortas da farmácia da Rua do Beco.

José Teodoro Prata

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Dente-de-leão

Dizem que as folhas de dente-de-leão são comestíveis, mas nunca provei. Aliás, há uma infinidade de plantas comestíveis que não comemos. Um dia, vi um programa na TV em que a guia disse aos participantes, ao entrarem num campo verde: Cuidado, estão a pisar o supermercado!

Quando era criança, por este tempo e por toda a primavera, a minha mãe mandava-me com uma cesta e uma faca procurar dentes-de-leão para dar ao porco. Acabei de ver na net um saco de folhas secas de dente-de-leão, de 200g, para infusão, à venda por 10,06 euros!

Mas voltando às plantas comestíveis que não consumimos. Cerca de 1970, o meu pai, emigrado em França, a trabalhar numa oficina de pedra numa região campestre dos arredores de Limoges, chegou com a novidade de se poder comer meruje. Ora disso tínhamos nós muito, no ribeiro e nos lameiros das Lajes. Comemos nesse inverno (nesse tempo, os emigrantes vinham a casa no inverno), mas não vingou. Também foi ele que nos deu a conhecer o alho-porro e o hábito se o comer, em vários pratos.

José Teodoro Prata

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Enxotar o ano velho!

 UMA PASSAGEM DE ANO NO SÉCULO PASSADO

Maria de Lourdes Hortas

Enquanto as lembranças do Natal da infância permanecem bem acesas na minha memória, as do Ano Novo escondem-se, quase insignificantes. A meia-noite era tarde demais para meninas ficarem acordadas e justamente nessa hora o Ano Velho se despedia, partindo, sabe-se lá para onde, e logo chegava o outro, bem novinho, e na minha imaginação de menina podia ver o velhinho curvo subindo a serra, resfolegando, e o ano bebezinho envolto em cueiros despencando do céu...

Na verdade, só me lembro da última passagem de ano da minha família na casa da rua do Convento.

Foi a de 1949 para 1950.

Naquela noite de 31 de dezembro, a seguir ao jantar, minha avó e as meninas que trabalhavam lá em casa começaram um grande rebuliço para os lados da cozinha, azáfama e barulheira, a tirar as tampas das panelas e levá-las todas para uma pequena mesa da sala de estar, ritual aparentemente inexplicável, mas que depois se veio a saber para o que seria...

Houve a seguir um arrastar de cadeiras, na mesma salinha, todas a postos para subirmos nelas, dizia a organizadora, que era Vovó Guilhermina, sempre ela, comandando as festas. Eu não tirava os olhos do relógio, que caminhava em passinhos de tartaruga. Ansiosa, alguma coisa se mexia na minha barriga, acho que fome: - Vovó posso comer um bolo? Espera, querida, deixa vir o ano novo e então comemos... posso jurar que, na mesa recém-posta, havia bolo de azeite, cavacas e biscoitos e talvez uma bandeja de filhoses do Natal, além de tacinhas com figos secos e nozes, uma garrafa de vinho do Porto, as chávenas, depois viria o chá, mas o bendito relógio não avançava, passos de preguiça, onze e meia, sem pressa, onze e trinta e cinco, sonolento, pé-ante-pé, dez para a meia-noite...

Frio... A braseira já esmorecendo...alguém a atiçava. Tinham que estar bem vivas as brasas para o ano novinho se aquecer... e eu já me encostava no colo do meu pai, cochilando, enquanto Maninha desabava na grande cadeira de braços... isso sou eu que estou inventando, para matar o tempo e para trazer para aqui aquela cadeira tão linda, tenho uma foto de menina sentada nela, a cadeira que vovô Mateus fez...

Então despertei!

E agora sim, vai chegando a meia-noite minha gente, clamava Vovó, rápido, todos a postos, menos de cinco minutos...descoberto o mistério das tampas das panelas, cada um pegava duas, subia na sua cadeira e à meia-noite em ponto todos bateriam com força, para enxotar o ano velho... Subia-se para as cadeiras para o ano velho passar debaixo, arrastado, ou de gatas, não sei...

Mas então Vovó Guilhermina viu que uma das cadeiras estava vazia. Era a do Vovô Mateus! Ó homem de Deus, onde é que tu te meteste? Onde foste, criatura? Alguém falou que o viu entrar na casa de banho...

O quê?

Todos riam e gritavam:

- Vovô! Vovô!.

- Senhor Mateus!

- Meu pai!

- Meu sogro!

- Ó homem, onde te meteste?

Mas ele saiu a tempo, serelépido: Psiu! Tenham calma, falta um minuto!

E logo agarrou os últimos testos, assim se chamam as tampas das panelas em Portugal, e todos começaram na grande barulheira, pandemónio na verdade, para enxotar o ano velho e acordar o novo, trás, trás, trás, trás...

E assim entrou 1950. Para todos nós um ano de grandes mudanças.

(in AS CASAS DO DESTINO, memórias. A publicar, em breve)

Notas:

Texto retirado da página do facebook da autora.

Para os mais jovens, informo que Maria de Lourdes Hortas é uma poetisa brasileira, nascida em São Vicente da Beria, filha do dono da farmácia da época, então situada na Rua do Beco, à direita de quem desce. A família habitava na rua do Convento, na casa em frente à do João Craveiro, onde durante perto de dois séculos viveu a família Pereira. A pequena Lourdes tinha 10 anos quando emigrou para o Brasil, com a família.

José Teodoro Prata

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Relação Câmara - Juntas de freguesia


Parece-me que a Câmara respondeu corretamente ao abandono da atitude de guerrilha constante, por parte do Sempre. Bem precisamos que as coisas melhorem!

José Teodoro Prata

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Requalificação da sede da Associação de Caça e Pesca ‘O Pisco’


A Câmara Municipal de Castelo Branco procedeu à realização de obras de reabilitação numa parte do edifício da antiga Escola Primária de São Vicente da Beira - atualmente utilizada pela Associação de Caça e Pesca ‘O Pisco’ - com o objetivo de melhorar as condições de conforto, funcionalidade e segurança do espaço.
A empreitada, que rondou os 41.600€ (quarenta e um mil e seiscentos euros), incidiu, essencialmente, na reabilitação da zona do alpendre e na substituição da caixilharia existente.
As soluções implementadas foram equacionadas com o intuito de melhorar as condições de utilização do edifício, criando uma área mais resguardada e contribuindo para a valorização e preservação deste equipamento comunitário.

No âmbito da intervenção, procedeu-se ao fecho dos vãos na zona do alpendre, com recurso a nova caixilharia, bem como à construção de uma cobertura que permite a circulação de pessoas entre edifícios.

Para a concretização da obra, foi necessária a construção de paredes em alvenaria de tijolo, com acabamento em reboco areado fino e pintura na cor branca, tendo sido criados novos vãos de porta e de janela.

Foi igualmente executada uma estrutura de suporte para a colocação da cobertura, revestida com telha idêntica à existente, permitindo o encerramento do espaço e garantindo maior comodidade para os utentes da Associação.

No que respeita à eficiência e conforto térmico, procedeu-se à substituição da caixilharia antiga por uma mais recente, resultando num ganho significativo ao nível do isolamento e do bem-estar no interior do edifício.

Complementarmente, foram realizados trabalhos de pintura em vários elementos que necessitavam de pequenas reparações, tanto no interior como no exterior do imóvel.

 

Declaração prévia: não pertenço a nenhum grupo e ignoro se me costumam encaixar nalgum!


Esta obra da Câmara mereceu comentários positivos no Facebook, a par das seguintes críticas:

- Os almoços da Associação podiam ser realizados na Casa do Povo.

- Só se reabilitou o lado da Caça, continuando o da Pesca muito degradado, precisamente onde se fazem análises, que funciona como sede dos Bombeiros e ali decorrem algumas aulas da Universidade Sénior. 

- A Biblioteca Hipólito Raposo é gelada no inverno e infiltra-se água pelas janelas.

- O ginásio e o parque infantil da Escola Primária estão degradados.


Estive de “férias” das redes sociais, mas, embora longe, de vez em quando refletia sobre a nossa realidade local. Regressado, achei logo que esta polémica encaixa nas minhas reflexões, como uma luva.

Infelizmente, penso que voltarei ao assunto no futuro, mas agora só quero deixar o seguinte comentário: A nossa freguesia anda um pouco à deriva, sem rei nem roque, como diz o provérbio. Cada um puxa para seu lado, sem haver um planeamento de conjunto, que encontre consensos e defina prioridades. A culpa é só nossa, dos vicentinos. Se não nos entendemos, como queremos que os de fora nos entendam?

Nota: Não sou assim tão pessimista como o parágrafo acima pode fazer crer: nas outras terras é igual. Mas acho que estamos a passar um pouco das marcas...

 

José Teodoro Prata