quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Cunha Pignatelli


Este é o documento que atesta a vinda dos Cunha Pignatelli para São Vicente da Beira, através do casamento com uma Simões, pelo pai, e Feio de Carvalho, pela mãe.
O facto de o cura Domingos Gaspar escrever Pignatelles em vez de Pignatelli é natural, pois ele escreveu o que lhe disseram em português, não sabendo, talvez nem os próprios, como se escrevia em estrangeiro.
Curioso o "depósito" da noiva em casa de uma viúva, certamente muito piedosa, desde o dia do casamento até ocorreram as bênçãos. Só após estas o casamento devia ser consumado.
Embora não perceba totalmente a questão em termos litúrgicos, uma coisa era(é) o casamento e outra complementar, mas integrando-o, era(é) a bênção dos noivos. Era(é), digamos, este ato que tornava(torna) o casamento sagrado perante Deus.
A Quaresma e o Advento (em todo o mês de dezembro antes do Natal) eram tempos de concentração religiosa, pelo que a Igreja desaconselhava ou até se recusava a fazer casamentos. Quando os realizava, deixava as bênçãos para depois, como aconteceu neste, em que o casamento se realizou a 3 de março, mas as bênçãos (ver final) só foram dadas a 2 de junho. Entre estas duas datas, a noiva esteve em casa neutra, a da viúva de Lopo José.
Este Lopo José de Sequeira era, nos anos 70 do século XVIII, o proprietário que pagava mais impostos pelas suas propriedades rústicas. Vivia entre São Vicente e Seia (era natural da Quinta de Crestelo).
Este casal morava na rua da Costa e talvez este facto não seja alheio à posterior fixação de residência, pelo casal João Cunha e Benedita Simões, nesta mesma rua.

José Teodoro Prata

2 comentários:

José Teodoro Prata disse...

Antes ser canteiro do que “tradutor” destes documentos; mas, pelos vistos, o José Teodoro fá-lo com uma perna às costas!
Quanto aos preceitos (preconceitos) religiosos da época, não precisamos recuar tanto tempo para ver como a religião católica condicionava a vida das pessoas. Ainda esta tarde, em conversa com a Santita e o Senhor Zé Candeias, ele nos contava que quando veio do seminário e ajudava à missa, quando preparava as galhetas tinha uma tentação enorme de provar o vinho. Só o medo de ir para o inferno é que o fazia resistir…
E duas mulheres a falarem com um homem no meio da rua? Que pouca vergonha!

M. L. Ferreira

Anônimo disse...

Fora de contexto e de tempo, com o devido respeito, uns rapazes meus conhecidos têm histórias de contar sobre práticas de transmutação de vinho (e do pão, que aqui não vem ao caso) fora do sacramento, por pobres ímpios desconsolados. Nem tudo foram tristezas, caros Libânia e Candeias.
JMT