Foto do casamento dos meus primos Tó e Santita, em Fátima, talvez em 1975. Oferta da Santita, a quem agradeço.
Enxidros era a antiga designação do espaço baldio da encosta da Gardunha acima da vila de São Vicente da Beira. A viver aqui ou lá longe, todos continuamos presos a este chão pelo cordão umbilical. Dos Enxidros é um espaço de divulgação das coisas da nossa freguesia. Visitem-nos e enviem a vossa colaboração para teodoroprata@gmail.com
sábado, 17 de janeiro de 2026
Conhecem?
Foto do casamento dos meus primos Tó e Santita, em Fátima, talvez em 1975. Oferta da Santita, a quem agradeço.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Os pais de Maria de Lourdes Hortas
Foto tirada da página facebook de Maria de Lurdes Hortas. A foto data do ano em que a mãe completou 60 anos. O marido foi o Hortas da farmácia da Rua do Beco.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Dente-de-leão
Dizem que as folhas de dente-de-leão são comestíveis, mas
nunca provei. Aliás, há uma infinidade de plantas comestíveis que não comemos.
Um dia, vi um programa na TV em que a guia disse aos participantes, ao entrarem
num campo verde: Cuidado, estão a pisar o supermercado!
Quando era criança, por este tempo e por toda a primavera, a
minha mãe mandava-me com uma cesta e uma faca procurar dentes-de-leão para dar
ao porco. Acabei de ver na net um saco de folhas secas de dente-de-leão, de
200g, para infusão, à venda por 10,06 euros!
Mas voltando às plantas comestíveis que não consumimos. Cerca
de 1970, o meu pai, emigrado em França, a trabalhar numa oficina de pedra numa
região campestre dos arredores de Limoges, chegou com a novidade de se poder
comer meruje. Ora disso tínhamos nós muito, no ribeiro e nos lameiros das
Lajes. Comemos nesse inverno (nesse tempo, os emigrantes vinham a casa no
inverno), mas não vingou. Também foi ele que nos deu a conhecer o alho-porro
e o hábito se o comer, em vários pratos.
José Teodoro Prata
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Enxotar o ano velho!
UMA PASSAGEM DE ANO NO SÉCULO PASSADO
Maria de Lourdes Hortas
Enquanto as lembranças do Natal da infância permanecem bem
acesas na minha memória, as do Ano Novo escondem-se, quase insignificantes. A
meia-noite era tarde demais para meninas ficarem acordadas e justamente nessa
hora o Ano Velho se despedia, partindo, sabe-se lá para onde, e logo chegava o
outro, bem novinho, e na minha imaginação de menina podia ver o velhinho curvo
subindo a serra, resfolegando, e o ano bebezinho envolto em cueiros despencando
do céu...
Na verdade, só me lembro da última passagem de ano da minha
família na casa da rua do Convento.
Foi a de 1949 para 1950.
Naquela noite de 31 de dezembro, a seguir ao jantar, minha
avó e as meninas que trabalhavam lá em casa começaram um grande rebuliço para
os lados da cozinha, azáfama e barulheira, a tirar as tampas das panelas e
levá-las todas para uma pequena mesa da sala de estar, ritual aparentemente
inexplicável, mas que depois se veio a saber para o que seria...
Houve a seguir um arrastar de cadeiras, na mesma salinha,
todas a postos para subirmos nelas, dizia a organizadora, que era Vovó
Guilhermina, sempre ela, comandando as festas. Eu não tirava os olhos do
relógio, que caminhava em passinhos de tartaruga. Ansiosa, alguma coisa se
mexia na minha barriga, acho que fome: - Vovó posso comer um bolo? Espera,
querida, deixa vir o ano novo e então comemos... posso jurar que, na mesa
recém-posta, havia bolo de azeite, cavacas e biscoitos e talvez uma bandeja de
filhoses do Natal, além de tacinhas com figos secos e nozes, uma garrafa de
vinho do Porto, as chávenas, depois viria o chá, mas o bendito relógio não
avançava, passos de preguiça, onze e meia, sem pressa, onze e trinta e cinco,
sonolento, pé-ante-pé, dez para a meia-noite...
Frio... A braseira já esmorecendo...alguém a atiçava. Tinham
que estar bem vivas as brasas para o ano novinho se aquecer... e eu já me
encostava no colo do meu pai, cochilando, enquanto Maninha desabava na grande
cadeira de braços... isso sou eu que estou inventando, para matar o tempo e
para trazer para aqui aquela cadeira tão linda, tenho uma foto de menina
sentada nela, a cadeira que vovô Mateus fez...
Então despertei!
E agora sim, vai chegando a meia-noite minha gente, clamava
Vovó, rápido, todos a postos, menos de cinco minutos...descoberto o mistério
das tampas das panelas, cada um pegava duas, subia na sua cadeira e à
meia-noite em ponto todos bateriam com força, para enxotar o ano velho... Subia-se
para as cadeiras para o ano velho passar debaixo, arrastado, ou de gatas, não
sei...
Mas então Vovó Guilhermina viu que uma das cadeiras estava
vazia. Era a do Vovô Mateus! Ó homem de Deus, onde é que tu te meteste? Onde
foste, criatura? Alguém falou que o viu entrar na casa de banho...
O quê?
Todos riam e gritavam:
- Vovô! Vovô!.
- Senhor Mateus!
- Meu pai!
- Meu sogro!
- Ó homem, onde te meteste?
Mas ele saiu a tempo, serelépido: Psiu! Tenham calma, falta
um minuto!
E logo agarrou os últimos testos, assim se chamam as tampas
das panelas em Portugal, e todos começaram na grande barulheira, pandemónio na
verdade, para enxotar o ano velho e acordar o novo, trás, trás, trás, trás...
E assim entrou 1950. Para todos nós um ano de grandes
mudanças.
(in AS CASAS DO DESTINO, memórias. A publicar, em breve)
Notas:
Texto retirado da página do facebook da autora.
Para os mais jovens, informo que Maria de Lourdes Hortas é uma poetisa brasileira, nascida em São Vicente da Beria, filha do dono da farmácia da época, então situada na Rua do Beco, à direita de quem desce. A família habitava na rua do Convento, na casa em frente à do João Craveiro, onde durante perto de dois séculos viveu a família Pereira. A pequena Lourdes tinha 10 anos quando emigrou para o Brasil, com a família.
José Teodoro Prata
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Relação Câmara - Juntas de freguesia
Parece-me que a Câmara respondeu corretamente ao abandono da atitude de guerrilha constante, por parte do Sempre. Bem precisamos que as coisas melhorem!
José Teodoro Prata
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Requalificação da sede da Associação de Caça e Pesca ‘O Pisco’
A Câmara Municipal de Castelo
Branco procedeu à realização de obras de reabilitação numa parte do edifício da antiga
Escola Primária de São Vicente da Beira - atualmente utilizada pela Associação
de Caça e Pesca ‘O Pisco’ - com o objetivo de melhorar as condições de
conforto, funcionalidade e segurança do espaço.
A empreitada, que rondou os 41.600€ (quarenta e um mil e seiscentos euros),
incidiu, essencialmente, na reabilitação da zona do alpendre e na substituição
da caixilharia existente.
As soluções implementadas foram equacionadas com o intuito de melhorar as
condições de utilização do edifício, criando uma área mais resguardada e
contribuindo para a valorização e preservação deste equipamento comunitário.
No âmbito da intervenção, procedeu-se ao fecho dos vãos na zona do alpendre, com recurso a nova caixilharia, bem como à construção de uma cobertura que permite a circulação de pessoas entre edifícios.
Para a concretização da obra, foi necessária a construção de paredes em
alvenaria de tijolo, com acabamento em reboco areado fino e pintura na cor
branca, tendo sido criados novos vãos de porta e de janela.
Foi
igualmente executada uma estrutura de suporte para a colocação da cobertura,
revestida com telha idêntica à existente, permitindo o encerramento do espaço e
garantindo maior comodidade para os utentes da Associação.
No
que respeita à eficiência e conforto térmico, procedeu-se à substituição da
caixilharia antiga por uma mais recente, resultando num ganho significativo ao
nível do isolamento e do bem-estar no interior do edifício.
Complementarmente,
foram realizados trabalhos de pintura em vários elementos que necessitavam de
pequenas reparações, tanto no interior como no exterior do imóvel.
Declaração prévia: não pertenço a nenhum
grupo e ignoro se me costumam encaixar nalgum!
Esta obra da Câmara mereceu comentários
positivos no Facebook, a par das seguintes críticas:
- Os almoços da Associação podiam ser
realizados na Casa do Povo.
- Só se reabilitou o lado da Caça,
continuando o da Pesca muito degradado, precisamente onde se fazem análises,
que funciona como sede dos Bombeiros e ali decorrem algumas aulas da Universidade
Sénior.
- A Biblioteca Hipólito Raposo é gelada
no inverno e infiltra-se água pelas janelas.
- O ginásio e o parque infantil da Escola
Primária estão degradados.
Estive de “férias” das redes sociais,
mas, embora longe, de vez em quando refletia sobre a nossa realidade local.
Regressado, achei logo que esta polémica encaixa nas minhas reflexões, como uma
luva.
Infelizmente, penso que voltarei ao
assunto no futuro, mas agora só quero deixar o seguinte comentário: A nossa
freguesia anda um pouco à deriva, sem rei nem roque, como diz o provérbio. Cada
um puxa para seu lado, sem haver um planeamento de conjunto, que encontre
consensos e defina prioridades. A culpa é só nossa, dos vicentinos. Se não nos
entendemos, como queremos que os de fora nos entendam?
Nota: Não sou assim tão pessimista como o parágrafo acima pode fazer crer: nas outras terras é igual. Mas acho que estamos a passar um pouco das marcas...
José Teodoro Prata
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Padre Jerónimo
Há poucos dias que nos deixou e já sentimos saudades dessa grande gargalhada!
Escrevo-lhe
porque sei que acreditava ir para um lugar melhor do que este em que nos
deixou. Já desconfiava dessa fé desde que demos a volta pelas terras do antigo
concelho de São Vicente: sempre que entrava numa igreja, ajoelhava-se junto ao
altar e orava. E disse-mo no penúltimo encontro anual em que participei, no
Tortosendo. O Zé Augusto relembrou-o agora, na missa que celebrou em sua
homenagem. Não a minha história, mas uma outra, uma conversa que teve com o
Ernesto Hipólito, quando em maio se veio despedir da nossa Orada:
- Se este
sítio é tão bonito, imagina como será o céu!
A propósito,
o Zé Augusto fez uma prática muito bonita na sua missa. Terá sentido orgulho ao
ouvi-lo!
Mas voltando
ao princípio. Escrevo-lhe porque sinto o peso da responsabilidade de lhe ter
faltado com um pedido que nos fez, a mim e outros que o acompanharam da Igreja
para a Casa do Povo, na festa da sua boda de ouro sacerdotal. Ao toque das
concertinas minhotas do António Madeira e pela concertina beirã do Costinha,
confessou-nos que o som da concertina era a música da sua meninice e que queria
ser acompanhado por concertinas, quando morresse.
- Eu espero
o tempo que for preciso para reunir os tocadores!
Como o Mário
de Sá-Carneiro?:
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Mas o que
iam pensar de nós, os seus amigos e os seus familiares? Mesmo sabendo que
acreditava ir para um lugar melhor, eu nem tive coragem de partilhar o seu
desejo. Desculpe-me esta cobardia. E depois havia toda a logística, toda a
burocracia…
Deixou-nos
numa época terrível, em que a sua alegria, a sua cidadania e o seu humanismo
tanta falta fazem ao mundo. Mas deixou-nos o seu exemplo, assim saibamos nós
honrar a sua memória! E já que acredita, vá-nos dando umas dicas, quando achar
necessário, pelas formas que melhor entender. Até um dia!
José Teodoro Prata


