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domingo, 1 de dezembro de 2024

Os Sanvicentinos na Grande Guerra

 Mário de Souza 

Mário de Souza da Cunha Pignatelli foi batizado na freguesia de Salvador, Penamacor, no dia 26 de novembro de 1886. Era filho de Francisca de Souza, nascida nos Escalos de Cima, e de José da Cunha Freire Pignatelli.

Com apenas dez anos de idade, após ter concluído a instrução primária, a mãe enviou-o para Lisboa, a fim de prosseguir os estudos na Real Casa Pia de Xabregas. Aos 18 anos, começou a trabalhar na Companhia dos Correios e Telégrafos, vindo a alcançar a posição de Director Distrital, com assento na Guarda.

Assentou praça em Penamacor, no dia 3 de junho de 1906, e, apurado para servir na Arma de Engenharia, alistou-se no Regimento de Infantaria de Reserva n.º 21.

Licenciado, foi domiciliar-se na freguesia de Santos o Velho, em Lisboa. Apresentou-se novamente para serviço ordinário, por um período de 30 dias, nos termos do nº 2 do Art.º 31 do regulamento para a organização das reservas do exército, em 1 de agosto de 1907.

Passou ao DRR n.º 21, em 31 de outubro de 1907, e mudou a residência para Castelo Branco. Em 16 de janeiro de 1911, passou ao DRR n.º 2, indo domiciliar-se na freguesia de Belém, Lisboa.

Em 1917, foi mobilizado para participar na Grande Guerra, tendo seguido de comboio para França, no dia 9 de junho de 1917, integrado no Serviço Postal nº 8 do CEP, Serviço de 2.ª Linha, com o posto de 1.º Aspirante de Correios, com a graduação de Alferes.


No seu boletim individual do CEP consta apenas o seguinte:

a)     Transferido para o S.P.C. 4 (Serviço Postal em Campanha nº 4), a 10 de janeiro de 1918;

b)     Licença de campanha por 45 dias, em 14 de janeiro;

c)     Colocado como chefe do S.P.C. 4, em 4 de fevereiro;

d)     Colocado com adjunto do S.P.C. 8, por ordem de 9 de agosto;

e)     Abatido ao efetivo, em 23 de março de 1919, regressou a Portugal a 31 do mesmo mês. Desembarcou em Lisboa, a 3 de abril.  

Condecorações: Medalha comemorativa da Campanha de França.

Por ter completado o tempo de serviço obrigatório, foi-lhe dada baixa a 3 de julho de 1921, ficando obrigado, em tempo de guerra, a concorrer para a defesa local até aos 45 anos de idade, mas sem encargo algum em tempo de paz. Passou à reserva para todo o serviço militar, em 26 de novembro de 1931, por ter completado 45 anos de idade.


Família:

Antes de ter sido mobilizado para participar na Grande Guerra, Mário de Souza já era casado com Judite Santareno e residiam em Évora, localidade onde lhes nasceram os seus 2 filhos:

1.   José Santareno de Souza da Cunha Pignatelli (condecorado com a Laureada Cruz de São Fernando pela sua participação na Missão Militar Portuguesa de Observação durante a guerra civil de Espanha) que casou com Maria Joana Casanova Dias Ferreira. Tiveram dois filhos, ambos com descendência;

2. Mário José Santareno de Souza da Cunha Pignatelli que casou com Maria Júlia Mesquita dos Santos. Tiveram 6 filhos, todos também com descendência.

 


Após ter-se retirado da vida profissional (nesta altura estaria colocado como Diretor de Correios e Telégrafos na cidade da Guarda), domiciliou-se em São Vicente da Beira onde passou a gerir as suas propriedades. Foi também Provedor da Santa Casa da Misericórdia, mas por um período muito curto, uma vez que faleceu passado pouco tempo de ter tomado posse do cargo.

Mário de Souza da Cunha Pignatelli morreu em São Vicente da Beira, no dia quatro de Abril de 1947. Tinha 62 anos.

 

(Pesquisa feita com a colaboração da bisneta de Mário de Souza, Marina da Cunha Pignatelli)


Maria Libânia Ferreira

Do livro Os Combatentes de São Vicente da Beira na Grande Guerra

sábado, 16 de setembro de 2023

Os Sanvincentinos na Grande Guerra

 José Nunes

José Nunes nasceu em Ribeiro d´Eiras, no dia quatro de setembro de 1892. Era filho de António Nunes e Maria Joaquina. Como era habitual naquele tempo, começou a trabalhar muito cedo, na agricultura e como pastor.

Assentou praça em Castelo Branco, no dia 9 de julho de 1914, e foi incorporado no 2.º Batalhão do Regimento de Infantaria 21. Segundo a sua folha de matrícula, era analfabeto e jornaleiro.

Embarcou para França, no dia 18 de janeiro de 1917, integrando a 6.ª Companhia do 2.º Batalhão do 2º Regimento de Infantaria 21, como soldado com o n.º 723 e a chapa de identidade n.º 9125. Desembarcou em Brest, no dia 4 de fevereiro.

Do seu boletim individual consta o seguinte:

a)   Baixa ao Hospital n.º 26, em cinco de fevereiro; alta em 20;

b)   Colocado na 1.ª Companhia com o n.º 723, em 16 de novembro de 1917;

c)   Baixa ao Hospital de Base 1, em 14 de abril de 1918; alta em 20;

d)   Baixa ao Hospital de Base 2, em 30 de maio;

e)   Em sessão de junta médica realizada em 14 de junho, foi-lhe concedida licença por 60 dias para convalescença; esta licença foi posteriormente reduzida para 30 dias;

f)     Embarcou para Portugal a bordo do navio Helenus, no dia 17 de março de 1919, e desembarcou em Lisboa a 20 do mesmo mês.

José Nunes, à direita, com dois companheiros

Passou à reserva territorial em dezembro de 1935.

Condecorações: Medalha militar de cobre comemorativa da participação de Portugal na Grande Guerra com a legenda: França-1917-1918.

Família:

José Nunes casou com Ana Maria no dia 27 de abril de 1920 e ficaram a viver na Partida, de onde era natural a esposa. Tiveram três filhos:

1.     João Nunes, que casou com Maria do Carmo e tiveram 1 filha;

2.     Maria de Jesus Nunes, que casou com Joaquim Martins e tiveram 4 filhos;

3.     Celestina Nunes, que casou com César Alves e tiveram 2 filhos.

«Quando o meu avô regressou à terra foi recebido como um herói; mas vinha tão traumatizado que não conseguia falar de outra coisa que não fosse a guerra. Todas as conversas iam dar ao mesmo: as muitas tropas do seu batalhão; os muitos homens nas trincheiras; os muitos mortos que uma vez viu espalhados pelo chão, uns sem pernas, outros sem braços, outros com a cabeça ou a barriga abertas; os que morreram quando tiveram que atravessar um rio agarrados a umas cordas, com a roupa atada ao corpo com umas correias e o pouco dinheiro que tinham, dentro da boca. Referia-se sempre a eles utilizando a expressão «Mais de mil homens!» um número que ele achava ser o maior para definir todas as atrocidades que por lá viu e dificuldades por que passou. Por causa disto puseram-lhe a alcunha de “Mil Homens” e toda a família ficou assim conhecida.

Quando andava na escola também me tratavam por “Mil Homens”. Eu ficava muito envergonhada, porque não sabia a origem do nome e achava-o muito feio. Atualmente, depois de conhecer a história que deu origem à alcunha da família, tenho o maior orgulho nela e no meu avô. (testemunho da neta Celestina Nunes)

A filha Celestina Nunes também se lembra de ouvir o pai contar que, quando chegou a Portugal, por trazer uma caderneta tão limpa, lhe quiseram dar emprego em Lisboa, mas ele não aceitou, porque o que queria era voltar para perto da família, das suas cabras e das suas hortas.

Toda a vida trabalhou na agricultura, quase sempre como jornaleiro numa casa de gente abastada da Partida. No verão raramente faltava a um quinto e no inverno fazia quase todas as campanhas da azeitona. Mas do que ele gostava mais era da sua Metanhosa, uma terra, quase brava, que ele transformou numa propriedade que era o seu orgulho e onde cultivava de tudo para a casa. Também teve quase sempre um rebanho de cabras, que era uma grande ajuda para o sustento da família.

José Nunes faleceu no dia 24 de maio de 1962. Tinha 69 anos de idade.

(Pesquisa feita com a colaboração da filha Celestina Nunes e da neta Celestina Nunes)

Maria Libânia Ferreira

Do livro: Os Combatentes de São Vicente da Beira na Grande Guerra

domingo, 4 de junho de 2023

Os Sanvincentinos na Grande Guerra

 José Marques Neto

José Marques Neto nasceu em São Vicente da Beira, no dia 14 de agosto de 1892. Era filho de António Marques e Maria Neta, proprietários.

Assentou praça no dia 12 de julho de 1912 e foi incorporado no 2.º Batalhão do Regimento de Infantaria 21, em 14 de janeiro de 1913. De acordo com a sua folha de matrícula, sabia ler e escrever corretamente na altura da incorporação e tinha a profissão de ferrador. Completou a recruta em 3 de abril e regressou a São Vicente da Beira.

Foi mobilizado para a guerra e apresentou-se novamente, em 5 de maio de 1916, para integrar o CEP. Embarcou para França no dia 20 de janeiro de 1917. Fazia parte do Comboio Automóvel, 3.ª Secção, do Regimento de Infantaria 21, com o posto de soldado, com número 143 e a placa de identidade n.º 19703 (alterada posteriormente para 20483). Foi colocado no 1.º Grupo Automóvel com as funções de motorista.

Do seu boletim individual consta o seguinte:

a)  Castigado pelo comandante da companhia, com 5 dias de prisão disciplinar, em julho de 1917, por ter discutido com um camarada, tendo-o insultado com palavras obscenas e atirado com um martelo que ia atingindo um militar do mesmo escalão;

b)  Seguiu em diligência para a direção do comboio, em 7 de agosto de 1917;

c)  Colocado no 1.º Grupo Automóvel (1.º escalão), em 2 de abril de 1918, onde ficou com o número 212;

d)  Regressou a Portugal, no dia dois de maio de 1918.

Passou à reserva ativa no dia 11 de abril de 1928 e à reserva territorial em 31 de dezembro de 1933.

Família:

Após ter regressado à terra, José Marques casou com Maria do Nascimento Ferreira, também natural de São Vicente da Beira, no dia 15 de setembro de 1920, e tiveram dois filhos:

1.     José Maria Marques Neto que casou com Maria Rosa Sousa e tiveram 1 filha;

2.     António Marques que casou com Maria Alice Lourenço e tiveram 2 filhas.

Antes de partir para França, José Marques tinha a profissão de ferreiro. Terá depois trabalhado também como carpinteiro e agricultor, inicialmente na Casa Visconde de Tinalhas e depois nas terras que foi adquirindo e herdou dos pais. Foi produtor e negociante de azeite e, durante algum tempo, empreiteiro de obras públicas. Em sociedade com o irmão António Neto, terá sido responsável pela construção do troço da Estrada Nova, entre a Oriana e o Bairro de São Francisco.

Foi mesário da Santa Casa da Misericórdia de São Vicente, exercendo os cargos de secretário e tesoureiro em vários mandatos.

Após a morte da esposa, em 1973, José Marques ainda permaneceu alguns anos em São Vicente, mas, já mais idoso, foi morar para o Fundão, onde viveu com a família do filho António. Foi lá que faleceu no dia 9 de maio de 1994. Tinha quase 102 anos.

(Pesquisa feita com a colaboração da neta Filomena Maria Marques)

Maria Libânia Ferreira

Do livro: Os Combatentes de São Vicente da Beira na Grande Guerra

sábado, 22 de abril de 2023

Os Sanvincentinos na Grande Guerra

 José Maria Gama

José Maria Gama nasceu em São Vicente da Beira, no dia 20 de maio de1896. Era filho de Carolina Gama, jornaleira, residente na rua Manuel Mendes. 

Terá ficado órfão ainda jovem porque, de acordo com o seu boletim individual de militar do CEP, o familiar vivo mais próximo, na altura da partida para França, era o padrinho, Manuel da Silva Lobo (apesar desta referência, sabe-se que José Maria foi criado pelos avós maternos, como se fosse mais um filho).

Mobilizado para a guerra, embarcou em 26 de setembro de 1917, com o posto de 1.º Cabo da 4.ª Bateria do Regimento de Artilharia 8 (Abrantes?) com o número 665 e a chapa de identificação n.º 64941. Integrava a bateria de reforço das tropas que já estavam no terreno há algum tempo.

Do seu boletim individual consta o seguinte:

·        Baixa à ambulância n.º 8 em 24 de novembro de 1917; alta em 2 de dezembro(?);

·        Colocado no 3º Grupo de Batarias de Artilharia em 24 de abril de 1918 onde ficou até janeiro de 1919;

·        Condecorado com a medalha comemorativa da expedição a França pela Ordem de Serviço nº 31 de 27/2/1919 do 3º G.B.A.

Família:

Após o regresso a Portugal, José Maria Gama ficou a residir em Lisboa, onde ingressou na Guarda-Fiscal. Foi lá que casou com Silvina(?) de quem teve uma filha: Beatriz Gama. A esposa terá falecido passado pouco tempo e José Maria assumiu sozinho a educação da menina.

Em 29 de junho de 1935, voltou a casar, no Posto do Registo Civil de Sarzedas, com Maria José Rodrigues, natural daquela localidade (Maria José era prima direita de José Maria, uma vez que o pai era natural de São Vicente da Beira e tio materno de José Maria). Deste casamento nasceu mais uma filha: Maria do Carmo Gama(?).   

José Maria vinha muitas vezes à terra, principalmente pela Senhora da Orada e pelas Festas do Verão, e trazia quase sempre a filha mais velha. Contam que era um homem bonito, elegante e sempre alegre. Era muito querido por toda a família e pelos amigos. Quando vinha a São Vicente todos queriam que ficasse em sua casa, e mimavam-no com tudo o que tinham de melhor. Ele retribuía da mesma forma, ajudando toda a gente que precisasse e lhe pedisse um favor. Dizem que foi ele que, naquele tempo, levou alguns rapazes da idade dele, e outros mais novos, de São Vicente para Lisboa, e os ajudou a entrar para a Guarda-Fiscal, onde era muito considerado.    

José Maria Gama faleceu na Freguesia da Lapa, no dia 31 de dezembro de 1973. Tinha 77 anos de idade.

Maria Libânia Ferreira

Do livro: Os Combatentes de São Vicente da Beira na Grande Guerra

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Os Sanvincentinos na Grande Guerra

 José Leitão

José Leitão nasceu em São Vicente da Beira, no dia 9 de agosto de 1893, filho de António Leitão Canuto e Maria do Patrocínio, moradores na rua Velha.

Era analfabeto e tinha a profissão de jornaleiro, quando assentou praça em Castelo Branco, no dia 9 de julho de 1913; foi incorporado no Regimento de Infantaria 21, 2.º Batalhão, em 13 de janeiro de 1914.

Pronto da instrução da recruta em 30 de abril, foi licenciado em 1 de maio, domiciliando-se em São Vicente da Beira. Apresentou-se novamente no dia 4 de fevereiro de 1915 e foi licenciado em 1 de maio. Nesta altura recebeu instrução de corneteiro, mas não a concluiu por “inabilidade artística”, como consta na sua folha de matrícula.

Voltou a ser convocado em 5 de maio de 1916 e, fazendo parte do CEP, embarcou para França, no dia 21 de janeiro de 1917, incorporado na 6.ª Companhia do 2.º Batalhão, 2º Regimento de Infantaria 21, como soldado com o número 72 e chapa de identidade n.º 9128.

No seu boletim individual de militar do CEP e folha de matrícula constam as seguintes informações:

a)   Baixa ao hospital em 16 de junho de 1917, por ferimento por gases; alta a 20;

b)   Ausentou-se sem licença no dia 24 de agosto de 1918 e foi considerado desertor passadas 24 horas;

c)    Apresentou-se de deserção, no dia 28 de agosto, e foi detido na prisão da base em 30;

d)   Aumentado ao efetivo do Depósito Disciplinar 1, em sete de setembro, foi libertado poucos dias depois;

e)   Foi punido em 17 de setembro, por ter feito uso de um passe regulamentar fora da data para que lhe fora concedido, ausentando-se indevidamente do seu local de estacionamento;

f)     Baixa ao hospital em seis de março de 1919 e alta em 24, seguindo para o Depósito Disciplinar 1 a 25 de março;

g)   Punido em 23 de maio de 1919, pelo Comandante, com sessenta dias de prisão correcional, por ter exigido ser transportado por um camião quando se dirigia da base para a sua unidade na frente, dizendo que estava muito fatigado (Este castigo ficou sem efeito, em virtude da Ordem de Serviço n.º 156 de 11/6/1919);

h)   Foi repatriado com o Depósito Disciplinar 1, a cinco de julho de 1919;

i)     Desembarcou em Portugal, no dia 8 de julho de 1919, e regressou a São Vicente da Beira.

Em outubro de 1919, passou ao Batalhão n.º 1 da GNR com o posto de soldado de 2.º classe. Em 21 de outubro, passou a soldado da classe de aprendiz de corneteiro e em 27 de abril de 1920, após ter terminado a especialidade, passou a soldado de 1.ª classe. Em 4 de janeiro de 1921, foi promovido a 2.º cabo corneteiro.

Licenciado em 21 de junho de 1921, mudou a residência para a freguesia de Santos, em Lisboa, passando ao Regimento de Infantaria n.º 1.

Por ter terminado o tempo de serviço nas tropas ativas, passou ao Regimento de Infantaria nº 1 de Reserva em 31 de dezembro de 1923, à reserva activa em 31 de dezembro de 1926 e à reserva territorial em dezembro de 1934.

Na sua folha de matrícula consta um castigo de 15 dias de prisão correcional aplicado pelo comandante da companhia em maio de 1921, por «no dia 23 de Maio do corrente, pelas 10h, estar entre um grupo de praças referindo-se aos últimos acontecimentos e dizendo: se nós temos muitas tropas eles também as tinham, e se nós éramos republicanos eles também o eram, que a nossa bandeira se achava içada e a deles andava à frente da força, e mais disse que os oficiais da 4ª companhia tinham sido uns falsos por terem abandonado a sua companhia» (Foi amnistiado deste crime pela Lei n.º 1629 de 15/7/1924).

Condecorações e louvores:

·        Medalha militar de cobre comemorativa com a inscrição França 1917-1918;

·        Medalha militar de cobre de classe de comportamento exemplar.

Família:

José Leitão casou com Benvinda de Oliveira, natural do Gavião, na 2.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa, no dia 23 de julho de 1922. Não foi possível saber se tiveram filhos, nem qual foi o seu percurso de vida, mas o castigo que sofreu em maio de 1921 pode significar que seguiu a vida militar ainda por algum tempo e terá estado colocado na cidade de Lisboa, provavelmente integrado na GNR.

Faleceu na freguesia do Campo Grande, no dia 2 de fevereiro de 1967. Tinha 73 anos de idade.

Maria Libânia Ferreira

Do livro: Os Combatentes de São Vicente da Beira na Grande Guerra

sábado, 25 de março de 2023

Os Sanvincentinos na Grande Guerra

José Joaquim dos Santos 

José Joaquim dos Santos nasceu no Ninho do Açor, no dia 1 de outubro de 1893. Era o filho mais velho de Joaquim dos Santos e de Rosa Maria. Terá sido nessa localidade que viveu toda a sua infância e juventude.

Assentou praça em 8 de julho de 1913, como recrutado, pertencendo ao contingente de 1913, a cargo do distrito de Castelo Branco. Presente no Regimento de Infantaria 21, foi incorporado no 2.º batalhão em 12 de janeiro de 1914.

Ficou pronto da recruta em 30 de abril 1914 e regressou ao Ninho do Açor.

Tomou parte na Escola de Recruta. Presente em 16 de setembro de 1915, foi licenciado novamente em 2 do mesmo mês.

Em 5 de maio de 1916 voltou a apresentar-se, para marchar a caminho de Tancos, onde recebeu alguma instrução militar antes de partir para França. Embarcou a 21 de janeiro de 1917, integrando a 1.ª Companhia(?) do 2.º Batalhão do Regimento de Infantaria 21. Era o soldado n.º 69, com placa de identidade n.º 9866 do C.E.P.

Terá seguido no primeiro comboio de navios de transporte para França, saído do cais de Alcântara, que terá iniciado a viagem apenas a 23. Todavia, outras fontes indicam que foi somente a 30 de janeiro de 1917 que zarparam do Tejo três vapores britânicos levando a bordo a 1.ª Brigada do CEP, comandada pelo general Gomes da Costa. Estes navios chegaram ao porto de Brest três dias depois. Em 8 de fevereiro chegaram à Flandres francesa e em 4 de abril de 1917 as primeiras tropas portuguesas ficaram entrincheiradas.

No seu boletim individual do CEP constam as seguintes informações:

a)   Punido com 10 guardas, em 16 de fevereiro de 1917, por ter comparecido com meia hora de atraso à chamada para o café e ração fria;

b)   Baixa ao Hospital em 23 de abril; alta a 28 do mesmo mês;

c)    Aumentado ao efetivo do Depósito Disciplinar 1, em 26 de setembro de 1918, onde ficou com o número 616 porque, «encontrando-se com prevenção de marcha para um novo acampamento mais avançado em relação à frente do inimigo insubordinou-se, recusando a desarmar as barracas e a entrar na formatura, ameaçando de matar com granadas de mão e a tiros de metralhadora todo aquele que tal fizesse, como também se recusando a entrar em ordem às intimações que lhe foram feitas pelos seus superiores»;

d)   Diligência do Depósito Disciplinar 1 para o Tribunal de Guerra de Base, em 22 de fevereiro de 1919, ficando à disposição do mesmo tribunal;

e)   Condenado na pena de 7 anos de presídio militar e mais na pena acessória de igual tempo de deportação militar.

f)      Foi repatriado com o Serviço de Adidos, a 5 de junho de 1919. Desembarcou em Lisboa a 9 junho de 1919, e passou ao presídio militar de Santarém, em 25 de julho, a fim de cumprir a pena que lhe foi aplicada. Foi amnistiado pela Lei 1198 de 2 setembro de 1921 e libertado.

Durante o tempo que passou na prisão terá aprendido a ler e escrever, uma vez que na sua folha de matrícula militar consta a informação de que era analfabeto. Terá também aprendido a profissão de alfaiate, embora, de acordo com os registos, demonstrasse pouca aptidão para o ofício.

Licenciado em 11 de janeiro de 1922, voltou para o Ninho do Açôr. Passou ao Regimento de Infantaria de Reserva 21, em 31 de dezembro de 1923, e à reserva ativa, em abril de 1928. Passou às tropas territoriais e ao Distrito de Recrutamento e Reserva 21, em 31 de dezembro de 1934, e ao Distrito de Recrutamento e Mobilização, a 15 em 30/11/1939, nos termos das instruções para a execução do decreto n.º 29957 de 24/10/1939. Teve baixa de todo o serviço militar, em 31/12/1942, por ter terminado a obrigação de serviço.
Condecorações:

·        Medalha militar de cobre comemorativa com a legenda: França 1917 1918" (segundo o neto Hugo Martins, José Joaquim nunca terá visto ou ouvido falar nesta medalha).






Família:

De regresso ao Ninho do Açor, José Joaquim dos Santos casou com Carmina de Jesus Martins, natural do Tripeiro, no dia 19 de fevereiro de 1922. Foi ali que o casal ficou a viver, e lá nasceram os três filhos que tiveram:

1.    António Martins dos Santos, que casou com Maria Joaquina Martins dos Santos e tiveram 2 filhos;

2.    Isabel Martins da Conceição, que casou com Artur Afonso e tiveram 2 filhos;

3.    Aurora de Jesus Martins, que casou com José Joaquim Varanda e tiveram 2 filhos.

Carmina de Jesus veio a falecer com tuberculose pulmonar, no dia 6 de maio de 1939, e José Joaquim dos Santos voltou a casar com Maria Joana Lourenço, em 15 de novembro do mesmo ano. Deste casamento nasceu uma filha: Maria de Deus Faustino, que casou com Adelino de Jesus Faustino e tiveram 4 filhos.

Maria Joana Lourenço faleceu de parto, em outubro de 1940, e José Joaquim continuou a viver no Tripeiro, onde foi sempre muito respeitado por todos.

«Passou a vida a trabalhar no campo e vivia do que a terra lhe dava. Também foi ganhão e quando havia menos trabalho no campo acarretava lenha para os fornos da telha, no Freixial do Campo.

Sempre foi muito temente a Deus e quando falava no tempo em que tinha andado na guerra, não se cansava de dizer que, se estava vivo, o devia à proteção da Nossa Senhora, porque às vezes as balas eram tantas a passar-lhe rentinhas ao capacete que só mesmo um milagre é que o tinha salvado.

E foi mesmo um milagre porque, apesar de tudo o que por lá passou, não trouxe moléstia nenhuma, como tantos outros companheiros que lá andaram com ele, que vieram cheios de doenças, fora os que por lá ficaram.

Nunca recebeu nenhuma pensão pelo tempo que passou na Guerra porque diziam que, como tinha terras, não precisava.» (testemunho da filha Maria de deus)

José Joaquim faleceu no dia 8 de julho de 1970. Tinha 77 anos. Está sepultado no cemitério de São Vicente da Beira.

(Pesquisa feita com a a colaboração da filha Maria de Deus Faustino e do bisneto Hugo A. dos Santos Gomes Martins)

Maria Libânia Ferreira

Do livro: Os Combatentes de São Vicente da Beira na Grande Guerra