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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Fontes: casamento no Violeiro

Eis o casamentro de Theodoro Faustino Dias, de Tinalhas, com Maria Cabral de Pinna, do Violeiro, dois dos jovens mais importantes da região. O seu bisneto seria o 1.º visconde de Tinalhas.
A noiva teve no seu casamento os tios padres Manoel Cabral de Pinna e Estevaõ Alvares de Pinna, irmãos da sua mãe Brites Cabral de Pinna, todos da Quinta da Canharda, Fornos de Algodres.

José Teodoro Prata

sábado, 29 de outubro de 2016

A azenha dos meus sonhos

Há muitos anos, a ribeira entre o Violeiro e Almaceda era um meio gerador de economia e subsistência para a população. Ao longo da ribeira havia azenhas, lagares e hortas. No entanto, com a emigração nos anos 60, foi ficando tudo ao abandono. E mais tarde os incêndios destruíram o pouco que ainda se mantinha, agora o que resta são as ruínas e a beleza da paisagem que se renova sempre.

No entanto, uma filha da terra (Violeiro), Ester Grohe, emigrante na Suíça, e o seu marido reconstruíram a azenha da família, sendo esta a última a ter ficado inativa. Viveram muitos percalços para recuperar tradição e o ofício do seu pai moleiro. Mas realizou o seu sonho!

E nos dias 22 e 23 de Outubro, organizou um convívio aberto a toda a população, para mostrar todo o processo, desde a moagem dos cereais até à cozedura do pão. Estiveram presentes os presidentes das juntas de freguesia de Almaceda e São Vicente da Beira e ainda o presidente da Câmara de Castelo Branco.

Era bom que houvesse mais iniciativas destas, para trazer vida às nossas aldeias e preservar costumes e tradições.








 Célia Francisco

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Os Alves do Violeiro

Nos registos paroquiais já aqui publicados (1800-1820), surgem muitos filhos e netos de José Alves dos Santos e Teresa Rodrigues, casados a 25 de maio de 1762. Normalmente, aparece só José Alves, sem dos Santos.
O noivo era natural de Lisboa, freguesia de Nossa Senhora da Encarnação, filho de Manuel Alves e Maria dos Santos. A noiva era filha de Domingos Nunes e Isabel Rodrigues, moradores no Violeiro.
É curioso como este rapaz veio parar ao fundo do Portugal mais profundo!
Muitos Alves do Violeiro e das povoações vizinhas serão seus descendentes, embora nem todos, pois o apelido Alves já existia em várias localidades da nossa região.


José Teodoro Prata

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Recenseamento militar - 1838

Na reunião da Junta da Paróquia de São Vicente da Beira, a 14 de Setembro, na Sacristia da Igreja Matriz (em obras desde 1918, pelo menos) deu-se cumprimento às ordens de Sua Majestade, a rainha Dona Maria II, recenseando os mancebos que estivessem nas circunstâncias de serem apurados para o exército permanente(de primeira linha).
A listagem elaborada foi a que se segue. Respeitou-se a ordem das pessoas e das povoações como consta da acta da reunião.

Vila
António, com 18 anos, filho de Eleutério dos Santos
José, com 19 anos, filho de José Moreira (com 60 anos)
António, com 24 anos, filho de Margarida dos Prazeres
António, com 22 anos, filho de Maria Luísa
José, com 19 anos, filho de Constantino Fernandes
Francisco, com 18 anos, filho de Inês Ribeiro e pai incógnito
José, com 23 anos, filho de António Leitão Salgueiro
Francisco, com 22 anos, filho de António Gil
João, com 14 anos, filho de João Duarte Remoaldo
António, com 22 anos, filho de José António Craveiro
António, com 19 anos, filho de Matias Vaz dos Santos

Casal da Serra
Caetano, com 22 anos, filho de Joaquim Martins

Pereiros
João, com 20 anos, filho de José Varanda
José, com 29 anos, filho de João Ramos
António, com 20 anos, filho de pais incógnitos, a viver em casa de Rosário Martins

Partida
José, com 20 anos, filho de João da Costa
António, com 23 anos, filho de António Rodrigues Paradanta
António, com 22 anos, filho de José Martins
António, com 19 anos, filho de Ana Leitão (viúva)
Firmino, com 19 anos, filho de pais incógnitos, a viver em casa de Maria (viúva)
Joaquim, com 18 anos, filho de Isabel Leitão (viúva)

Paradanta
Francisco, com 19 anos, filho de José Monteiro
António, com 22 anos, filho de pais incógnitos, a viver em casa de Martinho dos Santos
Júlio, com 19 anos, filho de pais incógnitos, a viver em casa de Rodrigo Leitão
Francisco, com 19 anos, filho de António Gonçalves

Violeiro
Joaquim, com 19 anos, filho de Domingos Lopes Folgado
João, com 24 anos, filho de Maria Martins Páscoa
António, com 20 anos, filho de Manuel Pires
José, com 19 anos, filho de José Pires

Tripeiro
Luís, com 18 anos, filho de Paulo Lourenço
António, com 22 anos, filho de Domingas Lourenço (viúva)

Neste ano de 1838, a Junta da Paróquia era assim formada:
José Hipólito, Presidente
João Duarte Marques, Regedor
Gregório Lopes
João Agostinho
António Leitão

Notas:
- Os bebés expostos eram criados por uma ama e ficavam a viver com ela até serem adultos ou, cerca dos 10 anos, iam trabalhar como criados, para outra casa. Nos casos acima referidos, não temos informações sobre qual destas duas situações se aplica a cada um deles, mas o normal era ficarem na casa que os recebera acabados de nascer.
- Não havia nenhum mancebo entre os 18 e os 24 anos, no Mourelo e no Vale de Figueiras.
- Na época, escrevia-se Peradanta e não Paradanta. Tal facto vem reforçar a hipótese da palavra derivar de Pedra de Anta (anta: construção sobre o solo, com grandes pedras, que servia de túmulo colectivo).

domingo, 3 de abril de 2011

Os franciscanos em São Vicente

A presença franciscana remonta, na nossa terra, possivelmente, ao século XV ou XVI. Quase todos os templos da Vila são desses finais dos tempos medievais e inícios da Idade Moderna, excepto a Igreja Matriz (erigida na época da fundação da povoação) e a Orada (é muito mais antiga que a Matriz, mas a actual capela também foi construída naquele período).
Nesses fins da Idade Média, São Vicente terá alcançado o seu máximo desenvolvimento económico e social. Houve então riqueza para levantar templos, palácios e equipamentos públicos, como a Câmara Municipal e o Pelourinho.
A capela de São Francisco não foge a esta regra. O grande arco de volta perfeita, no seu interior, com a aresta cortada, é, na nossa Beira, tipicamente quinhentista. Esteve, até há poucos anos, pintado de azul (Já não me recordava, lembrou-mo, há uns tempos, a Ilda Jerónimo).


Mas o templo não foi, desde o início, de devoção a São Francisco, mas sim a Santo António, ele próprio franciscano e contemporâneo do fundador da Ordem Franciscana, com quem ainda se encontrou, na Itália que depois o adotou como seu e onde se tornou um dos santos maiores da Cristandade.


Foi, pois, a capela dedicada a Santo António, até 1744. Nesse ano, veio a São Vicente um grupo de frades franciscanos pregar uma missão. E a sementeira foi de tal modo fecunda que, nos anos seguintes, a capela deixou de pertencer apenas a Santo António para a ser, sobretudo, dedicada a São Francisco. Nela teve sede, logo de seguida, a Irmandade da Ordem Terceira e terá sido criada também, por esses anos, a procissão dessa mesma irmandade, a Procissão dos Terceiros que hoje vai, novamente, percorrer as ruas da nossa Vila.


São Francisco recedendo a bula da criação da Ordem Terceira das mãos do Papa Inocêncio III.

Ainda por esses anos, foi edificado o Calvário, quase em frente à capela. Já estava construído em 1758. O Calvário servia de palco, ainda é, de uma outra grande tradição vicentina, a Procissão dos Passos, na Sexta-Feira Santa. Mas também esta tradição tem origens franciscanas, esta das Religiosas do Convento, igualmente fundado no século XVI. Mas este assunto fica para desenvolver, noutra ocasião.
A capela nunca deixou de ser dedicada também a Santo António. A sua festa ainda se realiza, anualmente, no terceiro domingo de Agosto. Quando era criança, questionava os adultos sobre a pertença da capela. Uns ainda se lhe referiam como capela de Santo António, a maioria de São Francisco, mas depois lá vinha a festa de Agosto, para me voltar a baralhar.
A doação da capela a São Francisco marcou também a toponímia local. Toda a zona envolvente da capela tem o nome do santo assim como tomou o seu nome o caminho, hoje rua, de saída da Vila em direção ao Casal da Fraga e à parte superior do vale da Ribeirinha.
Às vezes, é preciso olharmos para longe, a fim de percebermos a verdadeira grandeza do que temos. Neste caso, para o Violeiro. Em 1766, faleceu Brittis Maria Cabral de Pina, viúva do Sargento-Mor Domingos Nunes Pouzaõ do Violeiro, antepassados dos viscondes de Tinallhas, como já expliquei no artigo referente ao Cabeço do Pe. Teodoro. Na hora da sua morte, Brittis Cabral de Pina quis que o seu corpo fosse amortalhado com o hábito de São Francisco. Há meses, o Irmão José Amaro, também do Violeiro, contou-me que, ainda adolescente, teve de calcorrear o caminho do Violeiro até São Vicente, descalço, à frente de um carro de bois, para fazer o funeral do seu avô. Isto cerca de 1950. Passaram junto ao cemitério da Partida, mas não puderam parar, pois o avô exigira ficar sepultado no chão sagrado de São Francisco.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pneumónica 4

Conclusões
Apresentam-se algumas conclusões sobre a incidência da Gripe Pneumónica de 1918, na freguesia de São Vicente da Beira. Conclusões forçosamente parciais, pois o estudo ainda não está terminado.

1. A Gripe Pneumónica é a mesma que agora denominamos por Gripe A.

2. A Gripe Pneumónica atacou Portugal por três vagas: final da Primavera e início do Verão de 1918, Outono de 1918 e Inverno/Primavera de 1919, mas apenas a segunda provocou grande mortalidade.

3. A nível nacional, foi no mês de Outubro que se registou a maior mortalidade. Mas, na freguesia de S. Vicente da Beira, o mês de Novembro foi o mais mortífero.

4. A média dos óbitos de 1917-1919 foi de 4,8 mortes por mês, exceptuando os meses da Pneumónica, em que os óbitos subiram para 20, em Outubro, e 66, em Novembro.

5. Portugal Continental teve uma taxa de mortalidade de 1,08%, com um máximo de 7% em Benavente, Ribatejo. A freguesia de S. Vicente da Beira registou uma taxa de mortalidade de cerca de 2,40%, uma percentagem superior à média nacional.

6. A Gripe Pneumónica entrou na freguesia pelo Tripeiro, S. Vicente e Casal da Serra, povos onde se registaram mais óbitos, em Outubro. No mês seguinte, continuou a fustigar o Casal da Serra e S. Vicente, mas provocou enorme mortandade também na Partida. As restantes povoações, excepto o Tripeiro, a Paradanta e Pereiros, registaram poucas mortes.

7. Na época, S. Vicente, Partida e Casal da Serra eram as povoações maiores da freguesia (ver publicação “Curiosidade Demográfica”, do passado 31 de Outubro). Tal facto não justifica, só por si, uma maior mortalidade. Esta ter-se-á devido, também, ao facto de as pessoas estarem mais juntas e por isso transmitirem a gripe umas às outras, mais facilmente.

8. A Paradanta é a excepção que nos impede de concluir que a Gripe atacou as povoações maiores e localizadas em corredores viários. No entanto, este povo situa-se num corredor formado pelos vales de dois ribeiros, que eram locais de passagem. Um corre para oeste, para a Partida, onde, com outros, forma a Ribeira do Tripeiro, e o outro corre para nordeste, pelo Vale D´Urso e Castelejo.

9. O Vale de Figueiras não teve óbitos nestes meses, e o Violeiro e o Mourelo sofreram mortalidades muito aquém do que seria normal, em povos com da sua dimensão.

10. Durante a Gripe Pneumónica, as 10 camas do Hospital da Misericórdia só receberam doentes da Vila e a elite local não foi ali internada (terá pago consultas a domicílio). Desconhecemos se o internamento unicamente de pessoas de São Vicente se terá devido a uma proibição de deslocação de doentes ou se, simplesmente, os familiares optaram por não sujeitar os doentes a grandes deslocações, por falta de esperança na cura ou para não agravar o seu estado de saúde. A documentação do Hospital nada refere sobre uma proibição, interna ou externa, de internamento de doentes de fora da Vila.

11. Na povoação de São Vicente, o internamento no Hospital terá atenuado a mortalidade, pois dos 29 doentes ali internados com Gripe Pneumónica, apenas 4 faleceram. A excepção terá sido Maria de Jesus Hipólito, esposa do enfermeiro do Hospital, que possivelmente contraiu o vírus através do seu marido.

12. Em 1918, o único cemitério da freguesia era o de São Vicente, certamente sem capacidade para receber tantos mortos. Sabemos que, no Casal da Serra, foram sepultados num terreno à esquerda da antiga capela, localizada no início da Rua da Lagariça. Situações semelhantes terão ocorrido noutros povos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pneumónica 3

Óbitos de Novembro
Apresentam-se, hoje, os óbitos de Novembro de 1918, aquando da Gripe Penumónica. Os nomes das pessoas estão copiados tal como foram escritos nos registos da Igreja Matriz de S. Vicente da Beira.

01-11-1918: Maria Rita Raymundo, de 80 anos, viúva de Jose Raymundo, natural e moradora em S. Vicente da Beira.

01-11-1918: Maria da Anunciação, de 40 anos, casada com Francisco Marcelino, moradora no Casal da Fraga, São Vicente da Beira.

01-11-1918: Francisco Jeronymo, de 26 anos, cultivador, casado com Maria da Luz Romualdo, natural e morador em São Vicente da Beira. Faleceu no Hospital.

01-11-1918: Domingos Leonardo, de 23 anos, solteiro, guarda republicano, filho de Antonio Leonardo e Antonia Raposa, morador na Partida.

01-11-1918: Maria de Jesus, de 29 anos, solteira, costureira, filha de Joaquim Antunes e Joaquina Maria, natural dos Pereiros.

02-11-1918: Jose Alves Páscôa, de 49 anos, jornaleiro, natural do Violeiro, filho de Antonio Alves Páscôa e Carolina Maria, já falecidos.

02-11-1918: Maria Rosalina, de 24 anos, solteira, natural da Partida, filha de Joaquim Gonçalves e Maria Rita, moradores no mesmo povo.

02-11-1918: Ana Josefa, de 40 anos, natural e residente nos Pereiros, filha de João Antunes e Josefa Santos, naturais e moradores no mesmo povo.

02-11-1918; João Caetano, de 35 anos, casado com Ana Serra, cultivador, filho de Simão Caetano e Maria Ana, todos naturais do Casal da Serra.

03-11-1918: Theodora Marques, de 63 anos, solteira, costureira, filha de Joaquim Marques e Theodora dos Santos, naturais e moradores em São Vicente da Beira.

03-11-1918: Filippe Miguel, de 32 anos, filho de Antonio Lino Lopes e Maria José Nunes, todos naturais e moradores em São Vicente da Beira.

03-11-1918: João Frade, de 27 anos, serrador, casado com Antonia Maria, natural dos Pereiros e a viver na Partida, filho de João Frade e Ana Frada, moradores na Partida, de onde são naturais.

03-11-1918: Maria de Jesus, de 12 anos, natural do Casal da Serra, filha de Simão Caetano e Maria Joaquina, ambos moradores no mesmo povo.

03-11-1918: Antonio Martins, de 7 anos, filho de Antonio Martins e Lucia Craveiro, naturais e moradores no Casal do Baraçal, São Vicente da Beira.

04-11-1918: Francisco Pereira, de 65 anos, viúvo de Maria Joana, natural e morador em São Vicente da Beira.

04-11-1918: Joaquim da Silva Lobo, de 38 anos, jornaleiro, casado com Carolina Barata, filho de Antonio da Silva Lobo e Maria dos Santos, naturais e moradores no Casal da Fraga, São Vicente da Beira.

04-11-1918: João dos Reis Alves, de 27 anos, cultivador, natural e residente nos Pereiros, filho de Manuel Alves, jornaleiro e Francisca Maria, naturais e moradores no mesmo povo.

05-11-1918: Maria de Deus, de 7 meses, filha de José Báu e Maria do Carmo, naturais e moradores em São Vicente da Beira.

05-11-1918: Manuel Lourenço, de 4 anos, filho de João Lourenço e Izabel Maria, naturais e moradores no Mourelo.

05-11-1918: Antonio Alberto, de 19 meses, filho de Alberto Venancio e Angelina Fernandes, naturais e moradores no povo da Partida.

05-11-1918: Julia Fernandes, de 14 anos, filha de Joaquim Martins e Antonia Fernandes, todos naturais e moradores na Partida.

06-11-1918: Maria Augusta, de 50 anos, jornaleira, casada com José Simão, naturais e moradores em São Vicente da Beira.

06-11-1918: Bento Venancio, de 7 anso, filho de Antonio Maria Venancio e Ana Joaquina, todos naturais e moradores na Partida.

06-11-1918: Jose Leitão, de 5anos, filho de João Leitão e Maria do Rozário, todos naturais e moradores na Partida.

06-11-1918: Antonio Lourenço, de 44 anos, casado com Maria Felicia, natural da Partida, filho de João Lourenço e Maria Vitoria, também moradores na Partida.

07-11-1918: Filomena Nunes, de 30 anos, casada com Amandio Barroso, natural do Casal da Serra, filha de Joaquim Gama e Rosa Nunes, naturais e moradores no mesmo povo.

08-11-1918: João Castanheira, de 45 anos, caiador, casado com Antonia Pereira, filho de Francisco Castanheira e Ana de S. José, todos naturais e moradores em São Vicente da Beira.

08-11-1918: João Agostinho, de 19 anos, jornaleiro (sardinheiro, segundo o registo do Hospital), filho de André Agostinho e Maria da Conceição, naturais e moradores em São Vicente da Beira. Faleceu no Hospital.

08-11-1918: Maria dos Anjos, de 25 anos, filha de João Antunes Amendôa, natural da Partida e domiciliada no Ribeiro de Dom Bento, São Vicente da Beira.

08-11-1918: Maria Pedra, de 18 anos, natural da Torre e moradora nos Pereiros, filha de João Lucas e Joaquina Pedra, moradores nos Pereiros.

09-11-1918: Ana da Ascensão, de 3 anos, natural da Partida, filha de Alberto Venancio e Angelina de Jesus, moradores no mesmo povo.

09-11-1918: Maria Antonia, de 30 anos, solteira, natural de São Vicente da Beira, filha de Francisco Pereira e Maria Joana, já falecidos.

09-11-1918: João Duarte Romualdo, de 35 anos, proprietário, morador no Ribeiro de Dom Bento, São Vicente da Beira, filho de Joaquim Duarte Romualdo e Maria Martins desta vila.

09-11-1918: Francisco Lucas, de 4 anos, filho natural de Filomena Lucas, natural e moradora em São Vicente da Beira.

09-11-1918: Beatriz de Jesus, de 18 anos, natural dos Pereiros, filha de Antonio Martins e Ana Varanda, moradores no mesmo povo.

10-11-1918: Maria Jose, de 16 anos, filha de Jose Sarnada e Maria Rosa Santos, naturais e moradores no Casal da Serra.

10-11-1918: Josefa Maria, de 80 anos, viúva de Francisco Alves, natural e moradora na Partida.

11-11-1918: Manuel Martins Paiagua, de 50 anos, ganhão, casado com Rita Maria, moradores no Casal do Baraçal, São Vicente da Beira, filho de José Martins Paiagua e Emilia Maria.

11-11-1918: Alberto Venancio, de 33 anos, casado com Angelina de Jesus, morador na Partida, filho de Antonio Venancio e Maria Rozario, do mesmo povo.

11-11-1918: João Martins Leitão, de 39 anos, casado com Maria Rozaria, natural da Partida, filho de Manuel Leitão e Josefa Maria, do mesmo povo.

12-11-1918: Maria Izabel, de 9 anos, filha de José João e Izabel Maria, naturais e moradores na Paradanta.

13-11-1918: Maria José Patricio, de 15 anos, filha de Joaquim Matias e Ana Patricio, moradores em São Vicente da Beira.

13-11-1918: Manuel Francisco, de 4 anos, filho de Francisco Carrilho e Albina Maria, naturais e moradores na Partida.

13-11-1918: Manuel de Jesus, de 8 anos, filho de João Alves e Maria Inês, moradores nos Pereiros.

13-11-1918: Maria dos Anjos, de 4 anos, filha de Manuel Duarte Romualdo, proprietário, e Maria Balbina, moradores no Ribeiro de Dom Bento, São Vicente da Beira.

14-11-1918: Sebastião Amoroso, solteiro, de 80 anos, natural e morador no Casal da Serra, filho de Manuel Caetano e Maria Amorosa, naturais do mesmo povo.

14-11-1918: Maria do Nascimento, de 35 anos, casada com Joaquim Teodoro, moradores no Casal do Baraçal, São Vicente da Beira, filha de Manuel Marques e Ana Maria.

14-11-1918: Cesar Marques Neto, de 13 anos, seminarista, natural de São Vicente da Beira, filho de Antonio Marques, já falecido, e de Maria Neto Raposo.

15-11-1918: Francisco Frade, de 25 anos, solteiro, serrador, filho de Antonio Frade e Maria Freire, naturais e moradores na Partida.

15-11-1918: Ana da Ressurreição, de 2 anos, filha de Manuel da Cruz e Maria de S. João, naturais e moradores no Casal da Serra.

15-11-1918: Maria Celeste, de 18 anos, solteira, filha de Manuel Paulo e Maria Felicia, moradores no Tripeiro.

16-11-1918: Leopoldina Maria, de 60 anos, casada com Domingos Jacinto, filha de pais incógnitos, moradora na Paradanta.

16-11-1918: João Lourenço, de 7 anos, filho de Antonio Lourenço e Maria Felicia, moradores e naturais da Partida.

16-11-1918: Silvestre Serra, de 24 anos, casado, natural do Casal da Serra, filho de Luciano Serra e Ana Barrosa, moradores no dito casal.

16-11-1918: Maria Filomena, de 4 anos, filha de João Alves e Maria Inês, naturais e moradores nos Pereiros.

17-11-1918: Joaquim Varanda, de 64 anos, casado com Maria Balbina da Conceição e morador no Tripeiro, filho de Joaquim Varanda e Ana Moreira.

17-11-1918: Joaquim Martins, de 2 meses, filho de Augusto Martins e Maria Calmôa da Silva, moradores em S. Vicente da Beira.

17-11-1918: Antonio Filipe Salvado, de 23 anos, proprietário, solteiro, filho de João Filipe e Joaquina Maria, naturais e moradores na Paradanta.

18-11-1918: Maria de Jesus Hipólito, de 35 anos, casada com Joaquim Caio, funileiro, moradores em S. Vicente da Beira. Era filha de Joaquim Hipólito de Jesus e Maria Antonia, da mesma vila. Faleceu no Hospital.

18-11-1918: José Amandio, de 5 anos, filho de Amandio Barroso e Filomena Nunes, moradores no Casal da Serra.

19-11-1918: Justina Maria, de 14 anos, filha de José Bartolomeu, cultivador, e Maria Justina, moradores na Partida.

21-11-1918: Maria, de 10 meses, filha de José Lopes e Maria Justina, naturais e moradores na Partida.

22-11-1918: Manuel Bento, de 10 dias, filho de Antonio Maria Venancio e Ana Joaquina, moradores na Partida.

24-11-1918: Maria Carlota, de 6 meses, filha de José Simão e Ana Maria, moradores em S. Vicente da Beira.

26-11-1918: Bernardo Candeias, de 24 anos, jornaleiro, solteiro, filho de Manuel Candeias e Maria do patrocínio, moradores no Casal da Serra.

26-11-1918: Maria Matias, de 40 anos, filha de Domingos Leitão e Maria Matias, todos naturais e moradores na Partida.

26-11-1918: Antonio Rato, de 14 anos, filho de José Rato e Josefa Maria, naturais e moradores no Violeiro.

domingo, 1 de novembro de 2009

Padre Lúcio Brandão


Foto roubada ao blogue saboresdabeira, que é o ponto de contacto dos ex-alunos do Verbo Divino, a viver na região de Lisboa. O nosso Chico Barroso é um dos dinamizadores. Na fotografia, o P.e Lúcio é 1.º à direita da fila de cima. Na fila de baixo, está o P.e Jerónimo.

Tem sentido usar este espaço para enviar um abraço do Padre Lúcio a todos os ex-alunos do Seminário do Tortosendo. A relação da Sociedade do Verbo Divino com a comunidade de S. Vicente da Beira é tão estreita que quase formam uma só.

Ontem, realizou-se mais um encontro dos ex-alunos do Seminário do Tortosendo. É todos os anos, sempre no último sábado de Outubro.
Da freguesia de S. Vicente da Beira, estávamos cinco: o reitor, Padre Jerónimo; o Irmão José Amaro, do Violeiro; um Magueijo do Mourelo, juiz desembargador jubilado, a viver em Lisboa; o José Jerónimo, reformado das Finanças e filho do (tio do meu pai) Miguel Jerónimo do Cimo de Vila, também a residir em Lisboa; e eu.
Tínhamos a receber-nos uma surpresa vinda do Brasil, o P.e Lúcio Brandão. Pediu-me, repetidamente, que desse um abraço, por ele, a todos os ex-alunos da SVD, naturais de S. Vicente da Beira. Aqui fica.
Quase todos os miúdos da escola o conheceram, mesmo sem terem frequentado o Seminário: ele era o missionário muito alto, com fala meio a cantar, que vinha todos os anos às turmas dos rapazes da Escola Primária, a maravilhar-nos com histórias das Missões e a perguntar quem queria seguir esse caminho.
O Padre Lúcio regressará brevemente ao Brasil, onde vive desde 2002.
Veio agora expressamente para participar nos 60 anos da Fundação da SVD em Portugal, precisamente no Seminário do Tortosendo.


Logotipo das Comemorações dos 60 Anos dos Missionários do Verbo Divino em Portugal.

Entre outros eventos, fez-se uma exposição, de que deixo uma imagem. Ao lado, está o caderninho do Maestro, com as notas dos alunos, no desempenho dos vários instrumentos!

Esta foto foi tirado do blogue http://svd-tortosendo.blogspot.com/. Podem lá encontrar outras, mas o melhor é visitar a exposição.

sábado, 24 de outubro de 2009

Cabeço do Padre Teodoro


Foto do Cabeço do Padre Teodoro, na actualidade, visto do lado do poente.

No relato da minha experiência autárquica, no iníco dos anos 80 ("Experiência Autárquica" de 16 de Outubro), fiz referência ao Cabeço do Padre Teodoro.
Este sítio, junto ao Marzelo, local onde se cruzavam as estradas norte-sul (C. Branco-Fundão/Covilhã), pelas Vinhas e Poldras, seguindo pela Corredoura, em direcção à Senhora da Orada, e este-oeste (Alpedrinha-Almaceda), por dentro da Vila e saindo pela ponte, junto a Santo André, era, em 1975, propriedade dos herdeiros do visconde de Tinalhas.
Porquê este topónimo (Padre Teodoro) e estes donos?
Eis a explicação:

O Padre Theodoro Faustino Dias viveu, no século XVIII, em Tinalhas. Foi cura (pároco) do Freixial do Campo, no 3.º quartel desse século.
Era um grande agricultor, tendo herdado propriedades de vários familiares, um dos quais lhe deixou um morgado (conjunto de propriedades indivisível) que veio a ser a base do património dos seus descendentes, os viscondes de Tinalhas.
O Padre Teodoro era, por exemplo, o maior criador de gado bovino do concelho (cerca de 30 cabeças).
Mas nem sempre foi padre. Só seguiu o sacerdócio após enviuvar, pouco antes de 1750.
Casara com Maria Cabral de Pina, do monte do Violeiro, filha do Sargento-Mor Domingos Nunes Pouzam e de Brittis Maria Cabral de Pinna, ele do Violeiro e ela da Quinta da Canharda, freguesia de S. Miguel de Fornos, junto a Algodres.
Este casal teve vários filhos: a Maria, já referida, um Joam Cabral de Pinna, que viveu em S. Vicente e depois no Fundão, e outros quatro filhos que se fixaram em S. Vicente da Beira. Foram eles o Padre Manoel Cabral de Pinna, o Padre Estevam Alvares de Pinna, Brites Cabral e Joanna Cabral. Os dois irmãos padres e as duas irmãs solteiras viviam numa casa situada na rua que vai da praça para a ponte, como então se designava a actual Rua Nicolau Veloso.
Por morte dos pais, foram herdeiros de muitas propriedades, na Vila e no Violeiro. Por exemplo, pertenciam-lhes a Azenha Nova e o lagar junto à capela do Apóstolo Santo André, ao fundo da Devesa.
É natural que estas propriedades dos irmãos Cabral de Pina tenham sido herdadas pela sobrinha que tinham em Tinalhas, a filha de Theodoro Faustino Dias e de Maria Cabral de Pinna. Não era filha única. Tinha um irmão, Estevão Dias Cabral, que era padre jesuíta e faleceu, na Vila, em 1811. Também a herança deste terá passado, mais tarde, para a herdeira do já então Padre Theodoro Faustino Dias.
Chamava-se Euzebia Dias Cabral e casou com Antonio Jozé Ferreira Meyreles Ferreira Gramaxo, natural do Fundão, mas a viver na Soalheira.
Cerca de 1800, surge frequentemente na documentação o nome deste Antonio Meyreles, com muitas propriedades, incluindo residência, em S. Vicente da Beira, que eram as que a esposa herdada do ramo materno da família.
Foi o neto de Antonio Meyreles e de Euzebia Dias Cabral, chamado José Coutinho Barriga da Silveira Castro e Câmara, que recebeu o título de visconde de Tinalhas.
O seu filho e 2.º visconde, Tomás de Aquino Coutinho Barriga da Silveira Castro e Câmara, foi presidente da Câmara de S. Vicente da Beira, em finais do século XIX.
A sua residência era na casa onde viveu o tio Albano Jerónimo, situada na rua que vai da praça para a ponte, e que é agora de Luís Barroso. A casa anexa a esta, na Rua Velha, para o lado nascente, servia de cozinha à residência do visconde e foi dela que veio o lintel manuelino que está actualmente nas traseiras da Igreja Matriz, numa janela aberta aquando das últimas obras, nos anos 80.

O cabeço junto ao Marzelo seria, então, uma das propriedades da família Cabral de Pina, também antepassados dos viscondes de Tinalhas.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

As Invasões Francesas 2

Continuamos, hoje, a dar notícia dos carreiros (ganhões que transportavam de mercadorias nos carros de bois) da freguesia de S. Vicente da Beira, que prestaram serviços aos exércitos português e inglês, na Guerra Peninsular (1807-1812), conhecida por Invasões Francesas.
Para conhecer melhor as condições em que se andava nos embargos, deve consultar-se a anterior publicação “As Invasões Francesas”.
Como se pode verificar, faltaram muitos homens à romaria a Nossa Senhora da Orada, em Maio de 1812, e muitas terão sido as preces por eles rezadas!


Casal da Serra
Em Maio e Junho de 1811, Joze Francisco andou com a sua junta de vacas a puxar o trem do exército inglês, entre Abrantes e Nisa, e a prestar serviços aos exércitos, em Abrantes, durante 33 dias.

Mourelo
Em Maio de 1812, a junta de Manoel Leitam transportou mercadorias entre Abrantes e Elvas, durante 31 dias.

No mesmo serviço, período e data, andou também a junta de Jose Antonio e Jose Alves.

Pelo mesmo período e na mesma data, andou a junta de Joam Franses e Joze Mateos, mas a transportar lenha para um forno, em Abrantes, onde se situava o Quartel-general das tropas inglesa e portuguesa.
Este Franses não tem relação com os franceses que invadiram Portugal, em 1807-1812, pois esta família já vivia, no Mourelo, pelo menos 50 anos antes.

Paradanta
Em Maio e Junho de 1812, por 33 dias, andou Manoel Mendes, criado de Manoel Leitam, com a junta de vacas, entre Abrantes e Nisa, levando o trem do Hospital e entre Abrantes e Elvas, carregando pólvora e bala.

Partida
Em Abril de 1812, Manoel Mateus transportou cevada, no carro de bois, entre Abrantes e Nisa, e trouxe arroz e bacalhau, de Vila Velha para Castelo Branco. Gastou 11 dias nestes serviços, entre Abrantes e Castelo Branco.

Em Maio e Junho de 1812, a junta de Manoel Martins e Manoel Alexandre puxou o trem do hospital, entre Abrantes e Nisa e levou pólvora e bala de Abrantes para Elvas. Foram 33 dias.

Os mesmos 33 dias e na mesma data, mas entre Abrantes e o Pego, andou o ganhão de Antonio Fernandes a acarretar rama, vinho, pão e carne.

Pereiros
Em Maio de 1822, por 28 dias, andou a junta de Manoel Andrade, entre Abrantes e Nisa, a puxar o trem do hospital, em Abrantes, a fazer carregos, e de Abrantes a Castelo de vide, a levar o trem do hospital.

Tripeiro
Em Maio e Junho de 1812, foram para Abrantes e lá ficaram a acarretar lenha, durante 32 dias, três juntas de vacas de Manoel Vas, Joaõ Ribeiro e Manoel Antunes Maximo.

Violeiro
Em Maio e Junho de 1812, partiram duas juntas de vacas para Abrantes e trabalharam durante 30 dias. A junta de Joze Pires fez duas viagens a Elvas, para levar bolacha. A junta de Joze Rodrigues mosso puxou o trem do hospital de Abrantes para Nisa e depois fez outro serviço de Nisa para Elvas.

No livro que serve de base a este trabalho, abaixo indicado, defendeu-se que as juntas em que foram indicados dois donos resultavam da junção de duas vacas de proprietários diferentes.
O autor foi vítima do individualismo agrário em que cresceu, em S. Vicente. Mais tarde, aprendeu o que era a torna, na freguesia das Sarzedas, e conheceu a prática comum da pastorícia, nas aldeias da freguesia da Sobreira Formosa, onde, cada dia, uma pessoa apascentava o gado de todos. Há dias, soube, por um aluno, que, numa aldeia da freguesia de Alvito da Beira, só existia uma junta de bois, propriedade de 6 famílias, ficando cada família com a junta de bois, por uma semana.
Era certamente esta a realidade nas povoações do antigo concelho de S. Vicente da Beira, em inícios do século XIX. Nos casos em que se indicam dois proprietários, é porque teriam a junta a meias, um foi com ela, mas os dois apresentaram a conta, para pagamento do serviço.


Para saber mais, consultar: "O Concelho de S. Vicente da Beira na Guerra Peninsular", de José Teodoro Prata, publicado pela Associação dos Amigos do Agrupamento de Escolas de São Vicente da Beira, em 2006.