terça-feira, 5 de outubro de 2010

5 de Outubro

A Sociedade Filarmónica Vicentina associou-se às comemorações dos 100 anos da República, coordenadas pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.
Hoje, 5 de Outubro, às 10.30 h, tocou o hino nacional na Praça, em uníssono com 250 bandas de todo o país, cada uma na sua terra.
A fotografia regista esse momento e foi-me enviada pelo Dário Inês.



O Tó Sabino filmou e colocou no Youtube. Copiei de lá.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A fina flor de São Vicente


Vi pela primeira vez esta fotografia, aquando da preparação do livro do Pe. António Branco. Foi-me emprestada pela Maria João Guardado Moreira, neta do Sr. Manuel da Silva.
Tem no verso a data de Agosto de 1963 e foi tirada na Rua da Cruz, imediatamente acima da casa do Pe. Tomás.
Só conhecia 4 ou 5 pessoas e isso mais despertou a minha curiosidade. Pedi ajuda ao Ernesto Hipólito e ao João Benevides Prata. Aqui vos deixo o fruto do nosso trabalho:

Da esquerda para a direita:

Hália Pignatelli, esposa de Alexandre Cunha Pignatelli;
Isabel Barreiros (Isabel Barqueira), irmã do Coronel Barreiros;
António Lourenço de Azevedo (o Toninho Lourenço);
Maria Isabel (Belinha), filha do dono da Farmácia e esposa de Toninho Lourenço;
Filomena, esposa do engenheiro Baptista, sobrinha do Pe. Tomás e irmã de Maria de Jesus;
Padre Tomás da Conceição Ramalho,
Padre José Hipólito Jerónimo;
(Um sacerdote não identificado);
António Pião do Mourelo, dono da Auto Transportes do Fundão;
Manuel da Silva;
Celeste da Silva, esposa de Manuel da Silva:
Maria Manuela da Silva (Nelita), filha dos dois anteriores.

Esta foto mostra-nos algumas das pessoas mais importantes de São Vicente, em 1963: o presidente da Junta (Manuel da Silva), o pároco (Padre Tomás), o bispo de Macau (D. João de Deus), o empresário António Pião; um membro da antiga nobreza (Hália Pignatelli)...
Deve existir apenas este exemplar, agora divulgado on-line, com autorização da actual proprietária, Maria do Rosário e Silva Guardado Moreira, a filha do Sr. Manuel da Silva.

Nota: Se alguém detectar algum erro na identificação destas pessoas, agradeço que mo comunique, através de Comentário ou pelo e-mail acima apresentado.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Muros-Apiários no Tripeiro

Estive este fim de semana em Foz Côa, onde participei no colóquio "Muros-apiários. Um Património Comum no Sudoeste Europeu."
Aos estudos realizados no âmbito do projecto Muros Apiários da Península Ibérica. O Mel e os Ursos, da Associação de Estudos do Alto Tejo (AEAT), juntaram-se outros trabalhos de investigadores vindos no norte de Portugal e da Galiza.
Há tempos, associara-me ao projecto da AEAT, através da recolha de documentação escrita sobre a criação de abelhas e a produção e comércio de mel e cera, nesta nossa região entre a Gardunha e o Tejo, desde a fundação de Portugal até ao século XIX. Por isso também participei, contente como um alho, como dizia o meu pai.
O meu estudo faz larga referência à freguesia de São Vicente da Beira, pois aqui se produzia muito mel, sobretudo na zona do Tripeiro, onde, no ano de 1775, 9 dos 13 vizinhos tinham colmeias. Tencionava desafiar os investigadores da AEAT a deslocarmo-nos ao vale da ribeira do Tripeiro, para verificar se haveria muros-apiários, mas fui surpreendido com a inclusão do Tripeiro no mapa regional dos muros-apiários, pois os investigadores Francisco Henriques e Mário Chambino já tinham feito um primeiro levantamento.
As fotos que se seguem foram-me facultadas por eles, a quem agradeço. O muro representado foi registado com o nome de Muro-Apiário da Foz do Ribeiro do Lapão.








As pedras salientes no alto do muro, em forma de beirado, destinavam-se a dificultar a entrada dos ursos no interior. Nos locais em que está conservado, o muro tem cerca de 4 metros de altura!
É notório o estado de ruína em que se encontra este muro-apiário. Desconheço como estão os outros que foram encontrados. Depende de nós perder ou recuperar este nosso património.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Muros-Apiários


Soube deles, pela primeira vez, no ano de 2001, em notícia da Gazeta do Interior.
Dois especialistas franceses, Gaby Roussel e Nino Masetti, visitaram os muros apiários da região, guiados pelo arqueólogo Francisco Henriques, da Associação de Estudos do Alto Tejo, (Vila Velha de Ródão), no âmbito do projecto de investigação Muros Apiários da Península Ibérica. O Mel e os Ursos.
A gazeta informou:

«Muros Apiários da Península Ibérica. O Mel e os Ursos, é um projecto que existe há cerca de dois anos e que tem como objectivos contribuir para a identificação e estudo dos muros apiários, formular propostas para a sua protecção e valorização e divulgar os seus resultados.
Os muros apiários são construções em pedra, feitas em várias regiões da Península Ibérica, desde a Idade Média, com a finalidade de proteger os colmeais da acção predadora dos mamíferos e principalmente dos ursos. Francisco Henriques, arqueólogo, acrescenta que os muros apiários “são estruturas que definem recintos fechados que chegam a atingir três metros de altura e apresentam remates para o exterior para impedir o acesso ao seu interior. Estas construções situam-se geralmente no fundo dos vales, voltados a sul e, muitas vezes, sobre a confluência de duas linhas de água.
No distrito conhecem-se construções deste tipo nos concelhos de Idanha a Nova, Vila Velha de Ródão e Castelo Branco.»


A documentação atesta a existência de, pelo menos, um muro apiário, em S. Vicente da Beira. O Tombo dos bens do concelho, realizado entre 1767 e 1785, na Medição, demarcação e confrontação da Oles, informa:

«E dentro da mesma todas as terras que há são de ervas e não há coisa que possa impedir a pastagem dos gados, senão um muro de colmeias que foi dos herdeiros de Joam Gonçalves do lugar do Louriçal e uma tapada que é o sobredito Casal do Grilo, dos herdeiros do capitão, que foi da ordenança desta vila, Domingos Antunes.»

Não consegui localizar este muro apiário, nem sei se ele ainda existe. A posterior utilização dos solos para a agricultura ou a recente plantação de eucaliptos na zona podem ter ditado a sua destruição.


Colmeias na Oles, actualmente.


As fotos dos muros apiários tirei-as da Internet. Esta é do Gerês e a primeira da serra de São Mamede (Portalegre).

domingo, 19 de setembro de 2010

Praga de Gafanhotos

As Festas de Verão são em honra do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz, no domingo, do Santo Cristo da Misericórdia, na segunda-feira, e da Senhora do Carmo, na terça-feira. Nos anos 70, o P.e António Branco e um grupo de vicentinos radicados em Lisboa começaram a ir de romagem à Senhora da Orada, na quarta-feira, mas este festejo não vingou, talvez por ser sobretudo motivado pela fome de sardinhas assadas, tal o enjoo de carne, nos dias anteriores.
As Festas eram da responsabilidade de uma comissão nomeada no ano anterior. O método de escolha era a vizinhança. Escolhia-se um grupo de chefes de família moradores em ruas contíguas. No ano seguinte, eram os das ruas a seguir. Este método, certamente centenário, fracassou nos anos 80, pois cada vez era menor o número de chefes de família que aceitavam sacrificar-se a organizar as Festas. Até hoje, ainda não foi criado um sistema alternativo sólido, pelo que, em cada ano, é incerta a realização das Festas. Elas organizam-se quando há uma associação que chame a si essa incumbência. Por exemplo, no ano passado ninguém se interessou, mas este ano valeu-nos a aniversariante e centenária Banda Filarmónica Vicentina.
As Festas eram no terceiro fim de semana de Setembro, em pleno fim de ciclo das colheitas. Apenas faltavam as vindimas, feitas logo a seguir. Os festejos começavam, no sábado, com a realização da feira anual, que no passado, desde a fundação da Vila, fora em Janeiro, no dia do padroeiro São Vicente. Nos anos 80, mudaram-se as Festas para o primeiro fim de semana de Agosto, para possibilitar a participação dos emigrantes em férias e das famílias com estudantes, devido à alteração da abertura do ano escolar de 1 de Outubro para meados de Setembro.
Continuo a desconhecer a data da criação das Festas de Verão, talvez porque estão desaparecidos, possivelmente em casa de particulares, alguns livros de actas da antiga Câmara Municipal de São Vicente da Beira. Nas últimas décadas do século XVIII, ainda não se realizavam, pelo que arrisco situar a sua criação por volta de 1800, isto é, há cerca de duzentos anos.
No ano passado, aqui nos Enxidros, em publicação de 21 de Junho, intitulada “Guerra dos Sete Anos”, já levantei o véu sobre esta problemática. No trabalho escrito, que aguarda publicação, acrescentei mais algumas informações, embora não tenha podido encerrar a investigação, pelas razões atrás apontadas.
Adianto alguns dados sobre a justificação das Festas devido a uma praga de gafanhotos. É esta a tese explicativa mais comum, a que nos alimentou a imaginação durante a infância. O que encontrei é pouco, mas pode ser tudo:
As pragas de gafanhotos eram frequentes nos séculos XVII e XVIII. Não temos notícia de nenhuma, na segunda metade do século XVIII, embora não possamos garantir que não existiu. Em 1781, a Câmara foi avisada, pela Provedoria de Castelo Branco, de que uma praga de gafanhotos assolava outras regiões e era preciso tomar providências. Assim se fez, embora não houvesse sinais da praga no concelho. Mas a Provedoria de Castelo Branco mandou também avisar o Provedor da Misericórdia, para que se fizesse uma novena e mais preces, na Igreja da Misericórdia, a fim de afastar o perigo. Temos, pois, o Santo Cristo da Misericórdia como protector dos povos também contra a bicharada.
Não sabemos se a praga chegou a atingir o concelho e se os gafanhotos vieram morrer nas paredes da Igreja da Misericórdia, conforme é crença popular, mas podemos concluir que a festa anual ao Santo Cristo foi criada como forma de agradecer e buscar protecção divina contra os males dos homens e da natureza.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tó Spínola

Acabo de ler esta notícia, no Diário de Notícias online, e penso que vale a pena partilhá-la convosco. Um abraço para o meu primo Tó!

Encontrou 3000 euros e foi entregá-los à GNR



Reformado das Forças Armadas pegou na bolsa e foi à polícia. "Podia gastá-lo, mas não era correcto", diz. O dono já tem o dinheiro.
"A honestidade não tem preço." É desta forma que António Prata Inês resume a decisão que teve de tomar ao final da tarde de quarta-feira, minutos depois de ter encontrado uma carteira que, entre notas (750 euros) e cheques já endossados, tinha mais de 3300 euros no seu interior. Para muitos, a tentação de ficar com aquilo tudo ou, mais que não fosse, com o dinheiro, seria natural, mas António Inês garante que só a ideia "já arrepia". Assim, "sem pensar duas vezes", este homem, natural de São Vicente da Beira, concelho de Castelo Branco, rumou imediatamente para a GNR a fim de devolver aquilo que "era pertença de outros".
"Nem quero imaginar a aflição que aquelas pessoas não estavam a viver. Três mil euros é dinheiro", sublinha este homem que, conforme faz questão de frisar, todos tratam por Marechal Spínola. "Eu não abdico dos meus valores. Sou deficiente das Forças Armadas e pára-quedista reformado, e o lema dos pára-quedistas é que 'nunca por vencidos se conheçam', ora eu ficar com este dinheiro seria certamente um vencido", diz António Inês, que até adiou uma viagem a Lisboa só para entregar o dinheiro.
"Estava a sair de casa, aqui no Fundão, para ir a uma consulta de oftalmologia em Lisboa, quando vi a bolsa nas escadas de um prédio. Pensei que podia fazer falta ao dono e peguei logo nela. Só depois de a abrir é que percebi que tinha tanto dinheiro e que os cheques até já estavam endossados. Podia levantá-los com facilidade e o dinheiro podia ir gastá-lo, mas isso não era correcto. Por isso, já nem fui embora. Perguntei onde era a GNR e fui entregar tudo", relata.
Confrontado com a pergunta de "se o dinheiro não o ajudava a completar a reforma, António Inês responde sem hesitar: "O dinheiro dá sempre jeito, então não dá. Mas, como já disse, nunca pensei ficar com ele. Só vivo com o que é meu. A minha cabeça não me permitiria tal coisa", conclui.
Entretanto, a GNR do Fundão já localizou o dono do dinheiro, José Dias Gonçalves, 79 anos, natural da Barroca Grande, nas Minas da Panasqueira, que naturalmente faz questão de agradecer a António Inês, conforme contou ao DN Zita Teixeira, a filha do homem que tinha perdido o dinheiro.
"Já pedi o número de telefone dele porque quero agradecer-lhe pessoalmente. O meu pai já falou com o senhor e já lhe deu os parabéns por ser um homem honesto e recto, mas eu também vou fazer questão de lhe apresentar o meu reconhecimento", refere Zita Teixeira, que também foi beneficiada por este gesto.
"Parte daquele dinheiro também era meu. Como o meu pai foi dormir à casa que tem no Fundão, mandei-lhe dinheiro para ele depositar no banco. Ele assim fez. Mas, quando estava a entrar em casa, encontrou uns amigos e ficou a falar com eles. Deve ter sido nessa altura que deixou cair a carteira e, como tinha mais pastas na mão, nem sequer deu conta. Passou a noite toda preocupado, e hoje de manhã [quinta-feira] telefonou-me para eu cancelar os cheques. Felizmente, pouco tempo depois, telefonou a GNR a avisar que afinal a carteira tinha sido lá entregue. Pronto, o meu pai foi logo lá e entretanto o dinheiro já nos foi restituído e já está depositado no banco", conclui Zita Teixeira, reiterando o reconhecimento e agradecimento em relação ao acto de António Prata Inês.

Nota: Corrigi o nome do Tó, que estava errado na notícia.

sábado, 11 de setembro de 2010

Coudelaria de Alter do Chão

Retornei à coudelaria de Alter do Chão e lembrei-me do São Vicente de antigamente.


Vi o primeiro e, durante muitos anos, único bufo-real, já morto, exibido como troféu de caça, à porta do caçador, a meio da barreira do Hospital.
Fora caçado perto do lagar que depois ficou submerso pelas àguas da barragem do Pisco. Segundo o caçador, tinha o ninho num pinheiro alto. Era enorme, maior que este.
Foi em finais dos anos 60 e fiquei, a um tempo, impressionado com a riqueza da natureza e triste, pela sua destruição.
Estes meados do século foram maus para a natureza, como também para o património histórico. A gente nunca fora tanta e não importava destruir, para fazer tudo novo.




O cavalo sorraia, aqui protegido da extinção.
Foi, durante séculos, o cavalo de trabalho dos campos portugueses. E certamente também o cavalo de sela para os lavadores do povo, com posses para andar a cavalo, mas sem riqueza para adquirir um cavalo lusitano.
Na publicação "Cavalos de Lista", de 5 de Agosto, já fiz referências históricas a este cavalo, na nossa freguesia.

Fotos da Filipa Teodoro