Parece-me que a Câmara respondeu corretamente ao abandono da atitude de guerrilha constante, por parte do Sempre. Bem precisamos que as coisas melhorem!
José Teodoro Prata
Enxidros era a antiga designação do espaço baldio da encosta da Gardunha acima da vila de São Vicente da Beira. A viver aqui ou lá longe, todos continuamos presos a este chão pelo cordão umbilical. Dos Enxidros é um espaço de divulgação das coisas da nossa freguesia. Visitem-nos e enviem a vossa colaboração para teodoroprata@gmail.com
Parece-me que a Câmara respondeu corretamente ao abandono da atitude de guerrilha constante, por parte do Sempre. Bem precisamos que as coisas melhorem!
José Teodoro Prata
A Câmara Municipal de Castelo
Branco procedeu à realização de obras de reabilitação numa parte do edifício da antiga
Escola Primária de São Vicente da Beira - atualmente utilizada pela Associação
de Caça e Pesca ‘O Pisco’ - com o objetivo de melhorar as condições de
conforto, funcionalidade e segurança do espaço.
A empreitada, que rondou os 41.600€ (quarenta e um mil e seiscentos euros),
incidiu, essencialmente, na reabilitação da zona do alpendre e na substituição
da caixilharia existente.
As soluções implementadas foram equacionadas com o intuito de melhorar as
condições de utilização do edifício, criando uma área mais resguardada e
contribuindo para a valorização e preservação deste equipamento comunitário.
No âmbito da intervenção, procedeu-se ao fecho dos vãos na zona do alpendre, com recurso a nova caixilharia, bem como à construção de uma cobertura que permite a circulação de pessoas entre edifícios.
Para a concretização da obra, foi necessária a construção de paredes em
alvenaria de tijolo, com acabamento em reboco areado fino e pintura na cor
branca, tendo sido criados novos vãos de porta e de janela.
Foi
igualmente executada uma estrutura de suporte para a colocação da cobertura,
revestida com telha idêntica à existente, permitindo o encerramento do espaço e
garantindo maior comodidade para os utentes da Associação.
No
que respeita à eficiência e conforto térmico, procedeu-se à substituição da
caixilharia antiga por uma mais recente, resultando num ganho significativo ao
nível do isolamento e do bem-estar no interior do edifício.
Complementarmente,
foram realizados trabalhos de pintura em vários elementos que necessitavam de
pequenas reparações, tanto no interior como no exterior do imóvel.
Declaração prévia: não pertenço a nenhum
grupo e ignoro se me costumam encaixar nalgum!
Esta obra da Câmara mereceu comentários
positivos no Facebook, a par das seguintes críticas:
- Os almoços da Associação podiam ser
realizados na Casa do Povo.
- Só se reabilitou o lado da Caça,
continuando o da Pesca muito degradado, precisamente onde se fazem análises,
que funciona como sede dos Bombeiros e ali decorrem algumas aulas da Universidade
Sénior.
- A Biblioteca Hipólito Raposo é gelada
no inverno e infiltra-se água pelas janelas.
- O ginásio e o parque infantil da Escola
Primária estão degradados.
Estive de “férias” das redes sociais,
mas, embora longe, de vez em quando refletia sobre a nossa realidade local.
Regressado, achei logo que esta polémica encaixa nas minhas reflexões, como uma
luva.
Infelizmente, penso que voltarei ao
assunto no futuro, mas agora só quero deixar o seguinte comentário: A nossa
freguesia anda um pouco à deriva, sem rei nem roque, como diz o provérbio. Cada
um puxa para seu lado, sem haver um planeamento de conjunto, que encontre
consensos e defina prioridades. A culpa é só nossa, dos vicentinos. Se não nos
entendemos, como queremos que os de fora nos entendam?
Nota: Não sou assim tão pessimista como o parágrafo acima pode fazer crer: nas outras terras é igual. Mas acho que estamos a passar um pouco das marcas...
José Teodoro Prata
Há poucos dias que nos deixou e já sentimos saudades dessa grande gargalhada!
Escrevo-lhe
porque sei que acreditava ir para um lugar melhor do que este em que nos
deixou. Já desconfiava dessa fé desde que demos a volta pelas terras do antigo
concelho de São Vicente: sempre que entrava numa igreja, ajoelhava-se junto ao
altar e orava. E disse-mo no penúltimo encontro anual em que participei, no
Tortosendo. O Zé Augusto relembrou-o agora, na missa que celebrou em sua
homenagem. Não a minha história, mas uma outra, uma conversa que teve com o
Ernesto Hipólito, quando em maio se veio despedir da nossa Orada:
- Se este
sítio é tão bonito, imagina como será o céu!
A propósito,
o Zé Augusto fez uma prática muito bonita na sua missa. Terá sentido orgulho ao
ouvi-lo!
Mas voltando
ao princípio. Escrevo-lhe porque sinto o peso da responsabilidade de lhe ter
faltado com um pedido que nos fez, a mim e outros que o acompanharam da Igreja
para a Casa do Povo, na festa da sua boda de ouro sacerdotal. Ao toque das
concertinas minhotas do António Madeira e pela concertina beirã do Costinha,
confessou-nos que o som da concertina era a música da sua meninice e que queria
ser acompanhado por concertinas, quando morresse.
- Eu espero
o tempo que for preciso para reunir os tocadores!
Como o Mário
de Sá-Carneiro?:
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Mas o que
iam pensar de nós, os seus amigos e os seus familiares? Mesmo sabendo que
acreditava ir para um lugar melhor, eu nem tive coragem de partilhar o seu
desejo. Desculpe-me esta cobardia. E depois havia toda a logística, toda a
burocracia…
Deixou-nos
numa época terrível, em que a sua alegria, a sua cidadania e o seu humanismo
tanta falta fazem ao mundo. Mas deixou-nos o seu exemplo, assim saibamos nós
honrar a sua memória! E já que acredita, vá-nos dando umas dicas, quando achar
necessário, pelas formas que melhor entender. Até um dia!
José Teodoro Prata
Pe. José Hipólito Jerónimo, 07.12.1937-19.12.2025
Cerimónia fúnebre, na Igreja de São Vicente da Beira, às 15 horas de amanhã, dia 20 de dezembro.
Quando era miúdo, fui com o meu pai ao lagar do Major. Trabalhava lá o tio Joaquim Pique, que logo foi ao cabaz da merenda e cortou uma fatia de pão de uma regueifa que lá tinha. Torrou-a nas brasas da lareira, mergulhou-a num bidon cheio de azeite e entregou-ma. Lambuzei-me por dentro e por fora. É das melhores recordações da mimha infância.
O meu pai tinha um ritual que nunca falhava: logo que o azeite novo entrasse em casa, mandava torrar pão e sentávamo-nos à mesa a comê-lo regado com azeite. Era a prova.
Hoje repeti o ritual e fiquei consolado!
José Teodoro PrataJosé Teodoro Prata