Na rua, cruzamo-nos com alguém que não nos conhece. A pergunta surge imediatamente, sempre a mesma:
Sois
filhas de quem?
Os nomes das
nossas mães levam ao nome da nossa avó, ao nome dos nossos tios e, quase
sempre, aos nomes dos nossos bisavós.
Ainda somos
primos.
Ou então:
A tua avó
ajudou-me muito.
As tuas
tias ainda se devem lembrar.
Antigamente
éramos vizinhos.
E segue-se
uma história de superação, solidariedade, entreajuda, morte, qualquer coisa que
não é para brincar, como relatos de meninos que não tinham o que comer e que só
se salvaram por terem sido amamentados por vizinhas.
Éramos
família.
Somos
família.
Queremos-vos
como queremos aos nossos.
A pergunta sois
filha de quem? não é, pois, uma pergunta qualquer. Liga-nos diretamente a
quem passa. E quem passa sabe haver maneira de nos ligarmos todos.
Isabel
Minhós Martins
Revista
Mamute, n.º 1, segunda série, 2025 (pp. 75 e 76)
José Teodoro Prata
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