Comentário do Zé Manel ao último (anterior) texto aqui publicado e no Facebook:
«Pois é...
Não sei se o
Jorge trabalhou na estrada na Paradanta, mas eu nunca lá trabalhei
Trabalhei
sim, um verão numa estrada perto de Oleiros 'éramos uma "caterva"
deles da vila quase tudo malta nova.
Voltando à
minha ida a salto para a França "lembrei-me do Raul Solnado, a história da
sua ida à guerra"
Aproximava-se
o tempo de ir à inspeção, o tempo de ir parar a África, matar os
"terroristas" ou eles matarem-me a mim.
Nunca fui a
favor destas guerras que o Salazar nos obrigava a fazer
Diziam os
mandões
Angola é
nossa...
Eu respondia
baixinho; uma gaita, a minha parte vendo-a por uma caixa de fósforos
Certa vez
disse ao meu pai que queria ir para a França...
O passador
levava cinco contos, escrevi uma carta ao meu tio António, deu ordem à sua
sogra a senhora Maria do Carmo Marcelino para me entregar os cinco contitos
O meu pai
falou com o António Luis "bigodes da Partida" certo dia eu e o Jorge
cada um com seu cesto colocámos a mala de cartão dentro cobrimo-la com uma
manta da azeitona e ai vamos nós estrada fora a caminho da Oles
Para onde
ides!
Vamos para a
Oles do senhor Eduardo Cardoso colher azeitona
Tão bem
vestidos!...
O meu pai
andava na cruz da Oles, passado um bom bocado chega o "bigodes da
Partida"
No Fundão
meteu nos umas três ou quatro sandes na mão...
Em Vilar
Formoso saímos com o carro em andamento. Frentes de Onor era logo ali. Depois,
bem depois sozinhos tivemos que nos desenrascar...
Um ano e
meio mais-tarde resolvi regressar para fazer a tropa
O meu chefe
senhor Jean Marie
Não queiras
ir; a França é a França e teve que entregar a Argélia
Portugal não
aguenta três guerras ...
A saudade...
Vim em
Agosto, no dia 19 de Outubro meteram-me uma G3 na mão ...
E pronto.»
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