sexta-feira, 27 de maio de 2011

A mina da fonte de 1854

Como vimos na publicação "A fonte de 1854", do passado dia 14 de maio, vários moradores da Vila compareceram na sessão da Câmara de 6 de Agosto de 1854. Queixavam-se da falta de água na fonte. A vereação decidiu então fazer uma fonte nova.
Mas a obra não calou as reclamações dos moradores:

«Que tendo se concluido a obra da Fonte publica desta Villa aqual foi ordenada em Sessão de 6 de Agosto ultimo mas sucedendo ter faltado a agoa na dita Fonte do que se tem seguido aos habitantes desta Villa e que podendo haver algum incendio e não haver meios de o atalhar e tomando a Câmara em concideração as justas reclamações dos habitantes desta mesma Villa deliberou que se fizesse uma mina na rua da Costa ou em outra qualquer parte mais comoda e que seja indicada por pessoas inteligentes para deste modo se evitar as graves vexames que esta Povoação esta soffrendo com a falta d´agoa e que esta obra se puzesse a lanço (...) a sua despeza no orçamento.»
(Arquivo Distrital de Castelo Branco, Câmara Municipal de São Vicente da Beira, Actas, Sessão de 12 de Novembro de 1954, Livro 1850-1859, Maço 5)

O povo pedira água, deram-lhe uma fonte nova (embora seca), e ainda reclamava!!!

A obra da mina foi finalmente arrematada, no primeiro de Janeiro de 1855.
Ficou com a obra Manoel Francisco Junior, pelo valor de 850 réis ($850), tendo como fiador o porteiro da Câmara Manoel Francisco. Seria o pai do júnior?
Segue-se o auto de arrematação da mina da fonte. Clicar na imagem, para ler.


(Arquivo Distrital de Castelo Branco, Câmara Municipal de São Vicente da Beira, Termos de Arrematação, Livro 1848-1855, Maço 10)

Ainda é esta mina que alimenta a Fonte Velha. Começa a meio da rua da Costa e vai até sensivelmente à Corredoura. Tem uma entrada, na vertical, no alto da rua, quase na esquina da última casa, à esquerda de quem sobe.
O valor da arrematação da mina foi muito baixo para uma mina tão comprida. É provável que ela tenha sido prolongada mais tarde.

4 comentários:

Anônimo disse...

E que inteligentes eram as pessoas que a indicaram, pois que esta é a melhor água que já bebi.
Margarida Barroso

Manequinho Correia disse...

Boa tarde
Sou é Manoel dos Santos Correia.
Meu Pai
Manoel Francisco Correia
Meu Avô
Manoel Francisco Junior
Meu Bisavô
Manoel Francisco.
Tenho feito algumas pequeisas genealógicas e o local de nascimento, assim como as datas são bem próximas dos documetnos apresentados.
Gostaria de confirmar a relaão entre os fatos.

Manoel dos Santos Correia
Amystoso@gmail.com

José Teodoro Prata disse...

Ora viva!
Longe de mim imaginar que pudesse ter contacto com um descendente do artista que abriu a actual mina da Fonte Velha.
Penso que os documentos apresentados confirmam que o seu bisavô era o porteiro da Câmara e o seu avô abriu a mina!

José Teodoro Prata disse...

Só agora reparo que vive no Brasil! Foi o Júnior que partiu à procura da árvore das patacas? É curioso o Manuel ter uma profissão muito próxima da do seu bisavô Manoel Francisco, porteiro da Câmara. Consulte a publicação de 28 de maio de 2011, deste blogue, para entender o que era um porteiro da Câmara.