José Teodoro Prata
Enxidros era a antiga designação do espaço baldio da encosta da Gardunha acima da vila de São Vicente da Beira. A viver aqui ou lá longe, todos continuamos presos a este chão pelo cordão umbilical. Dos Enxidros é um espaço de divulgação das coisas da nossa freguesia. Visitem-nos e enviem a vossa colaboração para teodoroprata@gmail.com
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Vidas do avesso
Não se sabe ao certo de onde é que era,
mas pode bem ter nascido nas encostas da Gardunha, talvez perto da Senhora da
Orada. Os pais, pobres e cheios de filhos, mourejavam de sol a sol em searas
alheias, que de si não tinham nada.
Ele também começou cedo. Primeiro a
guardar cabras, ainda ganapo; depois, já cachopo, ninguém lhe ganhava a cavar
ou a ceifar, e não faltava quem o quisesse à jorna, sempre que era preciso.
E assim se foi fazendo homem, grande,
bem parecido e com a força de um touro. Se calhar por isso não lhe foi difícil
encontrar mulher para casar: uma bonita cachopa, trabalhadora que até dava
gosto; e não tardou um ano, nasceu-lhes o primeiro filho. Um belo menino, rosadinho,
que se via medrar de dia para dia.
Foi nessa altura que soube que andavam
a fazer uma grande barragem lá pela parte de cima do Casal da Serra e foi-se lá
oferecer. Era trabalho ruim, mas certo por alguns anos. Mal encararam com ele,
um homenzarrão daqueles, puseram-no a cortar pedra.
Foram bons, aqueles primeiros anos de
casado: trabalhinho certo; o comer sempre a tempo e horas; a mulher amorosa e
um verdadeiro braço de trabalho em casa e na horta; o filho a saltar que nem os
cabritos.
Mas, lá diziam os antigos: «Não há bem
que sempre dure…» e um dia vem de lá o diabo duma pedra direitinha a ele, que o
ia esmagando. Não o matou, mas levou-lhe dois dedos e a força toda da mão
direita. Teve que abalar, que sem força nas mãos, disse o capataz, não prestava
para aquele serviço. E fez-se de novo pastor, que para guardar gado até os
havia sem braços.
Sentiu a falta da companhia dos outros
homens, que a dos bichos não é a mesma coisa, mas, às duas por três, até já
estava avezado e um dia deu consigo a falar com as cabras como se fossem gente.
Mas eram danadas, aquelas almas do
diabo; sempre à espreita duma distração para se meterem pelo renovo adentro e
darem cabo dele enquanto o diabo esfrega um olho. Um dia foi de tal modo a
estragação que fizeram na seara dum ricalhaço que este não esteve com meias
medidas: nada menos que 400$00 escudos pelos prejuízos. E se fossem para
tribunal, que nem quisesse saber por quanto lhe ficava.
Como não tinha meios para pagar tal
fortuna, foi adiando, até ao dia em que viu aparecer-lhe a Guarda à porta. Saltou
pela postigo das traseiras e ninguém tornou a pôr-lhe a vista em cima, lá na
terra.
Vivia escondido nas partes mais altas
da Serra e só se abeirava duma casa ou dum palheiro quando tinha muita fome ou muito
frio. De vez em quando, pela calada da noite, ia até casa para matar saudades
da mulher e do filho que já estava a ficar um homenzinho. Olhava para ele, a
dormir, e só pedia a Deus que o guardasse, melhor do que tinha feito com ele.
Uma vez, numa noite de invernia, esfomeado
e a escorrer, passou perto duma casa por cima de São Vicente. Sabia ser de um
amigo que tinha arranjado havia muitos anos, uma vez que tinham ido juntos ao
quinto lá para os lados do Alentejo. Voltaram depois a encontrar-se nas obras
da barragem e eram quase como irmãos. De certeza que repartiria com ele alguma
coisa de comer.
Bateu à porta e perguntou pelo amigo,
mas a mulher disse-lhe que não estava, mas não tardaria a chegar. Deu-lhe uma
malga de caldo bem quente e secou-lhe a roupa ao lume. Assim, aconchegado,
aprontava-se para abalar, quando entra por ali adentro uma chusma enfurecida
que lhe amarra os braços e o arrasta para a cadeia, na Praça da Vila.
A meio da noite arranja maneira de
fugir, aproveitando-se da bebedeira dos guardas. Mas não vai muito longe,
porque foi apanhado ainda mal se tinha refeito do susto. Levam-no para Castelo
Branco e ele torna a escapar. Pelo caminho dizem que matou gente e levam-no
para uma enxovia perto de Lisboa, com água pelos joelhos.
Passaram-se alguns anos e um dia, já
doente e sem esperança, quis cumprir o desejo de tornar a ver o sol e conhecer o
mar. Agarrou nas últimas forças e «…conseguiu
partir os grilhões e fugiu a nado. Chegou ao paredão e subiu-o de arrastos,
tolhido das pernas. O sol quente, uma coisa tão boa! Passou o barco patrulha e
soou um tiro. O corpo rebolou e voltou à água.»
Nota: A parte do último parágrafo, em
itálico, foi retirada da história “O Pistotira” escrita pelo José Teodoro e que
faz parte do livro “DOS ENXIDROS AOS CASAIS…”.
M.
L. Ferreira
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Colégio de São Fiel
Este cartaz foi digitalizado de fotocópia de um cartaz em PDF, por isso não se percebe o título, na imagem,
mas lê-se no texto, em itálico.
A associação HiscultEduca é orientada pelo nosso conterrâneo Ernesto Candeias Martins,
professor da ESE de Castelo Branco.
O livro contém estudos apresentados em dois colóquios sobre o Colégio de São Fiel,
promovidos pela HistcultEduca.
José Teodoro Prata
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sábado, 17 de dezembro de 2016
O Pe. Tomás
No dia 11 de Novembro
de 1888, nascia na vila de São Vicente da Beira um menino, Tomás da Conceição
Ramalho. Filho de Antónia do Carmo Ramalho casada com o senhor João José
Ramalho.
Depois de passar a
sua meninice calcorreando as ruas da vila, ingressou nos seminários diocesanos.
No dia 21 de Janeiro de 1913, foi ordenado sacerdote na vila de Fornos de
Algodres. Celebra a primeira missa na sua vila natal, no dia 7 de Setembro do
mesmo ano
O padre Tomás
ingressou no seminário do Fundão, onde foi professor. Virgílio Ferreira recorda-o
no seu livro Manhã Submersa.
Prefeito no seminário
do Fundão, era um sacerdote muito activo. O realizador Lauro António adaptou a
obra do escritor Virgílio Ferreira para o cinema. O padre Tomaz, representado
pelo actor Canto e Castro, a certa altura aparece montado num cavalo dando
ordens, era um verdadeiro líder.
Foi dos principais
impulsionadores para que admitissem Joaquim Alves Brás no seminário. Certa vez,
a convite do seu colega António Alves Pacheco, irmão de Joaquim, foi passar uns
dias a Casegas. Joaquim Alves Brás teria os seus dezoito anos, dedicava-se à
agricultura ajudando a família, ao domingo todos assistiam à santa missa.
Um dia, ainda jovem,
andava no campo ajudando o pai, foi acometido de uma dor lancinante na perna
direita, nunca mais se recompôs, por esse motivo ficou coxo. Ele dizia ao irmão
que queria ser padre, mas este não aceitava.
O padre Tomás, conversando com o Joaquim, viu
que possuía qualidades, foi ter com o colega dizendo:
- Qual o motivo de o teu
irmão não poder ser padre!? Porque é coxo! Isso não é impedimento.
O padre Tomás
insistiu até que obteve a anuência do colega.
Monsenhor Alves Brás
foi o fundador das Casas de Santa Zita, cujo seu lema era “ajudar as criadas de
servir”. A organização está espalhada por todo o Portugal e estrangeiro.
O padre Tomás paroquiou
a sua paróquia Natal durante mais de quarenta anos. Nesses tempos os caminhos
eram autênticas picadas, percorria a freguesia de lés-a-lés montado na sua
égua, chovesse, nevasse, fizesse frio ou calor.
A missa do dia
raramente se iniciava a horas. Os fiéis, paciência de Job, aguentavam
estoicamente que chegasse o senhor vigário. Quando chegava à praça, entregava o
cavalo ao Zé Maiaca que o levava para
a loja.
João José Ramalho e Antónia do Carmo Ramalho
tiveram quinze filhos, sete faleceram prematuramente, quatro foram consagrados.
·
D.
João de Deus Ramalho, jesuíta.
·
Inácio
Ramalho, jesuíta.
·
Maria
de Jesus Ramalho, freira; estudou no colégio das irmãs Doroteias na cidade de
Tuy, Galiza; entrando para o noviciado no dia 8 de Janeiro de 1919; professora
de língua portuguesa, madre superiora no colégio da Imaculada Conceição, Viseu;
nasceu no dia 25 de Outubro do ano 1896 e faleceu no dia 12 de Agosto de 1988.
Pesquisa: O padre Joaquim Alves Brás; Uma vida Uma
obra, de Manuel Almeida Trindade
J.M.S
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Fontes: Enguernal
Há anos, o José Martins protestou por eu escrever Engarnal (ele queria Ingarnal).
Mas era como eu encontrava escrito na documentação dos séculos XVIII e XIX.
Agora encontrei Enguernal, num registo de 4 de junho de 1730.
Terá sido erro do Vigário ou era a forma antiga de dizer?
O tempo o dirá.
Segue-se o registo e o pormenor onde se encontra a palavra (à direita, a meio).
O documento também traz a forma antiga do nome Sobral: Soveral
José Teodoro Prata
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Reflorestar a Gardunha
No dia 8 de dezembro, na parte da manhã, alguns elementos da EBI de São Vicente da Beira (alunos, professores, encarregados de educação e Diretora do Agrupamento) participaram na plantação de castanheiros e carvalhos, na serra da Gardunha, atividade promovida pela Câmara Municipal de Castelo Branco.
A professora dos 3.º e 4.º anos, turma B
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
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