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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Jerónimo, o viking


Ator português segue as pisadas de Daniela Ruah e Diogo Morgado e integra elenco da quinta temporada da série 'Vikings'. Albano Jerónimo já gravou os três episódios, que serão exibidos no próximo ano nos EUA
Vikings, coprodução irlandesa e canadiana, conta com um português na quinta temporada, que deverá estrear-se no início de 2017 nos Estados Unidos. Albano Jerónimo já gravou os três episódios da série histórica, protagonizada por Travis Fimmel.
O ator português de 37 anos conseguiu o papel através do programa Passaporte, promovido pela Academia Portuguesa de Cinema. Albano Jerónimo, que está atualmente no ar na novela da TVI Santa Bárbara, foi escolhido para participar em três episódios da aclamada série de ficção, produzida pelo canal História, e que é exibida em Portugal no canal MOV.
A primeira metade da quarta temporada de Vikings foi exibida este ano nos Estados Unidos, estando previsto que os restantes episódios estreiem antes do fim do ano. Em Portugal, a terceira temporada da série inspirada na mitologia nórdica foi exibida no final do ano passado no canal MOV, não estando ainda prevista uma data de estreia para a quarta temporada.

Diário de Notícias online
José Teodoro Prata

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Albano Jerónimo


A revista VISÃO, n.º 846, de 21 a 27 de Maio, traz reportagem sobre o nosso Albano Jerónimo. Não o lavrador, já falecido, mas o neto, jovem actor já consagrado.
O autor da notícia escreve, a certa altura:
«Não haverá nada de genético na sua decisão de ser actor. Nem os pais nem os irmãos – dois, mais velhos – estiveram alguma vez ligados à arte de representar.»
Engano, Albano. É mesmo dos genes! Lê a história que se segue e compreenderás.
E explica lá ao jornalista que ser actor e ser tímido são condições indissociáveis. Nós, os tímidos, exprimimos no faz de conta do teatro, do cinema, da escrita, dos blogues, o que os outros extravasam em cada momento do dia a dia.



Aqui vai a história:

O meu pai António Teodoro, de cognome, o Bravo, era primo direito da tua mãe, Jerónimo da parte da minha avó Maria Rosário Jerónimo, irmã do teu avô Albano Jerónimo.
Nasceu em Castelo Branco e dividiu a infância entre a cidade e S. Vicente da Beira, dependia do trabalho do avô Francisco, um hortelão de mão cheia, com quem aprendi a perfeição.
A escola encontrou-a só aos 14 anos, ainda em construção. Era moço de serventia dos pedreiros que erguiam o liceu de Castelo Branco e, a levar-lhes água e os ponteiros afiados, entre graçolas e ralhetes, vivia contente como um alho!
Mas a patroa da Feiteira deu em bater na tia Celeste, ainda menina, e o avô Francisco não esteve pelos ajustes. Porrada nos filhos, só ele! Mandou vir o carro de bois, enrolou os pertences numa manta e ala para a Vila.
O meu pai tornou-se pastor do tio Joaquim Teodoro que trazia arrendado o Rabaçal, a propriedade mais cimeira do vale da Senhora da Orada, situada ainda mais acima da capela, no caminho para o Fundão.
Em Maio, na calma da serra, tirava a roupa e enfeitava-se de flores dos matos. E vestido de ramos floridos descia as encostas da Gardunha, à hora de meter as cabras na corte.
Anos depois, antes de ir para a tropa, trabalhou nas Minas da Panasqueira. Com algum dinheiro que ganhou, comprou uma concertina. Aprendeu a tocar e animou festas e tascas. Comigo, teve dois desgostos: não era futebolista, nem sabia tocar concertina!
Mas isso foi mais tarde. Antes, casou e encheu-se de filhos. À hora da ceia, o único momento em que estava connosco, sentava os quatro mais pequenos ao colo, dois em cada perna, e vá de inventar histórias para nos encantar, como quando foi atacado por um rebanho de sardões à chegada ao Ribeiro de Dom Bento e valeu-lhe pegar numa varinha e tocá-los com jeito e manha, até os meter todos no palheiro e fechar a porta! Ou as lengalengas tradicionais, como aquela, nossa preferida, mas poucas vezes contada, da garrana dar um berro, que toda a gente atormentou, só uma velhinha ficou, atolhada num chocalho de merda até ao pescoço…
Nesse tempo, vivíamos na Tapada da Dona Úrsula. Na véspera dos Reis, o meu pai garantiu-nos que nesse ano é que os Reis iam mesmo passar pela Tapada. Claro que acreditámos! Ao entardecer, ele desapareceu, talvez tivesse ido a armar um ferro.
E no escuro da quelha, surgiu um vulto encoberto numa manta de trapos, dos lados da casa da minha madrinha. Nós e os meus primos, o João, o Tó e a Santita, ficámos perplexos, num encantamento temeroso. A medo avançámos para o Rei Mago e pedimos um presente. Deu algumas coisas aos da frente e desapareceu na esquina da nossa casa. Um grito da minha irmã Fátima! Duas das prendas eram metades de um livro da carrinha da Gulbenkian.
Houve ralhos e choros, mas o senhor Gulbenkian foi compreensivo.
Foi a única vez em que me apareceram os Reis Magos!
Depois, chegou a minha vez. Desde os 14 anos que faço ou oriento teatro. Coisas simples. Primeiro como actor, no Seminário do Tortosendo, depois como encenador, em S. Vicente e nas escolas por onde fui passando. No ano passado, a minha escola levou à cena, no Cine Teatro Avenida de Castelo Branco, uma peça da minha autoria.
Uma sobrinha minha, a Rita Costa, seguiu também as artes do faz de conta. Hoje, a minha filha Filipa sentirá pela primeira vez a magia de estar em palco, na festa da sua escola.
E isto será apenas a ponta do icebergue dos Jerónimos. Quantos mais não terão muitas outras histórias para contar?


Fiquei feliz por proibires a entrada a quem não andar espantado de existir. Há tantos anos que não encontrava alguém que vibrasse com as “Aventuras de João Sem Medo”! Um abraço. Merecido, por seres Jerónimo e por conheceres este livro do José Gomes Ferreira.


Fotos da revista VISÃO.