segunda-feira, 29 de junho de 2015

A Feira Medieval


 







 Ana Isabel Jerónimo

3 comentários:

Anônimo disse...

Também estive na Feira em dois momentos e, em ambos, do que mais gostei foi ver a nossa Praça cheia de gente; os que cá vivem, e muitos que vieram de propósito para assistir. Só por isto, já valeu a pena.
Mas, chegados aqui, e depois de várias edições, talvez seja tempo de avaliar o modelo de Feira que tem sido realizado, e a mais valia que tem trazido para a nossa terra.
Não as contei, mas, por alto, talvez estivessem na Praça e arredores umas três ou quatro dezenas de expositores com artigos muito variados. Desses, talvez apenas um quarto fossem de pessoas e produtos cá da terra. E, mesmo assim, que tanto podiam ser nossos como doutro lado qualquer. Talvez por isso ouvi muitos feirantes queixarem-se de que o negócio estava fraco.
Também ouvi dizer a várias pessoas que feiras eram as de antigamente. As pessoas criavam os porcos, as galinhas e as vacas; cultivavam os feijões, as melancias e o milho; produziam vinho, queijo e enchidos, e vinham vendê-los à feira. Se isso ainda continua a ser possível em várias povoações dos arredores, porque é que nós deixámos de investir nesses produtos que são os que ainda podem dinamizar um pouco a nossa economia?
Há semanas vi um cartaz que anunciava, penso que no Louriçal, uma feira a que chamavam Feira de Economia Social (acho que era este o nome, pelo menos o sentido). Achei interessante e talvez seja este o modelo mais adequado aos tempos que correm.
Quanto à animação, acho que já está a tornar-se um pouco repetitiva e, em alguns momentos, até um pouco deprimente. Este ano talvez tenham desculpa pelo cansaço provocado pelo calor… Mas temos cá os bombos, o rancho e a banda, porque não envolvê-los mais?

M. L. Ferreira

José Teodoro Prata disse...

Para vender, é preciso produzir para o mercado e nós quase não temos produtores deste tipo (quase toda a nossa agricultura é de subsistência). É esse o nosso grande problema.
Uma coisa que claramente não é problema é a nossa auto-suficiência em termos de espetáculo: bombos, banda e rancho.
Quanto à data, acho que se devia equacionar a hipótese de a mudar para outra altura do ano, por exemplo para o Santos. Mas a questão tem de ser vista com cuidado, tendo em conta vários fatores.
Em todo o caso, fiquei surpreendido com o número de pessoas na Feira.
Eu não gosto de Feiras Medievais, mas acho que o povo gosta e por isso se deve manter este formato (já tivemos outro). Também aqui a reflexão deve ser cuidadosa, pois, como disse, parece-me que a maioria das pessoas gosta muito.

Tó Sabino disse...

M. L. Ferreira, tem toda a razão.
Quanto a mim, estas feiras apenas servem para "entreter" o povo e não trazem mais valia nenhuma à nossa terra. Quando diz que um "quarto será de produtos ou pessoas cá da terra", está a ser muito generosa na estatística. Infelizmente, estas feiras apenas são feitas para um restrito número de pessoas ganharem dinheiro com a sua organização. Notou, como eu, que as associações da terra foram marginalizadas, que na organização está uma associação de defesa do património de Castelo Branco. Em São Vicente da Beira há, ainda, uma associação com o mesmo propósito e como é habitual, e sabe bem porquê, é deixada de parte. Há um centralismo doentio por parte da Câmara e tenho muita pena que quem elegemos localmente para defender e lutar pela nossa terra, não tenha a coragem de inverter esta situação e aceite tudo o que lhe é imposto. Devíamos ser nós, enquanto vicentinos, a decidir o que deveria ser feito na nossa terra. Mas como toda a gente diz: "temos que andar calados senão vêm as represálias", a nossa terra continuará nesta senda do andar para trás, e estamos quase no ponto da irreversibilidade deste processo de abandono dos nossos conterrâneos. E como há dias lhe tinha dito, estas feiras medievais vêm reflectir a realidade em que algumas pessoas vivem: na idade média. Há o senhor feudal, manda e determina, e toda a gente à sua volta obedece sem pestanejar. O José Teodoro, pessoa que conhece bem a nossa história, diz que o povo gosta destas feiras. Deve lembrar-se com certeza de uma frase que o Salazar dizia: O povo, desde que tenha vinho e futebol já fica contente. E eu acrescento com um ditado popular: "com festas e bolos, se enganam os tolos".
Há ainda um outro aspecto que poderá ser polémico, na opinião de algumas pessoas, mas tem que ser dito. A Junta de Freguesia não tem dinheiro para fazer seja o que for. Além do orçamento para as despesas correntes, pouco ou nada lhes é dado. Porque é que a Câmara não transfere para a Junta de Freguesia as verbas que gasta numa destas feiras, e a Junta organiza um evento com o que é nosso e com produtos genuínos de São Vicente da Beira. Feitas as contas, gastaria muito menos e encaixaria alguns euros no seu parco orçamento.
Passem bem.
António José da Conceição (Ex-Tó Sabino)