José Teodoro Prata
Enxidros era a antiga designação do espaço baldio da encosta da Gardunha acima da vila de São Vicente da Beira. A viver aqui ou lá longe, todos continuamos presos a este chão pelo cordão umbilical. Dos Enxidros é um espaço de divulgação das coisas da nossa freguesia. Visitem-nos e enviem a vossa colaboração para teodoroprata@gmail.com
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
domingo, 11 de dezembro de 2016
A azeitona já está preta
Estamos
em plena época da colheita da azeitona, fruto de inverno; muitos olivais este
ano não produziram, nota-se no lagar; a que vingou é de
muito boa qualidade.
Dizem
os entendidos na matéria; devido às altas temperaturas do verão a mosca da
azeitona não a estragou.
Começava
a colher-se a partir dos meados de Dezembro, Janeiro, Fevereiro…
As
mudanças climáticas, “uma realidade nos dias que correm” alteraram
completamente a recolha.
Amadurece
mais cedo. Se não se colhe a tempo, mirra, seca e cai.
Alguém
mais madrugador dirigia-se à praça e tocava uma corneta que anunciava a partida
para os olivais.
Os
campos eram alegres, camaradas de azeitoneiros “armados” com uma escada ripavam
e cantavam.
A azeitona já está preta
Ai solidó, solidó
Já se pode armar aos tordos
Ai; ai,ai, ai, ai
As
mulheres estendiam mantas, apanhavam o fruto que estava por baixo das oliveiras,
rebuscavam e limpavam-na.
De
vez em quando, colhedores entravam em confronto verbal com as camaradas
vizinhas:
Ó Jaquiiim! No sejas lambão
Colhe azeitona, no sejas calão
Por
sua vez, o visado retorquia gritando:
Calão és tu, no podes com a escada
Tens a mania, no vales nada
É verdade, é verdade; respondiam todos, rindo
Passavam
horas chacoteando-se.
As
cachopas regra geral tinham sempre uns raminhos de oliveira enfeitados com
alecrim…
Quando
algum viandante passava no caminho, a rapariga mais atrevidota, ramo na mão,
dizia:
Aceitai este raminho
Senhor António da Tapada
Sei que é pobrezinho
Sempre é melhor que nada
Continuava
dizendo mais um verso ou dois, o contemplado metia a mão na algibeira,
gratificava com algum dinheiro. Conforme a bolsa assim era a quantia dada.
Árvores
milenares, milhares arrancadas para serem substituídas por olivais de regadio.
Carrasquenhas,
cordovis, galegas… foram transportadas para longes lugares onde ornamentam jardins.
Levam
a oliveira centenária, deixam a oliveira com duração limitada.
Mediterrânica,
é um óleo natural muito apreciado e saudável, tem as mais diversas aplicações.
Era
o nosso petróleo. Com a industrialização e a descoberta de jazidas de crude
passou para um plano secundário, já não é utilizado na iluminação, mas continua
a consumir-se na alimentação.
As
tabornas (tibornas); simples, tão boas!
Gostava
de acompanhar o meu avô José ao lagar do Major, quando ia medir o azeite.
Levava uma fatia de pão, torrava-se no brasido da fornalha e o mestre lagareiro
tirava da tarefa um pouco de azeite acabado de fazer, quentinho, temperava-a, era
um petisco de qualidade. Por vezes havia umas postas de bacalhau a assar nas
brasas, um pitéu.
No
lagar existia um local que se chamava inferno! Metia-me cá uma confusão…
Era
o lugar onde iam parar as águas russas misturadas com algum azeite que os
lagareiros aproveitavam.
O
azeite, noite e dia alimentava a lâmpada sagrada do sacrário, ainda é utilizado
nos sacramentos do baptismo e da confirmação.
Oliveira,
árvore milenar, juntamente com a pomba, simboliza a paz e a esperança.
O
primeiro objecto que a pomba levou a Noé foi um raminho de oliveira. Estime-se
e preserve-se
No
dia 26 de Novembro, faleceu o grande compositor senhor Arlindo de Carvalho, que
tão bem cantou a nossa região. Natural da vila da Soalheira, onde ficou
sepultado. Autor e intérprete:- Chapéu Preto, Fadinho Serrano, Castelo Branco...
A azeitona já está preta
Já se pode armar aos tordos
Diz-me lá ó cara linda
Como vamos de amores novos
J.M.S
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Eleições na Misericórdia
No passado domingo, dia 4 de dezembro,
realizaram-se as eleições dos órgãos sociais da Santa Cada da Misericórdia de São Vicente da Beira,
para o quadriénio 2017-2020.
Candidatou-se uma única lista.
Os eleitos são:
Assembleia Geral
Dr. João Guilherme Macedo
Dória, Presidente
Anabela da Conceição Pedro
Matias, Vice-Presidente
Maria Lucília da Conceição
Rodrigues, Secretária
Mesa Administrativa
Efetivos:
João Benevides Prata, Provedor
João Maria dos Santos
Maria Libânia S. M. Ferreira
Maria da Luz Prata Teodoro
Pe. José Manuel Dias
Figueiredo
Suplentes:
João Fernandes
Domingos dos Santos O. Goulão
Luís Fernandes Moreira
Conselho Fiscal
Efetivos:
Francisco Eduardo C. Martins, Presidente
Pedro Manuel Vaz Gama, Vice-Presidente
Manuel Bernardino Baptista, Secretário
Suplentes:
Lilia Maria Moreira Mateus
António Rodrigues Inês
Sebastião Barroso Mendes
José Teodoro Prata
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domingo, 4 de dezembro de 2016
As profecias do Pescão Seco
Chamava-se António Fernandes e nasceu
no lugar de Pescanseco, Pampilhosa. Sabe-se lá porquê, veio ainda novo para São
Vicente e por cá se casou com Maria de São João, no ano de 1884. Tinha vinte e
oito anos e era soldado na reserva. Por causa da terra onde nasceu, começaram a
chamara-lhe Pescão Seco.
Conta o Chico Insa que ouvia dizer ao
avô e ao pai que era um homem muito instruído, que sabia ler e escrever muito
bem e falava de coisas que davam que pensar. Havia uma que dizia mais ou menos
assim: «Hão de vir tempos em que os caminhos estarão pintados de preto e no ar hão
de voar coisas que deixam riscos no céu. Quando isso acontecer, virão
cataclismos tão grandes que será o fim do mundo».
Naquele tempo, já lá vão cento e
muitos anos, mal se imaginavam as voltas que o mundo havia de dar e as
transformações no modo de vida das pessoas: carroças e carros de bois
substituídos por automóveis e aviões; gente a viver em gaiolas (parece que em
muitas cidades do Oriente é quase literal) e a alimentar-se com comida que
cresce à custa de fertilizantes, hormonas e pesticidas; mezinhas substituídas
por antibióticos que já se deixam enganar pelas bactérias; armas capazes de
arrasar cidades inteiras; e tantas outras coisas que, a pouco e pouco, estão a
tornar cada vez mais frágil a qualidade de vida das pessoas e do ambiente.
Ainda assim, ainda não há muito tempo,
os mais desatentos dizíamos que os avisos sobre as ameaças da vida na Terra
tinham origem em teorias alarmistas e pouco fundamentadas e continuávamos a
olhar para o lado como se não tivéssemos nada a ver com o assunto e estas
questões não tivessem a ver com cada um de nós.
Agora os cientistas já dizem que chegámos
a um tempo em que, se não se tomarem medidas extremas dentro de um período
muito curto de tempo, chegaremos a uma situação em que não haverá retorno em
termos da sustentabilidade do Planeta.
Conscientes desta realidade têm-se
conseguido compromissos por parte de um grande número de países, para a
implementação de medidas que evitem males maiores, nomeadamente pela redução de
gases poluentes. Mas logo agora que se estavam a dar passos importantes nestas
questões, os americanos voltam a surpreender-nos com a escolha que fizeram para
seu presidente: um homem que tem revelado uma atitude de negação e desprezo por
grande parte das conquistas civilizacionais que fomos alcançando, incluindo a
consciência ecológica e a preocupação pelas questões ambientais.
Se tivermos em conta a origem das
primeiras felicitações que lhe chegaram do estrangeiro (Marine le Pen, Putin,
Erdogan…), se calhar temos razões sérias para estarmos apreensivos quanto ao
futuro; se não do nosso, pelo menos do dos nossos filhos.
Oxalá não se cumpra cedo demais a
profecia do Pescão Seco!
Notas:
António Fernandes e
Maria de São João moraram na Vila e aí lhes nasceram os dois primeiros filhos
que morreram anjinhos. Viveram depois no Casal da Fraga, numa casa que seria
mais ou menos no local onde eu moro agora e onde terão tido uma filha que se
chamava Bernardina; mudaram-se a seguir para a Senhora da Orada, mais
precisamente para o Vale Caria, onde lhes nasceu pelo menos mais um filho, Anselmo,
que andou na Grande Guerra, mas que também deve ter morrido ainda novo.
A casa do Vale Caria, onde
viveram, era muito humilde, e dela já só existem vestígios das paredes traseira
e laterais e o sítio onde acendiam o lume.
Apesar de ser um homem
com uma instrução acima da média para aqueles tempos, António Fernandes terá
sido toda a vida jornaleiro. Dos poucos descendentes que teve, ainda vivem alguns
no Casal da Serra. Continuam a ser conhecidos pelo nome de Pescão.
M.
L. Ferreira
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Fontes: convento franciscano
A 7 de novembro de 1714, casou, em São Vicente, Joaõ Martins Mouzinho, natural de Estremoz,
Tenente de Cavalos da Companhia do Capitão Antonio Velho de Britto, do partido da Beira Baixa.
A noiva foi Barbara Maria de Oliveyra da Cunha e Sylva, filha do Capitão Manoel de Oliveyra e Cunha e de sua mulher Maria Figueyra de Castellobranco, de Aldeia Nova do Cabo.
Dirão que casamentos há muitos e é verdade.
Só que esta noiva era recolhida «...no convento das religiosas desta vila...»
E esta? Os pais depositaram (não se choquem com o verbo, era mesmo assim) aqui a sua filha, mas depois arranjaram-lhe um bom partido e pediram autorização ao Reverendo Doutor Provisor deste bispado, que deu ordem ao vigário para que ela saísse do convento.
Tomara eu que a coisa fosse assim tão clara, mas de facto o pormenor que apresento mostra um conjunto de frases não totalmente claras de significado, na parte final.
Este Antonio Velho de Britto era o marido de Dona Ursulla Roballa,
natural das Sarzedas, que em São Vicente deu nome a uma rua e a uma tapada.
José Teodoro Prata
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Fontes: Casal Duarte da Fraga
Já aqui me referi à origem do topónimo Casal da Fraga:
durante muitos anos, apenas lá viveu uma família com o apelido Fraga.
E fraga tanto pode ser uma rocha como uma forja (neste caso, inclino-me para este segundo significado).
No dia 20 de agosto de 1714, casou a Luzia Gonçalves, filha de Duarte da Fraga e de Maria Rodrigues.
Mas os pais dela já haviam falecido. Na época, a vida era tão precária que eram poucos os jovens que tinham um dos pais vivo na altura do seu casamento.
Segue-se o registo de casamento da Luzia e por baixo em pormenor, para lerem melhor.
A 6 de novembro de 1715, casou um viúvo que vivia no casal Duarte da Fraga.
Talvez ali trabalhasse como ganhão ou pastor do herdeiro de Duarte da Fraga (sei que tinham gado).
Apesar de já falecido, o Duarte da Fraga deu o nome ao seu casal. Depois ficou só Fraga.
O registo deste segundo casamento apresenta-se em baixo, também com pormenor.
Estes Fraga deram origem aos Jerónimo,
pelo casamento do filho de Duarte Fraga (Jerónimo Duarte) com a filha dos rendeiros do Casal do Pisco.
José Teodoro Prata
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