quarta-feira, 3 de junho de 2020

Bio

No passado, mostrei-vos uns pesticidas biológicos que começara a usar. Desisti deles, pois não resultavam (devem resultar, mas eu terei exigido demasiado deles).

Este ano, a chuva tem-me feito a cabeça em água com as doenças que provoca. Além dos pessegueiros e da produção de cerejas, que foram à vida, tinha tomateiros grandes que ficaram doentes. Investiguei na net e achei um remédio: regar a rama com água e leite (1 litro de leite para 4/5 litros de água). A rama absorve o potássio do leite, tornando-a mais forte contra as doenças.Tem é de ser aplicado de manhã, talvez para, com o calor, não criar uma película seca sobre as folhas, impedindo-as de respirar. Resultou, pois consegui salvar metade dos tomateiros e todos estavam muito mal!

Na mesma altura, encontrei um modo de fertilizar as hortícolas com um adubo natural: meter as urtigas dentro de água durante uma semana e depois regar a rama das plantas com essa água, muito rica em azoto, pois as folhas absorvem o azoto presente na água. A rega das folhas é asneira, pois queima-as parcialmente, tal a quantidade de azoto. Queimei parte das folhas, mas sem consequências de maior e o azoto fertilizou-as. Mas passei a usar a água para regar junto aos pés das plantas e não sobre a rama. Também comecei a mergulhar na água não só as urtigas, mas todo o género de ervas que arranco do meio das hortícolas. Esta vale a pena, o problema, não pequeno, é o pivete. Se tocarmos com as mãos nessa solução, andamos todo o dia a lavá-las.

Logo no início do ano, tentara um pesticida natural para queimar  a grama, no Ribeiro Dom Bento. Li uma coisas e vi que a água da cozedura das couves era boa. Não fez nada. Penso que é a mesma coisa das urtigas/ervas mergulhadas em água durante 8 dias. Tentei com vinagre e resultou. Mas depois veio o covid e o vinagre esgotou logo. Interrompi. Ainda bem, pois a grama queimou-se superficialmente, mas passado um mês rebentou por baixo e tudo voltou ao mesmo.

Agora, com as cerejas, faço como me disse um dia o Zé Manel: como as boas e deixou as dos carneiros (ou deito-os fora e como-as na mesma).

Estas são as vicissitudes de um agricultor à procura dos melhores caminhos para a produção biológica.

José Teodoro Prata

5 comentários:

José Barroso disse...

Li há bocado, no Continente, num num livro, de que nem me lembro o título, que os vírus dominam o planeta. Ora, juntamente com as bactérias, é esse o problema do bio com que se confronta o ZT; precisamente porque nem todos esses vírus e bactérias são favoráveis ao homem. E tudo isso porque - como também li há dias - a vida, para o bem e para o mal, é dinâmica.
Eu vejo o caso assim: não podemos querer água para que não haja secas e para que não haja fogos e ao mesmo tempo evitar os infestantes - tema também de um outro post. Tudo isto é muito comlicado. Sempre foi assim. Nestas condições, o nosso destino é lutar com as adversidades do dia a dia.
Ao falarmos disto e ao analisarmos a nossa intervenção na natureza, estamos a tocar um pouco num todo que é o equilibrio do planeta. Com efeito, somos o único animal a destruir mais do que aquilo que necessita para sobrevier. Essa é a questão! Mas o progresso só foi conseguido com essa agressão. Portanto, a nossa hipótese é diminuir a intervenção, por forma a que, do mesmo passo, o ambiente possa naturalmente reabilitar-se; só desta forma o ciclo poderá manter-se e tudo será sustentável. Isso é possível, embora seja difícil.
Reportando-me agora à concretude do tema dos tomateiros a morrer, a questão é que, se não usares um produto que, eficazmente, interrompa a tal dinâmica da vida, tudo rebentará de novo, muito embora te esforces por fazer valer a tua vontade, a fim de, legitimamente, poderes saborear umas boas saladas de tomate com sardinha assada. E esse produto, porque interrompe a vida de forma abrupta, normalmente é mau para o ambiente. Os herbicidas naturais, como tu próprio comprovaste, não dão grande resultado.
Ora, nos dias de hoje, as produções agrícolas para alimentar tanta gente, não se compadecem com fracas colheitas, senão o produtor nada fará porque perde dinheiro. As produções biológicas dão menos frutos e, por isso, o produto é, à partida, mais caro que os outros.
Estou apenas a constatar factos, porque sou daqueles que também defende a agricultura biológica. Mas acho que todos temos que aprender a viver, em geral, de outra forma. E há muitos aspetos da economia que poderiam ser alterados para melhorar o ambiente. Há muitos campos em que a economia funciona, não para colmatar necessidades reais, mas para muitas fantasias desnecessárias.
A ciência avança sempre como uma moeda de duas faces. E pode ser que prevaleça o bom senso de o progresso avançar de forma sustentada. O facto de haver hoje um ministério do ambiente, coisa que não havia, por exem., há 40 anos, significa que os governos se preocupam mais com estado das coisas no planeta. As energias limpas e a descabonização são outros bons sinais. Esperemos que nas gerações futuras, tudo acabe em bem.
Uma sugestão para a tua horta, visto que de outra forma parece também não teres resultados: limita-te a enterrar à volta dos pés dos tomateiros a erva raspada na limpeza do terreno, uma vez que não tens estrume e não queres usar pesticidas artificiais. E nem precisas do vinagre para queimar a grama. O trabalho do corte vegetal é o único meio de conseguir o melhor resultado sem danificar nada. É o que eu vou fazer esta semana à Vila, ma só para me entreter... Todavia, acho que quem está nas terras todos os dias, não necessita nada de herbicidas; mas, obviamente, esse também não é o teu caso.
Abraços, hã!
JB.

M. L. Ferreira disse...

Obrigada pelos conselhos, tanto do José Teodoro como do José Barroso. Já há algum tempo que uso as urtigas como pesticida, tanto no jardim como na horta, mas realmente não dá muito resultado porque as pragas voltam outra vez. Mas outros produtos menos biológicos também não eram muito mais eficazes, talvez porque, como não tenho formação para aplicar pesticidas, me vendiam sempre os mais fraquinhos, por isso, e não só, deixei de os utilizar. Uma vizinha minha, que morreu já muito idosa, dizia-me que utilizava uma calda feita com hortelã da ribeira e resultava. Acho que isso seria porque as pragas, tal como os vírus e bactérias nos humanos, não eram tão resistentes.
Este ano a única fruta que pensava que ia ter no meu quintal era um belo canteiro de morangos. Enganei-me: quando começam a ficar vermelhinhos e vou por eles, já uma espécie de lesmas minúsculas começaram a comê-los. Haverá maneira de acabar com elas sem utilizar pesticidas?
Enterrar as ervas, principalmente se já tiverem semente, não multiplica as ervas daninhas? Ultimamente tenho tentado arrancá-las à mão antes de terem as sementes maduras. Mas claro, o meu quinta é muito pequeno, e, para além
de não ter comprovado ainda a eficácia do método, fico sempre a pensar se não estarei a exterminar a espécie. É difícil manter o equilíbrio da natureza, mas temos que tentar, mesmo que tenhamos que mudar também um pouco os nossos hábitos alimentares. Felizmente já há muita gente, principalmente jovens, com uma consciência ecológica muito melhor que a nossa, e dispostos a alterar muitos dos comportamentos que inconscientemente lhes fomos dando como exemplo.

Anônimo disse...

Libânia, para afastar as lesmas é trituras cascas de ovo e espalhar entre os morangueiros e o produto é rico em cálcio.

José Teodoro Prata disse...

Para as lesmas, um recipiente com cerveja dá algum resultado. Aprendi nas hortas urbanas de Castelo Branco, experimentei nas orquídeas e atraiu muitas lesmas e caracóis.
Cortar frequentemente as plantas indesejadas resulta, pois privamos a raiz da alimentação que lhe vem da fotossíntese feita pelos caules e folhas. Há dois anos que corto sistematicamente os fetos no Ribeiro Dom Bento e eles estão a nascer cada vez mais fracos.
Quanto a enterrar as ervas, há anos ouvi uma senhora na TV a dizer que as suas roseiras adoravam cascas de banana. Comecei a enterrar todo o lixo orgânico e neste momento tenho a terra do meu quintal/jardim bem negra, cheio de nutrientes. Fica mais barato que a compostagem e não deixa cheiros.
Contra as formigas, as borras de café dão algum resultado!

M. L. Ferreira disse...

Obrigada pelas dicas do "remédio" para as lesmas. Vou experimentar.
Também costumo enterrar todos os restos orgânicos no espaço da horta. Tem a desvantagem de, no meio das alfaces ou dos tomateiros, nascerem batatas ou abóboras, que, com alguma pena, tenho que arrancar.