terça-feira, 23 de abril de 2013

O centro cívico

A Praça de São Vicente da Beira sempre foi o centro da vida social, económica, religiosa e política desta antiga vila, cujas origens conhecidas datam do reinado do primeiro rei de Portugal, em 1173.
À maneira dos fóruns romanos, é ladeada pela Igreja Matriz dedicada a São Vicente (séc. XII) e pela Igreja da Misericórdia, do século XVI/XVII, mas provavelmente substituta da medieval Albergaria do Espírito Santo; a antiga Câmara Municipal, hoje sede da Junta de Freguesia, ostenta a esfera armilar, onde funcionava o tribunal a Câmara e a cadeia; ao lado situou-se o solar dos condes de São Vicente; depois outras casas particulares e comércios; e finalmente um jardim da Ordem de Avis (local da fogueira de Natal), já desaparecido.
Até há 60 anos, era atravessada pela estrada de ligação entre Alpedrinha e Almaceda, que passava pelo Marzelo, São Sebastião, Fonte Velha, Rua Dona Úrsula (a do Beco era um beco, com escadaria), Rua Nicolau Veloso, Calçada da Ponte, ponte de pau sobre a ribeira e depois Devesa acima.
Nesta Praça de juntavam os vicentinos para arrematar as ervagens dos baldios, nela concentraram as palhas para alimentar a cavalaria que conquistou Cidade Rodrigo, nas Invasões Francesas, foi recreio de crianças em meados do século passado, quando a antiga Câmara era Escola Primária, nela nos encontramos ainda hoje para simplesmente conversar, assistir a um concerto da banda ou a um espetáculo do rancho, celebrar as Festas de Verão, terminar a procissão do Santo Cristo, festejar o Natal em torno da fogueira…
No espaço circundante sempre houve comércio: tabernas, mercearias… A estalagem situava-se numa rua adjacente (Rua Dona Úrsula).
No centro, o pelourinho altaneiro e orgulhoso, com a barca do padroeiro Vicente, a cruz de Avis, o pelicano de D. João II e o escudo real, símbolo da nossa autonomia.
Foi em torno deste centro cívico que construímos a nossa identidade, ao longo dos séculos e ainda hoje ele é o centro da nossa comunidade.

(Resumo da minha intervenção na sessão do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios)



Ana Jerónimo Patrício (foto)
José Teodoro Prata (texto)

Um comentário:

Anônimo disse...

É talvez por isso, que a Praça faz parte do universo mítico dos vicentinos. Além do peso da história que alí se concentra é hoje um dos lugares mais preservados e bonitos da Vila. Em certas noites de agosto em que alí troco com o Tó Luís impressões várias das nossas vivências, já reconhecemos sermos uns reis com uma Praça daquelas só para nós, com aquela beleza, aquela grandeza e aquele sossego.
Um abraço Tó Luís, se me vires nesta Praça virtual. F. Barroso