quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Concerto de Natal


No passado sábado, 26 de dezembro, a banda filarmónica vicentina ofereceu à população da freguesia mais um concerto de natal. Foi um êxito, as pessoas aplaudiam de pé cada atuação e não se cansavam de ouvir a nossa banda. Sob a regência do jovem Davide, a banda está cada vez melhor e mais jovem. As crianças da escola de música encantaram com as suas canções alusivas à época natalícia. A direcção presidida pelo comissário João Barroso está de parabéns.

J.M.S

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Fraternidade


Fraternidade vem de frater, irmão, em latim.
Sempre me surpreenderam as lutas fratricidas, nas guerras civis.
Antigos vizinhos e até amigos e familiares matam-se uns aos outros, com uma facilidade espantosa. 
Por isso, as guerras civis são as mais horríveis de todas.

Em São Vicente, zangamo-nos por coisas simples, por divergências sobre assuntos da nossa vida comunitária.
Face ao desacordo, radicalizamos posições, em vez de procurar consensos e soluções.
Zangamo-nos muito, como uma vez me disse o Pe. José Augusto.
É verdade que, por vezes, fazemo-lo por divergências político-partidárias, não percebendo que perdemos nós e ganha Castelo Branco (os políticos que estão ou querem estar sentados no poder concelhio).
Hipólito Raposo escreveu, a propósito do fim do nosso concelho, que isso aconteceu por interesse dos comerciantes de Castelo Branco. Mesmo não estando totalmente certo (a realidade é sempre complexa), era bom que refletíssemos nas suas palavras, à luz da realidade atual.

Neste Natal, deparei-me com um boicote à fogueira de Natal. 
Não esmiucei o caso, porque o não merecia.
Se há local onde a nossa fraternidade como comunidade mais se vive é em redor da fogueira.
Espero que tenha sido confusão minha e ninguém tenha promovido um boicote à fogueira (não indo lá), porque tiveram de se cortar umas árvores na Estrada Nova.
Não considero os serviços de jardinagem da Câmara especialmente competentes. Também não acho que os poderes locais estejam livres de decisões unilaterais, sem consultar ninguém, apenas porque são eles que estão no poder.
Mas havia árvores podres, ramos a esmagar carros, pessoas a pedir medidas à Junta. 
Não sei se se justificava cortar todas as árvores que foram cortadas, mas foram-no por decisão técnica da Câmara e contra ela dificilmente a Junta se poderia impor.
Mas é caso para se ir tão longe?
E o NATAL?!

Nota: Hesitei em escrever este texto (nem tenho ainda as ideias claras) e não sou diferente de todos nós. Mas tenho a certeza de duas coisas: vale a pena sermos fraternos e suspeito que, num futuro próximo, teremos de nos unir em defesa de São Vicente!

José Teodoro Prata

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Noite de Natal


A casa do Eusébio, na Rua das Laranjeiras.


O presépio, na Igreja.


A fogueira, na Praça.

Mais os beijos e abraços, as filhós, a ceia de Natal, os copos com os amigos e familiares...
Viva o Menino Jesus!

José Teodoro Prata

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

BOM NATAL

Cliquem nesta hiperligação e terão a vossa penda de Natal.
É muito naif, tal como o Natal.


 http://www.jacquielawson.com/preview.asp?cont=1&hdn=0&pv=3169996

José Teodoro Prata

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Pachouchadas

Pachouchadas é o que eu escrevo aqui, nos Enxidros, segundo a minha mãe.
A cada história que publico, à primeira ida a São Vicente lá vem o mimo de pachouchada. Porque acha que o que escrevi é mentira, sobretudo por termos recordações diferentes dos mesmos acontecimentos ou porque acha um monte de disparates inúteis muitas das coisas que eu aqui recordo.
Assim, pachouchadas serão mentiras ou coisas que se dizem sem qualquer valor, baboseiras, disparates.
Embora eu considere que quase tudo o que escrevi nas histórias se baseava em factos verídicos e por isso normalmente não concorde com a minha mãe, neste ponto, casos houve em que tive de dar o braço a torcer.
A primeira vez foi na história O lobo branco, em que inclui algumas das mais fortes recordações da minha infância. Na altura, foi a Luzita Candeias que me meteu na linha e tinha razão. Falei com a minha mãe e com a tia Eulália e afinal o tio Joaquim Nicolau não fora ao mercado do Fundão, estava era de regresso da Covilhã, onde na altura trabalhava. E aquela do lobo branco lhe ter aparecido era mesmo treta minha!
Mais recentemente, depois do texto Misericórdia, o Zé Manel escreveu sobre o Zé Raimundo que foi despejado de casa, passou a viver na praça e acabou a dormir no cabanão, onde morreu, abandonado. Para o Zé Raimundo, não teria feito muita diferença ficar metido numa gaiola na praça, mas com direito a comida, ou totalmente abandonado, sem um teto, nem comida. Eu recordava-me da história que o João Paulino me contara e parti do princípio que ela se passara ainda no século XIX, nos últimos anos do nosso concelho.
Agora foi a história Um herdeiro. Parti da história que o tio Joaquim Teodoro me contou, na altura já com mais de 100 anos, e o resto inventei. Mas a Libânia pôs-se a vasculhar e num instante descobriu uma catervada de filhos ao visconde.
Vou tentar descalçar esta bota, a ver se arrumamos isto antes do Natal.

Este senhor visconde da minha história foi o Excelentíssimo Senhor Tomás de Aquino Coutinho Barriga da Silveira Castro e Câmara, vereador e depois presidente da Câmara Municipal de São Vicente da Beira, nos anos 70/80 do século XIX. Herdou o título de 2.º visconde de Tinalhas, sucedendo a seu pai José e transmitindo-o ao seu filho José. Este não teve descendência, tendo falecido em 1972. E com ele o título.

Então,  quem terá sido a criança que, na calada da noite, foi levada para a residência do senhor visconde, segundo o tio Joaquim Teodoro?
A única hipótese que me permitiria sair desta pachouchada, com alguma dignidade, é a seguinte:
O senhor visconde teve uma data de filhas e no meio um filho, o Teodoro, que morreu logo, como está escrito no registo. Vendo-se sem descendência masculina para continuar a linhagem, "obrigou" a esposa a simular uma gravidez (esta não é minha, é do ti Jaquim), a fim de legitimar um menino que nascera de uma das várias moças com quem se encontrava, secretamente.

Deixo-vos os registos que a Libânia tirou na net, a fim de poderem testar esta minha tese.
Mas não faço juras de vos livrar de novas pachouchas!

Bom Natal para todos!

José Teodoro Prata







M. L. Ferreira

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Os velhos

O diabo sabe muito porquê? Porque é velho.
A manhã daquele domingo estava amena, na praça ardia o que restava da fogueira, à sua volta pessoas amornavam as mãos, sentados num banco alguns idosos cavaqueavam…
Aproximei-me e saudei-os.
- Está fresco.
- Não está mau, respondeu-me o senhor José Madeira.
- O tempo anda áspero acrescentou o senhor Aurélio Moreira.
- Ó cachopos, desde que nos roubaram o concelho, a nossa terra nunca mais voltou a ser a mesma. A escola foi a melhor coisa…- atalhou o senhor Sebastião Jerónimo.
- Quem é que construiu o primeiro campo da bola, ripostei?
- Foi o Manuel da Silva e outros.
Resposta pronta do senhor Aurélio:
- O João de Sousa, o Barata “pai do sorna”, o Manuel da Silva…foram dos primeiros jogadores; quem benzeu o campo da bola foi o padre Santiago. Morava na casa do padre e músico (foi um bom padre), era do Louriçal.
O José Duarte tomando a palavra disse:
- O padre Zé Antunes era como um advogado, foi meu professor, do João Madeira…
- Falem-me da nossa banda.
José Madeira responde:
- O teu avô Manuel da cadeia tocava os pratos; o ti Lúcio, bombo; o Joaquim Ribeiro tocava barítono; o Joaquim dos Santos tocava requinta; o António Ferreiro tocava trompete; o Jaime Dias tocava contrabaixo; o José Maria Lino tocava flauta e clarinete; “o caralheto” senhor Elias tocava trombone; o Joaquim rato, fautim; o João Madeira, trombone; o João Faustino, o João Craveiro…nessa altura havia muitos músicos e eram quase todos sapateiros.
- O Joaquim Ribeiro, o ti Roldão, o António da Silva, o Manuel da cadeia…foram os primeiros músicos, o Valério foi o primeiro mestre.
- Na vila havia um alfaiate, Joaquim Gabriel, morreu cedo, morava onde moram “as meninas”; fazia-se um bom mestre da música…
- A ti Metilde (Matilde) era filha do senhor Roldão que tocava caixa.
- O senhor Aristides foi um bom mestre da música, era cantoneiro na estrada da Oles, o teu pai é que o substituiu.
- Antigamente havia nas ruas candeeiros a petróleo, o presidente da Junta era o Manuel da Silva. O Tonho do ti Felipe, assim que começava a anoitecer, andava com uma escada na mão e uma vasilha com petróleo, para encher os candeeiros e depois acendia-os.
- E alumiavam alguma coisa!
- Ora se alumiavam, já era bem bom… - respondeu o senhor Zé Madeira.
- Falem-me dos sapateiros.
- A maior sapataria era a dos Barrosos. O mestre Eusébio, “um homem muito forte”, era a melhor faca para cortar, não havia na Beira Baixa, irmão do senhor Emílio, este era mais para fazer carteiras; era o pai do Zé Bito, do Toneca…
- Eu aprendi com o meu irmão João.
- Para os Barrosos trabalhavam muitos sapateiros: o Tonho Maria, o António Ferreiro, o Ermegildo (era do Casal dos Paiáguas), o Barata, pai do sorna, o Chalim, o João Ribeiro, o João Hipólito, o João Lopes, “homem da ti Maria Joaquina”, o João de Matos, o senhor Roldão… eram todos bons.
Terra de sapateiros e alfaiates.
O senhor Aurélio há muito que estava com vontade de falar e a certa altura diz:
- A casa que stá veréda para a praça, já não sou capaz de encarrelhér, era do senhor Aurélio, o Cofáia era o cocheiro dos machos; o senhor Aurélio era o meu padrinho; tinha um cofre muito grande, um dia os ciganos roubaram-lho e abriram-no na fábrica.
- Ainda se lembram do trem?
- Servia para levar o senhor Aurélio e a dona Bárbara para o Valouro. O primeiro carro que cá apareceu pertenceu ao senhor Aurélio, tinha as rodas de pau, era ele que o conduzia, levava-o para o Valouro; hoje valia uma fortuna. - atalhou o Zé Madeira.
Os Fredericos eram sapateiros também. Já sabemos coisas do catano!
- Quem foi o Zé Raimundo?
- Era latoeiro, o senhor Fernando latoeiro aprendeu com ele. Tiraram-no de casa porque não pagava a contribuição. Dormia na praça, depois levaram-no para o cabanão e lá morreu…
- A taberna do Arrebotes antes era da ti Maria Sarafana. Um ano houve muita fome, o César Vaz de Carvalho emprestava milho, feijão…matou a fome a muita gente.
- No nosso tempo era uma desgraça; colhia-se a azeitona ao oitavo e ao nono.
- No Vale Morena, para o Zé Lourenço, colhíamos ao nono, diz o senhor Aurélio.
- No tempo das ceifas, alguns iam ao campo ajustar as searas, combinavam com os donos a quantidade de semente que deviam receber. Para além da semente, davam azeite, pão, queijo…
Perguntei ao senhor José Madeira se gostou de estar na França.
- Era boa para se ganhar dinheiro. - respondeu.
- Ainda se lembram da fábrica?
- O meu irmão Adelino trabalhou lá, era o maquinista. Era enorme, chegava ao cimo da barreira. Trabalhavam pelo menos umas quinze pessoas ou mais. O senhor Fernando “pai do Manuel Diogo” é que conduzia o camião. O senhor Manuel Bernardo tomava conta do pessoal. Faziam portas, coisas de ferro… o Parrego aguçava as “sarras”. Eu era garoto, levava o almoço ao meu irmão Adelino.
- O sargento Calmão era o encarregado. Os donos eram os senhores Manuel Gonçalves e Joaquim Gonçalves. Por serem boas pessoas é aquilo se foi abaixo. Também tinha uma moagem. Já lá vão setenta anos ou mais.
- Olha, o Truta veio numa comédia, ficou cá e trabalhou na fábrica!
- O carro que trazia o petróleo era puxado por mulas, chegou a pontos de vir uma camioneta.
- O Pião e o irmão trabalharam no comércio do senhor Adelino Patrício. O Pião subiu, ele desceu. As mulheres é que deram cabo dele, iam à gaveta e tiravam o dinheiro que queriam, a loja era ali. - Apontaram para a casa da Emília mouca.
O sino tocava a última, dei por terminada esta conversa que foi feita na praça, no dia 27 de dezembro de 1998. Aos senhores Aurélio Moreira, José Duarte, Jaime Martins, Sebastião Jerónimo, Carlota Candeias e ao meu amigo José Madeira o meu bem-haja.

Antes de terminar, deixo dois pensamentos de Santo Agostinho:
“A soberba não é grandeza, mas sim inchaço, e o que está inchado parece grande, mas não está são. Necessitamos uns dos outros para sermos nós mesmos.”

Um santo Natal e um ano 2016 cheio de paz, tolerância e fraternidade.


J.M.S

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O Orfeão na Partida


Foi um êxito a actuação do orfeão da Cidade de Castelo Branco, na igreja da Partida. O templo encheu-se para ver e escutar com alegria as canções alusivas ao natal, magistralmente cantadas pelo orfeão. António Andrade, responsável pelo Pequeno Lugar, está de parabéns.
No final do concerto, as pessoas com quem falei todas foram unânimes a dizer: venham mais eventos como este; foi muito bonito!
O próximo concerto natalício vai realizar-se na igreja matriz de São Vicente da Beira e será oferecido à população da freguesia pela banda filarmónica vicentina. Estejam atentos.

J.M.S

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Um herdeiro

O senhor visconde mudou-se para a vila, quando foi nomeado presidente da Câmara. As propriedades de morgadio ficavam na povoação que lhe dava o título, mas aqui tinha as terras e as casas herdadas, no início do século, dos irmãos de uma antepassada sua, três padres e duas tias solteiras. Chegavam bem para um dia a dia desafogado, embora a maioria dos cabedais lhe viessem da casa-mãe, onde tinha um feitor a tomar conta.
A família acompanhara-o, isto é, a mulher. Ainda não lhe dera geração e já perdera a esperança. Parecia seca por dentro, sem poder gerar vida. Ele não, sabia de fonte segura, mas não era assunto para partilhar, muito menos com a Dona Doroteia. Ela era uma senhora digna, que sabia ocupar o seu lugar. Por isso a respeitava.
Naquela manhã retornavam à vila, como faziam depois de cada domingo. O coche puxado a cavalos seguia pelos caminhos térreos, empedrados aqui e ali. Era uma viagem desagradável, mas felizmente curta. Entraram na povoação, atravessaram a praça e desceram a rua. A casa dele era a última. Depois estendiam-se as terras, todas suas, até à ribeira, onde tinha o lagar do azeite e a azenha do pão.
O coche parou e os senhores apearam-se. Dois criados acorreram a buscar as malas. Depois o cocheiro deu a volta e entrou no quintal, onde ficava a cocheira e o estábulo dos cavalos.
A senhora foi-se refrescar e vestir roupas mais práticas. Depois foi à cozinha inteirar-se de que tudo estava pronto para o almoço. As criadas estranharam-na, mais grossa na cintura, quase barriguda. Estranho, ainda não terem dado por nada. Comentaram entre si, mas com a ela não foram além de olhares meigos e felizes.
O senhor visconde soube pelo encarregado que o fim de semana passara sem novidades e depois dirigiu-se à salinha das refeições, onde a esposa já o esperava. Jantaram sopa de feijão encarnado com couves e cabrito assado no forno, regado com um bom tinto das suas terras nas Vinhas. À sobremesa, trouxeram arroz-doce, mas preferiu uma maçã do pomar nas margens da ribeira.
Saiu de casa e subiu a rua. Despachou com o escrivão os assuntos pendentes e no fim da tarde voltou a casa. Ainda desceu ao Barreiro, a inteirar-se das lavras. Depois do jantar saiu de novo, mas ficou fora pouco tempo. A viagem de coche maçara-o, já não era novo.
Os dias foram passando, sempre iguais. No sábado voltaram à casa-mãe e na segunda a senhora trouxe mais uma mala e vinha ainda mais barriguda. A criadagem confirmou o que já suspeitava, mas os senhores, nada, nem uma palavra.
Nesse fim de semana ficaram na vila. Não precisavam de andar sempre para trás e para a frente, o feitor tratava bem de tudo. A senhora foi-se recolhendo cada dia mais e já pouco saía do quarto. A barriga crescera muito, comentavam as poucas criadas que agora privavam com ela.
Numa manhã, após um serão de jogo de cartas que o senhor visconde passara em casa do juiz dos órfãos, a Dona Doroteia não saiu da cama. Sentia-se desconfortável, gemia esporadicamente. As criadas fizeram-lhe chá e a novidade alastrou, ainda antes de o senhor visconde avisar que a senhora estava de esperanças. Tivessem a casa preparada, pois o nascimento parecia estar para muito breve.
Ele próprio foi prevenir a parteira e teve com ela uma conversa a sós. Depois do almoço, os ais da Dona Doroteia aumentaram e o senhor visconde mandou uma criada chamar a parteira. Chegara a hora.
A criadagem foi mandada para a casa da cozinha e só ficaram as duas criadas de dentro. Ao fim da tarde, o senhor visconde saiu e só voltou já noite cerrada, com um embrulho debaixo do capote. Depois ouviram-se gritos da senhora e o choro de uma criança. Era um menino!
Viveram-se dias e semanas de alegria, em casa do senhor visconde. Infelizmente a senhora não tinha leite, mas falou-se a uma moça que dera à luz um menino morto, poucos dias antes. Ia lá a casa, a dar de mamar ao bebé, várias vezes ao dia.
O batizado foi uma semana depois e houve festa de arromba em casa do senhor visconde. O senhor vigário e restante clero, a vereação camarária, o médico do partido e demais pessoas importantes, todos tiveram assento na grande sala de jantar da casa do senhor visconde. À porta, deram-se doces a todo o povo que, desde a igreja, acompanhou o cortejo. Não era todos os dias que se batizava um morgado!


José Teodoro Prata

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O outro

Ser tolerante

Ser tolerante
É ser razoável
É matar a fome ao miserável
É dar pela manhã
Os bons dias ao vizinho
Não se achar superior
Nem olhar à sua cor
Nem à maneira como reza
Ou como anda vestido
Sabe Deus sua dor
Por ter deixado seu lar,
Para que se sinta bem no lugar
Devemos tentar ajudar
Não estranhar
Sua roupa, seu trajar.
Nem como possa rezar
O sol ao raiar
A todos aquece por igual
Assim como o ar que respiramos
É de todos, não é de ninguém
Não temos o direito
De machucar nosso semelhante
Por isso sorri e sê tolerante


Zé da Villa

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

O Orfeão na Partida


Dia 12 de dezembro, o orfeão de Castelo Branco vai oferecer à população da freguesia Vicentina uma actuação com cânticos alusivos à época natalícia.
O evento vai realizar-se às 19 horas, na igreja da Partida.
É mais uma iniciativa do Pequeno Lugar.
J.M.S.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Partidas de Natal


No meu tempo era a rapaziada que ia dar o nome nesse ano que se ocupava da fogueira. Pediam a quem tinha oliveiras, ou castanheiros, ou pinheiros velhos, e aos domingos de manhã iam cortá-los e acarretá-los para a Praça. E quando não tinham lenha que chegasse para armar uma fogueira como é dado, iam de noite roubá-la onde quer que a houvesse.
Foi o que aconteceu no meu ano. Chegou-se quase às vésperas do dia de Natal e o monte de lenha não era grande coisa. Já andavam até a murmurar que a fogueira ia ser fraca. E nós cheios de vergonha! Reunimo-nos todos e resolvemos que nessa noite havíamos de arranjar mais uma carrada de lenha, desse lá para onde desse. Um deles disse logo que na Devesa havia muita. O pior era arranjar um carro de bois, assim, à última da hora. Eu, que não era homem para me atrapalhar, disse logo:
- Deixai estar que do transporte trato eu. Ide lá para a frente que já lá vou a ter convosco.
Fui ao palheiro do pai da minha cachopa, peguei na junta de bois, aparelhei-a ao carro e fui ter com eles.
Arranjámos uma carrada tão grande de oliveiras e pinheiros que as vacas viram-se negras para subir a barreira. Mas o pior foi quando estávamos a descarregar; não sei como é que foi, o carro virou-se e o tiro partiu-se.
Àquela hora da noite estava tudo a dormir e não tínhamos ninguém que nos valesse. Não tive outro remédio que esperar pela manhã e ir a casa do ti Guilhermino e contar-lhe o sucedido. Ele até ficou amarelo e ainda quis, a modos, que ralhar comigo; mas a Ti Mari Zé voltou-se para ele e disse-lhe logo:
- Já não te alembras das partidas que fazias quando eras novo, pois não? E os teus filhos? Olha que também pregam das boas…
Doutra vez, já estava casado, saímos da Missa do Galo e fiquei eu, o meu sogro e o meu cunhado João à roda da fogueira. Às tantas, o velho começa a provocar:
- Esta rapaziada d’agora não tem planta nenhuma. Havia de ser no meu tempo e as galinhas e chouriças que já estavam a assar. Até a gente se lembia só com o cheiro!
E nunca mais se calava com aquilo. Tanto arrazoou que o meu cunhado puxa-me por um braço e diz-me assim:
- Anda cá que a gente já o chapa.
Fomos os dois ao capoeiro onde ele tinha as galinhas e pegámos na primeira que nos veio à mão. Metemos-lhe a cabeça debaixo da asa, e fomos direitos à taberna da Viúva, com ela debaixo do casaco. No fim, já assadinha, chamámos o Ti Guilhermino e foi comer e beber até às tantas. Até lhe lambemos os beiços.
Ao outro dia é que foram elas! A minha sogra tinha ido dar de comer à criação e deu por falta da galinha mais gorda e que mais ovos punha. Contou-o ao homem e ele viu logo quem tinha sido.
- Deixai estar, meus malandros, que haveis de ma pagar bem paga!
E a Ti Mari Zé:
- Não fazei caso do que ele diz, que no tempo dele até cabritos chegou a roubar!
Ontem fui à Vila, passei pela Praça e vi que a fogueira já está composta. Mas achei estranhos aqueles madeiros, tão diferentes dos de antigamente. Disseram-me que eram das árvores da Estrada Nova que tinham andado a cortar, a torto e a direito…
Haveria necessidade?

M. L. Ferreira

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

À volta dumas castanhas


(…) No ar pairava o cheiro a castanhas assadas, as trempes suportavam o assador de barro que as ia assando. De vez em quando ouvia-se um estalido, era uma castanha que rebentava, não tinha levado o corte e inchava. Às vezes fazia-se propositadamente e de vez em quando uma explodia nas mãos ou rebentava na boca, todos se riam.
- É com grande satisfação, alegria e prazer que vos recebo na minha humilde casa; espero que se sintam confortáveis durante o nosso serão.
- Meus filhos, fiz questão de comparecer, apesar dos muitos afazeres que tenho - Governar o Universo não é fácil-:deixei o Pedro tomando conta…
Sendo assim, e antes de entrarmos no assunto que os trouxe à minha casa, é com grande prazer que que vos ofereço estas castanhas acabadinhas de assar acompanhadas com jeropiga oferecida pelo nosso amigo Pensamento, espero que esta reunião seja a primeira de muitas…
- São boas; a jeropiga, uma pomada… Costumamos dizer, “mesa levantada, companhia desfeita”. Connosco não vai acontecer, demos início ao serão, passo a palavra ao nosso Criador.
- Meus filhos, não me vou alongar, é um enorme prazer estar aqui nesta noite fria com tão ilustrada companhia, vejo o primeiro Homem e a primeira Mulher. Apesar de me terem desobedecido nunca os abandonei. A Cobra aqui presente manhosa, sub-repticiamente tentou-os e eles não resistiram, a caixa de Pandora abriu-se… vejo a Virtude, a Paciência, a Verdade, a Prudência, lado a lado com a Mentira, o Refilão, o Orgulhoso, o Vaidoso… e todos vós: quero recordar-vos aqui e agora. Sois meus filhos, uns seguiram o caminho da justiça, da retidão, da paz e do amor, há os que enveredaram por outros rumos, outros caminhos. A esses estou sempre disposto a perdoar e a recebe-los quando quiserem regressar ao meu convívio
Todos vós, certamente tendes algo a dizer, por isso não me quero alongar…
- Pouco ou nada temos a acrescentar àquilo que disse nosso Pai, deixo somente um repto a todos os presentes; é o seguinte: Antes da Tentadora “que se encontra enroscada naquele caibro” tínhamos uma qualidade de vida excepcional, não necessitávamos de nos preocupar com coisíssima nenhuma, nada nos faltava, a felicidade era total. Doença, frio, calor, medos…eram desconhecidos, não existia passado nem futuro, temores, inquietações, receios ou sobressaltos, não era necessário medir o tempo, nossa alma exultava de contentamento, de júbilo, tudo fluía com normalidade, nunca nos passou pela cabeça aproximarmo-nos da árvore, para quê!... Naquele fatídico dia tudo se desmoronou, aquela que está além manhosamente deu-nos a volta.
- Abri-vos os olhos: verdade! A ciência, a aventura, as descobertas diárias e tudo o mais que conheceis. À vossa frente surgiram uma panóplia de coisas que até aquele momento eram desconhecidas, a vossa inteligência passou a ter horizontes mais vastos., com essas descobertas e novas realidades passaram a poder optar por aquilo que vos é mais favorável.
- Falas bem, mas antes de tu nos tentares não precisávamos de nos preocupar com nada; o mundo encontrava-se à nossa disposição, entendíamos os animais, eram nossos amigos; a partir daquele momento passaram a ser nossos inimigos, para sobrevivermos num mundo hostil, passámos a trabalhar, a arranjar artimanhas…
A vida a partir desse momento começou a ter outro sentido para vós, é ou não é verdade! Sabe bem ver o vosso trabalho recompensado. Através do esforço tirais da terra a vossa alimentação. Quando os bens vos caem de mão beijada…
Era uma realidade desconhecida para nós, portanto não nos fazia falta.
Faz-nos alguma falta o que será real daqui a duzentos anos! Certamente não, não sabemos nada sobre essas realidades futuras. Se não tivesses aparecido para nos tentares, o mundo terreno seria bem diferente, mas pronto.
- Estou cá com uma moleza!
- És assim, mole. Deixem a Moleza em paz, não tem culpa, nada a fazer, é a sua natureza. Reparem na Apatia, estão bem uma para a outra completamente nas nuvens: não dizes nada! O que é que quereis que eu diga? Escuto-vos… Pareces uma pasmada.
- Não digas mal, é uma pobre de Cristo: não se compara à Vontade, juntamente com a Força de vontade não lhes escapa nada, juntas vencem os perigos que encontram pelo caminho. Não é bem assim, às vezes a vontade que tenho para realizar algo não é nenhuma, sou obrigada. Força, quantas vezes te usam para destruir … Quando me junto ao Fogo levo tudo à frente.
- Tenho estado pacientemente a escutar-vos, concordo com quase tudo o que ouvi, mas …
Adão e Eva, não tiveram culpa daquilo que aconteceu, se nosso Pai quisesse teria impedido, não o fez. Julgo que o mundo seria uma pasmaceira, não havia incentivos para nada, as coisas estavam à mão de semear, com a Tentadora todos nós passámos a ter que lutar pela vida. A Moleza é assim porque é; a Apatia igualmente. Tudo o que existe tem a sua importância, é uma questão de escolha. Vocês não imaginam a paciência que tenho tido para conseguir compreender a atitude que teve um dos vossos filhos, o Caim. Aquela inveja toda, tanto ódio de estimação acumulado que descambou numa morte terrível, desde o princípio do mundo, o Homem nunca se entendeu, está no sangue.
Para terminar, queria deixar pairando um ponto de interrogação: ainda não há muito tempo um investigador chegou à conclusão que o Homem descende do macaco. Que tendes a dizer sobre isso?
- Sabemos que a vida apareceu primeiramente nas águas. Fomos moldados com terra e água, então…
A Mentira pediu para falar: cá para mim tudo isto é um grande mistério, todas as coisas viventes ou não tiveram que ter um inventor, o autor é a Luz brilhante que nos tem acompanhado nesta tertúlia, só Ele é o Senhor, o criador de todas as coisas.
A minha alma está parva, o Mentiroso a falar desta maneira. Não dizeis que se uma pessoa quiser pode-se modificar! Deixem-se de tretas; Amigo, ainda há para aí umas castanhitas! A jeropiga é cá uma pomada…
Já passei pelas brasas, não tenho paciência para vos aturar, só me sinto bem quando estou a refilar, discordo de tudo o que ouvi, é a minha natureza. Ó Refilão, porque não experimentas imitar a Mentira…
- É uma fraca; onde é que já se viu a Mentira dizer verdades? Vão ver, à primeira cavadela, minhoca.
A Verdade dói; é como um punhal cravado no corpo, mas, gosto das coisas limpas, com lisura, sem qualquer alinhavo ou remendo, sou a Verdade. Quem diz a verdade, não merece castigo. Ser verdadeiro é ser transparente, sem rabos-de-palha, a verdade acima de tudo. Estais para aí com essas lucubrações todas, mas se eu quiser acabo com muitos de vós num instante, é só apagar a Memória e já está.
- Ó Alzheimer, deixa a Memória em paz, mete-te na tua vida, trata dos teus assuntos, já viste o mal que podes fazer à humanidade se quiseres? Deixa as pessoas sossegadas até ao fim dos seus dias, os estragos que podes causar são irreversíveis, não têm retorno. Nunca entraste certamente num lar da terceira idade onde vivem os nossos maiores, a maior parte daquelas pessoas estão à espera que a Morte chegue, não sabem onde se encontram, não conseguem cuidar de si, onde as sentam, ficam: uma tristeza. Entra numa dessas salas, depois conta-me o que viste.
- Sou assim
- Podes-te modificar.
- Isso não, és tão ou mais refilão que o Refilão, és um rufia.
Sei que um dia o Homem me vencerá, mas enquanto esse dia não chegar continuarei a fazer das minhas; a Memória que se cuide.
- Já viram como ele é!
Não há nada a fazer, temos que ter paciência e esperar que o Criador ilumine o Homem para que ele possa descobrir a cura e o afastar de vez….
Agradeço a presença de todos, principalmente a nosso Pai.
O ambiente da tua casa, Amigo, inspira-nos. Venham ver o espectáculo, a neve cai, a paisagem está imaculada.
- Antes de partir, peço que continueis a confiar em Mim, a minha misericórdia é infinita. Amo-vos.
Olhem; partiu
Assim Seja.


J.M.S.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Jornadas de Medicina, 2015




Este ano, apresentei um trabalho intitulado 
"Demografia em tempo de guerra, São Vicente da Beira, 1801-1821". 
Será publicado nos Cadernos de Cultura, nas jornadas do próximo outono.
O gráfico acima apresentado refere-se aos registos de batismos e óbitos da nossa freguesia, 
quase todos já publicados neste blogue. 
A minha intervenção baseou-se neste gráfico e noutros dois referentes aos casamentos.

José Teodoro Prata

domingo, 29 de novembro de 2015

José Fernandes

José Moreira Fernandes, o ”Zé Taleta”, foi sempre um amante do atletismo. Ao longo da sua vida, participou em corridas nos mais diversos locais de Portugal, competindo taco a taco com atletas de muitos clubes.
Na sua casa existem centenas de troféus e medalhas que foi conquistando ao longo da sua carreira. Começou a correr no saudoso Sport Clube São Vicente da Beira, passou por vários clubes:-Setúbal, Covilhã, Silvares…, atualmente, como veterano, corre no Grupo Desportivo dos Pereiros.
Franzino, qual papa-léguas; o Zé corre, corre…, nas Beiras há poucos como ele. Ficar em primeiro lugar foi sempre o seu objetivo, caso não acontecesse ficaria perto. Veloz, as distâncias vence-as com uma facilidade tremenda. Juntamente com seu irmão Luís, fazem uma boa dupla ”apesar de não ser tão rápido”. No seu escalão ainda não é qualquer um que o vence.







J. M. S.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Francisco Caldeira



Francisco Caldeira Leytam de Brito Monis Albuquerque, da Sertã, casou, em São Vicente da Beira, no dia 5 de dezembro de 1768, com a vicentina Dona Ignes Caetana de Morais Sarmento e Andrade, filha de Manoel Caetano de Morais Sarmento, capitão-mor do concelho.
Depressa o genro lhe sucedeu no cargo.
O casamento realizou-se por procuração de ambos os noivos. As bençãos e a consumação do casamento terão ocorrido em Janeiro, pois estávamos no Advento, tempo interdito a este tipo de "festejo".
Possivelmente com as terras herdadas pela sua esposa, terá Francisco Caldeira formado a Quinta Nova, que ele, ou seus descendentes, mandou murar.
Poucos anos após o casamento, Francisco Caldeira pediu ao rei D. José autorização para fazer a canada dos Carquejais (documento já aqui publicado), a fim de que o seu gado pudesse circular livremente entre a quinta e as Lameiras, de onde já nessa altura trazia a água para regar a quinta.
O seu filho Gonçalo casou com a herdeira da casa senhorial da Borralha, Águeda, e o neto, também chamado Francisco Caldeira, recebeu de D. Maria II o título de visconde da Borralha, recebendo o bisneto Gonçalo Caldeira o título de conde. Por isso chamamos à Quinta Nova a quinta da Casa Conde.
Terá sido o 1.º visconde ou o 2.º conde (1878-1946), ambos chamados Francisco Caldeira, a dar o nome ao nosso largo da Fonte Velha.

José Teodoro Prata

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Ainda o passeio: Pedras que falam


Bem longe dos luxos arquitetónicos das casas de famílias que ficaram na história da nossa terra (os Costas, os Cunhas e alguns outros), estas paredes são o que resta da casa onde a Ti Ana Prata e o Ti Miguel Rodrigues viveram e criaram os muitos filhos que tiveram.
À esquerda, o forno resistiu ao trabalho de matar a fome a tantas bocas, e continua de pé, pronto a receber mais fornadas de pão.
Mesmo em ruínas, foi uma emoção olhar para aquelas pedras e imaginar as histórias que contariam, se falassem…


M. L. Ferreira

sábado, 21 de novembro de 2015

Abelhas asiáticas?

São enormes, acastanhadas à frente e amareladas atrás, “asiáticas certamente”. Ao aproximar-me da oliveira para cortar os ladrões e estender o fato, de uma taloca saiu um “batalhão”. Fugi a sete pés, uma delas ferrou entre o olho direito e a sobrancelha ”ainda me doi”, são dores…, lama, medo, aguentei. Com o pulverizador ,“xeriguei” gasolina para dentro da taloca, “conselho do meu cunhado Carlos” e consegui destruir o ninho.






JMS

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Colunas renascentistas


Esta base de coluna está numa casa da Rua do Eiró e na extremidade esquerda desta varanda está outra.
O João Paulino encontrou outras duas bases de colunas no entulho por baixo da lareira da casa que foi da minha tia Carlota Prata e agora está a ser reconstruída pelo Adelino Costa e pela minha irmã Eulália.
Há dois "palácios" de onde elas poderão ter vindo: do paço dos Costa e mais tarde Cunha, junto à Câmara Municipal, a sul, do século XVI/XVII; do convento franciscano, criado no século XVI, mas que terá sido construído, na sua maior parte, no século XVII.
Existiam outras casas senhorias, neste passado mais longínquo, 
mas qualquer delas ficariam muito longe do luxo arquitetónico que colunas destas implicavam.

José Teodoro Prata

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Outono na Gardunha





O fotógrafo destas e das fotos anteriores foi o André Varanda.
Como fiquei com a máquina antes do final, não tenho a cara enfarruscada dele para vos mostrar.

José Teodoro Prata


Esta é do Luís da Libânia.

domingo, 15 de novembro de 2015

Tantas histórias...


Uma selfie, na paragem para vermos a casa onde viveu o avô do sr.º José Matias.


Na boca da mina das Lameiras.


Cruzamento das Lameiras: seguir para a Senhora da Orada ou para o Casal da Serra?


Aos tortulhos.


A descansar, no miradouro.


Aqui foi preso o Pistotira!


À chegada, o magusto.

Este ano participaram mais pessoas, cerca de 30.
Vale a pena com qualquer número, mas assim é bem melhor!

José Teodoro Prata

sábado, 14 de novembro de 2015

Já amanhã




É já amanhã o nosso passeio anual.
As fotos são de passeios de anteriores.
A partida é às 14.15h, na Praça.
Sem atrasos, pois às 17h começa a escurecer e aguarda-nos o magusto!

José Teodoro Prata

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A nossa gente

    Fotografia cedida pelo Pedro Gama Inácio

Esta fotografia tem perto de setenta anos e foi tirada na Senhora da Orada. O homem do meio, com a guitarra, chamava-se Joaquim Inácio e penso que era o mais velho de seis filhos. Está rodeado por dois dos irmãos. À direita o César Inácio com a sua Patrocínia; à esquerda (a segunda a contar da ponta) a Maria José com o seu Guilhermino. À roda, alguns dos muitos filhos que ambos os casais tiveram; alguns já casadoiros, outros ainda crianças de colo.
Nasceu em 1895 e, como muitos rapazes daquele ano, foi mandado para a França durante a 1ª. Grande Guerra. Esteve lá para cima de dois anos e quando regressou trazia uma folha de serviço quase limpa, o que lhe valeu ser admitido na GNR, apesar de, muito provavelmente, não saber ler nem escrever.
Foi colocado no Quartel do Carmo e diz-se que valeu a muitos conterrâneos que iam ter com ele a pedir ajuda. Uma vez, era o Zé Marau ainda rapaz novo, foi a Lisboa e, às voltas pela cidade, foi ter ao Palácio de S. Bento. Admirado com o jardim que havia à volta, quis ver melhor e encostou-se ao muro para espreitar. Ainda mal tinha posto a cabeça dentro, sentiu-se agarrado por um polícia que lhe perguntou:
- Olha lá, meu burro, não sabes que não se pode passar para lá do risco encarnado?
O Zé Marau bem tentou explicar que não tinha visto risco nenhum e só queria ver o jardim, mas o guarda meteu-o num carro e levou-o preso para o Quartel do Carmo. Por sorte, quando lá chegaram, encarou logo com o Jaquim Inácio que lhe deu um abraço e afiançou que era filho de boa gente. Depois pegou-lhe por um braço e foram os dois beber um copo no primeiro sítio que encontraram.
Sempre que podia, voltava à terra e as festas de Verão e a Senhora da Orada não se faziam sem ele. Parece que a mulher e as filhas nem sempre o acompanhavam, mas a guitarra trazia-a sempre, bem afinada. Era uma alegria quando se juntava com os amigos, à noite, e corriam as ruas da Vila, do cimo ao fundo, a tocar e a cantar. Só paravam à porta das tabernas para afinar a garganta. E na Senhora da Orada, depois de comerem a merenda, pegava na guitarra e armava-se logo ali o baile, com a família e os amigos todos a dançar.
Os irmãos tinham um grande orgulho nele e disputavam entre si quem é que lhe dava de comer e de dormir sempre que cá vinha. Apesar de serem todos muito pobres, esmeravam-se nos mimos cedendo-lhe a melhor enxerga e pondo-lhe na mesa o que de melhor tinham em casa. Diz que um ano coube a um dos irmãos mais pobres recebê-lo. Como não tinham roupa à altura do que sentiam que ele merecia, foram pedir a outra irmã os lençóis do casamento para lhe fazerem a cama. Ficou tão bonita que até parecia um altar.
Um dia, meados de maio de 1961, chegou cá a notícia de que tinha morrido. Diz que nesse ano ninguém da família foi comer a merenda à Senhora da Orada…

M. L. Ferreira

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Azeitona carrasquenha


Permitam-me que faça aqui o elogio da oliveira carrasquenha. Ela é a parente pobre do olival e está a tornar-se rara, mas ainda vai resistindo, talvez porque os nossos mais velhos tinham inscrito no seu ADN a biodiversidade.
Tenho uma oliveira carrasquenha e só este ano me apercebi de que não me dá cuidados nenhuns. A galega é tão delicada que basta chover sem fazer frio, enche-se de gafa e cai de podre. A bical não se dá na meia altitude da serra e por isso quase não produz. A cordovil é bem boa, mas não somos só nós a gostar dela, a mosca também e por isso facilmente nos aparece bichada. Andava eu nestas reflexões quando me aproximei da oliveira carrasquenha. Ali estava uma amiga fiel, sempre com meia carga ou a vergar de peso, raramente com bicho, nunca com gafa.
Desconfio que ela vem diretamente dos primórdios, sem mutações genéticas como acontece com quase todas as nossas árvores domésticas. Por isso é mais resistente à gafa e a outras pragas.
Tenho uma oliveira da CEE, já grande, que ainda não deu nada e já decidi: para o ano, em março, vou fazer uma homenagem à minha boa amiga e enxertá-la de oliveira carrasquenha!

José Teodoro Prata

domingo, 8 de novembro de 2015

Os caçadores da minha terra

Sento-me em frente ao castanheiro e contemplo a dança das folhas amarelecidas que vão caindo das ramagens, debaixo da árvore, um grande “carcomelo”, -parece um guarda-chuva- seu pequeno tronco possui um anel, sinal que se pode consumir.
Subo o pinhal, com um pau remexo a caruma aqui e ali a terra sobressai “escrapiada”. Com cuidado retiro-a, por baixo encontra-se um míscaro. Não está sozinho, muito perto existem outros rodelos. Ouço o latir de cães, de repente passa junto a mim um coelho que estava a ser perseguido por três podengos, um trom e no alto de uma “pesserra” surge um caçador com o cano da espingarda fumegando, um dos cães com o rabo a abanar transporta na boca o coelho…


Os campos da minha terra
São de uma beleza inigualável
Ao fundo o campo, ao cimo a serra
Onde há muita água potável
Na Oles travou-se uma guerra
Os camponeses com sua rusticidade
Na sua terra passam a mocidade

No tempo das caçadas
Operários, doutores e campestres
Pegam suas espingardas
Alguns são verdadeiros mestres
Calcorreiam matos e lavradas
Os cães farejam, latem, são umas pestes
Coimbra busca, agarra, ele anda ai
Carriço…está ao pé de ti

Arma em riste, coronha ao ombro
Empisca o olho em direcção à mira
Pum… ouve-se um grande estrondo
Caçador mais uma vez atira
Que grande coelho, caiu redondo
Este é para a minha avó Alzira
Caçador palmilha, anda, mesmo maçado
Percorre as ruas da vila todo inchado

O diabo é quando a caçada corre mal
Surge na vila disfarçado
Entra logo pelo quintal
Deixa lá homem; vens cansado
São assim regra geral
Vem comer este coelho guisado
Que bom está o coelhinho
Bota aqui mais um copinho

Matei este coelhito ao amanhecer
Os cães não queriam caçar
Andavam cansados, não queriam correr
Bem gritava; busca… agarra…mas tive azar
O piloto encostou-se a mim a gemer
Vamos para casa, para o nosso lar
Não têm faro, o calor aperta
Os coelhos estão encovados pela certa

Na taberna já com um copito
O caçador gabarola…
Só mataste um reles coelhito
Mal enchia a “caçola”
Eu matei dez e falhei outros tantos, tenho dito
Tu o que tens é gola
Não acreditas! Pergunta à minha
Estão dependurados na cozinha

É feliz o caçador
Mesmo espetando cada peta
Calcorreia os campos com amor
Ao ombro leva a escopeta
Com frio, neve ou calor
Leva o carriço, o tejo e a violeta
Botas ferradas, arma em riste
O caçador nunca está triste

Porque o caçador Vicentino
É vivaço e ladino

Zé da Villa