domingo, 28 de junho de 2026

Por favor, preocupem-se!

 

O MAPA NEGRO

O governo divulgou esta semana o mapa das Zonas de Aceleração das Energias Renováveis (ZAER). Este documento é um passaporte para a indústria da mal designada energia verde, ocupar 7% do território nacional. Este projeto é particularmente lesivo para o distrito de Castelo Branco onde se prevê a ocupação de uma área que se aproxima dos 100 mil hectares. Três concelhos da zona do Pinhal (Sertã, Proença-a-Nova e Oleiros) são os mais afetados uma vez que o plano prevê uma ocupação do seus territórios superior a 35%. O impacto de tudo isto é aterrador, visualmente vamos ter uma paisagem pintada de negro e ambientalmente é uma catástrofe uma vez que a destruição de cerca de 100 mil hectares de vegetação (só no distrito de Castelo Branco) implica a morte de um enorme número de aves e animais selvagens contribuindo desta forma para o aceleramento das alterações climáticas. Segundo os especialistas a destruição de tamanha área natural vai provocar um aumento da temperatura, o escoamento rápido da água das chuvas provocando um aumento das cheias e não permitindo o abastecimento dos aquíferos subterrâneos, a diminuição da percentagem de oxigénio e consequentemente da qualidade do ar, a esterilização dos solos por longos anos e uma acumulação enorme de sucata provocada pelo fim de vida dos equipamentos utilizados. A concretizar-se, este é um dos planos mais negros que Portugal alguma vez teve e perante isto impõem-se as perguntas: é necessário? Portugal precisa mesmo disto? A resposta é: não. Segundo foi divulgado em setembro do ano passado pela Goldenergy citando dados do Eurostat, Portugal já produz pelo sistema renovável mais de 86% da energia que consome, no entanto, o consumo de energia em Portugal e no mundo desenvolvido está a aumentar assustadoramente por causa dos Data centers, Inteligência Artificial, etc. e o nosso país está na mira das grandes multinacionais do setor energético para ser sacrificado em prol dos chorudos lucros que esta indústria vai gerar. A “receita” é velha, consta em todos os “manuais” das “empresas abutres” só lamento que o nosso governo lhe dê cobertura pondo desta forma a cabeça do seu povo no cepo. E perante isto, que titulo atribuir a este governo e em particular à Ministra do Ambiente?


José Teodoro Prata

2 comentários:

José Teodoro Prata disse...

A Câmara de Castelo Branco está a bloquear o projeto de uma multinacional dimanarquesa que quer fazer um parque solar no sopé da Gardunha e junto à A23, penso que na zona da Lardosa. Mas não podemos ficar parados, temos de a pressionar e ao mesmo tempo ser o seu apoio (a recusa da Câmara tem de ter o nosso apoio e temos de o declarar)

Anônimo disse...

Talvez não esteja a conseguir interpretar bem os números que são referidos (ou eles estejam enviesados) porque, pelo que também é público, Portugal importa ainda uma percentagem muito grande da energia que consome, nomeadamente petróleo e gás natural.
Penso que devemos apostar mais nas “renováveis” e na autonomia energética, não nos moldes em que nos querem impingi-las, com prejuízos para todos os sistemas referidos, mas num equilíbrio que nos proteja a todos. E todos podemos fazer um bocadinho, mudando atitudes e comportamentos de consumo e estilos de vida; se estivermos à espera que sejam os governos a alterar alguma coisa, podemos esperar sentados…
Quando viajamos, mesmo por poucos quilómetros, somos frequentemente surpreendidos por mais uma mancha negra na paisagem, mais ou menos disfarçada, como que a quererem esconder de nós o que está a acontecer no mundo.