António Lopes Pires Nunes solicitou a Joaquim Batista a
publicação, no Facebook, deste texto e fotos alusivas à Comemoração dos 1700
anos do Martírio de S. Vicente, ocorrida em S. Vicente da Beira (concelho de
Castelo Branco)
«Em 23 de Janeiro do 2005, ocorreram em S. Vicente da Beira
as Comemorações dos 1700 anos do Martírio de S. Vicente.
Da “Pequena Lisboa” chegou-me um convite para elaborar um
pequeno livro evocativo, que aceitei muito honrado. Naturalmente coube-me a sua
apresentação marcada para um domingo na Igreja Matriz, durante a Missa.
Não esperava uma apresentação tão solene. Chamado que fui ao
púlpito pelo saudoso Revº. Padre Branco, tive que improvisar a palestra pois o
local exigia mais do que eu levava preparado. Como se sabe S. Vicente foi
pregado numa cruz em aspa (em forma de X), também conhecida por Cruz de S.
André, onde foi atado, enquanto era raspado com uma gadanha.
Passada a surpresa e como levava escritas as palavras do
carrasco “(…). Que é que dizes Vicente. Onde é que imaginavas ver o teu corpo
já digno de dó (…)” e a resposta de Vicente, já movido pela força divina “… foi
isto que eu sempre escolhi e desejei, acima de todas as ambições”. Eis que já
me encaminho para o alto, e, superior às ambições deste mundo, desprezo os teus
próprios princípios”.
Com estas palavras na mão e com o que sabia da morte de
Cristo, foi-me fácil, passada a surpresa improvisar. Devo tê-lo feito bem pois
o Padre Branco, paramentado, chegou-se ao microfone e disse: “ Hoje a homília
está feita pelo Ten. Coronel Pires Nunes”.
Não sei se isto é canónico, se é usual e se há mais gente que
já fez uma homília na Santa Missa, mas a verdade é que o facto marcou-me.
Segundo a lenda o corpo do Santo, encontrado no Cabo S.
Vicente, foi levado para Lisboa numa barca com dois corvos, um na popa e outro
na proa, depositado na desaparecida Igreja de Santa Justa e fez de S. Vicente o
Padroeiro da cidade. De acordo com o cronista Duarte Galvão, em 25 ou 26 de
Setembro de 1173, ocorreu a transladação para a Sé de Lisboa, onde se encontra.
Nesse dia estavam em Lisboa acidentalmente os habitantes de
uma nascente povoação da Beira que a ofereceram ao Rei Conquistador, no âmbito
da Reconquista. Este, sensibilizado deu o nome a essa povoação de S. Vicente e
entregou-lhe parte do corpo do Santo.
Assim, nasce S. Vicente da Beira, com as mesmas armas de
Lisboa – a barca e os corvos -, razão do vicentino Hipólito Raposo a denominar
de “ Pequena Lisboa”.»


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