Este ano estão atrasadas cerca de uma semana. Ontem comprei-as no Chão da Bica e já estão madurinhas e doces, mas nas outras zonas menos abrigadas ainda não estão boas.
Como já referira aqui, o frio da Semana Santa fez estragos. Algumas variedades mais sensíveis não têm quase nada, sobretudo as que estavam em plena floração ou no fim dela, nos dias do frio.
José Teodoro Prata
Foto de M. L. Ferreira
Enxidros era a antiga designação do espaço baldio da encosta da Gardunha acima da vila de São Vicente da Beira. A viver aqui ou lá longe, todos continuamos presos a este chão pelo cordão umbilical. Dos Enxidros é um espaço de divulgação das coisas da nossa freguesia. Visitem-nos e enviem a vossa colaboração para teodoroprata@gmail.com
domingo, 2 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
A propósito do Dia da Criança
Conta certa lenda, que estavam duas
crianças patinando num lago congelado.
Era uma tarde nublada e fria e as crianças brincavam despreocupadas.
De repente, o gelo quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.
A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo, por fim, quebrá-lo e libertar o amigo.
De repente, o gelo quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.
A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo, por fim, quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram
o que havia acontecido, perguntaram ao menino:
- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha quebrado o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!
- Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha quebrado o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!
Nesse instante, um ancião que passava
pelo local, comentou:
- Eu sei como ele conseguiu.
Todos perguntaram:
- Pode-nos dizer como?
- É simples - respondeu o velho - Não
havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não seria capaz.
Albert Einstein
Ouvi esta
história há muito tempo e, a propósito de “coisas” sobre crianças,
reencontrei-a agora na internet (a par das Bibliotecas Itinerantes da
Gulbenkian, a internet foi uma das melhores invenções dos nossos tempos).
É uma história
tão simples e com uma mensagem tão clara que não necessita de qualquer
comentário. No entanto gostaria de dizer que oxalá todas as crianças
encontrassem, ao longo do seu caminho, alguém que acreditasse nas suas
capacidades e as incentivasse a ir sempre mais além!
Eu tive o
privilégio de ter tido a Dona Teresinha como professora na 3ª e 4ª classe. A
ela, que acreditou sempre em mim, devo muito do que sou…
terça-feira, 28 de maio de 2013
O Assobiador
Há já muitos, muitos anos,
conheci um homem extraordinário. Um vicentino genuíno, muito alegre, que vivia e
trabalhava em Lisboa: o ti Joaquim Caio. Acho que tio do nosso amigo Ernesto
Hipólito.
O ti Joaquim Caio tinha
uma pequena oficina de latoeiro, na Av. Miguel Bombarda, ali juntinho à Gulbenkian.
E eu que, pelo fim dos anos 90, trabalhava na Av. da República e tinha a Marta
e o Miguel na Escola Marquesa de Alorna, ficava-me em caminho, quando os ia
buscar, passar pela oficina e, muitas vezes, à tarde, por esse facto,
acabávamos por trocar dois dedos de conversa.
Muitas manhãs me cruzei
também com ele, sem que me visse, nem eu lhe falasse, por causa das pressas. O
que deveras me impressionava nele é que andava sempre com o assobio na ponta
dos beiços, quer na rua, quer na oficina, e nessa altura já Lisboa era um
inferno de correria e ruído. Mas ele, absorto na melodia, aparentava a mesma
calma de quem se passeasse domingo à tarde na nossa praça vicentina.
Esta coisa do assobio era
coisa que me impressionava, porque já não se via ninguém a assobiar, mas impressionava-me
sobretudo, porquanto tinha o condão de me trazer à memória o meu tio Luís, no
Marzelo, pela manhã, a assobiar que nem um lírio (devia ser que nem um melro), enquanto
acomodava o ganau. Eu assistia regularmente àquela cena quando vinha da Serra
para a Escola. Aquilo era um clik. A figura do ti Joaquim Caio a assobiar ali
nas avenidas novas e de repente o Marzelo. A razão só podia ser o amor que tinha
ao meu tio.
Então, certo dia, quem é
que aparece no Correio da Manhã? O ti Joaquim Caio. Lá estava ele, na primeira
página, refastelado numa cadeira de balanço. A foto destinava-se a ilustrar um
artigo que recomendava aos idosos o exercício físico, pois que o movimento, dizia-se
ali, tem a propriedade de obrigar o organismo a produzir endorfinas que são nem
mais nem menos que um analgésico natural.
Ora, já tinha pretexto
para lhe fazer mais uma visita e lançar-lhe uma provocação que tinha engendrado
na minha cabeça. Passei lá à tarde e vai logo:
- Então o senhor agora
que está rico ainda continua a trabalhar?
– Rico? Mas que porra
de conversa é essa? Rico como?
– O senhor agora a
fazer anúncios… Ganha-se bom dinheiro com isso, que eu sei. Quanto é que lhe
deram?
– Mas tu és parvo?
Não recebi nada. Os gajos pediram-me e não me custou nada. Disseram-me que
ficava bem na foto e precisavam de um gajo já velho.
É bom de ver que os gajos
eram os jornalistas do Correio da Manhã que, na altura, estava sedeado em frente
da oficina, do outro lado da avenida, e deve dizer-se também que na porta ao
lado da oficina havia uma casa de móveis. Portanto, foi canja ao fotógrafo
fazer um boneco real, sem custos e logo ali.
Enquanto íamos
conversando, lembro-me como se fosse hoje, o ti Joaquim ia dando voltas a um abat-jour que tinha preso entre os
joelhos e que, pelo tipo de tecido de que era feito, devia ser mais ou menos da
sua idade, tentando soldar os ferrinhos ao suporte central. A liga metálica
devia ser ruim, porque a solda custava a agarrar. Vira daqui, vira dali. Umas pancadinhas
para soltar a escória da solda. Um ferrinho que se desgarrara e volta a soldar.
É quando reparo que pequenas partículas incandescentes de solda que não
agarravam ao metal, ao cair, iam produzindo pequenos furos no tecido e o pobre
do homem sem dar por ela
Acabada a operação, retira o abat-jour dos joelhos e aproxima-o do
nariz para ver como é que o trabalhinho tinha ficado (já via mal, está visto) e
é quando repara que o tecido estava todo furado. Vira-se para mim com o ar mais
espantado do mundo e diz-me:
- Já viste as coisas que
me pedem para arranjar. Esta merda está que nem um crivo de regador…para que é
que quererão uma coisa assim?
Eu não tugi nem mugi. Mas
gostaria, certamente, de poder estar presente aquando da entrega do abat-jour à dona. Porventura daria uma
história bem interessante. Depois veio-me à memória uma expressão que a minha
avó Santa lá na Serra usava muito, quando ela e a minha mãe conversavam: “Ó Maria, a velhice tudo nos traz, mas não é coisa boa”.
O pessoal da minha idade,
que já passou pelos 50, começa a ter consciência dessa realidade, mas há que
manter a serenidade. É que o destino de cada um de nós está em parte escrito
nas estrelas e está provado que é impossível fugir-lhe totalmente. Apreciemos o
que de bom ele nos dá. É a receita que vos deixo.
Maio de 2013.
Francisco Barroso
domingo, 26 de maio de 2013
A romaria da Senhora da Orada
Esteve um dia lindo. Missa e depois as merendas: ovos verdes, pastéis de bacalhau, carnes assadas..., tudo regado com a água fresca da fonte.
A seguir o rancho e depois a banda. Foi bonito, a condizer com as encostas tingidas pela flor amarela da giesta, em fundo verde escuro.
A seguir o rancho e depois a banda. Foi bonito, a condizer com as encostas tingidas pela flor amarela da giesta, em fundo verde escuro.
José Teodoro Prata
sexta-feira, 24 de maio de 2013
A fonte da Senhora da Orada 13
No ano de 1968, uma mulher de Pera do Moço, Escalos de Cima, bateu à porta do ermitão da Senhora da Orada, pedindo-lhe um favor. Queria apanhar banhos, na fonte da Senhora, para ver se se curava, porque andava "inflamada" por dentro e os médicos nada lhe faziam. Ficou hospedada na casa do ermitão.
Durante três semanas, tomou banhos, na fonte, e foram-lhe ministrados clisteres com água da mesma fonte.Curou-se por milagre. Passou a ir à festa, todos os anos, com peregrinos da sua região, levando garrafões das "águas santas" da Senhora da Orada, para distribuir pelas pessoas.
E o autor conclui:
Na crença das religiosidades populares, a água é também um elemento curativo, contendo virtudes sagradas, relacionadas com entes divinos ou santificados, produzindo factos ditos milagrosos, como na Nossa Senhora da Orada cuja fonte é lembrada, nas cantigas de romaria, pela seguinte quadra:
Nossa Senhora da Orada,
Vossa água tem virtude;
Chegam-se lá os doentes
E de lá vêm com saúde.
Informador: Etelvina Teodoro (Casal da Fraga)
Estudo: Águas e Curas Milagrosas na Serra da Gardunha - A Fonte da Senhora da Orada
Autor: Albano Mendes de Matos (natural do Casal da Serra)
Publicação: Medicina da Beira Interior da Pré-História ao Século XX - Cadernos de Cultura, N.º 13, Novembro de 1999
José Teodoro Prata
Durante três semanas, tomou banhos, na fonte, e foram-lhe ministrados clisteres com água da mesma fonte.Curou-se por milagre. Passou a ir à festa, todos os anos, com peregrinos da sua região, levando garrafões das "águas santas" da Senhora da Orada, para distribuir pelas pessoas.
E o autor conclui:
Na crença das religiosidades populares, a água é também um elemento curativo, contendo virtudes sagradas, relacionadas com entes divinos ou santificados, produzindo factos ditos milagrosos, como na Nossa Senhora da Orada cuja fonte é lembrada, nas cantigas de romaria, pela seguinte quadra:
Nossa Senhora da Orada,
Vossa água tem virtude;
Chegam-se lá os doentes
E de lá vêm com saúde.
Informador: Etelvina Teodoro (Casal da Fraga)
Estudo: Águas e Curas Milagrosas na Serra da Gardunha - A Fonte da Senhora da Orada
Autor: Albano Mendes de Matos (natural do Casal da Serra)
Publicação: Medicina da Beira Interior da Pré-História ao Século XX - Cadernos de Cultura, N.º 13, Novembro de 1999
José Teodoro Prata
quinta-feira, 23 de maio de 2013
A fonte da Senhora da Orada 12
Um mulher do Souto da Casa, de nome Maria de Jesus, tinha um cancro no peito. Foi ao hospital de Palhavã e mandaram-na para casa, sem cura.
Maria de Jesus tinha uma comadre, a "comadre das castanhas", porque arrendavam juntas um souto para apanharem as castanhas, que lhe disse que havia uma mulher em Chaves que curava as doenças ruins. Foi com a comadre a Chaves, levando uma "chapa" (radiografia) tirada no Fundão.
A mulher curandeira retalhou-lhe o peito em quatro, fez os curativos e disse que voltassem lá.
Maria de Jesus pegou-se com a Senhora da Orada. Rezou, pedindo que a curasse, que lhe daria o cordão de ouro e que todos os anos lhe iria agradecer.
Depois de quinze dias de tratamento apenas com as "águas santas" da fonte da Senhora, o peito apareceu curado.
Maria de Jesus foi oferecer o cordão à Nossa Senhora da Orada, devendo pertencer-lhe perpetuamente, não podendo ser vendido.
Informador: Etelvina Teodoro (Casal da Fraga)
Estudo: Águas e Curas Milagrosas na Serra da Gardunha - A Fonte da Senhora da Orada
Autor: Albano Mendes de Matos (natural do Casal da Serra)
Publicação: Medicina da Beira Interior da Pré-História ao Século XX - Cadernos de Cultura, N.º 13, Novembro de 1999
José Teodoro Prata
Maria de Jesus tinha uma comadre, a "comadre das castanhas", porque arrendavam juntas um souto para apanharem as castanhas, que lhe disse que havia uma mulher em Chaves que curava as doenças ruins. Foi com a comadre a Chaves, levando uma "chapa" (radiografia) tirada no Fundão.
A mulher curandeira retalhou-lhe o peito em quatro, fez os curativos e disse que voltassem lá.
Maria de Jesus pegou-se com a Senhora da Orada. Rezou, pedindo que a curasse, que lhe daria o cordão de ouro e que todos os anos lhe iria agradecer.
Depois de quinze dias de tratamento apenas com as "águas santas" da fonte da Senhora, o peito apareceu curado.
Maria de Jesus foi oferecer o cordão à Nossa Senhora da Orada, devendo pertencer-lhe perpetuamente, não podendo ser vendido.
Informador: Etelvina Teodoro (Casal da Fraga)
Estudo: Águas e Curas Milagrosas na Serra da Gardunha - A Fonte da Senhora da Orada
Autor: Albano Mendes de Matos (natural do Casal da Serra)
Publicação: Medicina da Beira Interior da Pré-História ao Século XX - Cadernos de Cultura, N.º 13, Novembro de 1999
José Teodoro Prata
quarta-feira, 22 de maio de 2013
A fonte da Senhora da Orada 11
Nos meados do século [XX], Francisco Moreira, de São Vicente da Beira, trabalhava numa serralharia da Covilhã. Um dia, saltou-lhe líquido da soldadura para a vista, deixando de ver. Foi a médicos, mas continuava sem melhoras.
A mãe, ao saber, foi vê-lo e levou uma garrafa com água da fonte da Senhora da Orada. A mãe começou a chorar, junto do filho. Este disse à mãe que não chorasse, mas que pedisse à Senhora da Orada. A mãe rezou e banhou os olhos do filho com "água santa" da Senhora da Orada, que logo começou a ver.
Este milagre foi publicado no Jornal "O Pelourinho", de São Vicente da Beira.
Informador: Etelvina Teodoro (Casal da Fraga)
Estudo: Águas e Curas Milagrosas na Serra da Gardunha - A Fonte da Senhora da Orada
Autor: Albano Mendes de Matos (natural do Casal da Serra)
Publicação: Medicina da Beira Interior da Pré-História ao Século XX - Cadernos de Cultura, N.º 13, Novembro de 1999
José Teodoro Prata
A mãe, ao saber, foi vê-lo e levou uma garrafa com água da fonte da Senhora da Orada. A mãe começou a chorar, junto do filho. Este disse à mãe que não chorasse, mas que pedisse à Senhora da Orada. A mãe rezou e banhou os olhos do filho com "água santa" da Senhora da Orada, que logo começou a ver.
Este milagre foi publicado no Jornal "O Pelourinho", de São Vicente da Beira.
Informador: Etelvina Teodoro (Casal da Fraga)
Estudo: Águas e Curas Milagrosas na Serra da Gardunha - A Fonte da Senhora da Orada
Autor: Albano Mendes de Matos (natural do Casal da Serra)
Publicação: Medicina da Beira Interior da Pré-História ao Século XX - Cadernos de Cultura, N.º 13, Novembro de 1999
José Teodoro Prata
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