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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Os nossos avós eram cientistas

A minha mãe (digo mãe porque ao pai cabia ganhar dinheiro para o sustento da família) semeava o milho de uma forma que comecei a considerar anárquica, quando cresci e julgava que sabia tudo.

Milho, feijão grande (de trepar) e botelhas, tudo misturado. As botelhas estendiam-se pelo cultivo, com os seus longos braços. O milho dava jeito ao feijão, que trepava por ele acima, dispensando as empas. Na colheita, tínhamos grão de milho para as galinhas, folhas de milho para as cabras, feijão para comer, verde ou seco, e botelhas para a sopa e para o porco. Uma fartura!

Mas eu, conforme crescia, ia achando aquela mistura incorreta e eventualmente menos produtiva, pois os modernos métodos de cultivo separavam todas as plantas e modernidade seria sinónimo de sabedoria.

Até que ontem, um documentário que passa na RTP 2 à hora dos noticiários, “As Américas antes de 1491” me deixou de boca aberta. O milho foi domesticado na América Central, há 10 000 anos. Os Maias cultivavam-no à mistura com o feijão, a pimenta de chili e as abóboras. As plantas apoiavam-se umas às outras, por exemplo o feijão enriquecia a terra com nitrogénio, ajudando o milho a crescer.

Exatamente como a minha mãe fazia! O mesmo método de cultivo durante milhares de anos! Será que as vantagens da mistura foram sendo descobertas pelos nossos antepassados ou elas passaram da América para a Europa, nos testemunhos orais de quem o trouxe nos barcos comerciais?

Os nossos avós eram mesmo cientistas! Criaram saber científico antes ainda de haver Ciência (séc. XVII) ou de saber que ela existia (séc. XX).

E conheciam as vantagens da biodiversidade na Natureza, coisa que os humanos atuais tanto ignoram, seja a diversidade animal, vegetal ou humana.

José Teodoro Prata

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Os nossos avós eram cientistas


Andei a semear nabos e fi-lo à maneira antiga; empalhados com caruma (na minha infância também usávamos a palha das enxergas, pois havia muita, da mudança que tínhamos feito em agosto).
Esta maneira antiga de cultivar previne a erosão dos terrenos, pelo vento e pela águas das chuvadas torrenciais, e conserva a humidade da terra, necessária à germinação. E ainda protege dos pardais as plantinhas acabadas de nascer,
Este é um saber de experiência feito, pois, como escreveu Duarte Pacheco Pereira, um dos grandes navegadores das viagens marítimas dos portugueses no século XV e provável descobridor do Brasil, a experiência é a mãe de todas as coisas.
Por estes dias também se tem andado em volta dos mostos das uvas, a observar a sua fermentação, isto é, a transformação dos açúcares das uvas em álcool. E para alguns, a seguir virá a produção da aguardente, em que a parte líquida dos resíduos da produção do vinho passará do estado líquido ao gasoso, sofrendo de seguida uma condensação para voltar ao estado líquido.
Tudo isto é ciência. Estes primeiros dias mais frescos, depois de tantos dias quentes, inspiravam os nossos mais velhos,  preocupados em preparar-se convenientemente para a longa noite do inverno.

José Teodoro Prata