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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

domingo, 7 de janeiro de 2018

Os Reis Magos


Os miúdos dos bombos abriam o desfile a caminho do presépio.


Uma família feliz!


Primeiro vieram os pastores, as costureiras...
Só no fim chegaram os reis magos.
Que requinte!


Traziam presentes para todos: miúdos...


...e graúdos. 
Também me coube um saquinho de guloseimas!

Ana Isabel Jerónimo Patrício (fotos)
José Teodoro Prata (legendas)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Felisberto Coelho Telles Jordão Monteiro



Felisberto Coelho Telles Jordão Monteiro não nasceu em São Vicente, mas terá vindo viver para cá ainda jovem, dizem que para substituir o pai, que tinha adoecido, no cargo de Secretário da Administração do Concelho (coisas das monarquias, que teimam em persistir na atualidade…).



Tinha vinte e um anos quando se casou com Mariana Augusta Ribeiro Robles, um pouco mais velha que ele, filha de Maria Rita Paulina e José Ribeiro Robles. Como os pais casaram algum tempo após o nascimento da filha, Mariana aparece como filha natural em todos os registos paroquiais. Curiosamente, apenas no registo de óbito é referido o nome do pai.
O casal teve muitos filhos, como era habitual naqueles tempos:
1.    Maria da Glória Robles Monteiro (1873) que casou com Manuel de Brito Coelho de Faria, Amanuense da Administração do Concelho de Castelo Branco. Também tiveram muitos filhos, alguns dos quais morreram ainda crianças;
2.    Maria Albertina Robles Monteiro (1875) que foi professora e morreu solteira. Dizem que tirou o curso por vontade do pai, que não se conformava por, em São Vicente, haver tanta gente analfabeta. A escola era numa sala da casa da família, na rua Nicolau Veloso. Contam que Maria Albertina era muito religiosa e que, sempre que o relógio dava as horas, mandava levantar os alunos e rezavam: Bendita seja a hora, bendito seja o dia, bendita seja a pureza da Virgem Maria. Tanto este relógio como a palmatória, que seria usada com alguma frequência, ainda estão guardados como verdadeiras relíquias;
3.    Felisberto Robles Monteiro (1878) que faleceu com pouco mais de um ano (um dado curioso é que a madrinha da criança foi a irmã Maria da Glória que, na altura, tinha cinco anos de idade);  
4.    Ângela Robles Monteiro (1880) que foi freira Doroteia e faleceu em Nápoles;
5.    Maria Amália Robles Monteiro (1883) que casou com José Gomes Barroso e também tiveram muitos filhos, entre eles um que foi padre: o Padre Albertino;
6.    Maria Guilhermina Robles Monteiro (1883), gémea com Maria Amália, que morreu quase à nascença;
7.    Hermínia Robles Monteiro (1885) que morreu solteira;
8.    Felisberto Robles Monteiro (1888) que estudou no seminário e no Colégio de S. Fiel, e fez depois o Curso Superior de Letras. Foi ator e encenador, e casou com Amélia Rey Colaço, também atriz. O casamento não terá sido do agrado dos pais, devido à profissão da noiva, e levou tempo até que fosse aceite pela família.

Para além de Secretário da Administração do Concelho, Felisberto Jordão Monteiro terá sido também Provedor da Misericórdia de São Vicente da Beira, onde ainda se encontra uma reprodução do retrato que encima este artigo.
Seria uma pessoa de bem, honesto e zelador dos interesses do concelho. Uma das bisnetas partilhou comigo algumas das histórias que, sobre ele, ainda se contam na família:
Um dia vinha a descer as escadas do edifício da Câmara, elegantemente vestido, cartola na cabeça, bengala pendurada no braço, quando se depara com outro funcionário que andaria a meter dinheiros públicos ao bolso. Ao cruzar-se com ele, pára, olha-o de frente, ergue a bengala no ar e berra-lhe: «gatuno, azeiteiro, ladrão desta Câmara, desapareça-me da frente ou vai já pelas escada abaixo!». Não se sabe como é que a coisa acabou…
Diz que outra vez, já noite, terá recebido uma notícia que o deixou desassossegado. Tão desassossegado que, apesar da escuridão e do frio da noite, aparelhou o cavalo, vestiu o capote e disse para a mulher que tinha que ir a São Fiel. A mulher, preocupada, ainda tentou convencê-lo de que fosse apenas de manhã cedo, mas ele não lhe deu ouvidos. Só lhes restou ficarem todas, a mulher e as filhas (o filho seria ainda criança), a espreitar por uma janela, cheias de medo, a vê-lo desaparecer ao fim da rua, na escuridão. Não se conhecem ao certo os motivos desta viagem noturna tão urgente, mas constou-se que levaria uma bandeira inglesa que hasteou no Colégio para evitar a sua ocupação, não se sabe por que forças…
Felisberto faleceu ainda novo, em 1901; tinha 50 anos de idade. Apesar dos muitos filhos que teve, não lhe restam muitos descendentes porque a maior parte dos filhos e netos não casaram ou não tiveram descendência. A casa onde viveu ainda se mantém na família e guarda muitas das memórias de várias gerações.

M. L. Ferreira

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

As nossas tradições de Natal


Fogueira de Natal, noite de Natal de 2015


Presépio da Menina Isaura, recriado pelo GEGA, Natal de 2014


Fazer as filhós, numa véspera de Natal da década de 70 
(a julgar pelas idades das raparigas da foto)


Presépio da Igreja Matriz de São Vicente da Beira, Natal de 2015


Concerto de Natal da Filarmónica Vicentina, Natal de 2015


Fogueira de Natal, noite de Natal de 2014


Auto de Natal do Rancho Folclórico Vicentino, Natal de 2016


Iluminação de Natal do Eusébio, na sua casa da rua das Laranjeiras, Natal de 2015


Presépio do Pequeno Lugar, Partida, Natal de 2014

José Teodoro Prata

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Crianças reflorestam a Gardunha

A Junta de Freguesia de São Vicente da Beira, em colaboração com o Agrupamento de Escolas José Sanches e São Vicente da Beira, levaram a cabo, no dia 15 de Dezembro, uma iniciativa para a reflorestação da Serra da Gardunha: a criação de um viveiro na escola de São Vicente da Beira.
Com a colaboração dos alunos do pré-escolar, 1.° e 2.° ciclos, semearam-se várias espécies de árvores, como sobreiros, carvalhos e pinheiros, para posterior plantação.
Pretendemos incentivar e consciencializar os alunos a plantar árvores, depois de muitos deles terem visto de perto o fogo que tornou negra toda a Gardunha.
Depois desta iniciativa, a Junta de Freguesia  fará o seu próprio viveiro, com bolotas que foram recolhidas por vicentinos e as ofereceram com este objectivo.




Ana Isabel Jerónimo Patrício

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Gente nossa

Nome do requerente: Jerónimo Chaves
Estado: casado com Ernestina Vaqueiro
Filiação: Mariano Carrasco Lave e Henriqueta Argona 
Jaime da Gama

domingo, 17 de dezembro de 2017

Gente nossa, 1915



Filomena Duarte era filha de Augusto Duarte Leitão e Maria do Carmo, 
todos naturais do Casal da Fraga.

Jaime da Gama

sábado, 9 de dezembro de 2017

Arquitetura tradicional do granito, Gardunha


Não me lembro dela. Escondida no meio das mimoseiras, só com o fogo ficou a descoberto.
Situa-se no alto de uma pequena elevação, entre a Barroca do ti Miguel da ti Laurentina e o Caldeira, perto do caminho para o Cabeço do Pisco, junto ao pinheiro manso.
Ao vê-la, parei o carro e fui fotografá-la:

 A abertura do forro faz lembrar velhos templos românicos.

 Do lado sul tem um curral entre a rua e a loja.

 Escavaram para ter pedra para a casa e aproveitaram o buraco para a loja.
O granito é de dente de cavalo (grão grosso).

 Vista dos lados sul e oeste.

Janela a lembrar seteiras, 
de um tempo em que nem todas as aberturas eram fechadas com portadas.

Lado oeste, entrada da casa.

Ao voltar ao caminho, cruzei-me com o meu padrinho e com os filhos João e Tó, a caminho da azeitona. Disseram-me que aquele monte, casa incluída, fora da ti Mari´Zé Afonso.
Em casa, a minha mãe contou-me que chegou a ir lá levar a merenda ao meu pai, que fez uns arranjos na casa. Quem lá morava era  a ti Áutua.
Gabei o sítio tão soalheiro, a arquitetura da casa e a sua solidez (sem uma rachadela). Ela olhou-me preocupada: "Não queiras comprar aquilo, aqui na terra as casas estão quase todas vazias, só moram duas ou três pessoas em cada rua!"
Esteja descansada, mãe. Não realizarei o sonho de acabar os meus dias sentado numa pedra soalheira, a olhar por umas cabritas. Mas que esta casa (e muitas outras que o fogo pôs a descoberto) valia a pena, isso valia! São já de um outro mundo, mas... Portugal está cheio de estrangeiros que se cansaram da agressividade da vida urbana e optaram por estes paraísos naturais das pequenas coisas.

José Teodoro Prata

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A ocidente

PORTUGAL

Ó Portugal, Portugal
Meu berço, meu Lar Natal
Ó Portugal, Portugal
Terra dos meus progenitores
Ó Portugal, Portugal
Terra de sol, mar e sal
Minha Terra, meu berço
Onde se reza o terço
Terra de Santa Maria
Com ermidas caiadas de branco
No alto de morros penhascosos
Tão verdejantes e formosos
Terra de romarias
Bombos, pífaros e pandeiros
É Portugal nosso Lar
Estevas, pedras, giestais
Morros, charnecas, sei lá que mais
És meu solar, Portugal
Ai de quem te faça mal
Meu Portugal, meu berço
Terra da Senhora do terço.
Esteja onde estiver
No mar, no ar ou noutro local
Minha Pátria é Portugal
Terra monumental.
Foste Lusitana e romana
Árabe e castelhana
Mas tinhas que ser Portugal
Não és rica! Não faz mal
Tua riqueza está nas nossas mãos
No teu Povo forte e valente
Ai de quem se mete com a gente
Leva com a pá…
E mete-se no fogo ardente
És Portugal modesto, mas rijo
Unido, és vencedor
Unido, és criador
Unido, és valente
Rijo como o granito
Moreno e trigueiro
Sulcaste o mar navegando
Novas terras conquistando
Com outros povos te foste relacionando
Com eles te mesclando
Tua língua ensinando
Por lá ficaste morando
À sombra de Portugal
Novas terras desbravando
Outros frutos e sementes cultivando
Com outras religiões te foste misturando,
Novas culturas, adquirindo
Mas no fundo do teu coração
Portugal sempre foi por ti lembrado.
De vez em quando uma lágrima furtiva
Escorre cara abaixo, é a recordação
Das filhoses, das festas e folguedos
Da tua Terra Natal
Do teu Lar, do teu Portugal
Uma lágrima furtiva, salgada…
São saudades
Da água fresquinha da fonte
Do sino a tocar as trindades
Das ovelhas que passam
Balindo e chocalhando
Dos velhinhos na praça descansando
Das mães na igreja orando
Pelos seus que partiram
Para longes terras tratar da vida,
São tantas as saudades
Dos que deixaram a casinha.
Hoje cai uma telha, amanhã outra
No dia seguinte é a porta que se abre
Depois, um caibro apodrece
Outro, e outro…
A água entra na sonave
A madeira amolece
O que foi um lindo lar
Transforma-se em ruinas
Os donos partiram…
À noite nas esquinas
Vejo fantasmas a passear
As casas cheias de vida outrora,
Poderão ser um dia, ou não
Locais de peregrinação
Ou então
Algum cidadão
Resolve deitar a mão
Fazendo uma nova reconstrução
E os que partiram
Resta-lhes a recordação
Mas as saudades da sua TERRA NATAL
SERÁ SEMPRE PORTUGAL

Zé da Villa

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Gente nossa

O Padre José Antunes, meu colega e amigo do tempo do seminário do Tortosendo, nas suas andanças pelo mundo «Em Macau, ao visitar a igreja do Seminário de São José, na fachada da entrada vi uma lápide que menciona o bispo João Ramalho. Como ele era natural de São Vicente da Beira  tirei uma foto.»
E enviou-ma, pois ele, natural do Maxial do Campo, também visita o nosso blogue.




Diz-se que quem não sabe latim fica assim, mas não é verdade, pois o latim é a nossa língua-mãe e por isso parecido com o português.
Transcrição das 7.ª, 8.ª e 9.ª linhas: 
D.(?) Dom João de Deus Ramalho Sociedade de Jesus
Bispo de Macau
Ano de 1953

José Teodoro Prata

sábado, 25 de novembro de 2017

Gente nossa

Global Mosquito Alert: NASA DEVELOP Project Partners Handoff

O programa DEVELOP, parte do Programa de Ciências Aplicadas da NASA, aborda questões ambientais e de políticas públicas através de projetos de pesquisa interdisciplinares que aplicam a lente das observações da Terra da NASA às preocupações da comunidade em todo o mundo. Colocando o fosso entre a Ciência da Terra da NASA e a sociedade, o DESENVOLVIMENTO cria capacidade tanto em participantes quanto em organizações parceiras para melhor prepará-los para enfrentar os desafios que enfrentam a nossa sociedade e as gerações futuras. Com a natureza competitiva e o crescente papel societário da ciência e da tecnologia no local de trabalho global de hoje, o DEVELOP promove um corpo adepto de cientistas e líderes do futuro.
No Outono de 2017, o Programa de Inovação de Ciência e Tecnologia do Wilson Center se associou com outros membros do Global Mosquito Alert Consortium (GMAC) em um projeto, Taking a Bite Out of Mosquito-Disease: mapeamento e monitoramento de doenças transmitidas por vetores na Europa Ocidental.
As doenças transmitidas por vetores são conhecidas por serem desenfreadas por países em desenvolvimento, no entanto, eles estão se tornando cada vez mais comuns em áreas desenvolvidas do mundo. Nos últimos anos, a Europa Ocidental tem crescido em surtos de doenças transmitidos por vetores. Em resposta a esta preocupação, pesquisadores, cientistas cidadãos e várias organizações internacionais estão trabalhando juntos para monitorar habitats e áreas de reprodução de mosquitos. Mesmo assim, prever e prevenir surtos continua a ser um sério desafio. A equipe da NASA DEVELOP combinou as observações da Terra da NASA com dados de ciência cidadã para criar uma metodologia e mapa de adequação do habitat para auxiliar os usuários finais no monitoramento e mitigação de surtos de doenças transmitidos por vetores.
Linha traseira: Victor Lenske, Alison Thieme, Aaron Warga, Doug Gardiner
Primeira linha: Luísa Gama da Silva, Sara Lubkin, Gia Mancini, Helen Plattner

Durante a transferência do projeto, 3 membros da equipe NASA DEVELOP apresentarão a pesquisa que realizaram durante o período de 10 semanas e entregarão os resultados de suas pesquisas aos parceiros do projeto. Gia Mancini, Doug Gardiner e Luísa Gama da Silva são membros do projeto de 10 semanas de Europa da Saúde e Qualidade do Oeste com o programa NASA DEVELOP no Goddard Space Flight Center. Gia Manicini se formou na Universidade Estadual de Ohio com um diploma em Meio Ambiente e Recursos Naturais e é o líder do projeto para este período de outono. Doug Gardiner é atualmente um aluno de mestrado na Universidade George Mason, estudando Estudos Interdisciplinares com uma concentração em Energia e Sustentabilidade. Luísa Gama da Silva graduou-se na Universidade de Boston com licenciatura em Ciência Ambiental e Energia Sustentável. Juntar-se à equipe para a apresentação será a Dra. Sara Lubkin, que recebeu seu doutorado em Geologia da Cornell e é o Centro Assistente do Centro e um Coordenador de Coordenação do Projeto para DESENVOLVER.
Este Wilson Center está animado para trabalhar com a NASA neste importante esforço.

Genologia de Luísa Gama da Silva, Washington DC:
Filha de: Ednaldo Araquém Silva, João Pessoa - Brasil e de Rita Maria Craveiro Parreira da Gama, Lisboa
Neta de: Artur Manuel Parreira da Gama, Alcácer do Sa,l e de Maria Ângela Alves de Sousa Craveiro, Oliveira do Bairro (pais de Rita Maria Craveiro Parreira da Gama).
Bisneta de: Francisco Gama, São Vicente da Beira, e de Adelaide da Conceição Villa-Boim Parreira, Alcácer do Sal (pais de Artur Manuel Parreira da Gama).
Bisneta de: António de Jesus Craveiro, São Vicente da Beira, e de Aida Alves de Sousa, São Vicente da Beira (pais de Maria Ângela Alves de Sousa Craveiro).
Trineta de: Manuel Martins Gama, São Vicente da Beira, e de Maria Emília Alves de Sousa, São Vicente da Beira (pais de Francisco Gama).

Jaime da Gama

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Roque Lino, uma vida


Foto dos fundadores do Partido Socialista.
O Roque Lino é o terceiro, em cima, a contar da esquerda.


Assinaturas dos fundadores do Partido Socialista.
Fonte das duas imagens: Ditadura e Revolução, Maria João Avillez.


O Roque Lino, em São Vicente da Beira, a colar um cartaz do Partido Socialista, na Rua do Beco, junto à Praça, a 8 de setembro de 1985, uma semana antes das Festas de Verão (que nessa época ainda eram no 3.º fim de semana de setembro).


Festas dos Josés, a 19 de março de 1983, em São Vicente da Beira.
O Roque Lino pega no andor de São José, na frente, à esquerda.

José Manuel dos Santos

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Homenagem

Homenagem a quem partiu

É bela a memória que sobrevive
A alguns escombros do passado
Quando ela ressuscita quem vive
Do injusto esquecimento libertado.

São tantas as memórias de outrora
Que resistiram à erosão da idade
Que quero recordar hoje e agora
Os que me moldaram de saudade.

Acordaram-me a lembrança dos amigos
Que construíram a minha liberdade
Em tempos idos e já antigos.

Que este tempo novo que vivemos
Quase ignora a luta e a fraternidade
De quem já partiu e que perdemos.

(Roque Lino, Retrato Intemporal)

Nota: Faço minhas as palavras do José Barroso, em comentário da anterior publicação: São Vicente acaba de perder um amigo, um dos seus filhos que não resistiu ao chamamento da mãe-gardunha e escolheu passar connosco parte dos dias dos seus últimos anos.

José Teodoro Prata

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Véspera do São Martinho

No tempo dos meus Avós e Pais era tradição na véspera de São Martinho ir tocar chocalhos à porta dos Senhores mais abastados da Vila, para que eles dessem um copo do seu vinho novo.
Poucos eram os que acediam ao toque dos chocalhos e aos pedidos dos Vicentinos mais novos, que não tinham outras opções senão ir saciar a sede à Fonte Velha ou, se tivessem alguns tostões no bolso, irem beber o copo de vinho a uma das tabernas existentes na Vila.

Anos mais tarde…
Eu, criança e jovem e os meus Pais, mantínhamos a tradição de ir tocar os chocalhos.
À noite depois do jantar, íamos tocar o chocalho à porta dos familiares mais próximos.
Éramos recebidos com enorme alegria e convidados a entrar para provarmos o vinho novo acabadinho de sair do pipo, a doce jeropiga, as castanhas cozidas ou assadas, as passas de figo, o pão e os bolos caseiros, o queijo fresco e a chouriça assada na brasa.
O serão era passado à lareira, contando histórias de outros tempos e “viveres” do dia-a-dia.
Aos poucos o sono ia chegando e era enorme o meu esforço para manter os olhos abertos e regressar a casa pelo meu próprio pé.
Regressávamos já noite alta, com o ar fresco da Gardunha a tocar-nos o rosto e a promessa: o próximo serão familiar seria nas Janeiras.
E voltávamos e visitávamo-nos, sempre.
Mas os anos passaram e a vida com as suas leis mais duras e os seus percursos mais dolorosos fez com que partissem os familiares de tantos momentos felizes.

Hoje é véspera de São Martinho e não sei se algum Vicentino mantém a tradição de ir tocar os chocalhos.
Por mim, estou em silêncio no meu cantinho e volto atrás no tempo…
Guardo em mim o som do toque do meu chocalho e no coração as memórias e as saudades do tempo que não volta atrás.
Tempo de criança, tempo de alegria, de convívio e de partilha.
Tempo…
Tempo que foi e é meu.


Luzita
10/Novembro/2012

terça-feira, 14 de novembro de 2017

PR 10

Éramos 25, um quarteirão. Uma boa conta, à maneira antiga. Mais seríamos, mas a missa acabara meia hora antes e não se articularam as coisas. No final, as castanhas e a jeropiga do São Martinho!
O percurso, em volta da barragem, está marcado entre o Alto da Fábrica e o paredão da Barragem do Pisco, seguindo a margem esquerda. Mas falta a manutenção e sobretudo concluir o percurso, que não está homologado, mas será  o PR 10, segundo me informaram.
É uma boa hipótese de percurso, circular, fácil, curto/médio (cerca de 6 quilómetros, a olho) com partida e chegada à Praça, pelas duas margens da barragem e da ribeira, até à Fonte da Pipa.
O único senão, e é mesmo o único, pois trata-se de um percurso muito bom, é a estrada de alcatrão até ao Alto da Fábrica. O António Craveiro, que conhece tudo e já terá palmilhado cada metro num raio de 5 quilómetros em torno de São Vicente, disse-me que antigamente passava-se do fundo do ribeiro da Oriana para o Casal do Pisco. Isso sim, seria ouro sobre azul: por um lado, pelo caminho da Oriana, pelo outro, pelo Pelome.
Há floresta, água, fauna abundante e muito variada, terrenos agrícolas, residências e até turismo de habitação (Lugar do Ainda). Sendo circular, dá para começar e terminar na nossa Praça, do Paredão da Barragem do Pisco ou do Lugar do Ainda.
Notas:
1. A garça-real desta vez não se deixou ver, mas a Libânia confirmou que as há até na charca do Casal Pousão!
2. As margens da barragem têm muito lixo, ali deixado por quem a visita. Precisam de ser limpas e que se coloquem letreiros e caixotes do lixo na zona do paredão.






José Teodoro Prata

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Almas danadas ao santorinho

Na nossa vila, principalmente em noites gélidas, frias, brancas e ventosas invernais, logo que anoitecia as pessoas recolhiam aos seus lares. Depois da ceia, à luz da candeia, com toda a família sentada em redor do braseiro, rezadas as orações, os mais novos escutavam com atenção estórias que os mais velhos contavam. Umas eram comoventes, outras, assim, assim e algumas eram terríficas.
Avô Zé, com as tenazes “conchegava” os chamiços que ardiam; avó Ana encostava o púcaro de barro ao brasido cheio de água da Fonte Velha, quando começava a ferver deitava para dentro uma ou duas colheres de café, era tão bom, tão bom, perfumava toda a casa.
Para assentar, punha dentro do púcaro uma brasa; sabia tão bem!
Avó, lenço negro atado à cabeça, cabelos brancos entrançados, era uma santa mulher. Avô, com seus safões de pele de cabra, barrete enfiado até às orelhas, começava:
Uma vez, era novo, tinha ido à vila, conversa puxa conversa, estava na praça mais uns poucos da minha idade o sino bateu a meia-noite; assustei-me, assustámo-nos todos. Entre a meia-noite e a uma hora era muito perigoso andar na rua, podia aparecer a má hora, uma alma do outro mundo, uma alma penada.
“Quem está aÍ! Se és uma alma do Purgatório diz o que queres; se és o demónio, eu te arrenego em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
Pessoas muito altas, gente com pés de cabra, lobisomens. Quem se cruzava com estes seres sinistros corria esbaforido em direcção a casa, queria gritar por socorro e não conseguia. Era uma hora má, aquela.
Olhos bem abertos, atentos e ao mesmo tempo cheios de medo, ouvíamos com atenção, não olhávamos para trás, não aparecesse uma alma penada.
Naquela noite, ia para o Caldeira, estava vento, fazia lua; quando cheguei ao fundo da barreira do Marzelo, rebolava na minha direcção uma grande bola. Corri para São Sebastião cheio de medo, dei a volta pela estrada em direcção às Poldras, subi o Souto do padre Teodoro, o vento ventava com todas as forças; ao outro dia outras bolas rebolavam pela estrada. Sabeis o que era! Sargaços.
Certa vez, um homem vinha do Casal, quando ia a passar junto ao Calvário um vulto muito alto apareceu em cima da parede do cemitério, começou a correr cheio de medo, quanto mais corria, mais a aparição o acompanhava. Morava ao fundo da rua de São Francisco, ao chegar à porta, abre-a, entra, coloca a tranca rapidamente, do lado de fora uma voz cavernosa, forte, gritou:
-Foi o que te valeu!
- Ai home, que se passa contigo? - pergunta a mulher toda atrapalhada.
Este, com o dedo indicador apontou para a porta, sem nada dizer, ficou sem fala.
A esposa abre a porta, olha para a rua, não vê vivalma. O céu estava limpo cheio de estrelas, a noite serena, deitou-se no catre, não falava. No dia seguinte contou à mulher o acontecido.
- Ai home, a minha alma está parva…
- Ó vô; Como são os lobisomens!
- Durante o dia são pessoas como nós, à meia-noite transformam-se em lobos danados, andam uivando por ruas, montes e vales. No dia seguinte aparecem todos arranhados, feridos, por causa do esforço que fizeram. Entregaram a alma ao diabo estes damonhos.
- Credo!
- Olhem; nos cruzamentos e em lugares previamente escolhidos dançam as bruxas encarrapatas juntamente com o mafarrico. Cruz da Oles, Fonte da Portela… são locais onde isso acontece. Era noite cerrada, desci a rua a caminho da nossa casa com os meus pais e irmãos, lanterna acesa, dormi toda a noite com a cabeça debaixo das mantas, não aparecesse a má hora.
Meu avô dizia o seguinte proverbio: “Pelos santos, neve nos campos”. Como mudou o tempo, já não há neve, em contrapartida, ardem as matas.
- Dê-nos um santorinho

J.M.S