quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

E estes?

 

Foto tirada da página do facebook da Nelita Rodrigues. Fotografada no Café da Tomázia, propriedade dos pais da Nelita.

Quem são eles?

José Teodoro Prata

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O Mártir São Vicente

 

António Lopes Pires Nunes solicitou a Joaquim Batista a publicação, no Facebook, deste texto e fotos alusivas à Comemoração dos 1700 anos do Martírio de S. Vicente, ocorrida em S. Vicente da Beira (concelho de Castelo Branco)

«Em 23 de Janeiro do 2005, ocorreram em S. Vicente da Beira as Comemorações dos 1700 anos do Martírio de S. Vicente.

Da “Pequena Lisboa” chegou-me um convite para elaborar um pequeno livro evocativo, que aceitei muito honrado. Naturalmente coube-me a sua apresentação marcada para um domingo na Igreja Matriz, durante a Missa.

Não esperava uma apresentação tão solene. Chamado que fui ao púlpito pelo saudoso Revº. Padre Branco, tive que improvisar a palestra pois o local exigia mais do que eu levava preparado. Como se sabe S. Vicente foi pregado numa cruz em aspa (em forma de X), também conhecida por Cruz de S. André, onde foi atado, enquanto era raspado com uma gadanha.

Passada a surpresa e como levava escritas as palavras do carrasco “(…). Que é que dizes Vicente. Onde é que imaginavas ver o teu corpo já digno de dó (…)” e a resposta de Vicente, já movido pela força divina “… foi isto que eu sempre escolhi e desejei, acima de todas as ambições”. Eis que já me encaminho para o alto, e, superior às ambições deste mundo, desprezo os teus próprios princípios”.

Com estas palavras na mão e com o que sabia da morte de Cristo, foi-me fácil, passada a surpresa improvisar. Devo tê-lo feito bem pois o Padre Branco, paramentado, chegou-se ao microfone e disse: “ Hoje a homília está feita pelo Ten. Coronel Pires Nunes”.

Não sei se isto é canónico, se é usual e se há mais gente que já fez uma homília na Santa Missa, mas a verdade é que o facto marcou-me.

Segundo a lenda o corpo do Santo, encontrado no Cabo S. Vicente, foi levado para Lisboa numa barca com dois corvos, um na popa e outro na proa, depositado na desaparecida Igreja de Santa Justa e fez de S. Vicente o Padroeiro da cidade. De acordo com o cronista Duarte Galvão, em 25 ou 26 de Setembro de 1173, ocorreu a transladação para a Sé de Lisboa, onde se encontra.

Nesse dia estavam em Lisboa acidentalmente os habitantes de uma nascente povoação da Beira que a ofereceram ao Rei Conquistador, no âmbito da Reconquista. Este, sensibilizado deu o nome a essa povoação de S. Vicente e entregou-lhe parte do corpo do Santo.

Assim, nasce S. Vicente da Beira, com as mesmas armas de Lisboa – a barca e os corvos -, razão do vicentino Hipólito Raposo a denominar de “ Pequena Lisboa”.»

Nota: O livro foi editado pelo GEGA.
José Teodoro Prata

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Mulheres - As conquistas de Abril

Na sequência dos comentários à publicação anterior, a Libânia pediu-me a publicação deste vídeo:

 https://youtu.be/mTXRXddDuvY?si=5b8C2RIsY8Dv5A13

José Teodoro Prata

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Presidenciais, 2026 (18-01) - Resultados

 Da esquerda para a direita: todo Nacional / Concelho CB / Freguesia São Vicente. Dia 8 de fevereiro há mais.

António Seguro: 31,11 / 38,49 / 36,93

André Ventura: 23,52 / 25,18 / 26,14

Cotrim de Figueiredo: 16,00 / 12,81 / 5,49

Gouveia e Melo: 12,32 / 11,77 / 15,53

Marques Mendes: 11,30 / 7,69 / 12,50

José Teodoro Prata

sábado, 17 de janeiro de 2026

Conhecem?


Foto do casamento dos meus primos Tó e Santita, em Fátima, talvez em 1975. Oferta da Santita, a quem agradeço.
Da esquerda para a direita: João Prata Candeias, Francisco Jerónimo, António Prata Inês (o noivo), Joaquim Trindade dos Santos e José Teodoro Prata. O Quim que me desculpe, pois só o falhei a ele.

José Teodoro Prata

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Os pais de Maria de Lourdes Hortas

 

Foto tirada da página facebook de Maria de Lurdes Hortas. A foto data do ano em que a mãe completou 60 anos. O marido foi o Hortas da farmácia da Rua do Beco.

José Teodoro Prata

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Dente-de-leão

Dizem que as folhas de dente-de-leão são comestíveis, mas nunca provei. Aliás, há uma infinidade de plantas comestíveis que não comemos. Um dia, vi um programa na TV em que a guia disse aos participantes, ao entrarem num campo verde: Cuidado, estão a pisar o supermercado!

Quando era criança, por este tempo e por toda a primavera, a minha mãe mandava-me com uma cesta e uma faca procurar dentes-de-leão para dar ao porco. Acabei de ver na net um saco de folhas secas de dente-de-leão, de 200g, para infusão, à venda por 10,06 euros!

Mas voltando às plantas comestíveis que não consumimos. Cerca de 1970, o meu pai, emigrado em França, a trabalhar numa oficina de pedra numa região campestre dos arredores de Limoges, chegou com a novidade de se poder comer meruje. Ora disso tínhamos nós muito, no ribeiro e nos lameiros das Lajes. Comemos nesse inverno (nesse tempo, os emigrantes vinham a casa no inverno), mas não vingou. Também foi ele que nos deu a conhecer o alho-porro e o hábito se o comer, em vários pratos.

José Teodoro Prata

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Enxotar o ano velho!

 UMA PASSAGEM DE ANO NO SÉCULO PASSADO

Maria de Lourdes Hortas

Enquanto as lembranças do Natal da infância permanecem bem acesas na minha memória, as do Ano Novo escondem-se, quase insignificantes. A meia-noite era tarde demais para meninas ficarem acordadas e justamente nessa hora o Ano Velho se despedia, partindo, sabe-se lá para onde, e logo chegava o outro, bem novinho, e na minha imaginação de menina podia ver o velhinho curvo subindo a serra, resfolegando, e o ano bebezinho envolto em cueiros despencando do céu...

Na verdade, só me lembro da última passagem de ano da minha família na casa da rua do Convento.

Foi a de 1949 para 1950.

Naquela noite de 31 de dezembro, a seguir ao jantar, minha avó e as meninas que trabalhavam lá em casa começaram um grande rebuliço para os lados da cozinha, azáfama e barulheira, a tirar as tampas das panelas e levá-las todas para uma pequena mesa da sala de estar, ritual aparentemente inexplicável, mas que depois se veio a saber para o que seria...

Houve a seguir um arrastar de cadeiras, na mesma salinha, todas a postos para subirmos nelas, dizia a organizadora, que era Vovó Guilhermina, sempre ela, comandando as festas. Eu não tirava os olhos do relógio, que caminhava em passinhos de tartaruga. Ansiosa, alguma coisa se mexia na minha barriga, acho que fome: - Vovó posso comer um bolo? Espera, querida, deixa vir o ano novo e então comemos... posso jurar que, na mesa recém-posta, havia bolo de azeite, cavacas e biscoitos e talvez uma bandeja de filhoses do Natal, além de tacinhas com figos secos e nozes, uma garrafa de vinho do Porto, as chávenas, depois viria o chá, mas o bendito relógio não avançava, passos de preguiça, onze e meia, sem pressa, onze e trinta e cinco, sonolento, pé-ante-pé, dez para a meia-noite...

Frio... A braseira já esmorecendo...alguém a atiçava. Tinham que estar bem vivas as brasas para o ano novinho se aquecer... e eu já me encostava no colo do meu pai, cochilando, enquanto Maninha desabava na grande cadeira de braços... isso sou eu que estou inventando, para matar o tempo e para trazer para aqui aquela cadeira tão linda, tenho uma foto de menina sentada nela, a cadeira que vovô Mateus fez...

Então despertei!

E agora sim, vai chegando a meia-noite minha gente, clamava Vovó, rápido, todos a postos, menos de cinco minutos...descoberto o mistério das tampas das panelas, cada um pegava duas, subia na sua cadeira e à meia-noite em ponto todos bateriam com força, para enxotar o ano velho... Subia-se para as cadeiras para o ano velho passar debaixo, arrastado, ou de gatas, não sei...

Mas então Vovó Guilhermina viu que uma das cadeiras estava vazia. Era a do Vovô Mateus! Ó homem de Deus, onde é que tu te meteste? Onde foste, criatura? Alguém falou que o viu entrar na casa de banho...

O quê?

Todos riam e gritavam:

- Vovô! Vovô!.

- Senhor Mateus!

- Meu pai!

- Meu sogro!

- Ó homem, onde te meteste?

Mas ele saiu a tempo, serelépido: Psiu! Tenham calma, falta um minuto!

E logo agarrou os últimos testos, assim se chamam as tampas das panelas em Portugal, e todos começaram na grande barulheira, pandemónio na verdade, para enxotar o ano velho e acordar o novo, trás, trás, trás, trás...

E assim entrou 1950. Para todos nós um ano de grandes mudanças.

(in AS CASAS DO DESTINO, memórias. A publicar, em breve)

Notas:

Texto retirado da página do facebook da autora.

Para os mais jovens, informo que Maria de Lourdes Hortas é uma poetisa brasileira, nascida em São Vicente da Beria, filha do dono da farmácia da época, então situada na Rua do Beco, à direita de quem desce. A família habitava na rua do Convento, na casa em frente à do João Craveiro, onde durante perto de dois séculos viveu a família Pereira. A pequena Lourdes tinha 10 anos quando emigrou para o Brasil, com a família.

José Teodoro Prata

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Relação Câmara - Juntas de freguesia


Parece-me que a Câmara respondeu corretamente ao abandono da atitude de guerrilha constante, por parte do Sempre. Bem precisamos que as coisas melhorem!

José Teodoro Prata

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Requalificação da sede da Associação de Caça e Pesca ‘O Pisco’


A Câmara Municipal de Castelo Branco procedeu à realização de obras de reabilitação numa parte do edifício da antiga Escola Primária de São Vicente da Beira - atualmente utilizada pela Associação de Caça e Pesca ‘O Pisco’ - com o objetivo de melhorar as condições de conforto, funcionalidade e segurança do espaço.
A empreitada, que rondou os 41.600€ (quarenta e um mil e seiscentos euros), incidiu, essencialmente, na reabilitação da zona do alpendre e na substituição da caixilharia existente.
As soluções implementadas foram equacionadas com o intuito de melhorar as condições de utilização do edifício, criando uma área mais resguardada e contribuindo para a valorização e preservação deste equipamento comunitário.

No âmbito da intervenção, procedeu-se ao fecho dos vãos na zona do alpendre, com recurso a nova caixilharia, bem como à construção de uma cobertura que permite a circulação de pessoas entre edifícios.

Para a concretização da obra, foi necessária a construção de paredes em alvenaria de tijolo, com acabamento em reboco areado fino e pintura na cor branca, tendo sido criados novos vãos de porta e de janela.

Foi igualmente executada uma estrutura de suporte para a colocação da cobertura, revestida com telha idêntica à existente, permitindo o encerramento do espaço e garantindo maior comodidade para os utentes da Associação.

No que respeita à eficiência e conforto térmico, procedeu-se à substituição da caixilharia antiga por uma mais recente, resultando num ganho significativo ao nível do isolamento e do bem-estar no interior do edifício.

Complementarmente, foram realizados trabalhos de pintura em vários elementos que necessitavam de pequenas reparações, tanto no interior como no exterior do imóvel.

 

Declaração prévia: não pertenço a nenhum grupo e ignoro se me costumam encaixar nalgum!


Esta obra da Câmara mereceu comentários positivos no Facebook, a par das seguintes críticas:

- Os almoços da Associação podiam ser realizados na Casa do Povo.

- Só se reabilitou o lado da Caça, continuando o da Pesca muito degradado, precisamente onde se fazem análises, que funciona como sede dos Bombeiros e ali decorrem algumas aulas da Universidade Sénior. 

- A Biblioteca Hipólito Raposo é gelada no inverno e infiltra-se água pelas janelas.

- O ginásio e o parque infantil da Escola Primária estão degradados.


Estive de “férias” das redes sociais, mas, embora longe, de vez em quando refletia sobre a nossa realidade local. Regressado, achei logo que esta polémica encaixa nas minhas reflexões, como uma luva.

Infelizmente, penso que voltarei ao assunto no futuro, mas agora só quero deixar o seguinte comentário: A nossa freguesia anda um pouco à deriva, sem rei nem roque, como diz o provérbio. Cada um puxa para seu lado, sem haver um planeamento de conjunto, que encontre consensos e defina prioridades. A culpa é só nossa, dos vicentinos. Se não nos entendemos, como queremos que os de fora nos entendam?

Nota: Não sou assim tão pessimista como o parágrafo acima pode fazer crer: nas outras terras é igual. Mas acho que estamos a passar um pouco das marcas...

 

José Teodoro Prata

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Padre Jerónimo

Há poucos dias que nos deixou e já sentimos saudades dessa grande gargalhada!

Escrevo-lhe porque sei que acreditava ir para um lugar melhor do que este em que nos deixou. Já desconfiava dessa fé desde que demos a volta pelas terras do antigo concelho de São Vicente: sempre que entrava numa igreja, ajoelhava-se junto ao altar e orava. E disse-mo no penúltimo encontro anual em que participei, no Tortosendo. O Zé Augusto relembrou-o agora, na missa que celebrou em sua homenagem. Não a minha história, mas uma outra, uma conversa que teve com o Ernesto Hipólito, quando em maio se veio despedir da nossa Orada:

- Se este sítio é tão bonito, imagina como será o céu!

A propósito, o Zé Augusto fez uma prática muito bonita na sua missa. Terá sentido orgulho ao ouvi-lo!

Mas voltando ao princípio. Escrevo-lhe porque sinto o peso da responsabilidade de lhe ter faltado com um pedido que nos fez, a mim e outros que o acompanharam da Igreja para a Casa do Povo, na festa da sua boda de ouro sacerdotal. Ao toque das concertinas minhotas do António Madeira e pela concertina beirã do Costinha, confessou-nos que o som da concertina era a música da sua meninice e que queria ser acompanhado por concertinas, quando morresse.

- Eu espero o tempo que for preciso para reunir os tocadores!

Como o Mário de Sá-Carneiro?:

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Mas o que iam pensar de nós, os seus amigos e os seus familiares? Mesmo sabendo que acreditava ir para um lugar melhor, eu nem tive coragem de partilhar o seu desejo. Desculpe-me esta cobardia. E depois havia toda a logística, toda a burocracia…

Deixou-nos numa época terrível, em que a sua alegria, a sua cidadania e o seu humanismo tanta falta fazem ao mundo. Mas deixou-nos o seu exemplo, assim saibamos nós honrar a sua memória! E já que acredita, vá-nos dando umas dicas, quando achar necessário, pelas formas que melhor entender. Até um dia!

José Teodoro Prata

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Pe. José Hipólito Jerónimo

 Pe. José Hipólito Jerónimo, 07.12.1937-19.12.2025

Cerimónia fúnebre, na Igreja de São Vicente da Beira, às 15 horas de amanhã, dia 20 de dezembro.

José Teodoro Prata

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Tiborna

 Quando era miúdo, fui com o meu pai ao lagar do Major. Trabalhava lá o tio Joaquim Pique, que logo foi ao cabaz da merenda e cortou uma fatia de pão de uma regueifa que lá tinha. Torrou-a nas brasas da lareira, mergulhou-a num bidon cheio de azeite e entregou-ma. Lambuzei-me por dentro e por fora. É das melhores recordações da mimha infância. 

O meu pai tinha um ritual que nunca falhava: logo que o azeite novo entrasse em casa, mandava torrar pão e sentávamo-nos à mesa a comê-lo regado com azeite. Era a prova.

Hoje repeti o ritual e fiquei consolado!

José Teodoro Prata

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Banda desenhada

 
Na segunda-feira, dia 14, participei no lançamento deste livro de banda desenhada do albicastrense Miguel Fernandes, na Fábrica da Criatividade, geografia por onde o autor andou em criança e onde trabalhou após concluir o mestrado em Ilustração e Animação. O Miguel, OZZY para os amigos, tem raízes em Vila Velha de Ródão e na Partida (São Vicente da Beira). É filho do nosso António Andrade Fernandes, também conhecido por Tó da Partida.

José Teodoro Prata

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

domingo, 14 de dezembro de 2025

Feira do Fundão

 No passado era o nosso local principal de comércio. Ainda hoje alguns chegam a tirar o dia para irem ao mercado do Fundão!

A foto é de Raquel Soeiro de Brito, uma geógrafa que completa hoje 100 anos e ainda não se sente velha!

José Teodoro Prata

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

O ninho das asiáticas

 


São extremamente frágeis os ninhos das vespas asiáticas. A parede exterior, feita de papel, nem resiste a uma moderada pressão dos dedos (apenas o suficiente para pegar no ninho). A parede exterior é muito esburadada e todo o interior é ocupado com andares de alvelos de criação.

José Teodoro Prata

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Concerto de Natal

 

Há dias, publiquei o seguinrte texto a acompanhar este cartaz:

A acústica da Casa do Povo é péssima e por isso não serve para eventos musicais. No ano passado, aquando do espetáculo do orfeão de Castelo Branco, um dos cantores manifestava-me o seu desagrado pela qualidade do som da sua atuação, atribuindo-a erradamente à aparelhagem sonora.

Penso que nessa altura me disseram que o espetáculo não fora na Igreja Matriz, porque a comissão fabriqueira pedia 600 euros pela sua utilização (não tenho a certeza se foi para esse espetáculo ou se para outro anterior, talvez o do Concerto de Natal de 2023 ou 2024).

Entendamo-nos: a única coisa que está aqui em causa é a quantidade de dinheiro. Penso que nos devemos habituar a pagar as despesas dos atos que praticamos, mas 600 euros eram muito mais do dobro do que se precisava para pagar a uma mulher de limpeza e a eletricidade gasta (num mês, pela Igreja).

É bom recordar que as obras que se têm realizado na Igreja Matriz têm sido pagas com o dinheiro dos nossos impostos, via órgãos autárquicos, pois as contribuições da comunidade de católicos praticantes, os utentes da Igreja, serão manifestamente reduzidas para as despesas quotidianas. Por isso, em parte compreendo a exigência da comissão fabriqueira.

Terá de se encontrar um equilíbrio entre as necesidades da Igreja e as da nossa Comunidade! Continuar neste limbo é negativo para todos.

Hoje encontrei o Pe. José Manuel, que me deu os seguintes esclarecimentos:

Já conhecia este boato de a Igreja exigir dinheiro à banda pelo concerto de Natal, até com valores diferentes.

A verdade é que a Igreja não exigiu dinheiro nenhum à banda. O que o Pe. José Manuel disse ao Daniel foi que qualquer banda precisa de uma licença da diocese para participar em atos religiosos ou atuar nos templos religiosos, licença que custa 30 euros.

A Igreja paga à banda 150 euros por cada participação em procissões. No último concerto da banda na Igreja, a banda não pagou nada, mas a igreja ficou muito suja de lenços de papel e garrafas de água no chão, limpeza que a Igreja teve de fazer por sua conta.

Nota pessoal: Que raio de história! Entendam-se, por favor!

José Teodoro Prata

sábado, 6 de dezembro de 2025

Vespas asiáticas

Deparei-me com este ninho no Ribeiro Dom Bento, na passada quinta-feira. Pouco antes, passara lá quase rente. Não sei há quanto tempo lá está. Foram hoje matar as vespas, mas disseram ao meu cunhado Cassiano que este é um ninho secundário e o principal estará perto. Estou lixado. Tenho de o procurar.


José Teodoro Prata

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A Ti Mari do Cu

 Nunca tive medo de ninguém, muito menos daquela mulher que via passar às vezes, rua abaixo, com a bacia da roupa ou o molho de caruma à cabeça. Bem me dizia a minha mãe que me metesse para dentro por causa do mau-olhado, muito menos que lhe comesse alguma coisa das mãos dela, que podia morrer. Mas eu não fazia caso.

Um dia de manhã, ia eu para a escola, e estava ela a apular água com um cântaro na Fonte da Mesarela (ainda hoje lá está essa fonte).

- Bom dia, Ti Mari do Cu!

Fiquei orgulhosa porque era isto que os meus pais me ensinavam: dar a salvação a toda a gente.

Nisto vejo-a vir atrás de mim com um pau na mão:

- Anda cá, minha lareta, que já te digo quem é a Mari do Cu.

Não percebi bem aquela reação, mas corri tanto que só parei na ribeira.

À tarde, quando cheguei a casa, contei à minha mãe o que me tinha acontecido; ela ainda disse que era bem feita, porque se lhe tivesse dado ouvidos, nada disso acontecia.

Nunca mais!

 

Doutra vez o meu pai foi com ela e com o homem à feira do Fundão. Cada um lá fez o que tinha a fazer e, já no fim, ela não terá achado bem algum negócio que o homem fez e zangou-se. Desapareceu do pé de nós mal o diabo esfrega um olho. Ainda andámos por ali a ver se a víamos, mas nada. E metemos também ao caminho, que se fazia tarde.

Então não é que quando chegámos ao Casal (da Fraga) ela já cá estava há que tempos?! Diz o homem que até já tinha acomodado a criação e posto a panela ao lume para cozer as couves para a ceia.

Ninguém queria crer: só mesmo coisa do diabo com quem andaria feita, de certezinha!

 

Doutra vez, uns anos mais tarde, vinha eu da escola e, para encurtar caminho, subi pela vereda que vai da sobreira até quase ao cimo da rua de Santa Bárbara. Naquele tempo havia ali umas casas de pedra baixinhas, com balcão: por baixo a loja, onde os animais dormiam; por cima um espaço onde as pessoas viviam o pouco tempo que passavam em casa, principalmente durante o verão.

Um dia ouço uns gemidos aflitos vindos de dentro de uma das casas. Subi as escadas do balcão e, a um canto, vi uma pessoa muito velha, deitada no chão, em cima duma enxerga, tapada com pouco mais que farrapos. Tentei ajeitar-lhe a roupa, mas, nuns restos de pudor, a mulher agarrou-a o mais que pôde, mas consegui ver que, vestido, nem uma combinação.

Passei por lá várias vezes para lhe fazer um bocadinho de companhia e levar qualquer coisa que ele pudesse comer: uma laranja ou o pão com queijo flamengo que nos davam na cantina. O que pudesse dar-lhe algum consolo. Mas um dia tive um desgosto: quando lá cheguei, a “cama” estava vazia.

Só passados alguns dias contei em casa o que se tinha passado. A minha família levou as mãos à cabeça, imaginando o que me poderia ter acontecido. É que a velha era a Ti Mari do Cu, a bruxa tão temida, por toda a gente.

Por estas e por outras é que nunca acreditei nestas coisas!

 

MLFerreira