A chamada rua que vai da praça para a devesa tomou depois o nome de um homem que vivia nela: Niculao Vellozo de Carvalho e Tavora, natural de São Vicente da Beira.
Ele surge neste registo do casamento de sua filha Archangela da Cunha, realizado a 21 de fevereiro de 1733.
José Teodoro Prata
Enxidros era a antiga designação do espaço baldio da encosta da Gardunha acima da vila de São Vicente da Beira. A viver aqui ou lá longe, todos continuamos presos a este chão pelo cordão umbilical. Dos Enxidros é um espaço de divulgação das coisas da nossa freguesia. Visitem-nos e enviem a vossa colaboração para teodoroprata@gmail.com
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
domingo, 25 de dezembro de 2016
Auto de Natal
Este ano, para além das filhós, da fogueira e da Missa do Galo, também tivemos teatro na Igreja. Uma peça de Natal escrita pelo José Manuel Santos e José Teodoro e muito bem representada pelo nosso Rancho. Foi lindo!
M. L. Ferreira
Peguei na Etnografia da Beira e procurei tudo sobre o natal. Encontrei um auto de natal pastoril a que o autor, Jaime Lopes Dias, assistiu no Álvaro, Oleiros, em meados do século passado.
Selecionei algumas quadras de Natal, juntei-lhe as nossas filhós com vinho que não fazem mal e já tinha tudo. Mas não resisti a mais um poema de Salvaterra do Extremo.
Dei à mistura a forma de texto dramático e entreguei-o ao Clube de Teatro da minha escola.
Durante as andanças para apresentar o livro dos Enxidros, percebi as potencialidades diversificadas do nosso rancho, a que juntei a poesia de cunho popular do José Manuel dos Santos. Aos primeiros propus representarem o auto e ao segundo que adaptasse as quadras à nossa terra.
O resultado foi muito bom, pelos vistos, pois não pude estar presente.
Fiquei feliz por ter proporcionado um natal melhor. O José Manuel e os atores do Rancho sentirão outro tanto.
José Teodoro Prata
Fotos da Sara varanda
sábado, 24 de dezembro de 2016
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
O nosso Natal
Tradicionalmente,
os preparativos para o Natal em São Vicente da Beira iniciam-se algum tempo
antes do dia 25 de Dezembro.
Os jovens que vão
à inspeção militar reúnem-se ao som de uma corneta, e munidos de imensa força,
coragem e ajuda de algumas máquinas, procuram nos pinhais e vales da Serra da
Gardunha, os melhores e maiores madeiros para acenderem a fogueira. O que
acontecerá no dia 24, antes da Missa do Galo.
A Missa é
celebrada à meia noite, mas, durante o dia e antes da ida à Missa, há que
preparar a Consoada e a Ceia de Natal.
É preciso amassar
as filhóses, deixá-las levedar e depois fritá-las à lareira, acesa com lenha de
oliveira, onde são colocadas as trempes e sobre elas a caldeira com o azeite ou
óleo. As filhoses são tendidas no joelho e ao fritar são viradas com espetos
feitos de paus de esteva.
Aproveitando o
calor da lareira, está uma panela de ferro com água, onde serão cozidas as
couves, as batatas e o bacalhau, que são servidos regados com o fino azeite e
acompanhados com o bom vinho da região.
Depois da
Consoada, vai-se à Missa, onde, no final, o Senhor Vigário dá o Menino Jesus a
beijar. Enquanto os vicentinos, e não só, cantam os cânticos de Natal.
Da vara, nasceu a
vara.
Da vara, nasceu a
flor.
Da flor, nasceu
Maria.
De Maria, o
Redentor.
Alegrem-se os céus
e a terra.
Cantamos com
alegria.
Que já nasceu o
Menino.
Filho da Virgem
Maria.
Ó meu Menino Jesus.
Ó meu Menino tão
belo.
Logo vieste
nascer.
Na noite do
caramelo.
Um
entre muitos outros cânticos, que continuam a ser cantados junto à enorme
fogueira, acesa no centro da Praça.
No regresso a casa
é a Ceia. Faz-se o gró, (chá com aguardente), comem-se as filhoses, as fatias
douradas e outras iguarias tradicionais nesta época.
Na manhã seguinte,
os mais novos procuram, junto à chaminé, os presentes que o Menino Jesus deixou
em cada sapatinho.
Ao longo dos anos,
algumas tradições foram-se renovando e/ou alterando, mas o espírito natalício e
a união familiar, mantêm-se vivos entre os vicentinos. Sempre!
M.ª da
Luz Candeias
Nota: Texto publicado no livro "São Vicente da Beira - Vila Medieval", de Maria do Carmo Prata, 2001
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Vidas do avesso
Não se sabe ao certo de onde é que era,
mas pode bem ter nascido nas encostas da Gardunha, talvez perto da Senhora da
Orada. Os pais, pobres e cheios de filhos, mourejavam de sol a sol em searas
alheias, que de si não tinham nada.
Ele também começou cedo. Primeiro a
guardar cabras, ainda ganapo; depois, já cachopo, ninguém lhe ganhava a cavar
ou a ceifar, e não faltava quem o quisesse à jorna, sempre que era preciso.
E assim se foi fazendo homem, grande,
bem parecido e com a força de um touro. Se calhar por isso não lhe foi difícil
encontrar mulher para casar: uma bonita cachopa, trabalhadora que até dava
gosto; e não tardou um ano, nasceu-lhes o primeiro filho. Um belo menino, rosadinho,
que se via medrar de dia para dia.
Foi nessa altura que soube que andavam
a fazer uma grande barragem lá pela parte de cima do Casal da Serra e foi-se lá
oferecer. Era trabalho ruim, mas certo por alguns anos. Mal encararam com ele,
um homenzarrão daqueles, puseram-no a cortar pedra.
Foram bons, aqueles primeiros anos de
casado: trabalhinho certo; o comer sempre a tempo e horas; a mulher amorosa e
um verdadeiro braço de trabalho em casa e na horta; o filho a saltar que nem os
cabritos.
Mas, lá diziam os antigos: «Não há bem
que sempre dure…» e um dia vem de lá o diabo duma pedra direitinha a ele, que o
ia esmagando. Não o matou, mas levou-lhe dois dedos e a força toda da mão
direita. Teve que abalar, que sem força nas mãos, disse o capataz, não prestava
para aquele serviço. E fez-se de novo pastor, que para guardar gado até os
havia sem braços.
Sentiu a falta da companhia dos outros
homens, que a dos bichos não é a mesma coisa, mas, às duas por três, até já
estava avezado e um dia deu consigo a falar com as cabras como se fossem gente.
Mas eram danadas, aquelas almas do
diabo; sempre à espreita duma distração para se meterem pelo renovo adentro e
darem cabo dele enquanto o diabo esfrega um olho. Um dia foi de tal modo a
estragação que fizeram na seara dum ricalhaço que este não esteve com meias
medidas: nada menos que 400$00 escudos pelos prejuízos. E se fossem para
tribunal, que nem quisesse saber por quanto lhe ficava.
Como não tinha meios para pagar tal
fortuna, foi adiando, até ao dia em que viu aparecer-lhe a Guarda à porta. Saltou
pela postigo das traseiras e ninguém tornou a pôr-lhe a vista em cima, lá na
terra.
Vivia escondido nas partes mais altas
da Serra e só se abeirava duma casa ou dum palheiro quando tinha muita fome ou muito
frio. De vez em quando, pela calada da noite, ia até casa para matar saudades
da mulher e do filho que já estava a ficar um homenzinho. Olhava para ele, a
dormir, e só pedia a Deus que o guardasse, melhor do que tinha feito com ele.
Uma vez, numa noite de invernia, esfomeado
e a escorrer, passou perto duma casa por cima de São Vicente. Sabia ser de um
amigo que tinha arranjado havia muitos anos, uma vez que tinham ido juntos ao
quinto lá para os lados do Alentejo. Voltaram depois a encontrar-se nas obras
da barragem e eram quase como irmãos. De certeza que repartiria com ele alguma
coisa de comer.
Bateu à porta e perguntou pelo amigo,
mas a mulher disse-lhe que não estava, mas não tardaria a chegar. Deu-lhe uma
malga de caldo bem quente e secou-lhe a roupa ao lume. Assim, aconchegado,
aprontava-se para abalar, quando entra por ali adentro uma chusma enfurecida
que lhe amarra os braços e o arrasta para a cadeia, na Praça da Vila.
A meio da noite arranja maneira de
fugir, aproveitando-se da bebedeira dos guardas. Mas não vai muito longe,
porque foi apanhado ainda mal se tinha refeito do susto. Levam-no para Castelo
Branco e ele torna a escapar. Pelo caminho dizem que matou gente e levam-no
para uma enxovia perto de Lisboa, com água pelos joelhos.
Passaram-se alguns anos e um dia, já
doente e sem esperança, quis cumprir o desejo de tornar a ver o sol e conhecer o
mar. Agarrou nas últimas forças e «…conseguiu
partir os grilhões e fugiu a nado. Chegou ao paredão e subiu-o de arrastos,
tolhido das pernas. O sol quente, uma coisa tão boa! Passou o barco patrulha e
soou um tiro. O corpo rebolou e voltou à água.»
Nota: A parte do último parágrafo, em
itálico, foi retirada da história “O Pistotira” escrita pelo José Teodoro e que
faz parte do livro “DOS ENXIDROS AOS CASAIS…”.
M.
L. Ferreira
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Colégio de São Fiel
Este cartaz foi digitalizado de fotocópia de um cartaz em PDF, por isso não se percebe o título, na imagem,
mas lê-se no texto, em itálico.
A associação HiscultEduca é orientada pelo nosso conterrâneo Ernesto Candeias Martins,
professor da ESE de Castelo Branco.
O livro contém estudos apresentados em dois colóquios sobre o Colégio de São Fiel,
promovidos pela HistcultEduca.
José Teodoro Prata
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