quinta-feira, 16 de maio de 2019

Alberto Rodrigues Inês




Alberto Rodrigues Inês nasceu em São Vicente da Beira, no dia 1 de julho de 1895. Era filho de António Rodrigues Inês, ganhão, e de Maria da Ascensão Ramalho.
Assentou praça em Castelo Branco, no dia 19 de junho de 1915, e foi incorporado no 2.º Batalhão do Regimento de Infantaria 21. Era analfabeto e tinha a profissão de jornaleiro.
Pronto da Instrução da Recruta, em 28 de agosto de 1916, regressou a São Vicente da Beira onde continuou a residir.
Voltou a apresentar-se e foi mobilizado para integrar as forças do CEP, embarcando para França em janeiro de 1917. Pertencia à 8.ª Companhia do 2.º Batalhão do 2º Regimento de Infantaria e tinha o posto de soldado, com o n.º 587. Foi vacinado.
No seu Boletim Individual consta apenas o seguinte:

 

a)   Baixa ao hospital no dia 25 de outubro de 1917; alta em 27;
b)   Ferido por gases no dia 24 de gosto de 1917, tendo baixado ao hospital nesse mesmo dia, alta em 15 de outubro;
c)    Regressou a Portugal em abril de 1919, sendo licenciado no dia 7 de julho.
Passou ao Regimento de Infantaria de Reserva 21, nos termos do Art.º 60.º da Lei da Recruta de 1911, em 31 de dezembro de 1925; à reserva ativa, em 11 de abril de 1928; e à reserva territorial, em 31 de dezembro de 1936.
Condecorações:
·        Medalha Militar de cobre comemorativa da participação de Portugal na Grande Guerra com a legenda: França 1917-1918.
Família:
Alberto Rodrigues Inês casou com Emília Rodrigues Marques, no dia 17 de Setembro de 1921, e tiveram cinco filhos:
1.    Joaquim Rodrigues Inês (faleceu com 12 dias);
2.    Maria do Carmo Rodrigues Inês (faleceu ainda criança);
3.    José Maria Rodrigues Inês (Guarda Fiscal), que casou com Filomena dos Santos e tiveram dois filhos;
4.    Manuel Rodrigues Inês, que casou com Eugénia Ramalho e tiveram um filho;
5.    Maria do Resgata Rodrigues Inês, que casou com João Candeias e tiveram três filhos (o primeiro faleceu logo após o nascimento).
Sobre o tempo em que Alberto Rodrigues Inês esteve em França, não se conhecem relatos feitos pelo próprio, mas um dos seus companheiros da guerra contava que sofreu por lá muito. Diz que às vezes ia dar com ele a chorar com fome e que até ainda chegou a repartir com ele o pouco que tinha para comer.
Alberto Rodrigues Inês teve uma vida de muito trabalho, sempre na agricultura e pecuária, atividades a que se dedicava de corpo e alma. Foi ganhão e rendeiro, ao mesmo tempo que tratava das terras que herdou dos pais e das que foi adquirindo. Teve quase sempre a sua própria junta de bois, com ganhão, e rebanhos de cabras e ovelhas, com pastor.
Faleceu repentinamente, no dia 17 de Fevereiro de 1957. Tinha 61 anos.

(Pesquisa feita com a colaboração da neta Maria José Candeias)


Maria Libânia Ferreira
Do livro "Os Combatentes de São Vicente da Beira na Grande Guerra"
À venda, em São Vicente, nos Correios e no Lar; em Castelo Branco, na Biblioteca Municipal.
O dinheiro da venda dos livros em São Vicente reverte para a Santa Casa da Misericórdia.

Um comentário:

José Teodoro Prata disse...

Além do conhecimento que nos dá sobre a guerra, particularmente no referente à participação portuguesa, este estudo revela-nos um pouco do mundo dos nossos antepassados que viveram na primeira metade do século XX.
Eu, que não recebera da minha família qualquer memória de familiares combatentes, tive afinal 3, diretos ou não: o Francisco Jerónimo, irmão da minha avó paterna Maria do Rosário Jerónimo; o João Prata, criado na Casa da Roda, pelo meus bisavós maternos António Prata e Maria Castanheira; João Ricardo, que casou com Amélia de Jesus, a irmã mais velha do meu avô paterno Francisco Teodoro.