Enxidros era a antiga designação do espaço baldio da encosta da Gardunha acima da vila de São Vicente da Beira. A viver aqui ou lá longe, todos continuamos presos a este chão pelo cordão umbilical. Dos Enxidros é um espaço de divulgação das coisas da nossa freguesia. Visitem-nos e enviem a vossa colaboração para teodoroprata@gmail.com
segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
Presidenciais, 2016
Marcelo Rebelo de Sousa: nacional, 52,00%; SVB, 57, 99%
Sampaio da Nóvoa: nacional, 22,89%; SVB, 20,77%
Marisa Matias: nacional, 10,13%; SVB, 8,95%
Maria de Belém: nacional, 4,24%; SVB, 5,75%
Edgar Silva: nacional, 3,95%; SVB, 1,92%
Tino de Rans: nacional, 3,28%; SVB, 2,08%
Nota: o todo nacional não está concluído, pois ainda falta contar os votos da emigração.
José Teodoro Prata
sábado, 23 de janeiro de 2016
Paradanta
Esta publicação é dedicada a um jovem de apelido Paradanta, que falou comigo aquando da minha palestra na Partida.
No dia 9 de julho de 1760, além da Maria das Candeias e do Teodósio Duarte, casaram também o José Leitão e a Maria Pires Duarte. Ela do Casal da Serra e ele nascido no Louriçal do Campo, mas a viver no casal do Monte do Surdo, uma propriedade do Conde de São Vicente, arrendada pelos pais.
O pai do José Leitão chamava-se Manuel Leitão e era da Paradanta. Como a mulher era do Louriçal, deve ter ficado a viver na terra da mulher, tendo nascido lá o filho José. Poucos anos depois, mudaram-se para o casal do Monte do Surdo, onde os seus descendentes vão continuar por muitas gerações.
( O Pe. Jerónimo ainda conheceu o último membro da família a residir ali, chamado Antonio Rodrigues, isto em meados do século XX).
A propriedade do casal do Monte do Surdo ia desde a fazenda junto ao cruzamento para os Pereiros/Partida, até à Ribeirinha, incluindo todos os terrenos em volta do ribeirito que se forma lá no alto e desagua na ribeira, separando o casal do Baraçal do Casal da Fraga.
A propriedade do casal do Monte do Surdo ia desde a fazenda junto ao cruzamento para os Pereiros/Partida, até à Ribeirinha, incluindo todos os terrenos em volta do ribeirito que se forma lá no alto e desagua na ribeira, separando o casal do Baraçal do Casal da Fraga.
Como haveria vários Manuel Leitão na freguesia, o povo terá acrescentado Paradanta ao nome. O filho aparece já nos registos camarários como José Leitão Paradanta.
Nos registos paroquiais que tenho consultado, surgem vários descendentes do José Leitão e da Maria Pires Duarte que foram casar à Partida. E lá terão deixado o apelido Paradanta, até hoje.
José Teodoro Prata
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Candeias
Este é o registo de casamento, no dia 9 de Julho de 1760, da vicentina Maria das Candeias, com Teodósio(Theodozio) Duarte, da Póvoa da Atalaia.
O apelido Candeias não o herdou dos pais (Mathias de Abreu e Rita Antunes), facto que legitima a história que os Candeias contam, segundo a qual uma menina nasceu (ou foi exposta, já não sei bem) no dia da Senhora das Candeias e por isso ficou com esse nome. Veremos, quando chegar ao registo de batismo.
Esta Candeias deu origem a uma geração que depois se multiplicou. Nas Invasões Francesas, havia um soldado filho de uma Candeias. Também Hipólito Raposo descende destes Candeias.
Ao contrário dos Candeias que defendem haver origens diferentes para os Candeias de São Vicente e Casal da Serra, tudo me leva a concluir que vêm todos do mesmo tronco, este que aqui apresento.
José Teodoro Prata
Marcadores:
candeias,
maria das candeias,
são vicente da beira
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Hipólito de Jesus
A 15-09-2015, publiquei o registo de casamento do soldado Hipólito de Jesus, que ocorreu a 29 de outubro de1787, o qual deu origem ao apelido de família Hipólito.
Na altura, informei que meses depois a viúva de um Hipolito de Jezus casara de novo, mas não se tratava da mesma pessoa.
Levantei a questão da relação que existiria entre os dois, talvez um padrinho e outro afilhado, o que justificaria aquele Galecho ter um nome tão estranho à família.
Agora encontrei o registo de casamento deste Hipolito de Jezus, o presumível padrinho do outro, o soldado, ambos Galecho.
Casou a 28 de abril de 1756, com Joanna Baptista de Oliveira. Ele era filho de Manoel Rodrigues Galecho e de Izabel Rodrigues, todos de São Vicente da Beira. A noiva era de Castelo de Vide.
Só estou a trabalhar com registos de casamento, pelo que ainda não tenho respostas para tudo. Quanto ao parentesco, deixamos ao Ernesto o trabalho das ligações.
Nota: Tens razão FB, estas descobertas são as pequenas (grandes) alegrias dos investigadores. Aparecem após muitas horas de estudo, quando já se perderam as esperanças. Por vezes vai-se a Lisboa, passam-se horas na Torre do Tombo e nada. Mas de repente, ALELUIA!
José Teodoro Prata
Marcadores:
galecho,
hipólito,
hipolito de jesus,
são vicente da beira
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Uma graça de filho
Toda a vida foi um castigo para o tirar da cama. Cama
é como quem diz, que para falar verdade, era uma faixa de palha, numa tarimba,
na loja da burra; de verão era ao relento, debaixo da figueira, defronte da
casa.
Foi assim também no dia do casamento, e a mãe numa
lamúria:
- Alevanta-te, filho, que se faz tarde! Não tarda nada,
começam a chegar as pessoas e tu ainda nesse preparo… Valha-te Deus, que nem
num dia destes tens tino!
E o ti Jaquim, o pai, a clamar:
- Rais parta tal pringueiro que tanto gosta da cama!
Quero ver como é que vai governar a mulher e os filhos, se tiver porte para
fazer algum!
Mas ele queria lá saber… Continuou a dormir, de papo
para ar, que, ainda pra mais, a véspera tinha sido comprida, nas vendas da
Vila.
Já os convidados estavam a chegar quando se pôs a pé.
Lavou-se à pressa, vestiu o fato novo e, com o chapéu na cabeça e as botas
penduradas ao ombro, pôs-se à frente do cortejo, serra acima. Não eram muitos;
só a família mais chegada, e quase tudo só homens e canalha pequena, que as
mulheres ficaram em casa a fazer o comer.
Ainda era uma esticada, do Rabaçal ao Casal da Serra,
por isso tiveram que alargar o passo. A seguir ainda tinham que fazer quase
outro tanto, até à Vila.
Chegaram estafados e na esperança que em casa da noiva
lhes dessem qualquer coisa para meter na boca; mas não. Mal deu por eles, veio
de lá a mãe da rapariga, tão danada que até parecia que havia de os comer a
todos:
- Só agora é que lá vindes, almas do diabo? A cachopa
aqui farta de esperar, toda inquietada, que até lhe ia dando uma coisa!
- Atão o que é que quer, o caminho é longe! Chame-a
lá, que a gente tem pressa.
- Onde é que ela já vai, a estas horas! Estava farta
de esperar e foi andando com o pai e os padrinhos, para adiantar caminho. Inde
depressa se os quereis agarrar.
Bem correram, mas já só os alcançaram ao pé de S.
Sebastião, que tinham parado para se calçarem e compor a roupa. E ele enfiou
também as botas e compôs o chapéu. Quando chegaram à igreja, já o senhor
vigário estava à espera, com umas beiças que chegavam à porta da rua. Mas foi
um alívio quando ela lhe ouviu o sim, de boca cheia, e pôde finalmente
sentir-se uma mulher casada. Era o que mais queria da vida: ter um homem que
lhe desse um ranchinho de filhos, como a mãe dela tinha tido.
Depois do casamento, tornaram para o Rabaçal, onde era
a boda. A mesa estava posta debaixo da figueira, mas só tinha lugar para os
homens; mulheres, só as madrinhas e as avós mais velhas, que as outras tinham
que servir o comer. Os cachopitos sentaram-se no chão e nas escadas do balcão da
casa, com o prato, de cobulo, ao colo. Foi canja de galinha, arroz no forno e
borrego guisado com batatas. Doces, os do costume, à descrição. Tudo feito a
meias, menos o vinho, que esse foi o pai da noiva que teve muito gosto em o dar
todo. Boa pinga!
Quando se levantaram da mesa, já era quase noite. Bem
comidos e bebidos, cada um foi à sua vida. Os noivos também abalaram. Tinham arranjado
uma casita mais abaixo, à roda do caminho da Senhora da Orada. Quando os viu
partir, o ti Jaquim ainda suspirou para a mulher:
- O que é que vai ser da vida deste desgraçado, se ele
não tomar rumo...
E ela:
- E quem é que o há de tirar da cama, de manhã, para
tomar conta ao menos duma hortinha e fazer alguma jorna?
Ao outro dia, bem cedo, o ti Jaquim levantou-se,
porque era dia de despejar a presa que tinha nas Quintas. A casa do filho
ficava-lhe em caminho. Quando chegou perto, nem queria acreditar: o seu
Francisco já estava a traçar um molho de mato.
- É para a cama dum bacorinho, que ainda hoje hemos de
ir buscar ao Fundão; eu mais minha Maria. Ainda se há de fazer até ao inverno.
E também quero uma cabra, que precisamos de leite para o cachopinho que aí vem…
Não disse nada, o ti Jaquim, mas, enquanto regava o
milho, não lhe saía da ideia o que tinha visto e ouvido. Olhou para cima e
benzeu-se. Era uma graça ter um filho assim, capaz de fazer pela vida!
M.
L. Ferreira
Marcadores:
casal da serra,
maria libânia ferreira,
rabaçal,
são vicente da beira
domingo, 17 de janeiro de 2016
O Bodo
Bodo de São Sebastião ou de São Vicente? Paposseco e/ou filhós e tremoços?
Para proteger das tempestades (paposseco), dos gafanhotos ou das pestes (filhós)?
O palestrante, Florentino Beirão, enquadrou o nosso bodo nos bodos desta região, havendo-os do ciclo do Natal, como o nosso, da Páscoa e das colheitas do estio, como em Alcains.
O ponto de partida foi "A Festa das Papas de Alcains", um livro do Florentino, editado há alguns anos.
A palestra foi organizada pelo Movimento Monárquico Português, com a colaboração da nossa Junta.
Havia quase ninguém, por muitas razões, sendo a minha culpa o não ter publicitado aqui o evento. Mas recebi o convite há já algumas semanas e, embora tenha programado a minha presença, esqueci-me de o anunciar aqui. É imperdoável, mas não há nada a fazer, a cabeça não deu para mais.
Valha-nos o próximo domingo, pois a comissão da festa do São Sebastião promete festa rija!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Futilidades
Demóstenes
Vou contar uma verídica
história
Que se passou na Antiguidade
Numa grande e próspera
cidade
Atenas; urbe de grande
memória
Demóstenes o filósofo,
discursava
Na grande praça central
A multidão passava e não
parava no local
O povo distraído não lhe
ligava
Atenienses; clamava
irritado
Certo dia de muito calor e
seca
Um rapaz alugou uma pileca
Para o levar a um
determinado lado
Era a hora do meio-dia
Não havia sombra para o ir
tapando
Aproveitou a sombra do
burro e ia andando
O dono não gostou do que
via
Eu aluguei meu burrinho
Não aluguei sua sombra
benfazeja
Se a quiser aproveitar
como deseja
Tem que me dar mais
dinheirinho
Não acredito no que estou
a ouvir
Diz o rapaz incrédulo e
espantado
Ao alugar o burro sua
sombra hei alugado
Depois disto contado
Demóstenes desceu do
púlpito
Perguntou o povo, de
súbito
Que aconteceu ao coitado!
Então o grande orador
Para o céu os olhos voltou
Deuses, vejam como o povo
se interessou
Por este conto balofo e
sem grande valor
Assim é no tempo actual,
de agora
Há interesse por
futilidades
E lança-se o que é bom fora
Zé da Villa
Marcadores:
demóstenes,
futilidades,
zé da villa
Assinar:
Postagens (Atom)