sábado, 6 de maio de 2017

Histórias de vida

É raro encontrar-me com alguns dos meus amigos. A vida foi-nos espalhando pelo mundo e só de ralo em ralo nos encontramos.
Tenho um grande amigo a viver na zona da Cova da Beira, mas não o informei das apresentações do livro Dos enxidros aos casais...
Não teve conhecimento da apresentação em São Vicente, mas a de Castelo Branco foi noticiada no Jornal do Fundão e por isso recebi um ralhete, via telefone, logo que ele leu a notícia.
Desenrasquei-me como pude, com a promessa de lhe levar um livro na minha ida já programada à Covilhã.
Quando nos encontrámos, entreguei-lhe o livro e expliquei-lhe o projeto. 
Ele exclamou: Era isto mesmo que eu queria que a minha mãe fizesse.
Semanas depois, informou-me, feliz, que estava (e ainda está) a escrever a história da vida dos seus pais, com base no que a mãe lhe contava (e conta). Já vão em perto de 100 páginas. 
Mas o importante não é o livro como produto final. Ele é apenas o meio para tornar mais felizes os dias de uma senhora de perto de 100 anos, ao relembrar e sentir valorizadas as suas vivências de tantas décadas. 
Por sua vez, o meu amigo redescobre na sua família um mundo de caraterísticas e afetos que afinal não conhecia assim tão bem, ao mesmo tempo que se revela em si, letrinha a letrinha, o escriba que desconhecia.
Se não tivéssemos já tantas razões nobres para justificar a nossa obra, esta chegava e sobrava.

Ilustração do livro realizada pelos alunos do 2.º Ciclo de Alcains e São Vicente da Beira.
A imagem ilustra a história "A pedra da sobreposta", de José Manuel dos Santos.
A pedra da sobreposta situa-se na vertente sul da serra da Gardunha, na freguesia da Soalheira, e será o maior bloco granítico do país.

José Teodoro Prata

3 comentários:

Anônimo disse...

É mesmo isto que sinto quando converso com os nossos mais velhos e vejo a felicidade deles só porque alguém os quer ouvir e valoriza o que contam das suas vidas, tantas vezes muito duras.
No caso que o José Teodoro nos deixa deve ser ainda maior esse sentimento, já que os laços familiares favorecem a empatia, o conhecimento e os afetos que são necessários para se ouvir e escrever a história de alguém. Faz-me lembrar um pouco aquela expressão “Se não sabe porque é que pergunta?” que é o título de um livro baseado num programa de rádio feito de conversas entre o grande pedagogo João dos Santos e o jornalista Sousa Monteiro.
Sobre a pedra da sobreposta: para quando uma visita? Já estive para ir à procura, mas não faço a mínima ideia do local…

M. L. Ferreira

Anônimo disse...

Acho curioso e entusiasmante o facto de a "Pedra da Sobresposta" poder ser o maior bloco megalítico do país. Pensem no turismo!
Quando, o ano passado, fomos à serra, até às antenas, o Tó Craveiro (Tó Passaraço), que está em França, que também foi connosco, conhecia aqueles locais quase como os dedos da mão. Não é de admirar porque andou por ali na juventude, na resina, creio que com o meu tio Joaquim e outros. E também conhecia a história dessa pedra contada pelo JMS.
Em relação ao post anteior, volto ao caso da ti´ Maria José Afonso e do marido de que também não me lembro do nome. Ele era falado em casa da minha avó Santa, no cimo de vila, aos serões. Na altura já tinha falecido. Noutros tempos, tinha sido vizinho e companheiro do meu avô, frequentando a casa um do outro e bebendo uns copos. O certo é que, em casa do meu avô, a copos tantos, punha-se a dizer: "Ó Bernardo, na tua casa mando eu e na minha casa mandas tu!" Um bom contrato para darem conta dos barris de vinho nas duas adegas! Ah! Homens de uma cana, estes antigos!
Abraços.
ZB


































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Anônimo disse...

Seria bonito um passeio à Pedra. Pensem lá nisso para uma altura de liberdade, que costuma ser mais no mês de agosto, para quem ainda não esta reformado.
FB