A
Ordem Franciscana Secular de São Vicente da Beira e a Biblioteca Popular Dr.
Hipólito Raposo convidam toda a comunidade a participar nesta sessão de cinema,
que se realiza no Salão Nobre da Junta de Freguesia.
Contamos
com todos.
Enxidros era a antiga designação do espaço baldio da encosta da Gardunha acima da vila de São Vicente da Beira. A viver aqui ou lá longe, todos continuamos presos a este chão pelo cordão umbilical. Dos Enxidros é um espaço de divulgação das coisas da nossa freguesia. Visitem-nos e enviem a vossa colaboração para teodoroprata@gmail.com
A
Ordem Franciscana Secular de São Vicente da Beira e a Biblioteca Popular Dr.
Hipólito Raposo convidam toda a comunidade a participar nesta sessão de cinema,
que se realiza no Salão Nobre da Junta de Freguesia.
Contamos
com todos.
As ruas das terras grandes têm quase sempre nomes de gente importante. Gente de quem a maior parte dos que por lá passam mal ouviram falar. Não é assim nas aldeias, onde as ruas se chamam Rua da Fonte, Rua do Cemitério, Rua da Igreja, Rua do Lagar, Rua da Escola, Rua da Praça, Rua da Eira, etc… identificando, sobretudo, o lugar onde se situam equipamentos importantes para a terra ou alguma característica invulgar.
Esta Travessa dos Abraços, no Violeiro, são vinte passos mal medidos, em forma de Z mal acabado, onde um homem com um molho de mato às costas teria dificuldade em passar.
Maravilhei-me com o nome e imaginei que, no tempo em que manifestações de amor eram proibidas, se não pecado, muitos casais de apaixonados terão aproveitado o recato e o negrume da rua para poderem abraçar-se de fugida.
Um dos habitantes mais antigos (já poucos, no Violeiro) disse-me que não era bem assim; mas a imaginação é ainda um dos nossos maiores poderes, e eu fico-me com minha…
ML Ferreira
Nota: A fotografia publicada há dias duma
casa na Rua do Forno é, de facto, nos Pereiros. Sinal dos tempos, o forno comunitário
que ali existiu faz agora parte de uma casa particular.
Chegou-me a informação de que, nas recentes eleições
autárquicas, na mesa de voto da Vila, São Vicente da Beira (ignoro se houve
mais do que uma), o delegado da coligação PSD-CDS, presente na sala, foi várias
vezes à porta buscar pessoas para as acompanhar à mesa de voto.
Sei também que o delegado do Partido Socialista não fez uma
participação destas ocorrências, por escrito. Fez mal, pois a democracia
defende-se a cada momento, mesmo nas pequenas coisas. E isto não tem nada a ver
com as relações entre as pessoas, que se desejam amistosas o mais possível.
Nem queria acreditar quando me contaram! Desde 1974-75 que
não ouvia falar destas atitudes. Nesse tempo, os caciques colocavam-se à porta,
relembravam às pessoas em que partido deviam votar, acompanhavam-nas às mesas
de voto e até se metiam com elas no local onde se marca a cruz no boletim de
voto. Mas esses foram tempos de aprendizagem, em que todos, até os caciques,
tiveram de aprender as regras democráticas. Mas agora! Estas atitudes envergonham-nos,
como comunidade!
Aqui deixo as funções dos delegados às mesas de voto, para
que conste:
Quais os poderes e competências dos delegados?
- Ocupar os lugares mais próximos da mesa da assembleia de
voto de modo a poderem fiscalizar todas as operações de votação;
- Consultar a todo o momento as cópias dos cadernos de recenseamento eleitoral
utilizadas pela mesa da assembleia de voto;
- Ser ouvidos e esclarecidos acerca de todas as questões suscitadas durante o
funcionamento da assembleia de voto, quer na fase da votação quer na fase do
apuramento;
- Apresentar oralmente ou por escrito reclamações, protestos ou contraprotestos
relativos às operações de voto;
- Assinar a ata e rubricar, selar e lacrar todos os documentos respeitantes às
operações de voto;
- Examinar, no apuramento local, os lotes dos boletins separados, bem como os
correspondentes registos, sem alterar a sua composição;
- Obter certidões das operações de votação e apuramento.
Nota: as pessoas que precisam de acompanhamento para ir votar
devem levar um atestado médico!
José Teodoro Prata
Na última semana, morreram 3 homens na Galiza, em ataques da vespas asiáticas. E desta vez com uma novidade: todos pisaram ninhos de vespas feitos no chão, o que não era habitual.
Já no ano passado, o meu sobrinho António Craveiro encontrou um ninho no tronco de uma oliveira, pouco antes da colheita da azeitona. Também não era habitual, segundo los técnicos que vieram matar as vespas.
A propósito da perda de eleitores na nossa freguesia (mais de cem) entre as Autárquicas de 2021 e as de 2025. Embora a “fome” não seja exatamente a mesma, este texto é extraordinário, até pela crueza, na justificação da perda de população no interior do País no tempo da ditadura:
«O reino naquela época tremia de frio
e desconfiança.
Tinha-se deslocado mais para a
beira-mar, não se sabe bem porquê, mas calcula-se: fome.
A fome vinha do interior e varria tudo
para o oceano. Nesta leva desgarrada, escapavam os camponeses, que tinha a
barriga curtida, em cardos, e que se cravavam na terra à dentada, como uns
danados.
Espalmavam-se nas tocas e nas dobras
das montanhas para deixar passar a ventania, pareciam calhaus, seres
empedernidos; depois voltavam ao trabalho; à semente que se enterra e ao fruto
que se arranca.
Tinham-se habituado de tal maneira à
má sina que fome para eles era o pão de cada dia.
Os restantes, os que não conseguiam
enganar os vendavais, fugiam de roldão pelo país, atravessando aldeias e
planícies, vinhas e repartições, hoje fazendo família neste ponto, amanhã mais
naquele, até se verem diante do mar, acossados.
Uma vez ali, ou entregavam o corpo aos
caranguejos ou faziam como o mexilhão: Pé na rocha e força contra a maré.
Daí o nome de Reino do Mexilhão, que lhe pôs a geografia, em homenagem a esse marisco mais que humilde, só tripa e casca.»
Do livro Dinossauro Excelentíssimo de José Cardoso Pires
ML Ferreira
Acabei ontem a azeitona. Foram dias de tal suadouro, que só
apetecia cantar Ó que calma vai caindo / sobre as gentes do campo… Mas,
como continuar Por cima ceifa-se o trigo / por baixo fica o restolho…, se
eu andava empoleirado nas oliveiras a ripar azeitona?!
A canção certa seria A azeitona já está preta / já se pode
armar aos tordos..., mas cantá-la naquele ritmo apressado e folgazão
debaixo de tal calmaria?! Nem poderia gritar Ó João, dá cá o podão! Para
quê? Pra malhar aqueles que além vão! Pois se não se avistava vivalma!
Verdade, verdadinha, a canção que andei sempre a cantar foi
mesmo Ó que calma vai caindo, mentalmente claro, não queria que
me chamassem maluco! Como escreveu Aquilino Ribeiro, na primeira página do
Malhadinhas, «…os dias de hoje não os conheço.»
Porque comecei tão cedo? Medo da gafa que aí vem e
indisponibilidade na próxima semana.
Nota: a gafa é uma doença que provoca o apodrecimento da azeitona, devido a um fungo que se desenvolve em ambientes quentes e húmidos.
José Teodoro Prata