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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O nosso património

As comunidades não podem dissociar-se do passado, mas também não podem e não devem parar no tempo. Quero dizer com isto que a vida é como uma moeda, tem duas faces.
O homem maduro, depois de obter a sua reforma. deve aproveitar o tempo que ainda tem de vida para transmitir aos mais novos valores e conhecimentos que foi adquirindo ao longo do tempo. A memória de alguém considerado idoso nunca pode ser igual à memória de uma pessoa jovem. Os neurónios vão-se perdendo, a memorização é diferente, enquanto alguém jovem apreende algo com uma facilidade tremenda, a pessoa idosa muitas vezes vê-se e deseja-se para captar determinadas matérias, nomeadamente disciplinas que requeiram concentração, aprendizagem.
Sendo assim, suponho que cada geração terá muito para oferecer à outra. As gerações mais antigas podem e devem transmitir ensinamentos vividos e experienciados à medida que os anos foram passando. Ensinar aos mais novos saberes que de outra maneira se perderão para sempre, a partir do momento em que se corte o fio ténue que nos une à vida.
Entre a vida e a morte, o espaço que medeia estes dois momentos é tão pequenino, tão curto, basta um esticãozito, o fio parte-se e tudo termina para este mundo.
Sou daqueles que acredita que não morreremos. O corpo, sim; o espírito jamais, pertence ao Criador.
Já estou a entrar por um caminho que não é aquele que quero apanhar hoje; portanto… Adiante.
Idoso ou não; todos temos muito que aprender uns com os outros, mas cada geração tem o seu tempo.
Este pequeno intróito tem a ver com o tema que vou explanar.
Estava eu sentado num dos cais da nossa praça a ouvir o som da aparelhagem cujos altifalantes iam debitando decibéis incomodativos, (música de arreda cão, para mim), quando ao meu lado se sentou uma simpática idosa. Depressa veio à baila o passado.
Tínhamos que falar um tom acima do normal, o barulho ensurdecedor dos altifalantes…
- Olha Zé, uma parte da minha casa ainda está tal e qual como era no tempo do Hipólito Raposo, os sobrados e os tectos em castanho, são daquele tempo…
- Qualquer dia, vou lá, se me deixar, claro.
- Quando quiseres.
José Hipólito Vaz Raposo nasceu no dia 12 de Fevereiro 1885, numa casa situada na rua Velha, nº 47, na vila de São Vicente da Beira; não teve uma vida muito longa pois, no dia 26 Agosto do ano 1953, faleceu em Lisboa; tinha 68 anos.
Era filho de João Hipólito Vaz Raposo e Maria Adelaide Gama. Aos 17 anos entrou para o seminário da Guarda, “influência do seu irmão padre Domingos Vaz Raposo com certeza”.
Na Guarda permaneceu dois anos, 1902/1904; depois entrou no liceu de Castelo Branco e mais tarde partiu para Coimbra, onde se formou em Direito, 1911.
Não me vou alongar mais com a sua biografia, o José Teodoro e outros já a esmiuçaram amiudadamente.
No passado mês de Setembro, desci a rua da Cruz, bati à porta da senhora Maria de Jesus, que amavelmente me convidou a entrar. Ao fundo das escadas encontra-se uma porta que dá acesso a três lojas onde guarda utensílios de lavoura, pipos, tanque para o vinho… Subi, ao cimo das escadas, à esquerda, entro numa sala repleta de recordações da sua família: quadros, fotografias dos antepassados… O que imediatamente me chamou a atenção foi um Menino Jesus de Malines!
A senhora Maria de Jesus falava, explicava e apontava.
- Olha aqui ó Zé, para esta moldura: São José, Menino Jesus e o São Roque; aquele quadro além é a Senhora dos Milagres, tem os milagres em toda a volta”.
- E este Menino Jesus, perguntei.
- Foi-me dado pela minha madrinha e tia Maria de Jesus; era irmã da minha mãe, viveu 40 anos em Lisboa. Olha, tem dá réis e tudo.
A sala está igual ao que era no tempo do senhor João Raposo, o pai de Hipólito Raposo.
- É a sala de jantar, nunca cá comi nenhum jantar ou almoço.
- Quer dizer, que aqui comeu muitas vezes Hipólito Raposo.
- Com certeza.
- Estas portas que dão acesso aos quartos, são as portas originais?
- Isto não tinha portas; as cortinas fui eu que as pus. O sobrado e o tecto são todos de castanho.
Entrei nos quartos.
- Terá sido neste quarto que nasceu Hipólito Raposo, é o maior. - diz a senhora Maria de Jesus.
Fotografei e seguimos.
Antes de sairmos da sala, apontou para as portas de uma janela que dá para a rua.
- Ó Zé, repara nestas portas, ainda entram num buraco que as segura, as da outra janela já são modernas.
Ao entrarmos no corredor disse-me: - Dava acesso à cozinha, a minha tia tapou a porta, antes via-se logo a porta da rua.
- Esta é a cama onde morreu a minha tia Resgate (catequista, zeladora da igreja).
Na parede de outro aposento, um relógio de sala me chamou a atenção: - É muito antigo!
- Se é, se é… já disse ao meu neto para mo por aqui mais baixo para lhe dar corda; tem um defeito, quando começa a dar horas, quando dá uma, temos que contar logo duas, parece que está a tocar ao fogo; bam…bam…
- Daqui para lá era à telha vã, e não era tão larga, tinha uma porta para o quintal que já era velha, foi o meu homem que aumentou isto, não tinha aquele quarto que é o meu. Aqui havia uma porta, repara nos buracos e no rasgo, era para porem a tranca. O meu homem é que a tirou, porque era muito velha, aqui era tudo à telha vã, era aonde a minha avó tinha o tear; era tecedeira, esta sala não era tão larga, era mais estreita. A minha avó chamava-se Josefa.
Entrámos na cozinha, imediatamente a senhora Maria de Jesus apontando para o chão dizendo.
- O lar era aqui no meio, o Zé companhia é que fez além a chaminé, o meu homem alargou para aqui a cozinha. As pedras do lar eram iguais àquelas (ardosias que se encontram na soleira da antiga porta) Olha, aqui está a dita porta que dava acesso ao corredor…
Entrei no seu quarto, um cruxificado e várias imagens em cima da cómoda.
- Uma vez cai agarrei-me à comoda, caíram os santos todos que estão em cima do móvel; este Senhor que está além é muito antigo, ficou-me em cima do colo atravessado, intacto; foi um milagre do Senhor Santo Cristo.
A tarde já ia adiantada, tinha que ir regar as couves. Agradeci à Senhora Maria de Jesus toda a atenção que me dispensou.
Com os seus noventa anos, continua a ter uma memória invejável. Saí mais rico, porque estive no lugar onde nasceu e viveu durante a sua meninice o escritor vicentino doutor José Hipólito Vaz Raposo.

Corredor; ao fundo existiu uma porta que dava acesso à cozinha.
                             

A porta da janela é do tempo do doutor Hipólito Raposo, diz a senhora Maria de Jesus.

        
Um batente entra num buraco na parte superior; estas portas não tinham ferragens.


 Tecto da sala todo em castanho


Cabides


Quarto onde terá nascido Hipólito Raposo.
O sobrado é todo de castanho, diz a senhora Maria de Jesus.

                                                                          
Menino Jesus de Malines 

J.M.S

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Hipólito Raposo 3

Aconselhamos a leitura do trabalho anterior, pois o que se segue vem na sequência daquele.

José Hipólito Vaz Raposo era filho de João Hipólito Vaz Raposo e de Maria Adelaide Gama, um casal de pequenos/médios agricultores, que já formara um filho padre, o Pe. Domingos Raposo, 12 anos mais velho que o José.
Terá sido pelos fracos recursos económicos que o José não frequentou uma escola que o preparasse para o ingresso num curso universitário. Em boa hora, pois os seus mestres particulares tão bem o prepararam que foi o primeiro na candidatura ao Curso Teológico, em 1903, no Seminário da Guarda.
Foram vários e sábios, os seus professores: o irmão Pe. Domingos Raposo, o tio Francisco, professor nos Escalos de Baixo, e um Pad´Zé.
Quem seria este? Não poderia ser o famoso Pad´Zé, de alcunha, grande boémico e militante republicano, natural de Aldeia de Joanes. Não foi este Pad´Zé, pois não chegara a padre e, por esses anos, andaria por Coimbra ou no seu exílio de São Tomé, a amadurecer o Reino para a Revolução Republicana de 1910.
O Pad´Zé referido por Pinharanda Gomes, possivelmente com base em informação da filha de Hipólito Raposo, só poderia ser o Pe. José Antunes David dos Reis, natural do Sobral do Campo e professor do Ensino Primário Complementar, em S. Vicente da Beira, nos últimos anos do século XIX e durante as primeiras décadas do século XX.
Era este padre de grande competência intelectual. Em 1890, integrou o júri dos exames de habilitação para o Magistério Primário Complementar, em Castelo Branco. Considerando que Hipólito Raposo realizou as provas de admissão ao Seminário da Guarda, no ano de 1902, podemos concluir que teve como mestre o Pe. David dos Reis, primeiro na Escola Primária Complementar e depois como professor particular.

Segue-se um trecho do terceiro capítulo da obra “Hipólito Raposo seminarista na Guarda (1902-1904)”, de Pinharanda Gomes:


A contenda com um professor

O caso Hipólito Raposo começou ainda no tempo do bispo D. Tomaz, quando o futuro autor integralista fez o exame de ingresso no Seminário. Ao chegar à Guarda, já o novo bispo, D. Manuel Vieira de Matos, teve de se confrontar com o ambiente gerado em torno de Hipólito Raposo. Nos exames de admissão, em Junho de 1902, o candidato a teólogo tivera uma disputa filológica com um dos professores, disputa essa da qual saíra vencedor, porque o professor se mostrara incapaz de redarguir. O episódio criou desde logo, em torno de Hipólito, uma aura em que despeito, admiração e temor se aliaram. Os alunos não admiravam tanto o saber do candidato como estavam perplexos face à coragem que ele mostrara em desafiar o respeito da disciplina, contestando, contra todas as normas e contra os hábitos comuns, a autoridade do professor.
Felizmente, Nuno de Montemór deixou-nos um testemunho deste episódio e das respectivas sequelas. (…)
«Quando Hipólito Raposo entrou no Seminário da Guarda a frequentar Teologia, estava eu no último ano do curso, mas conhecia-o já de há mais tempo por um facto de sensação.
Vira-lhe um dia o busto agigantado emergir da chusma negra de estudantes alvoroçados que a distância o rodeavam mudamente. Por todo o claustro, dezenas de mãos apontavam-no espavoridas, algumas lívidas de comoção, outras retraídas de inveja mal velada.
“Foi aquele! … Aquele alto! …”
E os dedos assestavam-se sobre ele, transidos de mistério.
Ao debandar das batinas, que foram reboar o eco do escândalo pelo silêncio dos corredores, avizinhei-me da sua figura tranquila, quase regozijada.
O caso fora realmente pavoroso, estupendo: o rapaz, sem ser chamado, levantara-se, pedindo licença, a impugnar uma afirmação do professor, e tão vitoriosamente erguera a discordância, que o mestre ficara vencido, de cabeça pendente na aresta da cátedra, como uma planta murcha torcida no bordo de um jarro exótico, sagrado …
Tinha ele então dezoito anos.
Ao voltar em Outubro seguinte ninguém esquecera o atentado irreverente.»
Prossegue Nuno de Montemór:
«Nos corredores discutia-se-lhe a idade, contavam-se-lhe as distinções, espiava-se-lhe o estudo, indagava-se-lhe da riqueza, e como transpirassem as suas tendências linguísticas, visto ele ter sido aluno externo, perguntava-se quem fora o seu mestre de latim… E assim se tornou uma figura discutida, agravando diariamente, por novas palavras, a nota de rebeldia.»
Tudo isto se passou em Junho (contestação de um professor em matéria filológica) e em Outubro de 1902 (o episódio narrado por Nuno de Montemór, em que Hipólito se tornou o alvo de todas as atenções). À primeira vista, e para os efeitos da tranquilidade disciplinar, esta situação não era benéfica para Hipólito. Ele fora causa de múltiplas ninharias, que, no contexto disciplinar, eram assumidas como factores de gravidade: professor desautorizado, sentido de necessária solidariedade do corpo docente, aluno tornado centro motivador dos condiscípulos, sujeito a risco de orgulho e vaidade; enfim, aluno fomentador de um clima de curiosidade e, sem querer, de intriga. (…)
Os três primeiros meses do ano lectivo de 1902-1903 foram, assim, de alguma perplexidade na comunidade seminarística. O mais certo era, havendo pretexto, Hipólito Raposo ser convidado a sair.
(...)




Hipólito Raposo concluiu o primeiro ano, em Junho de 1903, com distinção. Os seus mestres particulares haviam-no preparado bem, intelectualmente, mas não lhe tinham moldado o carácter, demasiado livre para se integrar numa instituição religiosa, naquela época.
Regressou a S. Vicente da Beira, tranquilo, mas dias depois o Padre Santiago(João Fernandes Santiago), pároco da vila, recebeu uma carta do bispo da Guarda, em que lhe era comunicado que Hipólito Raposo não seria readmitido no Seminário. O motivo era a falta de vocação. Mas havia que denegrir tão distinto aluno e, para isso, o Pe. Santiago fez constar, meses depois, que o bispo tinha um maço de cartas que Hipólito Raposo escrevera a uma senhora.
Hipólito Raposo indignou-se, contestou a expulsão e os motivos invocados, em várias cartas endereçadas ao bispo e aos seus ex-colegas seminaristas, publicadas, pelo autor, em “Folhas do meu cadastro”. Ninguém apresentou provas da existência das pretensas cartas que Hipólito Raposo endereçara a uma senhora.
Depois esteve no Real Colégio das Missões, em Cernache do Bonjardim, como aluno não matriculado, levado pela mão do Pe. António José Boavida, natural de Alpedrinha. Ingressou, de seguida, no Liceu de Castelo Branco, onde, em 1905, frequentava a quinta classe. Depois rumou para a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Hipólito Raposo 1


José Hipólito Vaz Raposo (São Vicente da Beira, 13 de Fevereiro de 1885 — Lisboa, 26 de Agosto de 1953), mais conhecido por Hipólito Raposo, foi um advogado, escritor, historiador e político monárquico, que se notabilizou como um dos mais destacados dirigentes do Integralismo Lusitano.

Nascido na antiga vila de São Vicente da Beira, em plena Serra da Gardunha, filho de João Hipólito Vaz Raposo e de Maria Adelaide Gama, deixou a sua terra natal em 1902 e foi estudar para o Seminário da Guarda, sendo expulso, em 1904. Matriculou-se, então, no Liceu de Castelo Branco, onde concluiu o ensino secundário. Frequentou depois o curso de Direito, na Universidade de Coimbra, que concluiu, no ano de 1911, com a média de 15 valores.

Com interesse na escrita, colaborou com os semanários da província, nos anos em que frequentou o Liceu de Castelo Branco. Quando estudante em Coimbra, contribuiu com crónicas semanais para o Diário de Notícias. Ainda estudante, publicou os volumes Coimbra Doutora (1910) e Boa Gente (1911), colectâneas de contos da Beira Baixa.
Terminado o curso, enveredou pelo ensino, iniciando, em 1912, o seu percurso profissional como professor no Conservatório Nacional de Lisboa e no Liceu Passos Manuel, também de Lisboa, cidade onde se fixou.

Em 1914, foi um dos fundadores do movimento político-cultural auto-intitulado Integralismo Lusitano, em colaboração com António Sardinha, Luís de Almeida Braga, José Pequito Rebelo e Alberto de Monsaraz, um grupo de monárquicos que incluía alguns antigos colegas do curso de Direito da Universidade de Coimbra. No ano seguinte, fundou a revista Nação Portuguesa, órgão do Integralismo Lusitano, um movimento conservador, católico e monárquico que se opôs ao regime da Primeira República e depois à ditadura de Salazar.


Os dirigentes do movimento Integralismo Lusitano. Hipólito Raposo é o segundo a contar da esquerda, em pé.

Dirigiu o periódico A Monarquia, à frente do qual teve um papel relevante na revolta monárquica de Monsanto, ocorrida em 1919. Em consequência, foi preso e demitido de todos os cargos públicos que ocupava e julgado e condenado no Tribunal Militar de Santa Clara, em 1920, a uma pena de prisão no Forte de São Julião da Barra. A demissão valeu-lhe a perda dos cargos de chefe de repartição e de professor da Escola de Arte de Representar de Lisboa que então exercia. Cumprida a pena de prisão, foi exilado para Angola (1922-1923), onde exerceu advocacia.

De regresso a Portugal, continuou a exercer a profissão de advogado e afirmou-se como líder destacado e ideólogo do Integralismo Lusitano, publicando, em 1925, o ensaio Dois nacionalismos.

No ano de 1924, casou, em Lisboa, com Valentina Pequito Rebelo, irmã de José Pequito Rebelo, outro líder do Integralismo Lusitano. Do seu casamento teve: João Hipólito, António Hipólito, Teresa Maria, Isabel Maria, Francisco Hipólito e José Hipólito.
Em 1926, foi reintegrado no cargo de professor do Conservatório Nacional de Lisboa.

Durante os governos da Ditadura Militar (1926-33), destacou-se como um dos principais ideólogos do Integralismo Lusitano, com particular destaque para a conferência que intitulou A Reconquista das Liberdades, pronunciada em Lisboa, no ano de 1930, e editada sob a forma de opúsculo, onde sintetizou o programa político do integralismo, desfazendo a miragem do messianismo salazarista que então emergia.

Coerente com a sua oposição ao salazarismo, em 1930, recusou colaborar com a União Nacional, defendendo que essa devia ser a posição dos monárquicos, e opôs-se à institucionalização do regime do Estado Novo. Em 1940, publicou a obra Amar e Servir, na qual denuncia, de forma virulenta, a Salazarquia, um duro ataque a António de Oliveira Salazar que lhe valeu ser de novo demitido de todos os cargos públicos que ocupava e a imediata deportação para os Açores. Foi novamente reintegrado, em 1951.

Em 1950, foi um dos subscritores do manifesto Portugal restaurado pela Monarquia, uma tentativa de reactualização doutrinária do movimento integralista. No mesmo ano, publicou Oferenda, em que incluiu dois capítulos sobre a sua terra natal: “Um beirão restaurador” e “Lisboa Pequena”.
Hipólito Raposo faleceu, no ano de 1953.

Obras publicadas
Da sua obra temática diversificada, com predominância para os assuntos regionais e para a política, destacam-se as seguintes publicações:
Coimbra Doutora, 1910;
Boa Gente, 1911;
Sentido do Humanismo, 1914;
Caras e Corações, 1921;
Dois nacionalismos, 1925;
A Beira Baixa ao Serviço da Nação, 1935;
Aula Régia, 1936;
Pátria Morena, 1937;
Direito e Doutores na Sucessão Filipina, 1938;
Mulheres na Conquista e Navegação, 1938;
Amar e Servir, 1940;
D. Luísa de Gusmão – Duquesa e Rainha, 1947;
Oferenda, 1950;
Folhas do Meu Cadastro, 1911, 1925, 1926, 1940, 1952, 1986.




Nota: Texto elaborado com base na Wikipédia.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Genealogia dos Hipólito 3

Concluímos, hoje, a apresentação da genealogia dos Hipólito, com o ramo familiar do conhecido Hipólito Raposo.


6B. José Hipólito de Jesus era filho de José Hipólito de Jesus e Ana Joaquina de Oliveira, o casal número 5 do tronco comum, publicado anteontem. Casou, no dia 16 de Novembro de 1840, com Ana Raposa, filha de Francisco Vaz Raposo (filho de João Vaz Raposo e Inês Maria) e de Maria Candeias (filha de Manuel Rodrigues Marques e Ana dos Santos Candeias), todos de S. Vicente da Beira. Esta Ana dos Santos Candeias morava na Rua Manuel Lopes, em 1812, já enviuvara e o seu filho Manuel Marques era soldado do Exército Português.

7B. José Hipólito de Jesus e Ana Raposa tiveram uma filha, Augusta Hipólito de Jesus, que casou, no dia 26 de Outubro de 1864, com Joaquim Cardoso, filho de Francisco Cardoso, natural de Castendo (bispado de Viseu), e de Ana Emília de S. Vicente da Beira.

8B. Tiveram também um filho, Joaquim Hipólito, que, com a profissão de jornaleiro e a idade de 24 anos, casou, a 31 de Janeiro de 1878, com Maria Patrocínio, filha de Agostinho Ricardo e de Maria do Patrocínio, todos de S. Vicente da Beira.

9B. E ainda João Hipólito Vaz Raposo, nascido em 1846. Era jornaleiro, de 26 anos, quando casou, no dia 16 de Outubro de 1872, com Maria Adelaide Gama, filha de João Martins Gama, cultivador, natural de Janeiro de Cima, e de Joana Rita da Conceição, de S. Vicente da Beira.
Este casal número 9B teve um filho, chamado José Hipólito Vaz Raposo (1885-1953), o famoso Hipólito Raposo.

10B. José Hipólito Vaz Raposo casou com Valentina de Andrade Pequito Rebelo. O casal teve 6 filhos, dois com o apelido Hipólito e cinco com Vaz Raposo. (Ver: http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=50126)


José Hipólito Vaz Raposo em fotografia dos tempos de estudante, em Coimbra.


Local da casa, ao fundo da Rua Nicolau Veloso, onde viveram os pais de Hipólito Raposo, antes de construírem o solar junto à Fonte Velha, segundo informação do João Paulino do GEGA. Talvez não seja por acaso que esta casa pertence a uma família Candeias, quase de certeza também descendente dos pais de Ana Raposa (Candeias), a avó de Hipólito Raposo.


Solar da família de Hipólito Raposo, a 1.ª à esquerda de quem sobe a Rua da Costa. Este Hipólito Vaz Raposo era bisneto de João Vaz Raposo, possivelmente descendente dos Vaz Raposo do século XVIII, gente da governança do concelho.


Lápide descerrada nesta casa onde viveu Hipólito Raposo.

sábado, 28 de novembro de 2009

1 de Dezembro de 1640


Em 2004, aquando das Comemorações dos 450 Anos da Morte do Padre Leonardo Nunes, o Tenente Coronel Pires Nunes mostrou o seu espanto por haver, em S. Vicente da Beira, tantos homens que se foram da lei da morte libertando, como escreveu Luís de Camões, referindo-se aos que, por acções gloriosas, não caíram no esquecimento dos homens.
Isto a propósito do P.e Leonardo Nunes, de D. Fernando Rodrigues de Sequeira e de António de Azevedo Pimentel. Seria da água!

António de Azevedo Pimentel ficou na história desta região como o 1.º a aclamar D. João IV como rei de Portugal, em S. Vicente da Beira e em Castelo Branco.
Na vila de S. Vicente, onde era capitão-mor, o mais importante cargo militar do concelho, levantou bandeira por Portugal e D. João IV. O mesmo fez depois em Castelo Branco, levando esta vila acastelada a romper com o domínio espanhol e a aclamar D. João IV.


E tinha muito a perder.
A fronteira espanhola fica perto e os espanhóis não tardariam a invadir Portugal.
Por outro lado, possuía uma grande propriedade, na vila de São Felices dos Galegos, Espanha, administrada pelo seu cunhado, o qual acabou por ter de a abandonar, não sem antes distribuir, pelas populações da fronteira portuguesa de Almeida, os géneros alimentícios que lá tinha armazenados.
Esta propriedade era um morgado de bens de raiz, no valor de mais de 20 mil cruzados.
Temos notícia destas ocorrências por um processo da Mesa do Desembargo do Paço, de 24 de Julho de 1641.
Nele, António de Azevedo Pimentel suplicava que lhe fosse dado um morgado na cidade da Guarda, propriedade de um castelhano de Cidade Rodrigo. A posse desta propriedade compensaria a perda do morgado de São Felices, permitindo-lhe levar uma vida digna e cumprir as suas obrigações.
Também se oferecia, com dois sobrinhos e cunhados, um letrado e outro mudo, de idade entre 25 e 30 anos, para com eles servir na guerra contra Espanha.
Desconhecemos a decisão final de Sua Majestade, mas é de supor que tenha sido favorável, pois a opinião da Mesa do Desembargo do Paço foi nesse sentido.
Há que recordar que António de Azevedo Pimental era fidalgo da Casa Real e como tal estava proibido de trabalhar, mesmo de exercer o cargo de tabelião, em Castelo Branco, ofício herdado por sua esposa, de seu pai.
E que, na época, os cargos políticos e militares que os nobres exerciam, como o de capitão-mor de São Vicente da Beira, raramente eram pagos em dinheiro, mas em doações, como esta que António de Azevedo Pimentel requeria ao rei.


Foi Hipólito Raposo quem nos deu a conhecer este naco da nossa história, no artigo “Um Beirão Restaurador” da sua “Oferenda”. E terminou, orgulhoso:
«Por agora, resta-me saudar e louvar a memória de António de Azevedo Pimentel, bom português e vassalo fiel, capitão-mór da minha vila natal, muito provàvelmente comandante militar de avoengos meus, soldados nas primeiras refregas com tropas castelhanas na fronteira beiroa, a lutar pela restauração de Portugal.»