Castelo Branco: Promotor recusa convite para ir à Assembleia Municipal explicar projeto solar
Por: Diário Digital Castelo Branco, 29 de junho
O promotor de um projeto para a instalação de um parque solar na Serra da Gardunha, ao qual a Câmara de Castelo Branco se opõe, recusou o convite para estar presente na Assembleia Municipal para explicar o projeto.
O presidente da Câmara de Castelo Branco informou hoje a Assembleia Municipal sobre um projeto para a instalação de um parque solar na Serra da Gardunha, ao qual se opôs devido à sua localização.
No início do período de antes da Ordem do Dia, o presidente da Assembleia Municipal de Castelo Branco, informou os deputados municipais que tinha recebido um pedido de audiência por parte do promotor deste projeto e pediu que fosse acrescentado um ponto ao período da Ordem do Dia para informar os deputados sobre o assunto em causa, sendo que não se tratava de qualquer ação para deliberação.
Valter Lemos explicou ainda que reuniu no dia 26 de junho, com o grupo investidor (Eurowind), com o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues e com a presidente da Junta de Freguesia de Louriçal do Campo, Gorete Serra.
“Trata-se exclusivamente de um ponto para esclarecer dúvidas e informar os deputados municipais”, vincou.
Após votação, os deputados aprovaram, por maioria (apenas houve um voto contra), que fosse acrescentado este ponto à Ordem do Dia, pelo que o presidente da Câmara de Castelo Branco informou a Assembleia Municipal sobre as intenções do promotor para este projeto.
Leopoldo Rodrigues deixou bem claro que na primeira reunião que teve com o grupo investidor foi-lhe dito, “de uma forma genérica” que pretendiam investir em Castelo Branco na instalação de um parque híbrido (solar e eólico), mas “sem falar na sua localização”.
“Na altura expliquei que me opunha à instalação deste projeto caso este ocupasse áreas protegidas, solos agrícolas ou zonas onde tivesse forte impacto na paisagem”.
Segundo o autarca, passado algum tempo foi abordado por um consultor que trabalha para o grupo investidor, no sentido de arrendar cerca de sete hectares de terreno propriedade do município, precisamente, na Serra da Gardunha.
“Foi só nessa altura que me apercebi que o projeto coincidia com a Serra da Gardunha. Comunicámos que a nossa posição se mantinha e que achávamos que a localização não era a mais adequada e propusemos que procurassem outras alternativas. Não somos contra investimento ou energias alternativas”, sublinhou.
O presidente da Câmara realçou ainda que na última reunião realizada no dia 26 de junho, o investidor manteve-se praticamente intransigente.
“Houve um convite feito à empresa para estar hoje presente na Assembleia Municipal para explicar o projeto. Ficaram de ponderar e recusaram a sua presença”, sustentou.
Vários deputados municipais abordaram o assunto, mas queixaram-se da falta de informação sobre o mesmo, considerando que se trata de um assunto bastante sério.
Leopoldo Rodrigues voltou a realçar que para o executivo “a Gardunha é um santuário que importa preservar” e perante as queixas dos deputados sobre a falta de informação sobre o projeto, disse que se trata de um processo evolutivo.
Voltou a sublinhar que por se tratar de um assunto de extrema importância decidiu informar a Assembleia Municipal e, inclusivamente, disponibilizou-se para que seja marcada uma reunião extraordinária, caso assim o entendam os deputados municipais, somente para discutir este assunto.
“Não vejo nada contra isso e se o entenderem podemos voltar a convidar a empresa a estar presente”, disse.
Este assunto já tinha sido abordado, numa sessão pública do executivo, onde Leopoldo Rodrigues informou os vereadores deste projeto para instalar um parque eólico e solar nas proximidades da Serra da Gardunha, no concelho de Castelo Branco, cujo investimento ronda os 1,2 mil milhões de euros.
O caso ficou agora à espera da reflexão dos deputados municipais para uma posterior tomada de posição sobre o assunto.
José Teodoro Prata
Um comentário:
Segundo percebi do assunto, o parque solar estender-se-á pelas freguesias de Louriçal, São Vicente e Almaceda (não acredito que fica de fora). É uma grande área, centenas de hectares, tudo negro e sem vegetação que amenize o clima. Os projetos estão em discusão publica. Há que tomar posição, participando!
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