terça-feira, 19 de maio de 2026

Enxabarda 6 (último)

 Na rua, cruzamo-nos com alguém que não nos conhece. A pergunta surge imediatamente, sempre a mesma:

Sois filhas de quem?

Os nomes das nossas mães levam ao nome da nossa avó, ao nome dos nossos tios e, quase sempre, aos nomes dos nossos bisavós.

Ainda somos primos.

Ou então:

A tua avó ajudou-me muito.

As tuas tias ainda se devem lembrar.

Antigamente éramos vizinhos.

E segue-se uma história de superação, solidariedade, entreajuda, morte, qualquer coisa que não é para brincar, como relatos de meninos que não tinham o que comer e que só se salvaram por terem sido amamentados por vizinhas.

Éramos família.

Somos família.

Queremos-vos como queremos aos nossos.

A pergunta sois filha de quem? não é, pois, uma pergunta qualquer. Liga-nos diretamente a quem passa. E quem passa sabe haver maneira de nos ligarmos todos.

Isabel Minhós Martins

Revista Mamute, n.º 1, segunda série, 2025 (pp. 75 e 76)


José Teodoro Prata

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