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segunda-feira, 27 de março de 2017

Profissão: serrador

Numa vista de olhos recente pelos registos de batismo dos anos vinte e trinta do século passado constatei que muitos dos pais das crianças batizadas tinham a profissão de serrador. Eram muitos, principalmente no Mourelo, Pereiros, Partida, Violeiro e Vale de Figueira.
Achei interessante esta informação porque, entre outras coisas, nos dá conta da importância da floresta na economia da nossa terra e de como a madeira, talvez a par da pedra e do barro, foi um dos materiais de construção mais importantes de outros tempos.
Nesta ruína que encontrei há dias no Fundão, mas que podia ser por cá, podemos ver bem a quantidade de madeira que era necessária para construir uma casa, e como ela era imprescindível em todas as fases da sua construção: telhado, paredes, chão, portas, janelas, varandas…

   
Não sei se é por serem só materiais da terra e dizerem tanto do trabalho árduo dos nossos antepassados, mas ao olhar para estas ruínas sinto a mesma emoção de quando aprecio a obra de um grande artista.

M. L. Ferreira

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A batalha da Oles

O cavaleiro vem pela estrada que da portela da serra desce para o território muçulmano. O cavalo marcha às cautelas, no piso íngreme e pedregoso. Ao longe, deles sobressai nos matos uma mancha branca com o risco vermelho das cruzes templárias.
O ribeirito que segue junta-se a outro e é ali a capela da Orada, à esquerda. Prende o cavalo num amieiro e dirige-se para a capela, misturando-se com os camponeses que vêm à missa do domingo. O edifício de pedra enegrecida sobressai no manto verde do adro, com grandes amieiros encostados, do lado do ribeiro. É um templo baixo e de aspeto rústico, quase tosco.
O cavaleiro transpõe a porta e ajoelha em frente ao altar. Depois ladeia-o, à procura da sacristia. Era atrás do altar e o ermitão já vinha a sair quando o cavaleiro enche a porta com a sua figura. Saúdam-se com reverência e conversam por alguns minutos. Depois, o presbítero dirige-se ao altar e o cavaleiro junta-se ao povo cristão.
Homens e mulheres lançam-lhe olhares curiosos e, no regresso da comunhão, encaram-no de frente: é encorpado, rosto escondido nas barbas arruivadas e os cabelos curtos e claros, à mostra pelo capacete que o cavaleiro segura na mão.
No final da missa, frei Gonçalo diz ao que vem o cavaleiro da cruz. É companheiro de Dom Afonso Henriques, o rei cristão que desde Coimbra vem empurrando os governantes do Islão para sul, dilatando a Cristandade e libertando os fiéis do único Deus verdadeiro.
O cavaleiro avança para o altar, flete o joelho e faz o sinal da cruz. Depois coloca-se ao lado do presbítero e fala. Chegara a hora de libertar as gentes da diocese egitaniense do longo cativeiro muçulmano. Os cavaleiros cristãos já aguardavam na encosta norte da Ocaia, mas chegavam notícias de reforços para o exército muçulmano, com cavaleiros vindos de além Tejo.
Estas palavras trazem inquietação aos camponeses. Vasco Anes tinha uma filha casada com um mouro cultivador dumas terras no monte do Mourelo e Rodrigo Peres era amigo do comerciante mouro que lhe trazia as ferramentas para a lavoura e ainda no ano passado lhe vendera um belo garrano. O cavaleiro termina agora. Pede-lhes segredo e vigia aos movimentos do exército inimigo. E ajuda em homens de armas, quando chegasse a hora do confronto militar.
Frei Gonçalo faz sinal a dois homens. Depois desenha no ar o sinal da cruz e despede-se do seu rebanho. “Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe!” Homens e mulheres saem para o adro de rostos fechados. Contornam a capela e nas traseiras aguardam a sua vez, junto à fonte. Bebem o suficiente para a caminhada e purificam os rostos. Depois, cada um toma a direção do seu casal, de coração apertado, sem o que dizer uns aos outros.
Na sacristia, o presbítero apresenta ao templário os dois camponeses, Fernão Mendo e Antão Fernandes, pai e filho, dos mais tementes a Deus e que odeiam os infiéis, com quem não tinham relações de sangue ou especiais amizades. Os quatro fazem as combinações que ali os retinham e depois cada um vai à sua vida.
A semana foi de grandes canseiras para Antão, Fernão e companheiros que foram juntando à causa dos conquistadores cristãos. Atalaias pelos altos, subidas e descidas ao castelo, no alto do penhasco, correrias pela noite dentro, a recrutar homens de armas, pelos casais espalhados pela serra, nos montes da charneca e pelo campo. No fim da semana, encontram-se com o cavaleiro templário, para lhe contar dos movimentos dos guerreiros muçulmanos, em deambulações pelo extenso campo que se estende aos pés da serra. E fazem os acertos para o embate com os infiéis.
No dia seguinte, o exército cristão cruza a serra e pernoita no vale da ribeira, fora das vistas largas do campo. Aos primeiros sinais do alvorecer, marcha para sul, seguindo o curso de água. Depois, os cavaleiros e peões encaram os primeiros raios de sol e continuam a marcha, sempre para nascente.
Já avançam em campo aberto, seguindo caminhos ondulados por entre matos e vinhedos. Soa um longo toque de chifre de boi, vindo do castelo, sinal combinado de avistamento do inimigo. Os olhos perscrutam o campo sul e em breve se vislumbra uma mancha cintilante em movimento.
O exército cristão chega bem à vista do castelo da serra e pára. É primavera e as águas do ribeiro dos enxidros saltitam nos últimos declives da encosta. Os guerreiros ajoelham nas suas margens e bebem de borco, com o rosto mergulhado na água cristalina. Depois as montadas. Camponeses saem do meio da mata de carvalhos, com cestos de pão para os guerreiros. As bestas pastam nas ervas verdes. Aguarda-se.
Dois toques ecoam pela serra. Os infiéis aproximam-se. Os cristãos aprontam-se. Uma espera silenciosa, longa, enervante. “Estes moçárabes são de confiança?” O templário garante que sim. Finalmente soa o terceiro e último aviso, três longos toques. O comandante levanta o braço e todos se aquietam, mãos crispadas nos cabos das lanças e nos punhos das espadas. Distingue-se já nitidamente o tropel dos cavaleiros que se aproximam. São muitos, mais do que os desejados.
Os dois corpos penetram-se, gritos de raiva e dor. Os cavaleiros cristãos são empurrados, encosta acima, já se luta na orla da mata. O templário procura com o olhar os reforços moçárabes. Soaram os quatro toques curtos a eles destinados, mas ninguém sai da mata. Do castelo, Antão segue com desespero o desenrolar da contenda. Tardam os homens que o pai devia comandar. Grita aos dois companheiros de vigia, montam os jumentos e atiram-se serra abaixo. Dentro da mata, Fernão tenta convencer os companheiros do valor da luta, mas eles olham o formigueiro de muçulmanos e consideram que esta luta desigual não é a que lhes fora prometida. E pensam no sossego dos seus casais, nos familiares e amigos que têm no outro lado.
Frei Gonçalo aparece do nada e fala-lhes da paixão de Cristo, do prémio do céu e do castigo dos infernos, razões mais fortes do que os efémeros prazeres da curta vida terrena. Todos empunham as lanças e correm, atrás de Fernão Mendo, encosta abaixo. Há muçulmanos para todos, por todos os lados. Agora, é matar ou morrer. Também combatem pela vida dos que deixaram em casa. A luta alonga-se, no tempo e no campo da Oles. Já no pino do sol, os infiéis começam a recuar frente aos cristãos. Depois gritam-se ordens de retirada e os guerreiros de Alá fogem do campo de batalha, perseguidos por quem ainda tem forças.
Os homens deixam-se cair exaustos. Procuram-se amigos e conhecidos, choram-se os mortos, com os rostos fechados. Juntam-se os guerreiros e aclamam o seu rei. Os moçárabes, com Antão à frente, chegam-se aos vivas. O templário apresenta ao rei os camponeses destemidos que tanto ajudaram na vitória.
“O que mais desejais que o vosso rei vos dê, em sinal de agradecimento pela vossa valorosa ajuda?”
Antão Mendo olha os companheiros e adianta-se. Ajoelha em terra e pede:
“Saiba Sua Majestade que precisamos de uma igreja paroquial, pois a nossa Orada é diminuta e muito dentro da serra, longe dos casais onde moramos.”
“Que seja como pedis. Mando que se erga uma igreja no local onde pernoitámos esta noite. Dou-vos esta bolsa de moedas para ajudar a erguer o templo. Quando estiver construído, ide à minha corte e dar-vos-ei um orago, juntamente com privilégios e isenções.”
“Que Deus abençoe Vossa Majestade!” Agradece um religioso, aproximando-se.
“É frei Gonçalo, o presbítero da Orada que me ajudou a organizar o apoio destes moçárabes.” Informa o templário.
“Louvo o vosso contributo para esta obra de Deus que é a expansão do reino de Portugal. Sereis o cura da nova igreja.”
E acrescenta, para todos:
“Dou-vos uma igreja, com a condição de irdes todos os anos em romagem ao castelo da serra, para que não se perca da memória dos homens a vitória que hoje aqui alcançámos, orientada do alto daquele penhasco por um punhado de homens valentes.”
Os camponeses carregam os corpos dos que tombaram e regressam aos seus lares, satisfeitos da vitória, mas temerosos que a contenda alastre para as suas famílias de sangues tão misturados.


Fundamentos:
Afonso Henriques – A tradição diz que ele esteve na batalha, mas esta poderá ter sido travada apenas pelos Templários. Cerca de 1160, o rei doa aos Templários as terras entre o Zêzere e o Tejo (a Covilhã era do rei), muitas ainda muçulmanas. São eles que conquistam, depois, Idanha-a-Velha e Monsanto. Será desses anos a Batalha da Oles. Mas, por outro lado, S. Vicente nunca pertenceu aos Templários, mas sim ao território real da Covilhã, pelo que o recontro da Oles pode ser anterior. Em 1169, dá-se o desastre de Badajoz e o rei fica inválido para a luta, encarregando dessa tarefa os filhos Fernando Afonso e D. Sancho (I).

Batalha da Oles – Esta batalha está descrita nas Memórias Paroquiais de S. Vicente da Beira. O vigário da época escreveu que os naturais observavam a batalha do alto do castelo e que os cristãos estavam a perder, porque os muçulmanos eram copiosos (muitos). Então desceram do castelo e ajudaram o exército de D. Afonso Henriques, saindo vitoriosos. Por isso, D. Afonso Henriques mandou fazer a romagem anual ao Castelo Velho.

Castelo Velho – Embora pouco estudada, esta fortificação da Idade do Bronze (de há cerca de 3 000 anos) tem sinais de reutilização na época da Reconquista.

Diocese egitaniense (de Egitânia, Idanha-a-Velha) – Os muçulmanos eram tolerantes em matéria religiosa, pelo que os cristãos tinham liberdade de culto, mediante o pagamento de um imposto. Aquando da Reconquista, a Egitânia ainda tinha bispo, logo transferido para a Guarda. Ainda hoje a diocese da Guarda se designa por diocese egitaniense. A paróquia da Orada pertenceria à diocese da Egitânia.

Estrada – Tem origem romana a estrada que atravessa a Gardunha, de S. Vicente para o Fundão. Na Fonte da Portela e Vinhas, o piso é romano, mas acima da Orada é já medieval, do tempo dos mouros, como diz a tradição.

Fonte da Orada – A antiga fonte situava-se nas traseiras da capela. Só em meados do século XX, nas obras realizadas pelo Pe. Tomás, essa fonte foi substituída pela bica na outra margem do ribeiro. É costume as pessoas molharem a cara na água da fonte, por a considerarem santa. Na realidade, a água terá algumas qualidades medicinais, nomeadamente para as infeções dos olhos.

Mata (das Vinhas) – A toponímia medieval e a documentação do século XVIII referem a Mata das Vinhas. Existiria uma mata, certamente de carvalhos, junto à Oles, pois a ser de sobreiros ou castanheiros chamar-se-ia sobreiral (Sobreiral/Sobral) ou souto. No século XVIII (e ainda hoje), existiam muitos carvalhos acima de Alpedrinha. Os pinheiros só se impuseram na paisagem nos finais do século XIX e inícios do séxulo XX.

Moçárabes – Era o nome dado aos cristãos que residiam no sul muçulmano, o Al-Andalus. Foram eles que conservaram o culto a São Vicente e por isso se pensa que todas as povoações com topónimos de S. Vicente são antigas comunidades moçárabes.

Mourelo – É possível que o termo venha de mouros.

Ocaia – É outra denominação da nossa serra, anterior a Gardunha, esta da época muçulmana. O primeiro foral de S. Vicente da Beira (1195) designa a serra por Ocaia.

Oles – Zona no sopé sul da Gardunha, junto ao Louriçal do Campo, no caminho para S. Vicente da Beira.

Orada – Frei Agostinho de Santa Maria visitou a ermida e escreveu, no Santuário Mariano, em 1711, que se pensava ter sido esta capela a igreja paroquial dos cristãos da zona, no tempo dos godos. Se o foi no tempo dos godos, continuou a sê-lo, depois com os muçulmanos, que se seguiram aos visigodos.

Ribeiro do Enxidro - Existe, mas proximidades da Oles, um ribeiro com este nome.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pneumónica 4

Conclusões
Apresentam-se algumas conclusões sobre a incidência da Gripe Pneumónica de 1918, na freguesia de São Vicente da Beira. Conclusões forçosamente parciais, pois o estudo ainda não está terminado.

1. A Gripe Pneumónica é a mesma que agora denominamos por Gripe A.

2. A Gripe Pneumónica atacou Portugal por três vagas: final da Primavera e início do Verão de 1918, Outono de 1918 e Inverno/Primavera de 1919, mas apenas a segunda provocou grande mortalidade.

3. A nível nacional, foi no mês de Outubro que se registou a maior mortalidade. Mas, na freguesia de S. Vicente da Beira, o mês de Novembro foi o mais mortífero.

4. A média dos óbitos de 1917-1919 foi de 4,8 mortes por mês, exceptuando os meses da Pneumónica, em que os óbitos subiram para 20, em Outubro, e 66, em Novembro.

5. Portugal Continental teve uma taxa de mortalidade de 1,08%, com um máximo de 7% em Benavente, Ribatejo. A freguesia de S. Vicente da Beira registou uma taxa de mortalidade de cerca de 2,40%, uma percentagem superior à média nacional.

6. A Gripe Pneumónica entrou na freguesia pelo Tripeiro, S. Vicente e Casal da Serra, povos onde se registaram mais óbitos, em Outubro. No mês seguinte, continuou a fustigar o Casal da Serra e S. Vicente, mas provocou enorme mortandade também na Partida. As restantes povoações, excepto o Tripeiro, a Paradanta e Pereiros, registaram poucas mortes.

7. Na época, S. Vicente, Partida e Casal da Serra eram as povoações maiores da freguesia (ver publicação “Curiosidade Demográfica”, do passado 31 de Outubro). Tal facto não justifica, só por si, uma maior mortalidade. Esta ter-se-á devido, também, ao facto de as pessoas estarem mais juntas e por isso transmitirem a gripe umas às outras, mais facilmente.

8. A Paradanta é a excepção que nos impede de concluir que a Gripe atacou as povoações maiores e localizadas em corredores viários. No entanto, este povo situa-se num corredor formado pelos vales de dois ribeiros, que eram locais de passagem. Um corre para oeste, para a Partida, onde, com outros, forma a Ribeira do Tripeiro, e o outro corre para nordeste, pelo Vale D´Urso e Castelejo.

9. O Vale de Figueiras não teve óbitos nestes meses, e o Violeiro e o Mourelo sofreram mortalidades muito aquém do que seria normal, em povos com da sua dimensão.

10. Durante a Gripe Pneumónica, as 10 camas do Hospital da Misericórdia só receberam doentes da Vila e a elite local não foi ali internada (terá pago consultas a domicílio). Desconhecemos se o internamento unicamente de pessoas de São Vicente se terá devido a uma proibição de deslocação de doentes ou se, simplesmente, os familiares optaram por não sujeitar os doentes a grandes deslocações, por falta de esperança na cura ou para não agravar o seu estado de saúde. A documentação do Hospital nada refere sobre uma proibição, interna ou externa, de internamento de doentes de fora da Vila.

11. Na povoação de São Vicente, o internamento no Hospital terá atenuado a mortalidade, pois dos 29 doentes ali internados com Gripe Pneumónica, apenas 4 faleceram. A excepção terá sido Maria de Jesus Hipólito, esposa do enfermeiro do Hospital, que possivelmente contraiu o vírus através do seu marido.

12. Em 1918, o único cemitério da freguesia era o de São Vicente, certamente sem capacidade para receber tantos mortos. Sabemos que, no Casal da Serra, foram sepultados num terreno à esquerda da antiga capela, localizada no início da Rua da Lagariça. Situações semelhantes terão ocorrido noutros povos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Pneumónica 3

Óbitos de Novembro
Apresentam-se, hoje, os óbitos de Novembro de 1918, aquando da Gripe Penumónica. Os nomes das pessoas estão copiados tal como foram escritos nos registos da Igreja Matriz de S. Vicente da Beira.

01-11-1918: Maria Rita Raymundo, de 80 anos, viúva de Jose Raymundo, natural e moradora em S. Vicente da Beira.

01-11-1918: Maria da Anunciação, de 40 anos, casada com Francisco Marcelino, moradora no Casal da Fraga, São Vicente da Beira.

01-11-1918: Francisco Jeronymo, de 26 anos, cultivador, casado com Maria da Luz Romualdo, natural e morador em São Vicente da Beira. Faleceu no Hospital.

01-11-1918: Domingos Leonardo, de 23 anos, solteiro, guarda republicano, filho de Antonio Leonardo e Antonia Raposa, morador na Partida.

01-11-1918: Maria de Jesus, de 29 anos, solteira, costureira, filha de Joaquim Antunes e Joaquina Maria, natural dos Pereiros.

02-11-1918: Jose Alves Páscôa, de 49 anos, jornaleiro, natural do Violeiro, filho de Antonio Alves Páscôa e Carolina Maria, já falecidos.

02-11-1918: Maria Rosalina, de 24 anos, solteira, natural da Partida, filha de Joaquim Gonçalves e Maria Rita, moradores no mesmo povo.

02-11-1918: Ana Josefa, de 40 anos, natural e residente nos Pereiros, filha de João Antunes e Josefa Santos, naturais e moradores no mesmo povo.

02-11-1918; João Caetano, de 35 anos, casado com Ana Serra, cultivador, filho de Simão Caetano e Maria Ana, todos naturais do Casal da Serra.

03-11-1918: Theodora Marques, de 63 anos, solteira, costureira, filha de Joaquim Marques e Theodora dos Santos, naturais e moradores em São Vicente da Beira.

03-11-1918: Filippe Miguel, de 32 anos, filho de Antonio Lino Lopes e Maria José Nunes, todos naturais e moradores em São Vicente da Beira.

03-11-1918: João Frade, de 27 anos, serrador, casado com Antonia Maria, natural dos Pereiros e a viver na Partida, filho de João Frade e Ana Frada, moradores na Partida, de onde são naturais.

03-11-1918: Maria de Jesus, de 12 anos, natural do Casal da Serra, filha de Simão Caetano e Maria Joaquina, ambos moradores no mesmo povo.

03-11-1918: Antonio Martins, de 7 anos, filho de Antonio Martins e Lucia Craveiro, naturais e moradores no Casal do Baraçal, São Vicente da Beira.

04-11-1918: Francisco Pereira, de 65 anos, viúvo de Maria Joana, natural e morador em São Vicente da Beira.

04-11-1918: Joaquim da Silva Lobo, de 38 anos, jornaleiro, casado com Carolina Barata, filho de Antonio da Silva Lobo e Maria dos Santos, naturais e moradores no Casal da Fraga, São Vicente da Beira.

04-11-1918: João dos Reis Alves, de 27 anos, cultivador, natural e residente nos Pereiros, filho de Manuel Alves, jornaleiro e Francisca Maria, naturais e moradores no mesmo povo.

05-11-1918: Maria de Deus, de 7 meses, filha de José Báu e Maria do Carmo, naturais e moradores em São Vicente da Beira.

05-11-1918: Manuel Lourenço, de 4 anos, filho de João Lourenço e Izabel Maria, naturais e moradores no Mourelo.

05-11-1918: Antonio Alberto, de 19 meses, filho de Alberto Venancio e Angelina Fernandes, naturais e moradores no povo da Partida.

05-11-1918: Julia Fernandes, de 14 anos, filha de Joaquim Martins e Antonia Fernandes, todos naturais e moradores na Partida.

06-11-1918: Maria Augusta, de 50 anos, jornaleira, casada com José Simão, naturais e moradores em São Vicente da Beira.

06-11-1918: Bento Venancio, de 7 anso, filho de Antonio Maria Venancio e Ana Joaquina, todos naturais e moradores na Partida.

06-11-1918: Jose Leitão, de 5anos, filho de João Leitão e Maria do Rozário, todos naturais e moradores na Partida.

06-11-1918: Antonio Lourenço, de 44 anos, casado com Maria Felicia, natural da Partida, filho de João Lourenço e Maria Vitoria, também moradores na Partida.

07-11-1918: Filomena Nunes, de 30 anos, casada com Amandio Barroso, natural do Casal da Serra, filha de Joaquim Gama e Rosa Nunes, naturais e moradores no mesmo povo.

08-11-1918: João Castanheira, de 45 anos, caiador, casado com Antonia Pereira, filho de Francisco Castanheira e Ana de S. José, todos naturais e moradores em São Vicente da Beira.

08-11-1918: João Agostinho, de 19 anos, jornaleiro (sardinheiro, segundo o registo do Hospital), filho de André Agostinho e Maria da Conceição, naturais e moradores em São Vicente da Beira. Faleceu no Hospital.

08-11-1918: Maria dos Anjos, de 25 anos, filha de João Antunes Amendôa, natural da Partida e domiciliada no Ribeiro de Dom Bento, São Vicente da Beira.

08-11-1918: Maria Pedra, de 18 anos, natural da Torre e moradora nos Pereiros, filha de João Lucas e Joaquina Pedra, moradores nos Pereiros.

09-11-1918: Ana da Ascensão, de 3 anos, natural da Partida, filha de Alberto Venancio e Angelina de Jesus, moradores no mesmo povo.

09-11-1918: Maria Antonia, de 30 anos, solteira, natural de São Vicente da Beira, filha de Francisco Pereira e Maria Joana, já falecidos.

09-11-1918: João Duarte Romualdo, de 35 anos, proprietário, morador no Ribeiro de Dom Bento, São Vicente da Beira, filho de Joaquim Duarte Romualdo e Maria Martins desta vila.

09-11-1918: Francisco Lucas, de 4 anos, filho natural de Filomena Lucas, natural e moradora em São Vicente da Beira.

09-11-1918: Beatriz de Jesus, de 18 anos, natural dos Pereiros, filha de Antonio Martins e Ana Varanda, moradores no mesmo povo.

10-11-1918: Maria Jose, de 16 anos, filha de Jose Sarnada e Maria Rosa Santos, naturais e moradores no Casal da Serra.

10-11-1918: Josefa Maria, de 80 anos, viúva de Francisco Alves, natural e moradora na Partida.

11-11-1918: Manuel Martins Paiagua, de 50 anos, ganhão, casado com Rita Maria, moradores no Casal do Baraçal, São Vicente da Beira, filho de José Martins Paiagua e Emilia Maria.

11-11-1918: Alberto Venancio, de 33 anos, casado com Angelina de Jesus, morador na Partida, filho de Antonio Venancio e Maria Rozario, do mesmo povo.

11-11-1918: João Martins Leitão, de 39 anos, casado com Maria Rozaria, natural da Partida, filho de Manuel Leitão e Josefa Maria, do mesmo povo.

12-11-1918: Maria Izabel, de 9 anos, filha de José João e Izabel Maria, naturais e moradores na Paradanta.

13-11-1918: Maria José Patricio, de 15 anos, filha de Joaquim Matias e Ana Patricio, moradores em São Vicente da Beira.

13-11-1918: Manuel Francisco, de 4 anos, filho de Francisco Carrilho e Albina Maria, naturais e moradores na Partida.

13-11-1918: Manuel de Jesus, de 8 anos, filho de João Alves e Maria Inês, moradores nos Pereiros.

13-11-1918: Maria dos Anjos, de 4 anos, filha de Manuel Duarte Romualdo, proprietário, e Maria Balbina, moradores no Ribeiro de Dom Bento, São Vicente da Beira.

14-11-1918: Sebastião Amoroso, solteiro, de 80 anos, natural e morador no Casal da Serra, filho de Manuel Caetano e Maria Amorosa, naturais do mesmo povo.

14-11-1918: Maria do Nascimento, de 35 anos, casada com Joaquim Teodoro, moradores no Casal do Baraçal, São Vicente da Beira, filha de Manuel Marques e Ana Maria.

14-11-1918: Cesar Marques Neto, de 13 anos, seminarista, natural de São Vicente da Beira, filho de Antonio Marques, já falecido, e de Maria Neto Raposo.

15-11-1918: Francisco Frade, de 25 anos, solteiro, serrador, filho de Antonio Frade e Maria Freire, naturais e moradores na Partida.

15-11-1918: Ana da Ressurreição, de 2 anos, filha de Manuel da Cruz e Maria de S. João, naturais e moradores no Casal da Serra.

15-11-1918: Maria Celeste, de 18 anos, solteira, filha de Manuel Paulo e Maria Felicia, moradores no Tripeiro.

16-11-1918: Leopoldina Maria, de 60 anos, casada com Domingos Jacinto, filha de pais incógnitos, moradora na Paradanta.

16-11-1918: João Lourenço, de 7 anos, filho de Antonio Lourenço e Maria Felicia, moradores e naturais da Partida.

16-11-1918: Silvestre Serra, de 24 anos, casado, natural do Casal da Serra, filho de Luciano Serra e Ana Barrosa, moradores no dito casal.

16-11-1918: Maria Filomena, de 4 anos, filha de João Alves e Maria Inês, naturais e moradores nos Pereiros.

17-11-1918: Joaquim Varanda, de 64 anos, casado com Maria Balbina da Conceição e morador no Tripeiro, filho de Joaquim Varanda e Ana Moreira.

17-11-1918: Joaquim Martins, de 2 meses, filho de Augusto Martins e Maria Calmôa da Silva, moradores em S. Vicente da Beira.

17-11-1918: Antonio Filipe Salvado, de 23 anos, proprietário, solteiro, filho de João Filipe e Joaquina Maria, naturais e moradores na Paradanta.

18-11-1918: Maria de Jesus Hipólito, de 35 anos, casada com Joaquim Caio, funileiro, moradores em S. Vicente da Beira. Era filha de Joaquim Hipólito de Jesus e Maria Antonia, da mesma vila. Faleceu no Hospital.

18-11-1918: José Amandio, de 5 anos, filho de Amandio Barroso e Filomena Nunes, moradores no Casal da Serra.

19-11-1918: Justina Maria, de 14 anos, filha de José Bartolomeu, cultivador, e Maria Justina, moradores na Partida.

21-11-1918: Maria, de 10 meses, filha de José Lopes e Maria Justina, naturais e moradores na Partida.

22-11-1918: Manuel Bento, de 10 dias, filho de Antonio Maria Venancio e Ana Joaquina, moradores na Partida.

24-11-1918: Maria Carlota, de 6 meses, filha de José Simão e Ana Maria, moradores em S. Vicente da Beira.

26-11-1918: Bernardo Candeias, de 24 anos, jornaleiro, solteiro, filho de Manuel Candeias e Maria do patrocínio, moradores no Casal da Serra.

26-11-1918: Maria Matias, de 40 anos, filha de Domingos Leitão e Maria Matias, todos naturais e moradores na Partida.

26-11-1918: Antonio Rato, de 14 anos, filho de José Rato e Josefa Maria, naturais e moradores no Violeiro.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pneumónica 2

Os óbitos de Outubro

A freguesia de São Vicente da Beira registou, entre 1917 e 1919, uma média mensal de 4,8 óbitos, sem contar com Outubro e Novembro de 1918, os meses da gripe pneumónica. Nestes, o número de mortos subiu para 20, em Outubro, e 66, em Novembro.
Esta maior mortalidade em Novembro contraria a tendência nacional, em que o mês mais mortífero foi o de Outubro.
Como os registos do Hospital só nos dão informação detalhada de 4 óbitos por gripe pneumónica, temos de utilizar os registos paroquiais, que não apontam a causa da morte.
Nem todos morreram por gripe pneumónica, nestes dois meses, mas foram a quase totalidade. A gripe pneumónica atacou sobretudo os jovens e adultos jovens, pelo que temos de excluir os idosos, possivelmente já imunizados por uma epidemia da mesma doença ocorrida em 1889. Os bebés talvez também tenham sido vitimados pela gripe pneumónica, embora nestes não haja tantas certezas, pois ainda era habitual morrerem muito e raramente eram levados ao hospital.
Apresentam-se, hoje, os óbitos de Outubro de 1918. Transcrevem-se os nomes tal como foram registados.

02-10-1918: Leopoldina, de 1 ano, filha de Manuel Joaquim e Maria Domingas, naturais e moradores no Tripeiro.

02-10-1918: Maria, de 16 meses, filha de Antonio Soares cruz e Maria Serra, jornaleiros, naturais e moradores no Casal da Serra.

04-10-1918: Gracinda, de 4 anos, filha de Antonio Afonso e Maria da Conceição, jornaleiros, naturais e moradores no Tripeiro.

12-10-1918: Antonio, de 1 ano, filho de João Caio e Serafina da Conceição, jornaleiros, naturais e moradores no Casal da Serra.

12-10-1918: João Nunes, de 45 anos, solteiro, mendigo/jornaleiro, natural do Mourelo. Faleceu no Hospital, de febre paratifóide.

16-10-1918: Maria dos Anjos da Silva Leal, de 35 anos, casada, doméstica, natural dos Pereiros, filha de Joaquim da Silva Leal e Isabel Maria, proprietários.

22-10-1918: Jose Duarte Soalheira, de 70 anos, viúvo de Antonia Clara, jornaleiro, natural e morador em S. Vicente da Beira, filho de Francisco Duarte e Luiza Bernarda.

22-10-1918: Albertina, de 20 meses, filha de Francisco João e Joaquina Alves, naturais e moradores na Paradanta.

24-10-1918: Jacinta Maria, de 34 anos, casada com Joaquim Bartolomeu, natural e moradora na Partida, filha de João Alexandre e Joaquina Maria.

26-10-1918: Adrião Mateus, 27 anos, solteiro, jornaleiro, natural e morador em S. Vicente da Beira, filho de José Mateus e Maria Luxindra, também de S. Vicente.

26-10-1918: Maria de Oliveira, de 52 dias, filha de Lopo Vitorino e Carolina de Oliveira, naturais e moradores em S. Vicente da Beira.

28-10-1918: Maria Luisa, de 3 anos, filha de Alexandre Caio e Antonia Carlota, naturais e moradores no Casal da Serra.

29-10-1918: Maria Amalia Roque, de 21 anos, solteira, doméstica. Filha de Manuel Roque e Ludovina Varanda, moradores em S. Vicente da Beira, na Rua Nicolau Veloso.

30-10-1918: Emilia do Rosario, de 23 anos, doméstica, filha de Francisco Afonso e Maria Sebastiana, naturais e moradores no Tripeiro.

30-10-1918: Maria do Rosario, de 23 anos, doméstica, filha de Antonio Fernandes (já falecido) e Maria Ludovina, moradora em S. Vicente da Beira.

30-10-1918: Antonio Caio, de 16 meses, filho de Alexandre Caio e Antonia Carlota, naturais e moradores no Casal da Serra.

31-10-1918: Ana Ramalho, de 29 anos, doméstica, filha de João Ramalho e Maria de São Pedro, todos naturais e moradores no Casal da Serra.

31-10-1918: Antonio Lourenço, de 28 anos, natural do Tripeiro, filho de José Lourenço e Maria Joaquina, moradores também no Tripeiro.

31-10-1918: Antonio Candeias, de 14 anos, pastor, filho de Manuel Luis Candeias e Maria da Conceição, naturais e moradores em S. Vicente da Beira. Faleceu de gripe pneumónica, no Hospital.

31-10-1918: João Marcelino, de 25 anos, filho de Joaquim Marcelino e Maria Ana, todos naturais e moradores no Tripeiro.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Invasões Francesas 11


A conquista de Ciudad Rodrigo
A 3.ª invasão francesa terminou, após a batalha do Sabugal (03/04/1811). Os franceses retiraram para Espanha, mas dominavam ainda a fortaleza fronteiriça de Ciudad Rodrigo, continuando a ser uma ameaça para Portugal.
No Inverno do ano seguinte, o exército luso-britânico, sob o comando de Wellington, tomou esta fortaleza, após um cerco que se prolongou de 8 a 19 de Janeiro de 1812.
Homens e bestas tinham de comer. E é aqui que entram os nossos antepassados.
No Verão e Outono de 1811, foram muitos os serviços prestados pelos nossos carreiros, todos a transportar mantimentos para as tropas que se começavam a concentrar na Comarca de Castelo Branco, que na época incluía o Sabugal.
Alguns transportes eram de âmbito local, mas a maioria destinava-se a trazer alimentos de Abrantes para a sede desta comarca.
Mas foi sobretudo para abastecer as tropas em Ciudad Rodrigo, após a sua conquista, que estes transportes ganharam uma particularidade que os diferencia dos restantes.
No concelho de S. Vicente da Beira, como aliás terá sucedido nos restantes concelhos da região, fez-se uma recolha de palhas e fenos, que depois se transportaram para um outro centro, este possivelmente regional, a vila de Alpedrinha.
Dali, as palhas e fenos foram levados para Bismula, no concelho do Sabugal, muito próximo de Aldeia da Ponte, povoação fronteiriça, por onde passava a estrada de ligação a Espanha (não assinalada no mapa, em baixo), quase em linha recta para Ciudad Rodrigo.


Mapa de localização da região referida no texto. Destaque para as fortalezas de Almeida e Ciudad Rodrigo. Bismula está apenas assinalada com uma linha fechada, sem nome, pois não consta deste mapa (clicar no mapa, para ver melhor).


Entrada da fortaleza de Ciudad Rodrigo


Ponte romana de acesso a Ciudad Rodrigo, sobre o rio Agueda, afluente do Douro


A catedral de Ciudad Rodrigo

Carreiros que fizeram serviços de transporte de S. Vicente para Alpedrinha:
Pedro, ganhão de Berardo Joze Leal, da Vila, em Fevereiro de 1812
(O ganhão de) Francisco Antonio Simoens, da Vila, Janeiro de 1812
Joam Francisco e Joze Mateos, do Mourelo, Março de 1812
Joam Antunes Piqueno, do Mourelo, Março de 1812
Faustino Roiz e Joze Morozo, do Mourelo, Março de 1812
Manuel Antunes Frade e Joze Alves, do Mourelo, Março de 1812
Manoel Leitam e Joam Antunes, do Mourelo, Março de 1812
Manoel Leitam e Joze Alves, do Mourelo, Março de 1812
Joaquim Roiz Diabinho, do Mourelo, Março de 1812 (de Rochas de Cima para S. Vicente)

De Alpedrinha para Bismula andaram os seguintes carreiros:
Domingos Silva, da Vila, em Janeiro de 1812, 18 dias
(O ganhão de) Ignes, viúva de Domingos Vas Rapozo, da Vila, Janeiro de 1812, 18 dias
Joaõ Leitaõ Canuto, da Vila, em Janeiro de 1812, 18 dias
(O ganhão de) Francisco Ferreira, da Vila, em data não indicada, 18 dias


Bismula: fonte romana


Bismula: procissão

Fora destes dois circuitos, outros carreiros trouxeram farinha e aguardente, de Abrantes para Castelo Branco:
Joam Antunes Piqueno e Joze Antonio, do Mourelo, Janeiro de 1812, 11 dias
Manoel Joaõ, da Partida, Janeiro de 1812, 11 dias

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Invasões Francesas 9


Os invasores à chegada a Portugal, em Novembro de 1807, numa gravura da época.

Continuamos a dar notícia dos serviços prestados pelos ganhões da freguesia de S. Vicente da Beira, aos exércitos de Portugal e de Inglaterra, em luta contra os invasõres franceses, nos anos 1807-1812.

Vila
O ganhão de Francisco Ferreira foi de Abrantes para Cidade Rodrigo, com uma carrada de pólvora e bala, em Novembro de 1809. Gastou 28 dias.
A fortaleza de Cidade Rodrigo, na fronteira de Espanha com Portugal, desempenhou um papel muito importante nesta Guerra Peninsular, pois guardava uma das melhores portas de entrada de Espanha em Portugal.
O ganhão de Joaõ Roiz Lourenço Caio transportou farinha de Abrantes para Castelo branco, em Novembro de 1811, tendo demorado 10 dias. O carro de bois era puxado por uma vaca do patrão e outra da viúva de Antonio da Silva.

Mourelo
Em Novembro de 1811, foram dois carreiros deste monte, para a Covilhã, dali seguiram para Vila Velha, de onde voltaram para o Fundão. A documentação não nos informa da mercadoria que transportaram, mas sabemos que gastaram 13 dias.
Um carro era puxado pelas vacas de Joam Francisco e da viúva Maria Nunes. O outro pelas de Joze Mateos e Manoel Leitam.
Como já escrevi anteriormente, penso que estes lavradores tinham a junta a meias.

Para saber mais, consultar: "O Concelho de S. Vicente da Beira na Guerra Peninsular", de José Teodoro Prata, publicado pela Associação dos Amigos do Agrupamento de Escolas de São Vicente da Beira, em 2006.

domingo, 1 de novembro de 2009

Padre Lúcio Brandão


Foto roubada ao blogue saboresdabeira, que é o ponto de contacto dos ex-alunos do Verbo Divino, a viver na região de Lisboa. O nosso Chico Barroso é um dos dinamizadores. Na fotografia, o P.e Lúcio é 1.º à direita da fila de cima. Na fila de baixo, está o P.e Jerónimo.

Tem sentido usar este espaço para enviar um abraço do Padre Lúcio a todos os ex-alunos do Seminário do Tortosendo. A relação da Sociedade do Verbo Divino com a comunidade de S. Vicente da Beira é tão estreita que quase formam uma só.

Ontem, realizou-se mais um encontro dos ex-alunos do Seminário do Tortosendo. É todos os anos, sempre no último sábado de Outubro.
Da freguesia de S. Vicente da Beira, estávamos cinco: o reitor, Padre Jerónimo; o Irmão José Amaro, do Violeiro; um Magueijo do Mourelo, juiz desembargador jubilado, a viver em Lisboa; o José Jerónimo, reformado das Finanças e filho do (tio do meu pai) Miguel Jerónimo do Cimo de Vila, também a residir em Lisboa; e eu.
Tínhamos a receber-nos uma surpresa vinda do Brasil, o P.e Lúcio Brandão. Pediu-me, repetidamente, que desse um abraço, por ele, a todos os ex-alunos da SVD, naturais de S. Vicente da Beira. Aqui fica.
Quase todos os miúdos da escola o conheceram, mesmo sem terem frequentado o Seminário: ele era o missionário muito alto, com fala meio a cantar, que vinha todos os anos às turmas dos rapazes da Escola Primária, a maravilhar-nos com histórias das Missões e a perguntar quem queria seguir esse caminho.
O Padre Lúcio regressará brevemente ao Brasil, onde vive desde 2002.
Veio agora expressamente para participar nos 60 anos da Fundação da SVD em Portugal, precisamente no Seminário do Tortosendo.


Logotipo das Comemorações dos 60 Anos dos Missionários do Verbo Divino em Portugal.

Entre outros eventos, fez-se uma exposição, de que deixo uma imagem. Ao lado, está o caderninho do Maestro, com as notas dos alunos, no desempenho dos vários instrumentos!

Esta foto foi tirado do blogue http://svd-tortosendo.blogspot.com/. Podem lá encontrar outras, mas o melhor é visitar a exposição.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Invasões Francesas 8


Gravura da época das Invasões Francesas, representando um soldado francês a carregar com tudo o que pode levar, roubado aos portugueses.

No mês de Outubro de 1811, vários carreiros da freguesia de S. Vicente da Beira foram requisitados para prestar serviços aos exércitos português e inglês, em lutam contra os franceses.

Quatro carros de bois foram a Abrantes buscar mantimentos para Castelo Branco, conduzidos por:
Pedro,ganhão de Berardo Joze Leal, o feitor de Gonçallo Caldeira, o pai do futuro 1.º visconde da Borralha (trouxe uma pipa de vinho). Regressado a S. Vicente, foi mandado levar uma carga de pão cosido ao Fundão.
Manoel de Oliveira e Francisco Ferreira, de S. Vicente da Beira (transportaram farinha). Francisco Ferreira era uma pessoa importante na Vila, pelo que não teria a junta a meias com Manoel de Oliveira. Terá ido uma vaca de cada um.
Joam Antunes Piqueno e Joze Alves do Mourelo. Neste caso, é provável que tivessem a junta a meias. Aliás, pelo grande número de ganhões deste monte que faziam os transportes aos pares, é provável que essa fosse uma prática muito comum no Mourelo.
Joaõ Figueira dos Pereiros. Este carro e o anterior foram mandados de volta a Abrantes, para trazerem mais uma carga de mantimentos para Castelo Branco.

Cinco carros de bois partiram de S. Vicente, em comboio (todos juntos, uns a seguir aos outros) e chegaram ao Fundão. Aí não tinham nada para transportar e mandaram-nos à Covilhã, onde também não havia nada para levarem. Foram então enviados a buscar farinha a Vila Velha (aqui chegada via fluvial), para o Fundão. Andaram nesse serviço os seguintes ganhões:
Joze Mateos do Mourelo
Manoel Alves do Mourelo
Manoel Mateus da Partida
Joaõ Antunes dos Pereiros
Victorino, filho de Joanna Gonsalves, do Tripeiro

Domingos Silva de S. Vicente da Beira foi levar uma carga de centeio ao Sobral de Casegas, para as guerrilhas (grupos de populares armados, em luta contra os invasores franceses).

Para saber mais, consultar: "O Concelho de S. Vicente da Beira na Guerra Peninsular", de José Teodoro Prata, publicado pela Associação dos Amigos do Agrupamento de Escolas de São Vicente da Beira, em 2006.

domingo, 26 de julho de 2009

Invasões Francesas 3

Continuamos, hoje, a apresentar os lavradores do antigo concelho de S. Vicente da Beira que prestaram serviços como carreiros, para os exércitos português e inglês, em luta contra os invasores franceses.

Mourelo
No mês de Julho, em ano que não foi indicado, a junta de bois de Manuel Antunes Frade e Antonio Francisco Baranda levou uma carrada de bolacha de Vila Velha para a Guarda, num total de 13 dias.
Como anteriormente já alertámos, estes são os dias de serviço efectivo, não se tendo contabilizado o tempo gasto do Mourelo para Vila Velha e da Guarda para o Mourelo. Também já explicámos que estes dois lavradores teriam a junta a meias, à semana, para realizar os trabalhos agrícolas.

Paradanta
A junta de Francisco Mendes levou de Vila Velha para a Guarda um produto não especificado, certamente alimento, tendo demorado 10 dias, em Junho de 1812.
Nesta época, ainda não se acrescentara o termo Ródão ao nome Vila Velha.
Os produtos subiam o Tejo de barco, até ao porto de Vila Velha, sendo levados depois, nos carros de bois, para ao seu destino.

S. Vicente da Beira
Pedro, ganhão de Berardo Joze Leal, foi levar uma carrada de bolacha da Vila para a Soalheira, onde terá pernoitado um corpo do exército aliado. Partiu no dia 31 de Julho e regressou a 2 de Agosto de 1811.
Berardo Joze Leal era o feitor de Gonçallo Caldeira, pai do 1.º Visconde da Borralha. Gonçallo Caldeira já não morava em S. Vicente da Beira, mas ainda cá permanecia a sua mãe Ignes Caetana, viúva de Francisco Caldeira.

Para saber mais, consultar: "O Concelho de S. Vicente da Beira na Guerra Peninsular", de José Teodoro Prata, publicado pela Associação dos Amigos do Agrupamento de Escolas de São Vicente da Beira, em 2006.

sábado, 11 de julho de 2009

Estrada da Oles


Fui ver e sempre é verdade. A estrada da Oles está alcatroada, com risquinha ao lado e tudo!
Estamos em 2009, mas...bem bom.
Penso que, depois da ligação entre o Mourelo e o Tripeiro, no ano passado, com esta obra entre S. Vicente e o Louriçal fica concluída a rede de estradas que serve a nossa freguesia.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

As Invasões Francesas 2

Continuamos, hoje, a dar notícia dos carreiros (ganhões que transportavam de mercadorias nos carros de bois) da freguesia de S. Vicente da Beira, que prestaram serviços aos exércitos português e inglês, na Guerra Peninsular (1807-1812), conhecida por Invasões Francesas.
Para conhecer melhor as condições em que se andava nos embargos, deve consultar-se a anterior publicação “As Invasões Francesas”.
Como se pode verificar, faltaram muitos homens à romaria a Nossa Senhora da Orada, em Maio de 1812, e muitas terão sido as preces por eles rezadas!


Casal da Serra
Em Maio e Junho de 1811, Joze Francisco andou com a sua junta de vacas a puxar o trem do exército inglês, entre Abrantes e Nisa, e a prestar serviços aos exércitos, em Abrantes, durante 33 dias.

Mourelo
Em Maio de 1812, a junta de Manoel Leitam transportou mercadorias entre Abrantes e Elvas, durante 31 dias.

No mesmo serviço, período e data, andou também a junta de Jose Antonio e Jose Alves.

Pelo mesmo período e na mesma data, andou a junta de Joam Franses e Joze Mateos, mas a transportar lenha para um forno, em Abrantes, onde se situava o Quartel-general das tropas inglesa e portuguesa.
Este Franses não tem relação com os franceses que invadiram Portugal, em 1807-1812, pois esta família já vivia, no Mourelo, pelo menos 50 anos antes.

Paradanta
Em Maio e Junho de 1812, por 33 dias, andou Manoel Mendes, criado de Manoel Leitam, com a junta de vacas, entre Abrantes e Nisa, levando o trem do Hospital e entre Abrantes e Elvas, carregando pólvora e bala.

Partida
Em Abril de 1812, Manoel Mateus transportou cevada, no carro de bois, entre Abrantes e Nisa, e trouxe arroz e bacalhau, de Vila Velha para Castelo Branco. Gastou 11 dias nestes serviços, entre Abrantes e Castelo Branco.

Em Maio e Junho de 1812, a junta de Manoel Martins e Manoel Alexandre puxou o trem do hospital, entre Abrantes e Nisa e levou pólvora e bala de Abrantes para Elvas. Foram 33 dias.

Os mesmos 33 dias e na mesma data, mas entre Abrantes e o Pego, andou o ganhão de Antonio Fernandes a acarretar rama, vinho, pão e carne.

Pereiros
Em Maio de 1822, por 28 dias, andou a junta de Manoel Andrade, entre Abrantes e Nisa, a puxar o trem do hospital, em Abrantes, a fazer carregos, e de Abrantes a Castelo de vide, a levar o trem do hospital.

Tripeiro
Em Maio e Junho de 1812, foram para Abrantes e lá ficaram a acarretar lenha, durante 32 dias, três juntas de vacas de Manoel Vas, Joaõ Ribeiro e Manoel Antunes Maximo.

Violeiro
Em Maio e Junho de 1812, partiram duas juntas de vacas para Abrantes e trabalharam durante 30 dias. A junta de Joze Pires fez duas viagens a Elvas, para levar bolacha. A junta de Joze Rodrigues mosso puxou o trem do hospital de Abrantes para Nisa e depois fez outro serviço de Nisa para Elvas.

No livro que serve de base a este trabalho, abaixo indicado, defendeu-se que as juntas em que foram indicados dois donos resultavam da junção de duas vacas de proprietários diferentes.
O autor foi vítima do individualismo agrário em que cresceu, em S. Vicente. Mais tarde, aprendeu o que era a torna, na freguesia das Sarzedas, e conheceu a prática comum da pastorícia, nas aldeias da freguesia da Sobreira Formosa, onde, cada dia, uma pessoa apascentava o gado de todos. Há dias, soube, por um aluno, que, numa aldeia da freguesia de Alvito da Beira, só existia uma junta de bois, propriedade de 6 famílias, ficando cada família com a junta de bois, por uma semana.
Era certamente esta a realidade nas povoações do antigo concelho de S. Vicente da Beira, em inícios do século XIX. Nos casos em que se indicam dois proprietários, é porque teriam a junta a meias, um foi com ela, mas os dois apresentaram a conta, para pagamento do serviço.


Para saber mais, consultar: "O Concelho de S. Vicente da Beira na Guerra Peninsular", de José Teodoro Prata, publicado pela Associação dos Amigos do Agrupamento de Escolas de São Vicente da Beira, em 2006.